Reencontro impossível! (1 Parte)

 

 

A jovem rainha ficou boquiaberto quando chegaram a frente da Nova Lilac. A cidade era protegida por uma longa muralha de granito negro – que tinha cinquenta metros de altura e dez de largura – que cobria centenas de metros até chegar em uma parte em que centenas de homens puxavam grandes blocos de granito negro retirado de uma pedreira próxima. Magos e construtores humanos trabalhavam juntos; os humanos instruíam aonde cada peça se encaixava; os magos levantavam os gigantescos blocos com seus poderes mágicos e soldava com seu fogo encaixando os blocos de pedras perfeitamente. A muralha estava incompleta e a outra metade era feito de madeira. Nas brechas entres as muralhas havia grandes torres com fendas retangulares para os arqueiros lançarem flechas.

Ao redor de toda extensão da muralha de granito estava sendo cavado um fosso por centenas de trabalhadores.

“Vamos cavar tão fundo que quando os soldados dos reis bruxos caírem vão direto para os nove infernos!!!”Gritou um trabalhador cavando com vigor.

“Simmm!!!!!”Respondeu todos trabalhadores em uníssono.

“Vamos cantar uma canção para animar as coisas!” Voltou a gritar o mesmo trabalhador de corpo robusto.

“Simmm!!!!!” Voltou a responderem em uníssono.

Começaram a cantar como um coro e o trabalho seguiu animadamente. Não havia semblantes tristes ou cansados, todos sorriam e riam, gritando e cantando cavavam com todas suas energias.

A caravana seguiu para os portões em forma de arco protegido por quatro guerreiros altos e robustos de armadura pesada. Seguravam enormes escudos torres e longas lanças exalando uma aura poderosa. Em sua cintura era enfeitado por joias de armazenamento e uma espada curta. Elmo dos guerreiros projetavam longos chifres como os de um demônio e os olhos azuis quase branco lançavam um olhar clinico sob todas as pessoas em frente do portão.

Uma longa fila se formava a frente dos portões; comerciantes e suas caravanas cheias de materiais; mercenários; escravos fugitivos; lideres tribais e outras figuras humanas e não humanos; e como a jovem rainha vinham até do rei negro em buscar de poder.

“Esses viajantes vem de todos cantos do norte e até de outras terras. Todos tem seus sonhos e desejos; riquezas; poder; vingança; liberdade; conhecimento.” Disse o comerciante Hunyam para a jovem rainha e a elfa. “Em Nova Lilac você pode obter o que deseja, nossa magnificência negra pode realizar qualquer pedido, desde que não seja o de trazer os mortos de volta a vida!”

A bela elfa fitava todos aqueles trabalhadores felizes, a multidão vinda de todos os cantos do norte. Não confiava em demônio e não conseguia ver através do plano do lorde demônio.

O que ele está planejando? Pensou a bela elfa.

A bela elfa perguntou:

“Ele atende o desejo de todos? Sem um preço?” Perguntou a bela elfa cheia de descrença.

“Senhorita elfa, ele não atende todos pedidos. Nossa magnificência negra julga o coração daqueles que fazem o pedido e se for justo ele concede, se não for, ele não realiza o desejo. Ele cobra um preço de todos, preços diferente para cada pedido. Não sei qual é o preço mas nunca vi alguém reclamar, pelo contrário sai sorrindo de orelha a orelha.” Disse Hunyam em um tom humorado.

A fila prosseguiu e logo estavam diante dos guerreiros poderosos e uma linda maga de traços delicados e exalando uma aura nobre. Tinha belos cabelos azuis índigo e longas orelhas pontudas. Seus olhos eram de um azul quase branco e aonde devia ser branco era escuro como um abismo. Seu belo manto carmesim chamava atenção pelo fulgor avermelhado como se fosse um manto de chamas. Ela estava sentada em uma mesa de madeira escura, molhando sua pena em um tinteiro e anotando nomes e números dos visitantes.

O comerciante Hunyam seguiu em frente e a maga moveu sua mão, tocando a face do comerciante com seus delicados dedos. A ação não durou um segundo e a maga liberou sua passagem pela grande porta metálica levadiça em forma de grade.

“Lafina, ela é algum tipo de elfo?”Perguntou a jovem rainha cheia de curiosidade.

“Não sei dizer minha jovem rainha.”Disse ela em um tom cauteloso. “Nunca tinha visto nenhuma raça parecida em minhas viagens, talvez sejam demônios ou elfos híbridos….Talvez sejam criados……Não tenho certeza, não consigo ver através de seus poderes!”

A jovem rainha deu um passo a frente e a bela maga perguntou:

“Qual é o nome de vocês?” Perguntou a maga em um tom cortês.

“Eu sou……”A jovem rainha informou seu nome e seu status real para a maga que lançou um olhar duvidoso. Ela anotou o nome da rainha no pergaminho e estendeu a mão livre o rosto da jovem rainha.

Ela não hesitou e permitiu que seu rosto fosse tocado e com o toque sentiu uma energia estranha penetrar sua mente e percorrer de lembrança para lembrança em uma incrível velocidade. A maga viu a queda de Sollunn e os soldados de lux com grande interesse e continuou até revirar toda sua memória e ver algo que a jovem rainha escondia nas profundezas de sua mente. A maga viu um mundo diferente, de edifícios altos que podiam arranhar os céus e um mundo só de humanos. Tecnologias que desconhecia e seu maior pesar de um mundo desconhecido – ela matando seu amado.

A maga não se aprofundou mais e retirou suas mãos do rosto da jovem rainha que descia rios de lágrimas ao rever as lembrança dolorosas de sua vida passada. Suas mãos estavam manchadas de sangue. Sangue da pessoa que mais amava e nessa vida jurou dedicar sua vida para proteger seu povo em forma de penitência por seu crime monstruoso.

A maga tinha congelado no lugar e após vários segundos fitou a jovem rainha e falou em um tom atordoado para o guarda próximo:

“Levem-na até a vossa magnificência negra!”Disse ela em um tom de emergência e se levantou, tocando o rosto do guarda passando as informações que devia informar ao seu rei.

O guarda fez um gesto com sua lança para que a jovem o seguisse. Ela hesitou, mas depois de um longo suspiro e limpar as lágrimas de seu rosto seguiu pelo portão.

“Espere eu vou junto!”Gritou a bela elfa.

A maga fez um gesto para que se aproximasse e tocou o rosto da elfa mergulhando em sua mente antiga. Diferente da jovem rainha a elfa criou proteções em suas memórias ocultando lembranças íntimas quais não queria que fossem vistas, mas era inútil e a maga quebrava suas proteções vendo cada lembrança.

Ela largou o rosto da elfa e disse:

“Pode ir!”Disse a maga.

Ela estava um pouco atordoada por suas lembranças serem vistas, assim que recuperou seus sentidos perguntou preocupada:

“É eles?”

“Não se preocupe, vão ser levados para uma área segura e vão ser bem tratados.”

A elfa não perguntou mais nada e seguiu junto com a jovem rainha para dentro da Nova Lilac.

*****

Dentro das muralhas avistaram um mar de tendas e trabalhadores e construtores planejando a construção de edifícios. Além da entrada pela qual passaram havia outra no lado oposto e igualmente uma fila enorme para entrar na Nova Lilac. Seguiram o guerreiro pelas ruas de terra e os belos olhos esmeraldas se arregalaram com uma monumental estátua negra – com trinta metros de altura do rei negro erguendo apontando sua espada para os céus.

Em volta da estátua havia várias tendas vendendo os mais diversos produtos; desde comida e especiarias até armas e proteções de couro e metal. Ferreiros podiam ser vistos martelando e criando espadas e armaduras em suas oficinas improvisadas. Cada um tinha seu nome e marca, igualmente jovens aprendizes gritando e anunciando preços.

Guerreiros veteranos e jovens que mal acabaram de serem batizados no campo de batalha procuravam boas armaduras, visitando as várias oficinas espalhadas pela cidade. Tavernas eram mais numerosos e ponto de encontro de viajantes e mercenários.

Na parte leste da cidade monumentais pilares de granito eram levantados por magia sob uma enorme peça de mármore polido. Era um templo sendo erguido em homenagem ao rei negro o arauto de Érebo – templo que lembrou a jovem rainha o templo encontrado nas ruínas de Lilac.

Após trinta minutos a pé até o centro da cidade, chegaram ao seu destino – o rei negro.

Sob três peças de mármore branco se erguia uma grande tenda enriquecida por tapeçarias elegantes e requintadas. Elevado sob uma peça de mármore cheio de adornos, um trono de prata estrelar. Sentado no trono estava o rei negro o arauto de Érebo.

A bela elfa ficou boquiaberta vendo assustadora e poderosa aura do lorde demônio. Todo seu corpo tremia sob a pressão de sua aura e o fulgor escuro se erguia de suas costas. Seu rosto era belo parecido com os de um elfo e seus cabelos brancos caíam sob sua túnica escura era enfeitado por uma coroa branca de espigões de cristais, adornada com diamante e caracteres mágicos poderosos. Sua cintura era enfeitada por um cinto adornado de joias. Ele batia os dedos em forma de garras de sua luva metálica negra no trono de prata estrelar.

Suas seis asas escuras como um pedaço de uma noite estrelada exaltando sua figura, a tornando um ser transcendental.

Vários guardas iguais aos do portão formavam uma fileira disciplinada erguendo o estardante do rei negro – Um dragão branco com o triângulo estrelar de Érebo sob o céu negro – outros magos e seres poderosos estavam próximos do rei negro. A sua direita havia uma mulher de beleza sublime. Cabelos prateados amarrados em um rabo de cavalo enfeitado por uma tiara de ouro. Seu manto branco caia em dobras até o piso de mármore

Seus olhos eram duas fendas douradas e seu rosto frio e elegante.

A jovem rainha sentiu uma pontada em seu coração e sem saber porque sentiu nostalgia ver aquele pelo rosto que parecia ter sido esculpido no mármore. Ela não conseguia parar de fitar o olhos do rei negro e ao perceber o olhar da jovem rainha ele sorriu, fazendo ela corar.

O guarda aguardou seu rei atender a mulher enferma diante de si. A mulher vestia trajes escuros, escondendo seu corpo cheio de bolhas outras doenças que atormentava seu corpo. Todos da vila ficava a uma boa distância da mulher. Ela se ajoelhou diante do rei negro e contou sobre sua doença que vem atormentado á anos.

“Venha diante de mim e retire todas suas vestimentas!” Disse ele com uma voz transcendental e a mulher caminhou até ele e retirou todas peças de roupas sem hesitar, revelando um corpo marcado por bolas e doenças que a tava uma aparência nojenta.

Ele se levantou de seu trono, impondo sua aura opressora e suas asas envolveram a mulher enferma, como um abraço acolhedor, e as seis asas lançaram um brilho escuro frio e quente ao mesmo tempo e assim que retirou as asas. Não havia sinal da mulher enferma, mas sim de uma bela mulher saudável e curvas sexuais.

Ela caiu de joelhos, em júbilo, agarrou a mão direita do rei negro e a beijou.

“Impossível…..”Sussurrou a elfa com um olhar pasmo.

“Nada é impossível para nossa magnificência negra!”Disse o guarda com orgulho e reverência.

“Ele não só curou sua doenças, mas restaurou sua essência vital! Algo como isso é impossível!”Disse a elfa pasma não acreditando no milagre que acabou de presenciar.

Sacerdotes podem curar feridas e regenerar membros perdidos, mas restaurar a essência de vida de uma pessoa era impossível. Era um milagre que somente um deus ou ser transcendental poderia realizar!

A mulher enferma retornou chorando e o rei negro acenou para o guarda. Ele e a jovem rainha e a elfa seguiram, passando pelas pessoas na fila. O guarda sussurrou palavras no ouvido do rei negro e sua aparência calma se desfez e seu olhar cheio de poder caiu sob a jovem rainha, que ao mesmo tempo sentiu sua mente ser invadida pelo rei negro.

Ela não lutou e permitiu ele navegar por suas lembraças. Diferente da maga ele passou por todas lembranças recentes e foi direto para as suas dolorosas lembranças de sua vida passada e assistiu incontáveis vezes a cena em que ela matava seu amado.

Quando ele saiu de sua mente seu olhos estavam arregalados e seu rosto pálido como a neve. Todos a sua volta estavam preocupados, se perguntando o que acabou de acontecer.

Ele se levantou de seu trono, caminhando com passos atordoados e lágrimas molhando seu rosto. Ele caiu de joelhos diante da jovem rainha e abraçou com seus braços fortes, pressionando seu corpo delicado contra o peito musculoso daquele ser transcendental.

Sua mente estava em branco, não conseguia compreender as cadeias de eventos. Seus coração palpitava violentamente e quando ele ergueu sua cabeça e fitou seus olhos esmeraldas, ele falou:

“….Me perdoe…..Me perdoe…Ana!”Disse o rei negro, chorando como uma criança.

A princípio não compreendeu, mas tinha uma sensação familiar nele, a forma que falou, pedindo perdão e abraçando daquele jeito. Um pensamento impossível passou por sua cabeça e todo seu rosto deixou a cor.

Ela tentou pronunciar o nome de seu amado da vida passada, mas sua voz não saia. Lutou com o aperto em sua garganta e com uma voz embargada de emoções conflitantes perguntou:

“Lucios?”

O rei negro respondeu com um aceno de cabeça e todas forças de seu corpo a abandonou. Ela tremia e seus delicados e braços finos envolveram o corpo poderoso do rei negro, seu antigo amante, qual era matou com suas próprias mãos.

Um reencontro impossível aconteceu.

Comentários