Separação!

 

 

 

Após deixar a floresta dos Sussurros a viagem não se tornou mais fácil. Pelo contrário, estava repleto de desafios. Hora eram atacados por bandos globlinoides, hora eram atacados por grupos de bandidos, hora eram atacados por camponeses maltrapilhos armados com foices.

Para o azar de todos, atacaram os viajantes errados.

E, quando acreditavam que a situação não poderia piorar, descobriram que a principal ponte que cruza o Grande Rio Norma – rio que nasce nas altas montanhas e passa pelos principais terras centrais de Arcádia -, havia sido destruído.

Naquele trecho do Grande Rio Norma era impossível ser atravessado à cavalo.

Liz desmontou seu corcel e foi até o que restou da ponte, lançando um feitiço. Arthur permaneceu em seu corcel, carregando a jovem espadachim – que ainda não havia recobrado a consciência.

Samson cavalgava pelos arredores, vigilante com um possíveis ataques.

Milaine, permaneceu ao seu lado observando o rio.

―Primeiro os lobisomens, depois fomos atacados dia após dias por monstros e bandidos de toda espécie, e agora isso? ― disse Arthur surpreso pela viagem desafiadora que estavam tendo. Inicialmente acreditava que seria uma viagem pacifica até a cidade dos aventureiros, mas durante a viagem percebeu que estava terrivelmente enganado. ―Pode ser que não há segurança nas estradas de Ryfhel?

Milaine balançou a cabeça.

―Desde que entramos na Floresta dos Sussurros, deixamos o reino de Ryfhel ― esclareceu Milaine calmamente. ―Essas terras originalmente eram parte do norte, mas desde que Arthorios fundou a Guilda dos Aventureiros na cidade antiga Al-Markhen, essas terras se tornaram uma terra santa. Um lugar que não é governado por reis ou nobres, mas por um conselho composto pelos dez aventureiros elegidos pelo povo.

Milaine havia explicado que desde a floresta dos sussurros até o grande deserto de areia negra, era um território independente regido pelo conselho heroico – composto por dez aventureiros elegidos pelo povo.

―Viajar por essas terras sempre foi perigoso ― continuou ela, encarando as correntezas do grande rio Norma, borbulhando com espuma por entre as grandes rochas. ―Mas, devo admitir que a viajar por essas terras está sendo mais perigoso do que no passado. Provavelmente a Terra Santa dos Aventureiros está passando por uma crise. Não que seja algo novo, a cada século sempre surge um sacerdote de um deus maligno, exércitos de mortos-vivos vindo das entranhas da terra, ou a porcaria de algum rei bruxo querendo expandir seu território.

Arthur estava feliz pela grande colheita de almas que estava fazendo durante a viagem, mas, ao mesmo tempo desejava um pouco de paz. Uma viagem tranquila por campos verdejantes, curtindo ao lado da companhia de sua pequena fada.

Mas tudo que aconteceu durante a viagem, além de algumas raras conversas agradáveis com sua pequena fada, eram lutas contra a maior variedade de criaturas e pessoas. Para Samson e Milaine, que obviamente estavam se divertindo, aquelas terras selvagens eram um verdadeiro parque de diversões.

―A ponte foi destruído por algum feitiço das Artes Mágicas do Relâmpago ― disse Liz, após terminar de investigar os resto da ponte. ―Não foi a obra de um único mago, mas de vários. Há sinais também que a ponte foi golpeada por machados, espadas, clavas e uma variedade de armas afiadas.

―Então foi obra humana ― disse Milaine chegando a uma compreensão. ―Mas por que destruíram a ponte?

―Talvez estivessem sendo perseguidos por um grande grupo de monstro ― sugeriu Arthur.

―Acredito que o garoto esteja certo ― concordou Liz. ―Pelo caminho agitado que tivemos, não duvido nada da existência de um grande grupo de monstros vagando livre por ai.

Milaine assentiu em concordância.

―Vamos ter que fazer um desvio até o Vilarejo do Enforcado à cinco milhas de distância rio abaixo, lá terá uma segunda ponte.

―Só espero que a ponte esteja intacta! ― resmungou Liz.

Acamparam naquela noite na margem do rio Norma. No dia seguinte cavalgaram até o Vilarejo do Enforcado. Para o alívio de todos a ponte estava intacta. O vilarejo era cercado por uma paliçada robusta. Das torres de vigia, arqueiros de olhar experiente, vigiava o horizonte. Nos portões da entrada do Vilarejo, estava posicionado cinco aventureiros de corpos robustos e lanças na mão, examinando os viajantes.

Próximo da entrada havia lanças adornadas com a cabeça de uma miríade de monstros diferentes – principalmente de lobisomens -, saudando os viajantes com um fedor nauseabundo.

Liz franzia o nariz por causa do fedor nauseabundo.

―Uma decoração bem chamativa ― disse Arthur, olhando para as cabeças horrendas espetados na lança.

―Uma tática para colocar medo naqueles que atacarem o vilarejo ― disse Milaine. ―Uma tática velha e bem conhecida, mas funciona terrivelmente bem.

Eles entraram no vilarejo sem maior incidentes. Dentro do Vilarejo reabasteceram seus suprimentos e encontraram uma pousada para passar a noite. Deixaram a jovem espadachim inconsciente em um dos quartos. E o restante foi para o salão da taverna, provando uma deliciosa sopa de peixes fresco.

O salão da taverna era pacífico, aquecido pelo fogo de uma lareira central. Havia uma duzia de aventureiros que bebiam ali, rindo, contando histórias e piadas sujas. Milaine, com uma grande caneca de cerveja na mão, bebia alegremente e logo havia feito amizade com dois aventureiros que faziam parte da guarda local, obtendo informações sobre a situação da região.

―Vocês tiveram sorte de ter sobrevivido a passagem da floresta dos sussurros! ― exclamou um dos aventureiros de nome Rufus, um guerreiro robusto de longa barba negra, com uma grande cicatriz que cruzava seu rosto. ―Um maldito lobisomem de pelo prateado….Chamado de Inanagrim…Ou Instagrin…

―É Isangrim ― corrigiu o outro aventureiro de nome Albert, um homem magro, rosto soturno, vestindo uma leve armadura de couro sob um manto de couro casto.

―Sim! ― exclamou Rufus, servindo-se de um caneco cheio de cerveja. ―Esse é o nome do desgraçado! Aquele maldito coco de ovelha se proclamou de “senhor dos lobos do norte”, ou qualquer porcaria de título parecido. Nos últimos meses, poucos conseguem atravessar aquela maldita floresta e sair vivo para contar a história.

Enquanto Arthur ouvia a história com interesse, tentou sorrateiramente pegar uma caneca de cerveja, mas parou de mover a mão, assim que Milaine fincou uma faca na mesa de madeira poucos centímetros da ponta de seu dedo.

―É o conselho apenas cruzou os braços e não fez nada para impedir as atrocidades desse monstro? ― indagou Milaine com um olhar sério.

―Na verdade, minha cara senhora….

―Senhora? ― ela interrompeu, arqueando uma sobrancelha, lançando um olhar afiado o guerreiro.

―Senhorita! ― o guerreiro corrigiu rapidamente.

―Então?

―Eu não sei ao certo ― continuou Rufus. ―Estou nesse vilarejo já faz meses, tudo que sei são as histórias contadas pelos viajantes vindo de Al-Markhen. Segundo as histórias, parece que três membros do conselho iniciou uma grande expedição de exploração nas estradas profundas……

De repente, Milaine ergueu-se fuzilando o guerreiro com um olhar cheio de uma pressão esmagadora.

―Você está dizendo que aqueles malditos desfizeram o selo de vedação dos portões das estradas profundas?! ― exclamou, acertando a mesa com um punho.

O barulho acabou chamando atenção de todos no salão, mas logo ignoraram o grupo de Milaine e voltaram para suas conversas animadas.

―Acalme-se Milaine! ― disse Liz tentando acalmar de sua amiga. Seus belos olhos azuis caíram sobre o guerreiro e perguntou num tom suave e cheio de charme: ―Eles realmente abriram os portões da estrada profunda?

―É o que dizem, senhorita ― respondeu Rufus, limpando o suor frio de sua testa. ―Metade dos aventureiros de Al-Markhen se juntaram a expedição e até agora, após meses desde que entraram nas estradas profundas, não há nenhuma notícia do grupo de expedição.

―Foi nessa mesma época que surgiu Isangrim aterrorizando por esses lados do rio ― continuou Albert, com uma expressão sombria. ―Inicialmente o conselho ficou de braços cruzados, surdos e mudos aos pedidos de socorro dos vilarejos. Mas conforme a situação foi piorando e a alcateia de Isangrim ameaçava marchar até os portões de Al-Markhen, o conselho mandou uma força de subjugação para lidar com ele…Mas….

―Levamos uma surra! ―disse Rufus secamente. ―Uma daquelas surras que você nunca esquece.

―A força de subjugação da Terra Santa dos Aventureiros levando a pior para um bando de lobisomens? ― disse Liz num tom zombeteiro. ―O que aconteceu exatamente?

―Eles foram emboscados, senhorita. Quando eles entraram na floresta dos sussurros, entrando em combate contra a alcateia, sua retaguarda foi atacada por uma horda globlinoíde vindo das montanhas. Eram liderados por um tal de Guhem…

―Mhurren ― corrigiu Albert, interrompendo-o. ―Mhurren, Rei dos Globlin da Montanha Negra. Sua horda atacou a força de subjugação pela retaguarda. Foi uma verdadeira carnificina. Os poucos sobreviventes fugiram para todos lados, e um certo grupo destruiu a ponte com magia, temendo que os monstros iriam marchar para Al-Markhen. Para sorte do todos nós, os monstros retornaram para seus covil. É até agora eles nos deixaram em paz.

O taverneiro surgiu substituindo a jarra vazia por uma nova cheia de cerveja. Colocou sobre a mesa queijo e outras iguarias locais para acompanhar a cerveja. Para Arthur e Liz foi servido copos de leite de cabra.

Arthur suspirou melancolicamente, enquanto Liz esbravejava com o taberneiro que não era um criança.

Samson era tão silencioso que todos haviam esquecido de sua presença.

Milaine encheu seu caneco e bebeu toda cerveja em um único gole. Quando mais bebiam, mais a conversa mudava de tópico até o guerreiro desmaiar e ser levado por seu companheiro.

Arthur, sem abrir a boca para dar um único pio, observava o rosto sombrio de Milaine e Liz. Era a primeira vez que via sua mãe com tal expressão. Não podendo conter mais sua curiosidade, perguntou o que era a estrada profunda, e por que ela estava tão perturbada com a menção da abertura do portão da estrada profunda.

― Em toda Arcádia há cinco portões esculpidos na própria montanha, levando para uma séria de passagens no subterrâneo. Tudo que sabemos é que são da era antiga e todas portas foram seladas por uma poderoso feitiço de vedação.

Milaine fez uma pausa, bebericando seu caneco de cerveja.

―Os antigos selaram aquelas portas por algum motivo ― continuou ela. ―É seria sábio manter aquelas portas fechadas. Mas a ganância humana sempre acaba falando mais alto, filho. Não importa que época seja, a natureza humana continua a mesma, trazendo para si horrores inimagináveis.

Depois dessas palavras não voltou a falar no assunto. Arthur decidiu não tocar mais no assunto. Ele tinha uma leve

premonição que a partir do momento que chegassem em Al-Markhen, suas vidas mudariam para sempre.

Naquela noite Milaine despareceu deixando um bilhete para trás.

 

Tenho assuntos importantes para resolver. Vocês sigam para Al-Markhen e estabeleçam suas vidas como aventureiros. Voltarei assim que for possível, caso eu não retorne em cinco anos. Deixem Al-Markhen e vão para onde seus corações mandarem.

 

Mais abaixo havia uma curta mensagem para Arthur.

 

Arthur, meu querido filho, não esqueça de comer todas refeições e fazer bastantes amigos em Al-Markhen. Escute tudo que Liz falar, apesar de seu temperamento infantil, ela é uma mulher sábia e que se pode contar nas piores situações.

Filho, não é nenhum segredo que eu gostaria que você seguisse o caminho da espada e dedica-se sua vida como aventureiro, como um defensor dos fracos, como um verdadeiro herói. Mas, todos tem seus próprios sonhos e caminhos para trilhar ao longo da vida. Não importa que caminho você escolher trilhar, mamãe sempre irá te apoiar.

Ps: se você seguir o caminho de Allan irei puxar sua orelha e dar uma boa surra!
Ps 2: se Allan aparecer novamente de um soco nele por mim!
Ps 3: Não esqueça de sempre treinar……
Ps 4:……Nunca se esqueça filho, mamãe te ama.

 

Após ler a mensagem ele guardou o bilhete.

Sua visão ficou turva e lágrimas escorreram por seu rosto, molhando seus lábios, deixando um gosto salgado na boca.

Por alguma razão, sentia que nunca mais voltaria a vê-la.

Mãe e filho se separaram naquele dia.

Três dias depois de viagem, finalmente chegaram na cidade dos aventureiros, Al-Markhen!

Comentarios em AUMDA arco 2: Capítulo 4



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Índice×

  1. 1
    Nova Vida!
  2. 2
    Liz a Druida
  3. 3
    Batalha nas cordilheiras (1 parte)
  4. 4
    Batalha nas cordilheiras! (2 Parte Final)
  5. 5
    Técnica de Qi? Lilith? Azura? (1 Parte)
  6. 6
      Técnica de Qi? Lilith? Azura? (2 Parte Final)
  7. 7
    AUMDA: Aviso sobre lançamento
  8. 8
    AUMDA: Capítulo 7
  9. 9
       Crise dos elfos negro (Parte 2)
  10. 10
      Crise dos elfos negro (Parte 3 final)
  11. 11
      Ascensão (Parte 1)
  12. 12
       Ascensão (2 Parte final)
  13. 13
    Viajando para as terras desoladas do norte!
  14. 14
    Antes da batalha!
  15. 15
    Batalha de um demon lord e um rei bruxo! (1 Parte)
  16. 16
    Batalha de um demon lord e um rei bruxo! (2 Parte final)
  17. 17
    Segredo dos elfos negro e planos para o futuro!
  18. 18
    Intermissão
  19. 19
    Três anos depois (1 parte)
  20. 20
    Três anos depois (2 parte final)
  21. 21
    A procura pelos anões!
  22. 22
    Sobre AUMDA e HDUM
  23. 23
    Um monstro chamado Milaine!
  24. 24
    A jovem rainha! (1 Parte)
  25. 25
    A jovem rainha! (Parte 2)
  26. 26
    A jovem rainha! (3 Parte final)
  27. 27
    Reencontro impossível! (1 Parte)
  28. 28
    Reencontro Impossível!(2 Parte Final)
  29. 29
    A caminho de Ryfhel! (1 Parte)
  30. 30
    A caminho de Ryfhel! (2 Parte Final)
  31. 31
    Ryfhel, a mais gloriosa cidade de Arcádia!
  32. 32
    Jantar com a família real! (1 Parte)
  33. 33
    Jantar com a família real!(2 Parte Final)
  34. 34
    Antes do torneio
  35. 35
    Vencedor!
  36. 36
    Intermissão
  37. 37
    Tempo de guerra!(1 Parte)
  38. 38
    Tempo de guerra! (2 Parte)
  39. 39
    Tempo de guerra!(3 Parte final)
  40. 40
    Bloodbath! (1 Parte)
  41. 41
    Aviso importante HDUM
  42. 42
    Bloodbath! (1 Parte)
  43. 43
    Bloodbath! (2 Parte Final)
  44. 44
    Nascimento de um rei demônio!
  45. 45
    Epílogo
  46. 46
    Aviso sobre AUMDA!
  47. 46
    Prólogo
  48. 47
    Nova Vida!
  49. 48
    Arquimago da Névoa Congelante!
  50. 49
    Ars Goetia!
  51. 50
    Aprendendo a lançar feitiços!
  52. 51
    Intermissão
  53. 52
    A Druida! (1 Parte)
  54. 53
    A Druida! (2 Parte Final)
  55. 54
    Duelo Mágico! (1 Parte)
  56. 55
    Duelo Mágico!(2 Parte)
  57. 56
    Duelo Mágico! (3 Parte Final)
  58. 57
    Intermissão 2
  59. 58
    Batalha nas Cordilheiras! (1 Parte)
  60. 59
    Batalha nas Cordilheiras! (2 Parte)
  61. 60
    Batalha nas Cordilheiras! (3 Parte Final)
  62. 61
    Epílogo
  63. 62
    A Cidade dos Aventureiros, Al-Markhen! (1 Parte)
  64. 63
    Viagem Para a Cidade dos Aventureiros! (2 Parte)
  65. 64
    Viagem Para a Cidade dos Aventureiros! (3 Parte Final)
  66. 65
    Separação!
  67. 66
    Entrando em Al-Markhen e Curando a Jovem Espadachim!
  68. 67
    Guilda dos Aventureiros! (1 Parte)
  69. 68
    Guilda dos Aventureiros! (2 Parte Final)
  70. 69
    Akai Ito, O fio Vermelho do Destino!
  71. 70
    Intermissão