iLivro

Discípulo e Mestra

Localização: Sistema Solar Enth-4589, Quarto planeta Eclipsion-T059

No vazio do espaço, a pequena nave clandestina se aproximava do gigantesco planeta azul Eclipsion-T059 e suas três luas naturais. Não havia espaçoporto ou qualquer sistema de defesa planetário. E, talvez, nem houvesse qualquer tipo de vida naquele gigantesco planeta. Era o que os tribulantes da pequena nave acreditava. Mas, não se sabe nada sobre aquele sistema solar. É por algum motivo, qual te fato não se importavam, era uma área proibida pelo Magistrado Galáctico.

“Não podemos pousar naquele planeta” disse um dos oficiais para o pequeno jovem Aur.”Vamos te colocar em uma das cápsulas e te lançar direto para o ponto de encontro. É o único modo de não deixar rastros. Então, pequeno, lhe desejo sorte. Por que vai precisar.”

Pequeno Aur assentiu com a cabeça, antes de colocar o capacete de seu bio-traje. Entrou no pequeno espaço desconfortável e colocou todos cintos de segurança. Os oficiais fecharam a pequena cápsula, no mesmo instante, o espaço foi preenchido por um líquido viscoso azul-escuro gélido.

“Aproximando-se das coordenadas. Iniciando lançamento da cápsula. Contagem regressiva: 10…9……”

Pequeno Aur escutava a voz do piloto da nave pelo intercomunicador de seu capacete. Tentou não demonstrar medo diante os oficiais. Era um Bruxo, e Bruxos não temem nada. Mas verdade seja dita, pequeno Aur estava apavorado. É por que não teria medo? Em poucos segundos vai ser lançado em uma pequena cápsula da nave para o gigantesco planeta.Eu sou um Bruxo, pensou ele. Bruxos não temem nada. Repetiu para si aquelas palavras, como uma meditação, acalmando as batida aceleradas de seu coração.

“5……4…3….2……1….Lançamento a cápsula para as coordenadas de ponto de encontro.”

A pequena nave clandestina lançou a cápsula na atmosfera do Planeta Eclipsion. Pequeno Aur sentia seu estômago se revirar quando a cápsula entrava na atmosfera do planeta, queimando, caindo como um meteorito. Enquanto a nave chocalhava, pensou em sua família, e todos momentos alegres no centro de pesquisas Nova Éden-7. Conseguiu o que desejava, ser um Bruxo, mas se soubesse que teria que pagar o preço da separação, preferia não ter nenhum poder.

Mas o destino é implacável, e o fez Bruxo, então Bruxo ele seria.

Pequenos propulsores da cápsula ativaram, diminuindo a velocidade da queda e mudando a trajetória. Pelo visor do capacete via a rota de voo da cápsula e os quilômetros restantes até chegar ao ponto de encontro.

Minutos depois, a cápsula parou de tremer e seguiu voo tranquilamente até o ponto de encontro. Em um terreno montanhoso, coberto por uma camada grossa de neve, a cápsula pousou. Houve um baque forte quando a cápsula tocou o solo, lançando neve para todo lado. A porta da cápsula abriu automaticamente, todo líquido viscoso tingiu a neve branca de um tom azul escuro.

Pequeno Aur soltou-se dos cintos de segurança, cambaleou para fora da cápsula, sua bota afundou na neve grossa, enquanto contemplava as vastas cadeia de montanhas brancas e os ventos uivantes, gélidos, que açoitava seu bio-traje.

Era uma paisagem melancólica para o pequeno Aur, que cresceu acostumado com o clima quente e vívido da Lua.

“90 grau negativo” disse impressionado ao ver a informação em seu visor.”Sem meu bio-traje, eu morreria congelado!”

O suporte de vida do bio-traje garantia a sobrevivência do usuário nos climas ambientais mais adversos. Vagou pelo ambiente inóspito, procurando pela Mestra de sua mãe. Pequeno Aur tinha a vaga sensação de que está sendo observado, e a cada passo a sensação se tornava cada vez mais forte. Queria dar meia volta, mas não conseguia, era como se uma energia desconhecida o puxasse para frente.

Andou por incontáveis minutos até chegar a uma enorme rocha. Arregalou os olhos quando viu a bela mulher em pé sobre a rocha. Era alta, corpo magro coberto por um vestido de renda escuro e de seios farto. Seu vestido, assim como seus cabelos ruivos, cacheados, eram soprados pelo vento feroz vindo do sul.

“Orara, finalmente chegou, meu pequeno discípulo!” disse ela contorcendo os lábios, encarando-o com seus olhos felinos azuis cristalino.“Bom, não vamos perder nosso tempo aqui.”

A mente do pequeno Aur foi jogado na confusão. Não conseguia acreditar que uma mulher com apenas um vestido de renda não havia congelado naquele frio intenso.

Houve uma súbita rajada de vento. Ela desapareceu do alto da rocha, reaparecendo bem ao lado do pequeno Aur. Fez um gesto com a mão, tão rápido que lhe parecia um borrão. O ar tornou-se denso, abrindo-se em um portal oval, preenchendo o ar com o som de crepitação de energia.

“Venha, Bruxinho” disse ela oferecendo a mão pálida como mármore. Pequeno Aur segurou a mão dela, passaram pelo portal, e a paisagem mudou. Estavam ao lado de um grande lago cristalino, com uma elevação rochosa no meio, qual foi construído uma grande torre de pedra.

“Esse lugar……” pequeno Aur perguntou espantado.

“Estamos em um sistema solar diferente, um planeta diferente, uma dimensão diferente” respondeu num sorriso orgulhoso.”Meu mundo, o mundo de Effroi. Aonde, Bruxinho, eu vou te educar como um Bruxo.”

Pequeno Aur retirou o capacete, sentindo uma lufada de ar quente, acariciar seu rosto. Encarou o céu límpido enfeitado por fiapos de nuvem branca. Um bosque denso rodeava o lago. Canto de pássaros preenchia o bosque mágico.

“Seu mundo?” enfim, perguntou maravilhado.

“Eu o encontrei primeiro, então sim, meu mundo” respondeu com as duas mão em sua cintura fina. Com um tom arrogante falou:“A partir de agora, Bruxinho, eu, Morrigan Lune Effroi Privity, serei sua mestra. Entendeu?”

Pequeno Aur voltou aos seus sentidos e sentiu uma crescente onda de raiva. Não gostou dos modo da Magistrada, como se fosse uma honra aprender com ela e não gostava nada de ter sido forçado a ir para aquele lugar.

“Eu não pedi por isso” resmungou.

“Não pediu o que?”

“Não pedi que me ensinasse” respondeu num tom mal-educado.”E verdade seja dita, senhora, pouco me importo em ser ensinado por você! Quero ser treinado por minha mãe!”

“E, eu não pedi e nem desejava perder meu tempo treinando um patinho feioso como você” retrucou no mesmo tom mal-educado.”Mas aqui estamos nós. Em meu mundo, Effroi, aonde você queira ou não, vai ser educado por mim!”

“Eu não….”

“Ah, vai sim” interrompeu-o a Magistrada. Semicerrou seus olhos felinos e falou num tom frio.”Ouça me, patinho feioso, eu sou sua Mestra isso não é algo que possa ser discutido ou mudado. Saiba que eu não sou tutora de qualquer um, e vou lhe ensinar, por que minha discípula ingrata implorou para que eu fosse sua Mestra. Agora que sabe que estou tão infeliz quanto você, pare com essa rebeldia tola!”

Pequeno Aur cerrou seu pequeno punho com força. Sabia que estava sendo infantil, mas era difícil controlar a onda crescente de fortes emoções. Queria gritar, esbravejar e fugir daquele lugar. Tudo que o pequeno Aur queria, era retornar para casa, para sua mãe e seus amigos da Cidadela Lunar. Era tudo que ele queria, e era tudo que ele não pode ter. Não poderia retornar para casa até que controlasse seus poderes.

Às vezes, odiava sua própria inteligência. Às vezes queria ser apenas um garotinho tolo e chorar como um, espernear como um, mas não era um garotinho tolo. Ele era Aur Mugullis El Neth, filho da Magistrada Ádelia El Neth, e um Bruxo. Domine suas emoções, disse mentalmente para si mesmo. Não sou um garotinho, sou um Bruxo, e tenho que me comportar como tal.

Acalmando suas emoções, relutante, seguiu sua Mestra, caminhando pela ponte de madeira até a Torre no meio do lago.

“Vamos, patinho feioso, vamos começar seus estudos!” disse ela num tom mais suave, pegando a pequena mão dele, levando-o para seu novo lar.”Ah, céus pare de chorar como uma menininha que está preste a ser deflorada! É limpe esse nariz sujo!”

“Pare de ordenar o que eu devo fazer!” gritou ele.

“Eu sou sua Mestra, e você vai fazer o que eu mandar!” gritou de volta.“Agora limpe esse nariz!”

É assim foi seu primeiro encontro do pequeno Aur com sua Mestra, Morrigan Lune Effroi Privity.

*******

 

Seguiram-se dias de estudos intensivos e dias sem dormir. Antes de aprender feitiços era necessário aprender a língua dos antigos e compreender seus glifos tão antigos quanto o próprio universo. Aprendeu também os diferentes estágios e manifestações do poder de um Magistrado. Sua Mestre era um bom exemplo. Diferente de sua mãe, uma Bruxa seis estrelas, sua Mestra era muito mais poderosa, é a partir de um determinado nível deixou de ser uma Bruxa tornando-se uma feiticeira e depois uma senhora do vácuo. Descobriu que os estágios e manifestações de poder vária de Magistrado para Magistrado. Na maioria dos casos segue um padrão, mas havia casos especiais que podem ser listado nos anais da história do Conselho do Magistrado.

“Em meu tempo, chamávamos esse dom de controlar a energia escura de Magia Negra” explicou lhe quando o pequeno Aur perguntou sobre seus poderes.“Entre os sete ramos da magia, sim eu digo magia e não dom, por que essa é a verdade. Os Magistrados atuais, não entendo o por que, talvez estivessem entediados e resolveram mudar o termo magia para dom.”

Pequeno Aur estava sentado com um enorme livro antigo sobre a mesa de madeira. O cômodo de estudos da torre era um lugar espaçoso com estantes repletas de livros e outras relíquias antigas qual não reconhecia. Seu olhar dificilmente deixava a esfera prateada incrustado com joias e glifos mágicos que flutuava sobre a mão da Magistrada.

“Você, patinho feioso, nasceu com uma alta aptidão para Magia Negra, o que te tornar um Bruxo. Antigamente seria chamado de mago das trevas” seus olhar felino o encarava e com um sorriso malicioso continuou:“No passado magos das trevas eram caçados como cães sarnentos. Nós temiam como uma ovelha teme um lobo. É temiam com razão. Na época eramos poderosos demais e quanto mais poderosos eramos, mais facilmente eramos corrompidos por nossa própria magia dando nascimento a pesadelos inimagináveis.”

“Corrompidos?” perguntou com cautela.

“A fonte de nosso poder vem da sextaessência, o princípio infernal. Patinho feioso, o que você acha que é o princípio infernal? Não sabe né? Agora me ouça com bastante atenção, por que o que vou te contar e te conhecimento de poucos Magistrados. A sextaessência que te tornar Bruxo é uma energia existente apenas no princípio infernal. Essa mesma energia, nos corrompe, ou melhor altera nossa estrutura molecular em um nível quase imperceptível, nos transformando em algo diferente. Todos Magistrados sofrem essa mudança, lentamente, e quanto maior o poder, quanto maior a compatibilidade, maior é a mudança até chegar ao estágio final.”

“Estágio final?”

“Sim, quando um Magistrado deixa de ser humano….E se tornando outra coisa, um ser transcendental……Ou como é chamado ultimamente, um Ser Supremo……Poucos conseguem chegar no estágio final e nem todos tem êxito em transcender para um Ser Supremo e acaba se tornando seres corrompidos, Demônios selvagens ávidos por devorar vidas e destruir mundos. Agora chega de perguntas. Volte para seus estudos!”

*********

 

A cada dia o pequeno Aur aprendia mais sobre os Magistrados e os diferentes ramos da magia. Ser um Magistrado era mais difícil e perigoso do que imaginava. Para ser um Magistrado, além de aptidão, era necessário uma força de vontade inexorável e uma mente aguçada. Por que, para aprender o mais simples dos feitiços, como o pequeno Aur havia descoberto, era necessário meses de estudos em livros antigos de páginas amarelas e pequenas modificações para concordar com as exatas circunstâncias de seu propósito e intenção, além de centenas de outros fatores para que o feitiço funcionasse.

Para o pequeno Aur, além de todas dificuldades que todos Magistrados enfrentam em seu processo de aprendizado. Ele tem que ter mais cuidado e foco do que os demais, para não perder o controle de sua magia e acabar sendo dominado por alguma entidade obscura do princípio infernal.

Ser Magistrado era algo muito mais complicado do que o pequeno Aur havia imaginado.

Era tedioso e tortuoso aprender a controlar seus poderes. Sentia-se como estivesse em um cabo de guerra com forças sobrenaturais e desconhecidas, caso perdesse custaria sua vida. Às vezes ouvia o sussurros na escuridão e uma horrível sensação de algo dentro de sua cabeça, arranhando sua mente, tentando se libertar. Às vezes tinha pesadelos, terríveis sonhos quais acreditava ser maus presságios.

“Quando eu me libertar, secarei os mares, devorarei céus e terras e mundos inteiros. Quando me libertar devorarei todas estrelas, trazendo a escuridão comigo. Por que sou o devorador insaciável, a escuridão eterna, a sextaessência……” a escuridão assustadora sempre sussurra na língua antiga em seus sonhos, sons sibilantes como a de uma serpente. Podia senti-lo rastejando por sua mente, enrolando-se em sua alma, injetando seu veneno.“Dig og nøglen til at åbne den låste dør…Você e a chave que abre a porta trancada……Mørke…Escuridão… død….A morte……Mareridt af levende….O pesadelo dos vivos……Sendebud enden…O mensageiro do fim….”

Os sonhos tornaram-se mais frequentes e a pressão sobre sua mente era insuportável. Em algumas noites, a Magistrada dormia gentilmente com ele, afastando os sonhos, os maus presságios e a escuridão assustadora. Naqueles dias podia dormir em paz, sem medo, aonde estava com sua mãe, com seu avô e seus amigos da Cidadela Lunar.

Pequeno Aur não desejava mais ser um Magistrado. Estava com medo. Confuso, e apenas desejava ser um garoto normal.

“Não precisa ter medo da escuridão, pequeno” dissera sua Mestra em uma noite.“Eu estou aqui. Vou te proteger daquilo e vou lhe ensinar como afastar a escuridão. Por esse motivo que você está aqui pequeno” afagou os cabelo de prata do pequeno Aur, abraçou-o com ternura e sussurrou:“Durma pequeno, durma e tenha bons sonhos.”

“Mestra….Pode cantar para mim?” perguntou num tom choroso.

“Cantar?”

“Quanto eu tinha pesadelos, mamãe, sempre cantava para mim.”

“Não sou sua mãe……Ah, tudo bem….Por favor pare de chorar! eu vou cantar para você…Mas não é parar rir, Ok?”

Pequeno Aur assentiu positivamente. A Magistrada cantou e o pequeno Aur escutou a estranha canção de sua Mestra. Sentiu-se mais calmo e sua mente mais leve, logo o sono o dominou.

“Mestra, posso ser sincero com você?” perguntou ele sonolento.

“Pode pequeno feioso.”

“Você canta muito mal!”

Então adormeceu. Não teve pesadelos.

A Magistrada abraçou-o, rindo baixinho da sinceridade do pequeno Aur.

Comentarios em AN (Nova Versão) : Capítulo 4

Categorias