Kuork

Apenas Tradutores Errantes

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Encurralados

 

   Cada passo dado pelo trio era acompanhado por um passo dos homens encapuzados. Xi veio a perceber conforme se acalmava que En estava mancando um pouco. Xi não sabia dizer se era por causa da lesão da expedição nas trilhas ou se tinha sido ferido durante o combate. E Ryu não parecia estar muito melhor, ele andava acompanhando o passo dos outros dois alunos, mas Xi conseguia ver que uma vez ou outra ele tocava as costelas com a mão direita e fazia uma careta. Xi queria perguntar como seus companheiros estavam, mas isso poderia resultar em uma distração que nenhum deles poderia ter no momento.

– Estamos chegando a uma sala – sussurrou En.

   Xi arriscou uma olhada sobre o ombro e viu uma área mais iluminada alguns metros atrás deles. Isso vai ficar complicado agora. Assim que chegassem na sala eles perderiam a proteção das paredes e poderiam ser flanqueados pelos inimigos.

   O jovem Bronze começou a pensar preocupadamente em como resolver esse problema, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa uma voz cortou seus pensamentos.

– Já é o bastante meus jovens – a voz era alta e potente, com um tom claro de comando – larguem as armas e podemos fazer as coisas sem violência.

   O trio olhou para a sala surpresos e com um toque de desespero no olhar quando viram um grande grupo de homens encapuzados. Alguns armados com bestas apontadas para as costas deles e outros segurando da’mashas. A situação ficou ainda mais desesperadora quando viram Suh’sa entre eles agarrada por um brutamonte que mantinha uma faca no pescoço da jovem.

– Se entregarem-se pacificamente eu posso pensar em deixa-los vivos – disse um homem de preto que diferente dou homens que usavam capuzes marrons sujos e pequenas capas estava trajado com roupas finas tão escuras quanto a noite – mas se resistirem vou matar cada um de vocês lentamente. Agora, larguem as armas.

  Xi sentiu um calafrio na espinha conforme ouvia o homem falar e a situação não ficava melhor com ele balançando a alfings de Suh’sa em direção ao trio. O homem de preto dava a Xi uma sensação de perigo muito parecida com a que ele presenciou nas trilhas quando ficou face a face com o Gato das Montanhas.

  Passos atrás de Xi fez ele voltar sua atenção para o grupo do Homem com a Faca que tinha dado passagem para dois homens armados com bestas. Um era pequeno e usava uma besta leve apontada para Ryu enquanto o outro era alto e com ombros largos e apontava uma besta bem pesada para En.

– Eu não tenho o dia todo, meus jovens – disse o homem de preto com um toque de impaciência na voz – o que vai ser?  

– Xi? – perguntou Ryu olhando uma hora para o corredor e outra hora para a sala.

  Xi encarou os companheiros vendo nos olhos dos dois plebeus uma aceitação pragmática da situação. Xi cerrou os dentes. Então é assim que vai acabar? Irei morrer nesses corredores mal iluminados em uma base que nem sei onde fica?  Enquanto esses pensamentos viam a mente de Xi, o Bronze se lembrou do encontro inicial com os encapuzados. A reação do Homem com a faca ao olhar o rosto de Ron, suas palavras ditas em seguida e a chance de matar Xi desperdiçada com um golpe no ombro.

  Então Xi entendeu o plano dos inimigos, entendeu porque disseram que Ryu e En não tinha utilidades para eles. O jovem Zhang olhou primeiro para o homem com a faca antes de se voltar para o homem de preto.

– Promete a segurança de todos nós se nos entregarmos?

  O homem de preto inclinou sua cabeça encapuzada para o lado ao ouvir as palavras de Xi. O movimento do homem espalhou mais uma onda de calafrios pelo corpo do Bronze. Era como uma coruja inclinando sua cabeça para um roedor que tinha a audácia de confronta-la.

– Mas é claro, meu jovem – o homem apontou ligeiramente para Suh’sa – nossa querida bonequinha aqui não quis dizer seus nomes, poderia fazer as honras?

– Assim que você se apresentar primeiro. Onde esta seu respeito pelos costumes de nosso povo?

– ha! ha! ha! – o homem riu, ou melhor dizendo, o homem de preto gargalhou muito ao ouvir as palavras de Xi – Onde estou com meus modos – disse o homem se recompondo – Que degenerado sou eu não é pessoal? Ah, meu jovem. Eu gostei de você. Deixe que eu me apresente então. Meu nome foi abandonado a muito tempo, hoje meus companheiros me chamam de Arkagim.

  Xi contraiu o rosto ao ouvir o nome, lhe parecia ser levemente familiar, mas ele não sabia dizer de onde sentia isso. 

– Entendo, eu sou Xi da família Zhang da Província das Chuvas Cortantes. Acredito que eu seja um de seus alvos.

– Porque acha isso, jovem Zhang – perguntou Arkagim inclinando a cabeça novamente – não esta se superestimando, sexto filho de Xen?

  Ao ouvir o nome de seu pai o jovem Xi não pôde deixar de apertar o cabo de sua espada com mais força, a maneira como Arkagim, ou qualquer que fosse o nome do homem tinha falado fez com que algumas das suspeitas de Xi se confirmassem.

– Não estou me superestimando, Senhor Arkagim – disse Xi continuando seu jogo – mas seus homens falam de mais.

– Aah! – Arkagim se inclinou como se olhasse para os homens no corredor – isso é bem uma verdade, terei que disciplina-los mais tarde. 

  As palavras do homem embrulharam o estomago de Xi, e olhando para os homens que se remexiam desconfortáveis em volta do trio ele pôde dizer que o mal-estar que Arkagim lhe causava também era sentido pelos outros.

– Essa conversa esta até interessante, jovem Zhang – continuou Arkagim – mas já é hora de abaixarem suas armas.

– Não se renda, Xi – gritou Suh’sa desferindo uma cabeçada no homem que a segurava – ele vai acabar matando todos nós…

  A garota foi silenciada recebendo um soco no estomago de um dos encapuzados e foi derrubada de joelho por outro. O homem que levou a cabeçada se aproximou dela com o pano que cobria o rosto lambuzado de sangue erguendo uma faca.

– Vai pagar por isso sua cadela…

  Xi pensou que o homem ia matar Suh’sa naquele momento, mas o homem de preto ergueu uma mão fazendo com que todos congelassem.

– Não a mate – veio a voz de Arkagim fria e desprovida de sentimentos – ela é bonita, vai valer dinheiro no mercado negro. Tire uma orelha como castigo, o cabelo vai crescer e cobrir a ferida.

  O homem com a faca assentiu e se inclinou sobre Suh’sa segurando a faca na mão direita e a orelha da jovem na esquerda. Um único movimento e Suh’sa estava gritando e esperneando sob o peso do homem, a lateral de seu rosto ensanguentada e sua orelha solta entre os dedos do homem. 

– É melhor que se comporte agora, cadela – grunhiu o homem mostrando a orelha para ela – ou da próxima vez corto seus dedos.

  En deu um passo como se fosse partir para cima do homem, mas Xi ergueu uma mão segurando seu ombro. O garoto lançou um olhar de raiva e rancor para Xi, mas o Bronze só pôde balançar a cabeça com tristeza apontando para todas as bestas apontadas para eles.

– Morreríamos antes de sair do corredor – falou Xi com tristeza.

– Esta vendo, jovem Zhang? – perguntou Arkagim erguendo a voz na direção do trio – minha paciência tem limite, não teste-a.

  Xi inclinou a cabeça para Arkagim fazendo sinal que entendia, ele suspirou e começou a baixar sua arma sendo imitado com um pouco de relutância pelos dois plebeus. Enquanto se abaixava, Xi não tirava os olhos de Arkagim que devolvia o olhar por sob o capuz. Foi graças a estar encarando o homem de preto que Xi percebeu que algo ia acontecer.

  De repente a cabeça de Arkagim se ergueu como se ele tivesse ouvido alguma coisa e então ele se virou para um corredor atrás dele gritando.

– Estamos sobre ataque, espalhem-se!

  Mas já era tarde. Feng entrou na sala seguido por um grande grupo de alunos armados com alfings. Enerjom voou em direção aos encapuzados que pulavam e rolavam pelo chão tentando não serem acertados. Muitos caíram aos gritos enquanto outros se viravam e devolviam os disparos com os dardos das bestas e Xi viu muitos dos alunos ao lado de Feng cambalearem acertados pelos inimigos.

– Corram! – gritou Xi para seus companheiros.

  En e Ryu rapidamente seguiram para fora do corredor no momento que os beiteiros no corredor disparavam seus dardos. Ryu se jogou no chão rolando enquanto o dardo que o alvejava passava a centímetros de sua cabeça. Já En não conseguiu se mover tão rápido, assim como Xi já esperava. O dardo estava a quase a um palmo da cabeça do plebeu quando a almasha energizada de Xi passou assobiando dividindo o dardo em dois. 

– Filho da p**a!- exclamou um dos encapuzados surpreso antes que o líder com a faca mandasse os guerreiros avanças.

  Xi e En recuaram ombro a ombro lentamente por causa da lesão do plebeu enquanto quatro homens avançavam aos berros para ataca-los. Xi firmou sua postura e ergueu sua almasha tingida de azul para os homens que hesitaram em avançar por um momento que o Bronze não desperdiçou dando dois passos para frente e atacando dois homens. 

  Os dois encapuzados pularam para trás assustados, mas logo avançaram novamente tentando usar a diferença numérica para sobrepujar os dois alunos. Xi se movia como um louco movendo sua almasha de um lado para o outro fazendo uso do Ju’gam para afastar os inimigos até que sua espada subiu expondo sua barriga. Um dos atacantes vendo uma chance acabou atacando o jovem Bronze, um erro fatal pois se esqueceu de En que abriu um profundo corte em seu braço.

  Nessa hora Xi e En já tinham recuado até a sala que estava repleta de sons de batalha por todos os lados. As classe A, B e D tinham investido contra os encapuzados sobre a liderança de Ling, mas nem todos os alunos tinham as habilidades de combate que o pequeno grupo de Xi tinha e muitos dos encapuzados eram fortes o suficiente para lidarem com dois ou três alunos sozinhos. Um dos principais flagelos dos alunos era Arkagim. O homem de preto se movia com uma graça mortal empunhando uma almasha energizada. 

  Xi viu o homem decepar o braço de um aluno e fazer um corte profundo na perna de uma garota antes de ser interceptado por Wei e Bo que atacavam furiosamente o homem de preto.

– Tem certeza que pode ficar prestando atenção nos assuntos dos outros? – perguntou o homem com a faca que tinha executado Ron se aproximando de Xi ao lado de um outro encapuzado.

  De canto de olho, Xi pôde ver os outros dois combatentes investindo contra En que mancava para longe. Xi bem queria ajudar o companheiros, mas isso só resultaria em sua morte já que o usuário de facas e seu companheiro tinham chegado até o jovem Bronze.

– Vamos ver do que um nobre é capaz – comentou o usuário de facas rindo enquanto iniciava o ataque.

 

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