Intermissão

Em uma noite sem lua as estrelas forneciam uma tênue luz para as terras desoladas de Gûr. Em cima da muralha que protege uma das doze cidades estados um sentinela fazia sua ronda naquele dia frio e escuro.

Seu nome era Masson, um sentinela da cidade estado Bâr.

As terras desoladas de Gûr são separadas em 12 cidades estados, cada um governado por um rei bruxo. Nas terras desoladas do norte as cidades estados eram o que mais chegava perto de algo civilizado. Masson que nasceu em um tribo de bárbaros compreendia bem o quando selvagem eram as terras do norte.

Um dia sua tribo foi atacada pelas forças do rei bruxo de Bâr e todos capturados como escravos. Passou vinte anos como escravo, agora como homem de quarenta anos conseguiu sua liberdade, servindo como sentinela da cidade estado Bâr.

Entre viver temendo monstros e viver servindo alguém, preferia a última opção. Por mais que fosse um escravo, estava vivo, tinha comida e roupas quentes para os duros invernos do norte.

Do que adianta a liberdade quando você pode ser devorado ou morrer de frio, pensou ele. Melhor ser um escravo vivo do que ser livre e temer a morte a cada instante.

Masson continuou com sua patrulha até encontrar outros sentinelas olhando para o horizonte, um olhar que continha um leve temor. No último ano essa cena tinha sido algo que vinha acontecendo com frequência. Após quatro cidades estados cair perante uma legião de demônios, medo tomou conta de todos cidadão livres de Bâr.

“Primeiro foi Tuhhar, meses depois Muhûr, Yhanrar e agora Bhahar!” Disse um dos sentinelas. Seus olhos brilhava com a luz do medo, vendo o horizonte onde se formava nuvens escuras.” Os sobrevivente de Bhahar disseram que ele é um poderoso demônio que nem um rei bruxo pode se comparar, mesmo um exército de milhares cai facilmente perante sua força e suas legiões de demônios vindos das profundezas dos abismos!”

Muitos boatos vieram dos sobreviventes das cidades estados caídos. Na maioria eram guerreiros que serviam os reis bruxos derrotados.

Masson se juntou aos sentinelas e olhou para as planícies desoladas, aonde de acordo os sobreviventes se estabeleceu a legião de demônios. Ele não pode deixar de sentir um leve temor, já que todas cidades estados caídas ficavam próximas das planícies desoladas, assim como a cidade estado Bâr.

As nuvens escuras avançaram até cobri todo céu sobe suas cabeças, deixando a noite mais escura, mais fria. Sua tocha era a única fonte de calor e luz no meio daquela escuridão opressora.

Uma tempestade? Se perguntou, temendo a vinda de uma tempestade. Nas terras do norte o clima era extremamente severo e caótico, sendo impossível de saber o clima exato. Uma hora poderia estar frio, na outra quente, uma chuva leve podia de repente se transformar em uma tempestade.

Um clima caótico.

Assim como ele outros sentinelas ficaram preocupados com a mudança do tempo. Mas, continuaram com seu dever como sentinelas e continuaram conversando sobre o poderoso demônio que derrubou quatro cidade estados.

“Escutei que ele se chama de rei negro, nascido da escuridão, arauto do inverno.” Disse o sentinela, enquanto com as duas mãos tentava aquecer seu braços gélidos. A temperatura tinha caído rapidamente, tornando o ar gélido, tornando-se difícil de respirar.

Um outro sentinela comentou:

“Ouvir falar que ele liberta os escravos e os da a escolha de servir ele ou voltarem para seus lares. Recentemente muitos escravos que tentam fugir se dirigem as planícies desoladas.” Seus dentes bateram um no outro, fazendo um rangindo irritante.

O ar começou a se tornar mais gélido a ponto de criar uma fumaça branca a cada respiração dos sentinelas.

“D-droga, por que está tão frio?” Resmungou Masson.

Neve começou a cair das nuvens escuras, tornando o chão de pedra da muralha em um tapete branco de neve. Na outra ponta da muralhara um novo sentinela apareceu, sem tocha ou um manto para o manter aquecido. Quando se aproximou dos outros sentinelas ele falou:

“Dizem que as nuvens escuras são suas assas e a neve sua respiração. É quando menos esperam, sua legião demoníaca aparece vinda das nuvens escuras.” Disse o sentinela misterioso.

Masson não conseguiu identificar o sentinela.

Talvez fosse alguém novo, pensou Masson.

Um vento forte açoitou seu rosto forçando o usar suas mãos para bloquear o vento gélido que feria seus olhos, vento tão forte que apagou sua tocha tornando o lugar sombrio.

“Ele está vindo!” Disse o sentinela misterioso e voltou a repetir: “O rei negro, está vindo!”

Masson sentiu um mal estar com aquelas palavras e com movimentos desajeitados tentou reacender sua tocha. Acreditava que o fogo iria afastar a escuridão e seu mal estar. Ele odiava o escuro que fazia se lembrar dos anos que viveu temendo a escuridão, pois era no escuro de onde surgia os piores monstros.

Após várias tentativas desajeitadas conseguiu reacender sua tocha. Seu coração batia freneticamente, dominado pelo medo do escuro, medo do monstro que podia surgir da escuridão.

A neve que caia tinha se tornado uma nevasca e o mundo gradualmente foi pintado de branco. A sua frente a figura do sentinela misterioso começou a se distorcer e gradualmente a mudar de forma, revelando sua verdadeira aparência: um assassino da quarta legião Phantom.

Ele vestia uma leve armadura de couro branco que o mesclava com a nevasca. Pressionado em sua costa estava uma besta de repetição, seu rosto era escondido por uma máscara branca que deixava visível seus olhos escuros e pupilas azuis quase branco.

Em uma de suas mãos segurava uma adaga de obsidiana qual gotejava gotas de sangue. Ao olhar para o lado encontrou seu colegas caídos no chão, formando uma poça de sangue. Tiveram suas gargantas cortadas, suas vidas tiradas silenciosamente. Morreram sem saber como, ou o que os matou, uma morte silenciosa e calma como uma brisa de primavera.

Masson tentou sacar sua espada e lutar contra o Phantom, mas não deve a oportunidade. Antes que pudesse tocar no capo de sua espada deve sua garganta cortada pelo Phantom a sua frente em um único movimento.

Sem dizer uma única palavra alterou sua forma, se transformando em um sentinela de Bâr,continuou avançando eliminando sentinelas da muralha junto com seus irmãos que estavam disfarçados.

Em menos de uma hora todos sentinelas caíram e as portas da cidade abertas. Permitindo que a primeira legião junto com alguns elfos negros invadir a cidade estado de Bâr.

Em cima da muralha um dos Phantom olhou para o alto e juntou suas mãos como se fosse uma reza, e falou:

“Aceite essas vidas como uma oferenda a sua graça, senhor escuro!” Fez a prece e juntou-se aos seus irmãos, continuando com sua missão, cortando gargantas, eliminando um por um, no silêncio da nevasca.

Tingindo o mundo branco com a cor vermelha.

A cima das nuvens escuras na broa de um navio branco de velas vermelhas. Seu mestre manteve a tempestade de neve que se abatia sobre a cidade de estado de Bâr. Tempestade de neve que mascarava a operação de invasão.

Antes do amanhecer a cidade estado Bâr caiu e seu rei bruxo derrotado.

Comentários