Entrando em Al-Markhen e Curando a Jovem Espadachim!

 

 

 

 

Arthur ficou boquiaberto quando chegou na Cidade dos Aventureiros, Al-Markhen. A cidade foi erguida no sopé de uma imensa montanha, protegida por uma longa muralha de cinquenta metros de altura feito blocos coloridos. Estátuas monumentais de guerreiros encouraçados flanqueavam o portão em forma de arco que recebia viajantes de todos cantos de Arcádia.

― Esse é o portão da glória ― disse Liz cavalgando ao lado de Arthur. ― Heróis, magos, mestres espadachins e todos tipos de aventureiros passam por essas portas desde que a Guilda dos Aventureiros foi fundada.

Nos gigantesco portões de Al-Markhen, guiavam seus cavalos por entre uma multidão de pessoas. Não havia guardas posicionados nos portões, mas Arthur avistou nas plataforma da muralha, três senhores idosos vestindo longos robes de cores diferentes. Sentados com seus cajados mágicos sobre suas pernas cruzadas. Meditando. Mas, bem atentos a todos que entravam e saiam.

Arthur podia sentir uma pressão esmagadora vindo de suas auras mágicas. O que mais surpreendeu ele foi que os três senhores magos estavam ligados a uma complexa formação mágica.

―São Arquimagos ― explicou Liz com uma voz cheio de respeito. ―São conhecidos como os Sentinelas do Portão da Glória. Nada entra e sai sem eles ficarem sabendo. Tudo graças à uma gigante formação mágica que envolve toda cidade.

Arthur e seus companheiros entraram na cidade, cavalgando por uma longa estrada pavimentada ladeado por edifícios com três andares, altos e finos, feitos de tijolos e com chaminés vomitando fumaça.

Arthur viu guerreiros pomposos, vestindo armaduras mágicas emitindo luz própria; viu poderosos magos montados em criaturas fantásticas e igualmente perigosas; viu clérigos vestindo pesadas armadura sob tabardos com símbolos sagrados; viu caçadores com seus magníficos arcos montados em lobos e outros carregando falcões em seus ombros; viu também homens corpulentos, corpos repletos de tatuagens totêmicas e logo soube que eram bárbaros.

Aventureiros. Cada um de uma profissão diferente, mas todos igualmente únicos e sem dúvidas nenhuma: fortes.

Toda cidade transbordava em glória, aventureiros e maravilhas que não poderiam ser encontrados em qualquer outro canto de Arcádia.

―Tudo aqui é tão magnífico e grandioso que me sinto pequeno e insignificante ― murmurou Arthur com um olhar repleto de veneração.

―Você ainda não viu nada, garoto! ― disse Liz com um sorriso convencido. ―Essa é apenas a entrada, olhem para aquela direção!

Arthur olhou para direção que Liz estava apontando, e quando viu as dez imensas torres em forma de espadas – elevando-se acima de todas construções no centro da cidade -, interligados por graciosas pontes em forma de arcos, perguntou-se como era possível construir tal magnífico edifício.

Não só Arthur, mas até mesmo Samson parecia ter sido arrebatado pela magnificência das dez torres em forma de espada.

― Ali reside os membros do conselho e suas legiões, os mais poderosos aventureiros classificados da região norte de Arcádia.

― A senhorita Milaine, havia dito que o conselho era elegido pelo povo de Al-Markhen, quais são os requisitos que elege um candidato? ― perguntou Samson, surpreendendo todos.

― Existe dois requisitos ― disse Liz erguendo dois dedos. ― O primeiro é ser um aventureiros classificado Safira. Não vou entrar em detalhes sobre o sistema de classificação da Guilda já que mais tarde será explicado para vocês, quando se registrarem como aventureiros ― fez uma pausa e continuou: ― O segundo requisito é ter sua própria legião com no mínimo 100 membros. Antes que perguntem, uma legião é formado quando aventureiros com objetivos e ideais em comum se reúnem, formando uma legião. Enfim, cumprindo esses dois requisitos, o candidato se torna elegível para ser eleito para os assentos do conselho heroico. Cada eleição acontece a cada quatro anos, os candidatos dos assentos do conselho se reúnem em uma arena e duelam contra outros candidatos, mostrando sua força para os espectadores. Uma discurso rápido sobre seus ideais e depois os cidadãos de Al-Markhen votam, escolhendo seus novos lideres.

De alguma forma isso me lembra as eleições para o grêmio do conselho estudantil, pensou Arthur lembrando-se de sua vida passada, quando era um estudante do ensino médio. Claro, não havia duelos, mais muitos candidatos saiam aos tapas.

― Acredito que aquele seja os portões para estrada profunda? ― perguntou Arthur, olhando para o fundo da cidade, aonde havia uma escadaria gigantesca que levava até um colossal portão aberto esculpido na própria montanha. Toda cidade parecia pequena e insignificante diante dos portões da estrada profunda. ― Pode ser que foi construído por gigantes?

―Talvez seja ― ela respondeu entre os ombros. ―Alguns acreditam que foram gigantes, outros que foi criado com magia poderosa. Ninguém sabe ao certo quando se trata de monumentos da era antiga.

Arthur assentiu, imerso em vários pensamentos.

― Primeiro, vamos até os templos e procurar um bom sacerdote para curar sua queridinha adormecida ― disse Liz com o que parecia ser um sorriso zombeteiro. ― Templos não faltaram aqui, mas encontrar um bom sacerdote que tenha o poder suficiente para curar ela será difícil e caro. Muito caro!

Liz os guiou até uma larga rua repleto de templos, um mais suntuoso e magnífico do que outro, cheio de pessoas enfermas procurando por cura para seus males. Arthur ficou impressionado quando viu um cavaleiro ungido pelos deuses, um Paladino. E ao mesmo tempo sentiu uma terrível sentimento sufocante cada fez que via um deles.

― Essa é a rua da veneração ― explicou Liz. ― Local aonde está localizado os templos. Um lugar cheio de homens e mulheres santas, ungidos pelos deuses ― e acrescentou numa voz baixa: ― Podem ser ungidos pelos deuses, mas continuam sendo humanos. Não se importam com nada além da porcaria de seus deuses. Se você quer saber, na minha opinião eles não passam de um bando de fanáticos!

O desconforto que Arthur sentia aumentava cada vez mais que adentravam a rua da veneração.

Passaram de templo em templo a procura de um sacerdote poderoso o suficiente para curar a jovem espadachim. Contudo, suas buscas mostraram-se infrutíferas. Quando o sol estava se pondo, e eles estavam prestes a desistir da busca, encontraram alguém que poderia curar a jovem espadachim no Templo de Dian Cecht, Deus da Cura.

Dentro do templo foram atendidos por uma sacerdotisa, uma gentil e bela senhora de cabelos grisalho de nome Lena.

― Todos deuses podem conceder o milagre da cura ― disse Lena com um sorriso caloroso. ― Mas nenhum deles é especializado na cura, como Dian Cecht.

Ela se ajoelhou diante a jovem espadachim inconsciente, fez uma oração rápida e seu olhos azuis se tornaram duas piscinas de ouro líquido.

― Ossos quebrados, tendões rompidos, músculos rasgados…Oh, céus até mesmo seus canais de energia estão totalmente quebrados! ― exclamou a sacerdotisa, pasma. E, com um olhar cheio de compaixão, falou: ― Posso tratar seu corpo, mas não existe milagre capaz de restaurar seus canais de energia.

― Tudo bem, por favor cure-a.

― Vou curar ela, mas logo aviso que o tratamento não será barato.

― Quanto vai custar o tratamento?

A sacerdotisa fez uma pausa, hesitando em lhe dizer o preço, sabia que provavelmente o valor do tratamento espantaria aquelas pessoas. Mas não havia nada que ela pudesse fazer. Ela não poderia manter um templo apenas de caridade.

― 20 moedas de ouro ― disse ela sem rodeios. ― Acredite, outro sacerdote provavelmente cobraria pelo menos 60 moedas de ouro.

Arthur assentiu. Ele remexeu dentro da bolsa mágica que Milaine havia deixado para trás. Retirou uma sacola contendo 20 moedas de ouro e entregou para a sacerdotisa sem hesitar.

― Aqui está, 20 moedas de ouro arcadiana.

A sacerdotisa pegou a sacola que tilintava com o som das moedas de ouro, e entregou para uma de suas assistentes ao lado. Ela ajoelhou-se novamente diante da jovem espadachim e fechou seus olhos, juntando as mãos iniciando uma oração.

Por um instante Arthur não compreendeu o que estava acontecendo, mas logo sentiu uma pressão sufocante e todo os pelos de seu braço se eriçar. Sob a cabeça da sacerdotisa surgiu uma auréola de luz radiante. E uma cascata de luz vindo dos céus, caiu sobre o corpo da jovem espadachim, unindo seus ossos quebrados, restaurando tendões, músculos rasgados.

Além da cascata de luz divina, Arthur podia sentir uma presença invisível, sobrenatural, rodeando ao seu redor. Em resposta seu sangue fervia selvagemente, como estivesse diante de um inimigo natural.

Arthur desejava dar meia volta e sair o mais rapidamente daquele lugar. Mas, permaneceu lá, imóvel como uma estátua, como se nada tivesse acontecendo.

Lutou para acalmar aquela sensação de desconforto dentro de si, e perguntou para Samson:

― O que está acontecendo? Aquilo não é um feitiço? ― perguntou, confuso.

― Sacerdotes, clérigos e Paladinos não usam feitiços ou energia interna ― respondeu Samson. ― São pessoas ungidas pelos deuses. Extensões da vontade divina, condutores do poder divino, podendo manifestar milagres no mundo mortal. Quando mais forte for a fé no deus que servem, maior será a quantidade de milagres que podem usar.

Sim. Um milagre e não um feitiço.

Arthur compreendeu a partir da explicação de Samson. Que além da magia e energia interna, existia magia divina. Os milagres conjurados por um sacerdote não é um poder da própria pessoa, mas sim do deus qual fizeram seus votos.

Apesar de não estar completamente claro o que era a magia divina, Arthur tinha uma única certeza: aquele tipo de magia era nociva para ele.

Droga, sinto que entrei na toca de um leão, pensou ele. Parece que o mundo e muito maior e mais perigoso do que eu imaginava. Me pergunto que se esses “milagres” são realmente o poder de um deus, ou de uma entidade menos divina.

Arthur era muito cético sobre a existência de deuses, para ele não passava de um mito. Mas não podia negar que aquele “milagre” que estava curando a jovem espadachim, era algo fora desse mundo.

Após uma hora de tratamento a sacerdotisa curou completamente a jovem espadachim. Arthur agradeceu a sacerdotisa do templo de Dian Cecht e deixou o lugar com pressa. Somente quanto estava a uma boa distância da rua da veneração, relaxou e diminuiu a velocidade que estava cavalgando.

― O que aconteceu com você, garoto? ― perguntou Liz, preocupada. ― Por que seu rosto está tão pálido?

Arthur soltou um riso baixo.

― Acho que tenho alergia à milagres ― respondeu ele sem dar mais detalhes.

― Ah! ― ela gritou, batendo a mão contra a testa. ― Me desculpe, garoto! Eu havia esquecido que você era….― ela olhou para todos lados e sussurrou: ― Eu havia esquecido que você carrega uma linhagem sanguínea demoníaca! Nunca mais volte pisar os pés dentro de um templo! ― alertou num tom sério. ― A missão desses peões dos deuses é curar, guiar o mundo para “luz” e combater o mal, as trevas. Na visão desses caras, não há criaturas mais malignas e odiosas do que demônios. Se um dias descobrirem que você tem uma linhagem sanguínea demoníaca, vão te caçar até os confins do mundo.

Arthur engoliu em seco para aliviar o aperto na garganta. Prometeu que nunca mais retornar à um templo em sua vida.

― Já está ficando tarde, melhor encontramos uma pousada ― disse Samson, procurando uma taverna nos arredores.

― Me sigam! ― disse Liz, guiando o cavalo em frente. ― Quando se fala de acomodações e serviços, não há melhor melhor pousada em Al-Markhen do que “os sete gnomos saltitantes”! Principalmente as guloseimas que eles servem!

Liderados por Liz, eles seguiram até a pousada os sete gnomos saltitantes.


Magusgod: Para quem gostou da imagem de referencia da personagem Mei Yue. Vou deixar abaixo uma imagem de referencia da personagem Liz. Apesar do vestido e cabelo da imagem serem diferentes da descrição de Liz, sua estatura e rosto chegam mais perto de como imagino ela.

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