Kuork

Apenas Tradutores Errantes

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Boa noite galera, e ai o que estão achando de As Crônicas de Maya? espero que estejam gostando, finalmente cheguei no capitulo 20 que ira abrir as portas para a ação na primeira parte da novel. Boa leitura para todos e peço para que quem puder curta o capitulo no wattpad. 

Reunião

 

A coisa mais estranha que a classe A viu quando chegou ao próximo andar da base foi um golem ajoelhado perto da escada com sua fonte de energia desativada.

Por receio do humanoide voltar a vida a bela Ling ordenou ao grupo que continuassem pelo corredor a frente sem parar para analisar o golem.

Olhando em volta os jovens não perceberam nenhuma mudança desse andar para o de baixo. O espaço entre uma parede e outra era de aproximadamente cinco metros. As paredes eram feiras de metal liso e frio ao toque enquanto o teto era iluminado por linhas de enerjom.

  • Acho melhor andarmos com mais cuidado agora – disse Ling em determinado momento – vamos revezar com batedores nos corredores a nossa frente e por onde viemos. Acho que revezar de dois em dois de cada lado deve servir. Algum voluntário?

Wei e Ryu foram os primeiros a erguer as mãos, seguidos em seguida por uma outra garota do grupo de Ling e por Zico. A Prata mandou Wei e Zico para a dianteira enquanto Ryu e a garota iam para a retaguarda.

  • Fiquem no máximo vinte metros a nossa frente – continuou a falar Ling após dividir as duplas – nos esperem antes de cada curva – ela disse para a dupla da dianteira – e vocês voltem rápido para o grupo se avistarem algo lá atrás.

Os quatro assentiram e foram para suas posições na dianteira e na retaguarda do grupo. Eles seguiram em um bom ritmo até que encontraram uma sala onde os corredores se encontravam. Além do corredor onde os jovens estavam a sala tinha passagem para outros dois corredores.

Lembrando-se da cena onde encontraram o golem da última vez, a classe A adentrou a sala cautelosamente. O receio de encontrar outro golem se movendo ou da sala ganhar vida de repente fez com que os jovens ficassem um pouco ansiosos e paranoicos.

  • Os Padrinhos – sussurrou um dos alunos.

Xi olhou em volta e percebeu um longo quadro em uma das paredes. O quadro com moldura de mármore se estendia por quase toda a parede com uns quinze metros de largura e uns cinco de altura.

Retratado no quadro estavam cenas dos Padrinhos. Em um canto Xi reconheceu a forma corpulenta de Shoukam ensinando os izanitas a cultivarem alimentos nas montanhas. Ao lado, uma cena onde o povo se reunia em volta de Shim’sa, a bela Madrinha que brilhava como se fosse feita de luz estendia os braços para o povo com um rosto bondoso.

Em contraste com a bela visão de Shim’sa estava Yon’Tal. O belo Padrinho com longos cabelos negros estava sentado atrás de uma mesa negra com uma balança a sua frente.  Homens acorrentados eram levados até ele em uma fila indiana e atrás dele alguns homens eram enforcados.

A última imagem do quadro mostrava um grupo de izanitas que seguiam uma trilha cercada por névoa. Provavelmente simbolizando o futuro desconhecido, um caminho que poderia levar a mudanças na vida. Olhando com atenção o jovem Xi conseguia ver uma figura encapuzada que parecia se misturar com a névoa. Com certeza aquela imagem representava Ukshi, o Padrinho das mudanças.

O grupo de alunos permaneceu um pouco na sala em silêncio respeitoso. Muitos deles fizeram suas orações em silêncio rezando para que encontrar o quadro fosse um bom sinal.

  • Vamos! – disse Ling por fim – temos que seguir em frente.

Enquanto deixava a sala para trás, Xi não pôde deixar de pensar no sacerdote Haku no santuário da Academia. Um ex-soldado que servia a Academia como sacerdote. A postura do homem e a prótese eram prova suficientes sobre o possível passado do homem. Eu deveria conversar mais com ele quando voltar. Pensou Xi permitindo-se abaixar a guarda por um momento.

Mas você vai voltar? Sussurrou uma voz dentro de sua cabeça fazendo com que errasse o passo é quase caísse sobre a pessoa a sua frente.

  • Esta bem, Xi? – perguntou Swam se colocando ao lado do Bronze.

  • Tudo bem. Estou bem.

Mas ele não estava. Um péssimo sentimento tomou conta dele após ouvir aquele sussurro. De onde viera a voz? Ele estava imaginando coisas? Deixando as preocupações tomarem contas de seus nervos? Fazendo a mente lhe pregar peças?

  • Alto! – Se elevou a voz de Ling enquanto a jovem erguia um punho fechado.

Xi olhou primeiro para a jovem e em seguida para frente. Wei estava agachada antes de uma curva olhado para outro corredor enquanto Zico vinha até o grupo com passos rápidos e largos.

  • O que foi? – perguntou Feng se adiantando quando o jovem os alcançou.

  • Temos companhia – avisou o plebeu.

  • Um golem? – perguntou Ling criando um alvoroço entre os alunos – Fiquem quietos.

  • Não, o que eu e Wei vimos é um grupo de pessoas – disse o jovem balançando a cabeça – provavelmente com o mesmo número de pessoas que temos aqui.

  • Será outra classe?

  • É possível. O que faremos?

  • Não há por que trata-los como inimigos – Disse Ling após um momento de reflexão – mas também não tem porque trata-los como amigos. Feng, mantenha a classe em formação. Chame Wei de volta.

A frase no final ela disse olhando para Zico que saiu correndo para a avisar a plebeia que ainda observava o corredor de onde vinha o grupo desconhecido.

  • Parecem alunos – ela disse quando voltou para a fileira da classe A – mas algo parece errado.

  • Como assim? – perguntou Ling franzindo a testa.

  • Você verá– disse a plebeia franzindo a testa também e apertando o cabo de sua almasha.

A classe A esperou em silêncio, duas filas dívidas entre os alunos armados com almashas e alfings. Xi, Ryu, Wei, Zico e mais um outro garoto formavam a linha dos espadachins enquanto o resto dos alunos formavam a linha dos atiradores.

Eles esperaram em silêncio até que conseguiram ouvir os passos do novo grupo e acompanhando os passos vieram as vozes pedindo para que se apressassem, para que não parassem.

Ling que estava na linha de atiradores primeiro olhou para Feng ao seu lado e em seguida para Xi na linha de trás. O jovem Bronze viu claramente a confusão estampada no rosto da bela jovem.

Os alunos da classe A esperaram, e esperaram enquanto as vozes ficavam mais altas e mais reconhecíveis. Quando os primeiros alunos cruzaram a curva do corredor e batendo de frente com a formação da classe A teve um momento de silêncio constrangedor onde ninguém se moveu.

  • Voltem para o corredor – gritou Bo avançando com uma almasha ativada em direção a fileira da classe A.

  • Espere, Bo – Xi quebrou a formação com as mãos erguidas – não queremos lutar.

Vendo Xi desarmado na frente da linha de combate o musculoso Bronze parou de correr fazendo com que os poucos alunos que o seguiram parassem também.

  • O que aconteceu com vocês?- perguntou Xi vendo que quase todos os alunos estavam feridos – encontraram os golens?

  • Ha. Antes tivessem sido os golens – escarneceu Bo – nosso inimigo era feito de carne e osso…

  • E sangue,  muito sangue – cortou um rapas atrás de Bo. Seu olho direito encarava Xi com intensidade enquanto o esquerdo estava escondido atrás de um pano ensanguentado.

  • Acabamos de passar por uma sala onde podemos descansar – comentou Ling fazendo um gesto para desmanchar a formação – podemos cuidar das feridas de vocês lá enquanto nos contam o que aconteceu.


A classe A levou o novo grupo até uma pequena sala onde dois corredores se encontravam. Depois de colocar vigias nas entradas dos dois corredores e distribuir um pouco de comida para os feridos, a bela Ling se sentou com Xi, Feng, Bo, Ial e um outro Bronze da classe D.

  • Eles tiveram sorte que estamos por perto – resmungou Bo se referindo aos alunos da classe D.

  • E você tem minha gratidão pela ajuda, Bo – o jovem Bronze da classe D se curvou para Bo respeitosamente.

  • Mas o que exatamente aconteceu? – perguntou Xi – Quem atacou vocês?

  • Eu não sei quem eles eram – respondeu o Bronze – estávamos descansando em uma sala como essa quando eles apareceram. Um grupo de homens encapuzados armados com  da’mashas e pequenas bestas. Eles atacaram de maneira rápida e eficiente derrubando os vigias com os dardos conforme seus guerreiros investiam contra nós.

O rapaz parou de falar e seu rosto se contraiu conforme se lembrava do que tinha acontecido.

  • Eu vi pelo menos dois dos nossos serem mortos – continuou ele – Um teve um dardo cravado no olho enquanto o outro foi degola. Outros cinco dos nossos estavam caídos incapacitados e mais estariam se a classe B não tivesse chegado.

  • Nós ouvimos o som da luta – disse Bo tomando a narrativa para si – e fomos investigar. Encontramos a classe D sendo subjugada por uma força desconhecida. Tivemos que agir rápido para evitar mais baixas. Atacamos os malditos por trás matando três deles no processo. Mas aí eles recuaram rapidamente sobre a cobertura de seus atiradores.

  • E na fuga eles levaram dois dos nossos com eles – finalizou o Bronze da classe D com um tremor na voz.

  • Calma Hans – disse Bo apertando o ombro do rapaz – vamos pegar eles e resgatar Ko e Awzu.

  • E nós iremos ajudar – adiantou-se Ling – Feng, distribua as armas e uniformes que sobraram para eles.

Feng já estava de pé antes mesmo que Ling terminasse de falar chamando alguns dos alunos da classe A para ajuda-lo. Xi que tinha se mantido sem silêncio até agora resolveu se pronunciar. O sexto filho da família Zhang se inclinou em direção a Bo perguntando em voz baixa.

  • O que você acha Bo? Esses invasores fazem parte do teste?

O musculoso Bronze encarou Xi em silêncio. Seu rosto se franzia enquanto ele pensava na pergunta de Xi, e pelo que o jovem Bronze viu, Bo não foi o único que parou para pensar no assunto.

  • Você acha que o ataque não faz parte do teste? – Perguntou Ling após um momento.

  • Não sei, Ling. Por isso estou perguntando a quem estava lá.

  • Devem fazer – respondeu Bo após um momento de reflexão – a Academia deve estar nos vigiando. Quem seria louco de tentar algo? E o que ganhariam com isso?

  • Estariam matando dois membros das linhagens Pratas e uma boa porção de futuros Bronzes – comentou Ial sorrindo como se a resposta fosse óbvia e nada perturbadora – Nosso caro amigo aqui – continuou ele apontando para Xi – tocou em um assunto interessante. E se os atacantes não fizerem parte do teste? Como vamos agir?

Os jovens Bronzes reunidos se calaram. Xi que tinha encontrada a sala com seu grupo quando se separou de Ling estava desconfiado porque dentre as três informações que recebeu nenhuma falava sobre um grupo armado. Mas também não disseram nada sobre as outras classes. Então o que estava acontecendo? A academia tinha colocado um grupo armado para enfrenta-los além dos golens? Ou algo estava errado?

  • Não importa se fazem parte ou não do teste – disse Ling por fim com convicção – Vamos encontra-los e fazer com que paguem pelas mortes que causaram.

  • E vamos resgatar meus companheiros de classe – complementou Hans.

  • E vamos resgatar os membros da classe D. Depois que cuidarmos deles, podemos tentar descobrir se são ou não parte do Teste.


  • Caralho! Como isso arde – resmungou um homem barbudo conforme um de seus companheiros despejava uma loção sobre um corte costurado em seu ombro.

  • Fique quieto – disse o homem que passava a loção – a loção ainda vai demorar um pouco para cicatrizar de vez a ferida.

  • Malditos pirralhos – o homem cuspiu uma massa marrom e grudenta no chão – Ei, Ca’ow! Porque vocês não nos avisaram sobre o segundo grupo?

  • Não podemos avisar sobre algo que não podemos ver – retorquiu um homem magrelo com uma besta sobre o colo – Culpe aquele lixo do You por não ter avisado.

  • Falando nisso – interrompeu o homem que passava a loção – ele já achou os alunos?

  • Já! – respondeu uma voz potente calando o trio e todos os outros presentes.

Mais de trinta homens usando capas estavam descansando em uma pequena sala. Um único corredor dava acesso a sala e vindo desse corredor entrou um homem trajando una capa negra com o capuz cobrindo o rosto.

A capa estava um pouco inclinada no flanco esquerdo do homem de onde o cabo de uma almasha surgia imponentemente.

  • Foi um erro deixar o comando do ataque em suas mãos, Wico – disse o homem de preto se dirigindo a um outro corpulento homem barbudo – como pode ter falhado em uma missão tão simples.

  • Não sabíamos que outra classe estava próxima – se defendeu o homem erguendo as mãos.

–  Deveria ter se precavido – cortou o homem – cansei de dizer que vocês não devem abaixar a guarda não importa a situação.

  • Eles ainda estão presos nessa base – tentou dizer Wico olhando em volta em busca de apoio de seus companheiros – já pegamos dois, logo teremos o resto.

  • Sim, logo teremos o resto – sussurrou o homem inclinando a cabeça em direção a Wico.

Antes que Wico percebesse, um dos homens atrás dele deu um passo para frente enterrando uma longa adaga em sua nuca.

  • Mas um comandante deve pagar pelas baixas desnecessárias de seus homem. Eu irei liderar o próximo ataque.

Todos os homens se levantaram assumindo uma posição de sentido enquanto o rosto escondido no capuz se virava para observa-los.

  • Teremos que agir rápido. You está tentando atrasar a Academia e as tropas nas proximidades, mas chegará o momento que seremos descobertos e quando isso acontecer eu não quero estar por perto.

Xi e os outros nobres ainda estavam discutindo sobre o curso de ação quando Swam e Buco se aproximaram de cenho franzido.

  • O que aconteceu? – perguntou Xi quando avistou os primos.

  • Acho que temos um problema – respondeu Buco coçando a cabeça.

  • Explique-se – pediu o Bronze.

Os outros nobres pararam de falar para prestar atenção na conversa de Xi com os dois plebeus. Ling e Feng que já tinham visto as capacidades dos primos em aula ficaram sérios quando ouviram eles dizer que eles tinham um problema.

  • Nosso grupo ficou grande de mais – começou Buco – e já demos uma boa parte de nossa comida para os feridos…– ele fez uma pausa procurando as palavras para se expressar – entenda, tínhamos um pouco de comida para uns dois ou três dias se tivéssemos racionado entre o nosso pequeno grupo.

  • Mas com a chegada das Classe B e D e com a situação atual – continuou Swam dando de ombros – já gastamos mais da metade do que tiramos do refeitório. Mesmo racionando, o que temos agora não ira durar até amanha e não temos previsão para o fim do teste.

  • Então o que estão querendo dizer? – perguntou Xi – Devemos voltar para o refeitório? Pegar o que não conseguimos trazer?

  • Infelizmente não temos tempo para isso – cortou Ling delicadamente – temos que caçar os animais que atacaram a classe D e resgatar os dois alunos cativos.

  • Entendemos isso – Swam inclinou a cabeça em respeito a Prata antes de continuar – mas podemos mandar um pequeno grupo para recolher os alimentos enquanto o resto vai ao combate.

  • Podemos usar os feridos nessa missão de coleta – argumentou Buco – alguns não estão em condições de combater, mas podem pelo menos carregar um pouco de comida.

Ling ergueu a mão pedindo para que os primos se calassem, ela olhou para os nobres reunidos recebendo de cada um após um momento de reflexão um aceno de concordância. A jovem mordeu levemente o lábio perguntando-se se aquela seria a melhor ação a se tomar no momento, mas por fim assentiu para os primos Q’wem.

  • Deixarei essa missão em suas mãos, Swam. Sua memória para ir ao refeitório e voltar é a melhor entre todos aqui. Mas temo que por causa dos encapuzados, nós tenhamos que mudar de local antes que vocês voltem. Se lembra de algum lugar onde poderíamos marcar um ponto de encontro?

  • Infelizmente o mapa do andar inferior só mostrava o que tinha naquela andar – respondeu o pequeno jovem balançando a cabeça em negação – mas caso algo aconteça vocês poderiam recuar até a sala com o quadro dos Padrinhos – Swam então se virou para seu primo – Consegue encontrar o lugar de novo?

  • Fácil, fácil – respondeu o gorducho.

  • isso resolve a maioria de nossos problemas por hora – Ling se ergueu olhando em volta para os alunos que descansavam no corredor – reúna os que você vai precisar e parta o mais rápido possível, Swam. Algo me diz que teremos uma longa provação pela frente.

 

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