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A jovem rainha! (3 Parte final)

A estrada pavimentada era larga o suficiente para quatro carroças passarem e se estendia quilômetros a frente na planície desolada. Os primeiros dias na estrada se revelaram os mais tranquilos desde que chegaram naquelas terras amaldiçoadas. Seguiram em um ritmo tranquilo, sem pressa – tirando a jovem rainha que resmungava a cada parada.

Quatro dias depois o cenário começou a mudar. De planícies desoladas mudou para planícies verdejantes. Vários bosques de árvores altas e lagos perfeitamente circulares foram ficando comuns e logo os primeiros vilarejos foram aparecendo ao redor dos lagos e bosques.

“Lafina, realmente estamos nas planícies desoladas?” Perguntou a jovem rainha, franzindo a testa ao ver a transformação radical de cenário.

“Sim, minha jovem rainha……Esses lagos e bosques não são naturais……Foram criados por magia druida……Acredito que seja obra de um sábio verde, um muito poderoso….Mas não é só isso, olhe aquilo!” Disse ela apontando para um obelisco negro de quarenta metros de altura entalhada com caracteres mágicos.

“O que é aquilo?”Perguntou a jovem rainha perplexa.

“É um obelisco mágico que está atuando como um purificador, desintoxicando a área e usando o poder da maldição de Baltazor como energia mágica para nutrir a vida vegetal!” Disse a elfa cheia de fascínio.

“Desintoxicando? Não são as terras do norte, desoladas por natureza?”Perguntou a jovem rainha confusa.

“O norte antes era cheio de vida, magnificas florestas e lagos eram comum por todo norte. O clima era rigoroso no inverno e na primavera, era um dos lugares mais belos do mundo. Mas com as chamas do rei demônio Baltazor, tudo foi destruído e o norte foi amaldiçoado a ser o que é hoje……Esses obeliscos estão retirando a maldição das planícies e convertendo em poder mágico, alimentado a vida ao redor.”

“Obra do lorde demônio?” Perguntou a jovem rainha cheio de expectativa.

A elfa lançou um olhar sob o obelisco e assentiu relutante, concordando com a jovem rainha. A marcha seguiu sem problemas, seguindo a estrada pavimentada passando ao lado de um enorme lago de águas cristalinas e um rio que acompanha o trajeto da estrada até sumir no horizonte. Um obelisco azulado maior do que o anterior se erguia imponente em uma ilhota no meio do lago.

Acamparam nas margens do lago.

O grupo encheram seus cantil e usaram a água cristalina do lago para se banharem. Alivio estava estampado nos rostos duros dos sobreviventes e se permitiram relaxar, aproveitando a suave brisa vinda do leste. Pela primeira vez em meses não temiam ser atacados por monstros ou morrerem por causa dos ventos gélidos ou doenças dos pântanos.

Aquele lugar era tranquilizante criando uma sensação de paz e relaxamento, curando o cansaço e renovando a saúde debilitada do grupo.

“Esse lugar é mágico, renovador, sinto que todas minhas dores está sendo curados!” Disse a jovem rainha sorrindo em alívio e gradualmente a sua aparência frágil foi desaparecendo dando lugar a um rosto saudável.

“É um efeito do obelisco, não sei como ele conseguiu criar algo assim, mas posso ver o fluxo de poder mágico emanando do obelisco e envolvendo todos como um manto de cura e renovando o vigor do corpo!” Explicou a elfa perplexa e ao mesmo tempo encantada.

A jovem rainha junto com a elfa e outras mulheres se afastaram do grupo de homens e se banharam nas águas cristalinas do lago. Limpando seus corpos e rejuvenescendo a pele. Os homens também se banharam, águas que recuperava o vigor. Perto da ilhota era possível ver humanoides parecidos com humanos, se não fossem por sua pele azulada e as escamas de peixe em seus braços e pernas poderiam ser confundidos com humanos. Ficavam distantes fitando o grupo de humanos e assim que alguém os percebia mergulhavam para as profundezas do lago.

No dia seguinte levantaram acampamento e se encontraram com outros viajantes na estrada. Era um comboio de carroças levando diversos materiais para a cidade do lorde demônio. A caravana era protegido por diversos guerreiros; humanos e demi-humanos. Vários viajantes, alguns maltrapilhos seguiam atrás do comboio a procura de proteção na estrada. A rainha seguiu junto com o comboio e durante os dias que seguiram estrada juntos a jovem rainha conheceu um comerciante dono de uma das carroças.

O comerciante se chamava Hunyam, um demi-humano do povo gato. Ele era alto, corpo magro, de vestes de cores frias. Seu cabelo eram crisalhos e o rosto marcado pela passagem do tempo. No geral parecia com ser humano comum, mas as orelhas de gatos e a cauda negra entregavam sua origem.

Hunyam seguia a pé ao lado de sua carroça carregada de materiais para a cidade do lorde demônio. A jovem rainha e a elfa seguiam ao seu lado conversando.

“Antes as terras do norte era o pior lugar de Arcádia para se viver, mas a três anos atrás tudo mudou com a chegada do arauto de Érebo. Canta os bardos que ele foi mandado pelo próprio deus Érebo vingar o norte e trazer justiça sob os nefastos reis bruxos!” Disse o comerciante Hunyam com um largo sorriso.“Os filho do norte saem de todos os lugares do norte para exaltar a magnificência negra e chorarem sob seus pés, clamando por ajuda.”

A jovem rainha escutava encantada os contos sob o lorde demônio, enquanto a elfa franzia a testa.

“Da forma que você conta sobre ele, mais parece um santo imaculado do quem um lorde demônio!” Disse a elfa com um ar de discrença.

O comerciante Hunyam soltou uma risada abafada e falou:

“Eu entendo como se sente senhorita elfa! A principio todos eram desconfiados….Você sabe senhorita elfa, os elfos negro não sai das suas malditas cidades em ruínas mesmo que custe suas vidas! E lá estava circulando a história de elfos negro saindo dos buracos que se esconderam por séculos, desde que Baltazor arrasou com o norte!” Hunyam soltou um longo suspiro.

A elfa podia entender o que o comerciante estava dizendo. Para seus primos distantes abandonarem as ruínas das cidades de seus antepassados e seguir um lorde demônio, significava que eles tinha total confiança nele.

Hnyam retirou uma pequena bolsa de couro com um líquido de aroma adocicado e deu um gole e ofereceu para a elfa.

Ela bebeu o líquido de aroma adocicado e gritou surpresa:

“Essa bebida é……Licor de Gwin melys!”

“Sim, eu compro dos elfos negro e revendo para outras cidades livres……Não há licor melhor no norte, do que os elfos negro fazem!” Disse o comerciante Hunyam com uma expressão satisfeita.

A jovem rainha tentou pegar a pequena bolsa com o licor de Gwin mely, mas conseguiu levar um tapa na mão da elfa que a fitou com um olhar de reprovação.

“Você não é uma adulta, somente quando completar quinze anos poderá beber!” Advertiu a elfa como se fosse a mãe da jovem rainha.

Em toda Arcádia os jovens eram considerados adultos quando atingem os quinze anos.

A jovem rainha cruzou os braços, irritada e resmungou entredentes:

“Isso não foi desculpa quando quebraram as leis me coroaram rainha!” Ela assistiu a elfa e o comerciante Hunyam acabar com o licor em instantes.

“Não se preocupe jovem rainha, quando paramos para acampar vou te fazer sentir bem! Hehehe!” Disse a elfa com olhos brilhantes olhando a jovem rainha de cima para baixo.

“Não, me olhe com esse olhar pervertido! Da próxima vez que me……Atacar como daquela vez vou te condenar a decapitação!!!” Disse a jovem rainha com o rosto vermelho.

A elfa sorriu planejando o que fazer para a jovem rainha se sentir bem a noite. Apesar que o seu “fazer bem” era meio distorcido e erótico.

A elfa tava babando só de pensar, a jovem rainha planejou amarrar a elfa com cordas para manter ela longe de seu corpo.

“Senhor comerciante, como é o rei negro? Sua aparência?” Perguntou a jovem rainha com os olhos cheio de curiosidade.

“Não quero que me entenda mal pela forma que eu vou descrever ele, eu gosto de mulheres!”Disse ele preocupado e continuou:“Ele tem mais de três metros de altura, pele de mármore e um belo rosto lembrando os elfos, ele carrega o triângulo estrelar de Érebo em sua testa, em suas costas há seis magnificas asas negras como se fossem um pedaço da noite estrelada……Não há palavras para o descrever, todos tem sua própria visão dele, mas estar diante dele é uma experiência transcendental!”

A jovem rainha arregalou os olhos ouvindo a descrição exagerada do comerciante Hunyam sobre o rei negro.

“Ele é forte?”Perguntou a jovem rainha.

“Forte?” Hunyam soltou um guincho baixo e falou:“Escute minha jovem, eu ouvi as histórias dos mercenários que lutaram ao lado dele na batalha de Tuhhar! Ele espancou o rei bruxo de Tuhhar até a morte apenas com seus punhos! Depois de o derrotar e libertar todos escravos, ele conjurou uma montanha de gelo que destruiu toda cidade estado em um instante! Forte não é o suficiente para descrever todo seu poder!”

Após ouvir a história de como o rei negro lidou com o rei bruxo de Tuhhar. Mal pode se conter de entusiasmo. Ele tem o poder que eu desejo, pagarei o preço que for por esse poder! Disse para si mesma, cerrando os punhos.Vou deixar de ser uma rainha inútil e me tornar uma governante forte o suficiente para os proteger!

Os desejos da rainha eram os mais puros e sinceros, era seu dever os proteger como uma rainha. Esse senso de dever foi imprimido em sua mente e coração, para cumprir com tal dever venderia sua própria alma.

Os dias se passaram e mais viajantes se juntaram a caravana e no horizonte era visível as muralhas negras da cidade do lorde demônio.

“Aqui está senhoritas, o lar de nossa magnificência escura! Nova Lilac!” Anunciou o comerciante Nunyam cheio de orgulho.

Nova Lilac estava a poucas horas de distância, mas de repente a marcha cessou e um completo silêncio mortal dominou a caravana. Os guerreiros correram para frente da caravana e os cavaleiros da ordem do sol nascente se prepararam para o pior.

A jovem rainha olhou a frente e viu a fonte da preocupação de todos. Alguns metros a frente havia homens montados a cavalo, trajando armaduras de couro escuro e olhos selvagens. No braço direito de todos guerreiros pode ser visto o desenho de uma águia vermelha.

Não conseguiriam contar seus números, mas acreditavam que havia mais deles se escondendo no bosque perto dos guerreiros a cavalo.

O comerciante Hunyam falou em tom baixo:

“Cavalaria do rei bruxo de Trirfar….” Era claro o nervosismo do comerciante em sua voz.“As águias carniceiras de Trirfar, como são conhecidos….Seus terríveis atos são contados com grande temor….Não parece ser coincidência…Estão emboscando os viajantes na estrada!

A elfa conjurou uma barreira ao redor da princesa e seguiu em frente com os cavaleiros da ordem nascente. Ela lançou feitiços de proteção e reforço físico nos cavaleiros e acompanharam os guerreiros que escoltam a caravana.

“Capitão-cavaleiro, fique atendo eles devem ter mais reforços escondidos no bosque!” Disse a elfa para o capitão-cavaleiro Roan Stonen.

Roan seguiu em frente, seguido por seus cavaleiros. Sentiu a presença de arqueiros ocultos. No mesmo instante flechas foram disparada em sua direção, com um movimento rápido ergueu seu escudo, o protegendo das flechas – outros guerreiros não tiveram a mesma sorte.

Havia sessenta deles a cavalo e mais da metade a pé e outros ocultos no bosque. A cavalaria do rei bruxo chutaram a lateral de seus cavalos e dispararam em sua direção, empunhando lanças.

“Vamos cavaleiros! Por nossa rainha!!!”Gritou Roan correndo correndo em direção da cavalaria de Trirfar.

No seu campo de visão assistiu as flechas de luz da elfa passar por cima de suas cabeças, acertando os cavalos, derrubando-os no chão. Uma saraivada flechas seguiram após as flechas de luz, derrubando outra leva da cavalaria de Trirfar e matando os que sobreviveram a queda.

Roan passou pelos cavaleiros mortos. Os soldados inimigos a pé correram até eles. Roan fixou bem o pé no solo verdejante e preparou seu escudo, seus cavaleiros formaram uma linha defensiva, se preparando para o impacto.

*Clang! Clang! Clang!*

O barulho estridente de espada batendo contra escudos ecoou por toda planície. Roan sentiu o impacto do ataque e contra atacou com uma estocada no estômago do soldado inimigo. Se ele estivesse usando armadura completa teria sobrevivido ao ataque de Roan, mas o soldado inimigo não estava usando armadura completa. A espada de ferro perfurou o estômago do soldado inimigo, soltou um uivo de dor, tombou morto.

A batalha seguiu intensa até ouvirem os som de cornetas e a soldados inimigo recuaram. Do bosque surgiu duzentos inimigos a cavalo, seguido por trezentos soldados inimigos a pé.

“Que os deuses sejam piedosos!” Resmungou Roan se preparando para a próxima batalha, qual todos morreriam. Não havia como vencerem, eram muitos. Seu olhar caiu sob a elfa na retaguarda.“Sacerdotisa Lafina leve nossa jovem rainha para o mais longe que puder….Essa é uma batalha em que não podemos vencer, mas vamos os segurar o máximo que puder!”

A cavalaria inimiga avançou, a terra tremeu em resposta.

Roan assentiu para seu irmãos da ordem do sol nascente e eles assentiram de volta com olhares determinados. Lutariam até a morte para proteger sua jovem rainha e nada mudaria esse fervor em seus corações.

Ergueram seus escudos e gritaram em uma única voz:

“Pela rainha!!!!!!!!”

Se prepararam para a morte inevitável, mas ela não veio. A cavalaria inimiga parou seu movimento e deu meia volta chutando os cavalos para correrem o mais rápido possível.

Confuso Roan olhou para a planície e não encontrou nada.

“No céu……”

“O que é aquilo?!”Gritou um dos cavaleiros da ordem do sol nascente.

“É um pássaro?” Perguntou alguém.

“É um anjo?” Perguntou outro.

Naquele instante a figura se tornou visível.

Um guerreiro da escolta soltou um supiro aliviado e gritou:

“Não, é a princesa Goetia, nossa deusa!!!”Gritou entusiasmado por ter a pele salva.

Goetia veste um vestido de penas brancas, seus cabelos roxos era enfeitado por chifres brancos nas laterais da cabeça. Suas quatros asas angelicais brilhava como raios do sol.

Roan assistiu a princesa Goetia levantar uma das mãos e apontar para o céu. No mesmo instante o céu escureceu e os trovões rugiram e se juntaram aonde Goetia apontou. Ela moveu o dedo apontado para a cavalaria inimiga e o céu rugiu em resposta, todos trovões caíram sob os inimigos.

Um grande clarão o cegou, seguido pelo tremor de terra que parecia milhares de cavalos galopando ao mesmo tempo e uma um estrondo tão poderoso que fez seus tímpanos sangrarem.

Quando o clarão de luz cessou, Roan abriu os olhos com dificuldade e o que viu foi uma cratera sem fundo e cinco fez maior do que a cratera das ruínas em Lilac. Não havia cavalaria inimiga e nem bosque, apenas um cratera colossal.

O rosto de Roan deixou toda cor e os guerreiros da escolta gritavam enlouquecidos como se estivessem diante de uma deusa.

Ao lado do comerciante e da elfa a jovem rainha assistiu todo espetáculo de boca aberta e o poder daquela garotinha a fez duvidar do que tinha acabado de ver. Não somente ela, a elfa e todos os seus súditos tinham os rostos brancos.

A pequena figura olhou para eles e assentiu e desapareceu em flash de luz.

“O-oque foi isso?!” Gritou a jovem rainha.

“Essa foi a princesa Goetia, filha do rei negro a nossa pequena deusa!” Disse ele com louvor.

“…Todo esse poder……Se ela é tão poderosa….Então o rei negro….” A elfa não deve coragem de terminar de falar e seu coração tremeu de medo. O poder que presenciou era algo além de sua compreensão e não queria acreditar que o rei negro fosse tão poderoso.

Sem mais qualquer interrupção a jovem rainha chegou ao seu destino; nova Lilac.

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