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A Sextaessência

Com nossas táticas e estratégias conseguimos rechaçar as investidas das frotas Avolianas. A moral cresceu, os capitães sentiram-se otimistas e por um momento acreditamos poder reverter a situação desesperadora. Então eles vieram. Nós os nomeamos de Leviatãs – imensos Cruzadores Avolianos dez vezes maior do que qualquer cruzador da República. Seus canhões pesados afundavam nossos Encouraçados com um único disparo e nossas táticas nada serviram contra aqueles monstros. Eramos como barquinhos de madeira enfrentando navios de guerra do século XXI. Lembro-me de entrar em desespero, quando os canhões miraram em nossa fragata. fiz o que todo soldado faz quando está diante a morte: rezei a deus. Então, deus todo poderoso nos salvou. Ele mandou seus anjos com espadas flamejantes. Mandou os Magistrados.

Relato anônimo de um oficial durante a batalha final contra as Frotas dos Pagãos alienígenas. Fonte: livro Deus não morreu escrito pelo Pastor Julius Garden.

Senador Mário, em seus 73 anos de vida viu coisas durante suas viagens espaciais que fugia da compreensão humana. A galáxia era cheio de mistérios, os Magistrados eram um deles. Era jovem quando os Magistrados intervieram na batalha final entre os Humanos e Avolianos. Escutou os mais fantasiosos relatos sobre a aparição dos Magistrados. Não acreditava em nenhum deles. Era um homem cético, mas, nada o havia preparado para o que estava preste a testemunhar.

“Relaxe sua mente” instruiu ela ao seu neto.“Vou usar minha energia escura para sondar seu corpo em busca de sua fonte de poder. Caso tenha o dom, irá se revelar no meio de sua testa, aonde de forma inconsciente está conectado com um dos sete princípios do cosmos.”

A bruxa estava em pé diante do pequeno Aur, explicando termos desconhecidos qual não compreendia. O Senador notou seu neto franzir a testa em confusão. Parecia ter muitas perguntas em sua mente.

“Sete princípios?” Senador perguntou no lugar de seu neto.

“Todos Magistrados nasce conectado com um dos sete princípios do cosmos” respondeu num tom límpido.”No meu caso e de todas as Bruxas, nascem com a conexão com a sextaessência, o princípio infernal, que concede o dom de conjurar as forças escuras do cosmo.”

Ela não falou mais nenhuma palavra. É encostou um dedo na testa do pequeno Aur. Em resposta, arrepiou-se como se tivesse levado um choque elétrico. Ao redor do braço direito dela, o ar tremeluziu levemente e tornou-se denso, convertendo-se em uma espécie de energia escura. No mesmo instante, a energia estranha negra fluiu para a cabeça do pequeno Aur. Sob a cabeça da Bruxa, surgiu uma névoa escura, como uma nebulosa, formando uma auréola e dentro dela era perfeitamente visível seis estrelas cintilantes.

“O-oque diabos….” sussurrou o Senador, boquiaberto pela súbita mudança da Bruxa.

“Nós o chamamos de anel do poder” disse a Bruxa sem olhar para ele concentrada na energia escura que fluía para seu neto.“Todo Magistrado tem um nível de poder. Quanto mais alto for a fonte de poder de um Magistrado, mais estrelas ele vai ter. Somente um Magistrado seis estrelas consegue materializar o anel do poder.”

Nos relatórios, os soldados veteranos que participaram da batalha final, sempre descrevia os Magistrados como anjos – principalmente pelos soldados que cultuam a velha religião. O primeiro contado com os alienígenas havia abalado as principais religiões da terra. E os mais fanáticos acreditam que os Magistrados são os anjos de seu deus e os alienígenas, Avolianos, eram demônios. Felizmente era pouquíssimos os fanáticos e o bom senso e a sabedoria prevaleceram sobre os tolos preconceitos religiosos.

“Ele tem o dom……” murmurou a Bruxa sem terminar a frase. De repente sua feição alterou-se.“Não poder ser….” murmurou mais uma vez.“É impossível….Isso muda tudo que sabemos sobre a sextaessência……Como é possível?!”

A bruxa estava abalada. Havia confusão em seus olhos. Preocupado, o Senador tentou se aproximar, mas logo deu um passo para trás. Os olhos do pequeno Aur tornou-se escuros como um abismo sem fundo e o ar ao redor de seu corpo começou a tremeluzir e as luzes artificiais do escritório piscar. Houve um ruído estridente, uma névoa escura sinistra emanava sem parar a partir do pequeno Aur.

“O que está acontecendo?!” Senador gritou para a Bruxa em choque.

“Ele foi possuído” respondeu atordoada.“Ele é um……Cuidado!”

O Senador viu a névoa negra se condensar em uma mão demoníaca, caíndo sobre ele, visando o cortar em pedaços. Alertado pela Bruxa, saltou do sofá, evitando a garra demoníaca que passou poucos centímetros de seu corpo. O sofá qual estava sentado foi retalhado.

Uma segunda garra se condensou visando a Bruxa.

A bruxa levantou a mão formando uma palma. Quando a garra caiu sobre ela, foi impedido por uma barreira semitransparente. Outras garras se condensou e a névoa que emanava do pequeno Aur, tornou-se cada vez mais escura dando forma a um ser demoníaco exalando uma terrível sede de matança.

“Eu vou cuidar dele! Saia do escritório e não deixe ninguém entrar!” gritou a Bruxa para o Senador. Ele hesitou. Queria ajudar seu neto de alguma forma.“Vá agora! Se você ficar vai apenas me atrapalhar!”

Ele mordeu seus lábios até sangrarem e correu pela porta. Antes da porta fechar viu todo escritório ser dominado por uma escuridão aterradora. Por alguns instante teve a sensação de que havia algo naquela escuridão. Depois de fechar a porta. Escutou os guinchos animalescos e o sons de pancadas contra as paredes, como se alguém estivesse batendo com uma marreta.

O Senador sentou-se no piso do corredor enquanto ouvia o som de bater os dentes vindo dos soldados que protegia a entrada do escritório. Eles eram soldados veteranos, forjados em várias batalhas, mas nada podia os preparar para o sons medonhos da batalha dentro do escritório. O Senador pensou que era natural o medo dos soldados, já que até ele mesmo não parava de tremer.

“Se a coisa que estiver fazendo esse som sair……” gaguejou um dos soldados.

“Atiramos sem parar” interrompeu o soldado com as mão trêmulas sobre a arma.“Atiramo até o que for que estiver lá dentro volte para os quinto dos infernos!”

Após incontáveis minutos, o que pareceu uma eternidade, tudo ficou em silêncio. Não havia mais sons medonhos. Os soldados imediatamente apontaram seus fuzil de assalto Slayer D-097 para a porta. Se o Senador não estivesse com tanto medo igual aos soldados, acharia engraçado ver soldados forjados em várias batalhas tremer como crianças medrosas.

“…Senador……” disse a Bruxa atrás da porta, sua voz era visivelmente cansada.“…Entre…”

O Senador afastou os soldados engoliu em seco sua saliva e entrou no escritório, e o que viu, o fez suar frio; marcas de garras estavam por todos cantos do escritório e qualquer móvel havia sido transformado em uma pilha de destroços. Sua nora estava sentada no chão com seu neto desacordado em seu colo. A bruxa estava ofegante, filetes de sangue escorria por seus braços aonde o bio-traje havia sido destruído. O Senador não ousou imaginar o poder monstruoso necessário para poder destruir um bio-traje feito de fibras de carbono.

“O que diabos aconteceu?!”

“Até os dias atuais, apenas mulheres nasceram com a conexão com a sextaessência, o princípio infernal” falou num tom enfraquecido sem tirar as mãos do pequeno Aur.“Mas, de algum modo, ele tem uma conexão com o princípio infernal. Ele é um Bruxo, e acredite em mim, nunca houve um Bruxo e não posso nem imaginar o que isso significa para a galáxia.”

O Senador não entendia nada sobre os poderes dos Magistrados. Mas sabia que o fato de seu neto ser um Bruxo era um assunto grave.

“É….Aquela coisa que estava o possuíndo…O que era?” perguntou num tom baixo.

“O poder que podemos manifestar no mundo depende da porcentagem de nossa compatibilidade com um dos sete princípios” respondeu vagamente afagando o cabelo do pequeno Aur.“Quanto maior a compatibilidade, maior o poder você poderá manifestar. Porém existe um risco para aqueles sem treinamento. Uma alta compatibilidade também significa maior chances de você ser possuído por uma entidade de um dos sete princípios. No passado, quando não havia um Conselho do Magistrado, houve uma Bruxa que nasceu com 49% de compatibilidade com a sextaessência. Não se sabe os detalhes do que aconteceu, apenas que ela foi possuída por uma entidade poderosa do princípio infernal. Manifestando 49% foi o suficiente para a entidade infernal dizimar dezenas de sistemas solares inteiros e só foi parado quando todos Magistrados da época se uniram.”

Não era uma história que todos Magistrados conheciam. É a Bruxa só conhece a história através de sua mestra que lhe contou a terrível verdade por trás da formação do Conselho dos Magistrados. Para impedir que uma calamidade igual voltasse acontecer no futuro.

“Qual a porcentagem de combatibilidade dele?” perguntou o Senador com a voz rouca.

A Bruxa não respondeu. Fitou o rosto adormecido de seu filho que lembrava seu marido morto em combate. Mesmo ela temia o que poderia acontecer com seu filho. Já havia ensinado Bruxas Jovens a controlar seus dons. Mas não tinha confiança e nem força para treinar seu filho.

“100%” respondeu com um olhar abatido.

O senador empalideceu. Uma Bruxa no passado com 49% de compatibilidade foi o suficiente para causar uma calamidade sem precedentes na galáxia. O que aconteceria se seu neto fosse possuído e manifestasse 100% do poder da entidade? O Senador entendeu que o pequeno Aur era como uma bomba relógio, é quando detonasse, seria o fim da galáxia.

“O que vai acontecer com ele?” perguntou com a voz rouca, temendo a resposta.

“Aur precisa aprender a controlar seu dom, mas não sou forte o suficiente para ensina-lo” respondeu num tom auto-depreciativo.“Só existe uma pessoa em toda galaxia que pode o ajudar.”

Moveu sua mão, acessando seu TPDA, olhando sua lista de contado até parar em um nome. Hesitou por um momento, não desejava depender daquela pessoa, mas pelo bem de Aur, não havia outra escolha. Clicou no ícone de contado de sua mestra e fez uma vídeo chamada.

A conexão foi feita.

Na tela era possível ver apenas escuridão.

De repente, na tela escura, surgiu um par de olhos felinos azul cristalino.

“Ora, ora, se não é minha discípula ingrata” disse a voz feminina vindo da tela.“Quantos séculos faz desde a última vez que nos encontramos criança?”

“Mestra, essa discípula ingrata necessita de sua ajuda” a Bruxa disse num tom educado.“Somente a Mestra pode ajudar essa discípula ingrata” fez um arco abaixando a cabeça.”Eu imploro ajuda da Mestra!”

Não houve resposta. O par de olhos felinos a encararam por vários minutos. Depois de um longo suspiro e meia duzia de resmungos falou:

“Para uma criança tão selvagem estar implorando minha ajuda deve ser algo bem grave” resmungou e pelo cenário do escritório e o estado de sua discípula ela já havia deduzido que poderia ajuda para algo problemático.“Me conte, criança ingrata, qual é o problema?”

A Bruxa contou tudo sem omitir nenhum acontecimento.

“Hum….Um Bruxo hein….Hehehe” a voz feminina começou a rir gostosamente.“Você vez a coisa mais sensata possível ao me contatar. Um Bruxo não é uma daquelas alunas jovenzinhas com dons medíocres da Ordem das Bruxas.”

“Mestra…Pode ser que ele não é o primeiro Bruxo que conheceu?” pergunto ela espantada.

“Claro, quem você acha quem eu sou?” falou com uma raiva súbita e com um tom arrogante falou:“Quando todos membros do Conselho dos Magistrados estavam no úteros de suas mães, eu já caminhava pelo universo estudando os mistérios da energia profunda do cosmos! Eu sou, Morrigan Lune Effroi Privity, a última senhora do vácuo, é não há nada que eu não conheça no cosmos!”

Ela guinchou. A Bruxa odiava os súbitos ataques de raiva de sua Mestra. No cosmo talvez não exista alguém mais antigo e poderoso do que sua Mestra, a última senhora do vácuo da galáxia.

“Mande o pirralho para essas coordenadas” mandou as informações através da video chamada.“Eu vou treina-lo.”

De forma súbita encerrou a chamada antes que a Bruxa pudesse agradecer.

O destino de Aur estava selado. Ele aprenderia a controlar seus poderes com a mais antiga e poderosa senhora do vácuo. Em breve Aur iria dar os primeiros passos para ser o maior Bruxo de toda história da galáxia.

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