A Druida! (1 Parte)

 

Arthur deixou seu quarto, indo direto para a sala de refeições, aonde uma mulher gorda – empregada da casa – já servia o desjejum para Milaine. Arthur cumprimentou a empregada e Milaine, sentando-se em seu lugar de costume na lateral da mesa.

―Em três dias vai acontecer o Festival de Cnoc Áine!― disse a empregada Maria com ânimo. ―O chefe do vilarejo falou que o festival desse ano será uma grande festança!

―Não é o que ele sempre diz todos anos? ― Milaine zombou. ―Vai acabar como nos anos passado, com metade do vilarejo bêbado― e com uma gargalhada acrescentou: ― E com metade dos jovens do Vilarejo fornicando nos celeiros!

Arthur que tinha acabado de comer um naco de queijo, de repente engasgou ao ouvir as palavras de Milaine. Com o rosto levemente vermelho, bebericou o vinho, sem saber bem para onde olhar.

―Áine é a Deusa do amor, da fertilidade e do verão ― explicou a empregada. ―Por essa razão o festival carrega seu nome, uma desculpa civilizada para os jovenzinhos e jovenzinhas fornicarem à vontade e terem muitos bebês.

Milaine serviu-se com um grande pedação de pão e queijo.

―Os Altos Elfos das Cidades Suspensas de Golau comemoram o mesmo festival, mas a diferença que o festival Cnoc Áine deles é a cada 100 anos. Diferente dos humanos, eles não tem filhos com facilidade, deve ser uma forma da mãe natureza compensar pela longevidade dos elfos.

Maria acenou positivamente.

Arthur estava constrangido com a conversa sobre fornicação e bebês, mas teve sua atenção atraída pela palavra elfos. Sabia pelos livros, e conversas com Allan, que o mundo que ele reencarnou se chamava Arcádia.

Arcádia era a casa de várias raças além dos humanos, na verdade, os humanos era uma raça nova nesse mundo. Os Elfos, mestres da magia da natureza, já estavam lá desde tempos imemoriais.

―Existem outras raças humanoides com uma longevidade igual ao dos elfos? ―perguntou Arthur, cortando um pedaço do queijo.

―Sim ― respondeu limpando as migalhas de sua boca. ―Dragões, são tão antigos quando os próprios elfos. Na verdade, de acordo com algumas histórias, eles são os primeiros habitantes do mundo.

Arthur franziu a testa.

―Dragões não são uma raça de monstro?

―Não exatamente ― respondeu Milaine. ―Apesar de serem considerados monstros na era atual. De acordo com os registros da Torre dos Sábios, os dragões são uma raça humanoide da Era Antiga, conhecidos como Povo Antigo. Eram mestres da magia, conhecedores do mistério do mundo, donos de uma sabedoria transcendental. De acordo com os mitos, o povo antigo havia transcendido suas formas carnais e deixado Arcádia, enquanto outros, aqueles apegados a esse mundo, transformaram-se em dragões, guardando os antigos mistérios do mundo.

Arthur ouviu cada palavra sem piscar, impressionado pela história.

―Mãe, já lutou contra um dragão?

Milaine gargalhou.

―Lutar contra um dragão é o mesmo que tentar lutar contra um desastre natural. Dragões são encarnação do poder absoluto, verdadeiras calamidades ambulantes.

Arthur arregalou os olhos.

―Nos humanos, forjados de carne e ossos frágeis, temos nossas limitações ― continuou Milaine com um olhar distante. ― Mesmo com os milagres da magia, ou a força das artes marciais, ainda estamos longe de poder igualar-se ao poder um dragão: corpo enorme protegido por duras escamas resistentes; grandes asas capaz de invocar ventos de tempestades; garras e dentes mais afiados do que uma espada de mithril. Eles são os seres mais próximo de um deus que vaga por esse mundo.

Arthur gravou todas palavras de Milaine em seu coração. Se um dia tivesse o azar de cruzar com um dragão, correria com todas suas forças.

―Mãe, você parece bem informada sobre dragões.

―Eu nuca enfrentei um dragão, mas posso dizer que conheço um ― disse ela com um sorriso amargo.

Vendo a expressão estranha no rosto de Milaine, ele não fez mais perguntas.

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Após terminar de comer o dejejum. Milaine e Arthur deixaram a sala de refeição e iniciaram uma série de exercícios para aquecer o corpo no quintal. Milaine treinava o balanço de espada com uma grossa barra de aço. Descrevia golpes no ar, utilizando toda sua força física natural, até o ponto de começar a suar muito e sentir os braços pesados.

Arthur, por outro lado, sentou-se com as pernas cruzadas de baixo de uma árvore. Respirava e inspirava lentamente, meditando, praticando sua concentração. Com a palma da mão estendida para frente, criava pequenos vórtices de energia mágica, até criar pequenos cristais de gelo envoltos por uma névoa congelante.

Vários meses havia se passado desde que adquiriu o grimório demoníaco, Ars Goetia. Nesse período de tempo, estudando os legados mágicos antigos, aumentou seus domínio sobre os feitiços da primeira camada das Artes Mágicas da Perdição e de Niflheim – podendo produzir a vontade bolas de chamas da ruína com um único pensamento e disparar rajadas de flechas do vazio com um simples gesto de mão.

Arthur também havia desbloqueado feitiços da segunda e terceira camada desses dois legados mágicos antigos – tudo graças ao seu grande esforço de vontade e ao grimório demoníaco que aumentava em várias dobras sua compreensão nas leis que regem a magia de Arcádia

Milaine Jogou a barra de aço do lado e sentou-se no gramado, respirando profundamente.

Seu olhar caiu sobre seu Arthur praticando magia.

Ela tinha uma expressão complicada, mas não falou nada. Meses atrás Arthur havia parado todo treinamento marcial, começando seu treinamento na magia por conta própria. Ela havia discutido com ele, mas no fim acabou deixando ele fazer o que seu coração desejava.

Enquanto Milaine esticava o corpo falou:

―Respondendo sua pergunta inicial, filho. Além do elfos, existem poucas raças com uma longevidade longa como as de um elfo. Anões, Draconianos, fadas e outros seres feéricos da floresta tem uma grande longevidade.

―Demônios, também?

Milaine fitou-o com seus olhos verde-escuros.

―Porque a curiosidade?

―Mãe, você não havia dito que a minha incapacidade de utilizar energia interna, era devido eu não ser totalmente humano?

Meses atrás, apesar de Arthur já saber de sua linhagem sanguínea, Milaine havia finalmente revelado a verdade sobre seu pai e a razão por ele não ser capaz de utilizar energia interna de seu corpo.

―Você é um humano…

―….Que tem sangue demoníaco nas veias ―disse Arthur interrompendo-a. ―Não, mãe. Não sou apenas humano. É tenho orgulho da minha linhagem demoníaca, graças a ela posso manipular a magia como se fosse algo tão natural como respirar.

Pensou em rempreende-lo, mas acabaria virando uma longa discussão.

Milaine suspirou em resignação.

―Pouco se sabe sobre os demônios, além de que são seres de outro planos, conhecido como Nove Infernos. Humanos com Bloodline demoníacas não envelhecem como humanos normais. Depois de alcançar a idade adulta, para cada 10 anos você envelhece apenas 1 ano.

Após uma longa conversa sobre demônios e linhagens demoníacas, Arthur chegou a um novo entendimento de uma perspectiva humana. E, também ajudou a conferir se tudo que Allan havia dito era realmente verdade.

Apesar de aprender magias com ele, não confiava 100% em Allan. Às vezes sentia que ele estava o preparando para alguma coisa, para realizar algum tipo de proposito.

―Agora chega de conversa e vamos ao treinamento! ―gritou Milaine, jogando uma espada de madeira para Arthur. ―Apesar que não pode trilhar o caminho da espada, não é uma desculpa para não exercitar o corpo!

Relutante, Arthur levantou-se. pegando a espada no meio do ar com um movimento ágil. Sem hesitar, pulou para cima de Milaine, descrevendo um golpe vertical de cima para baixo. A espada de madeira cortou o ar, provocando um som de assobio. Milaine aparou o golpe com a espada, e trocaram golpes com uma grande rapidez, fazendo o som surdo de madeira colidindo com madeira, ecoar no ar.

Ficaram lutando por duas horas, até a espada de madeira de ambos quebrarem.

Arthur desabou no chão, arfando, com a testa encharcado de suor. Milaine por outro lado, não tinha uma única gota de suor em seu rosto. Mostrando claramente o grande abismo de força que existia entre mãe e filho.

―Vamos até a loja da senhora Elise ―disse ela, tomando um cole de seu cantil de água.―Ela chegou ontem da viagem da cidade Al-Markhen até o Vilarejo. Preciso verificar se ela trouxe o que eu havia encomendado.

Senhora Elise era a unica alfaiate do Vilarejo. Além da confecção de roupas simples para os camponeses, uma vez por ano viajava até a Cidade Al-Markhen, para comprar materiais. Aqueles com uma renda maior, fazem encomendas com ela, trazendo todos tipos de trajes diferentes.

―Eu realmente preciso ir? ― Arthur resmungou, tudo que desejava ela ficar em casa praticando magia.

―Sem corpo mole, filho!―disse Milaine puxando-o para cima. ―Você terá uma surpresa.

Arthur suspirou melancolicamente.

Os dois passaram pelo pequenino muro de pedra ao redor da casa. A casa ficava no alto da colina, afastado do Vilarejo de Ainny. Da sua casa até o vilarejo levava aproximadamente dez minuto a pé.

Seguiram a estrada lameada por causa das chuvas dos últimos dias. Descendo a colina, passou por camponeses levando as ovelhas para pastar. Sorrindo, sua mãe cumprimentava com grande animo todos pastores que encontrava no caminho e, como sempre, todas ovelha em um raio de dez metros começou a balir e correr para todas direções.

Esse estranho fenômeno, não se limitava apenas as ovelhas, mas sim a qualquer animal na área.

Os pastores praguejaram e correram atrás das ovelhas.

Arthur, como sempre sorriu fingindo que não era o responsável.

Na estrada passaram por carroças puxados por mulas seguindo em direção ao Vilarejo; caçadores vestido com peles de animais levando grandes arcos às costas. O Vilarejo era cercado por uma bela terra, com corças e outros animais selvagens nos bosques no topo das colinas verdejantes. Para caçadores aquela região era um paraíso, contundo, ao mesmo tempo era uma terra repleto de perigos.

Monstros perigosos caminhava por aquela bela terra.

Sem ter um ramo da Guilda dos Aventureiros no Vilarejo. A defesa do Vilarejo de Ainny dependia de Ex-aventureiros que moravam no Vilarejo. Patrulhavam constantemente os arredores do Vilarejo.

Arcádia era um mundo cheio de aventura e também cheio de perigos.

Imerso em pensamentos, logo chegou ao Vilarejo de Ainny.

Comentarios em AUMDA (Reescrito): Capítulo 6



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Índice×

  1. 1
    Nova Vida!
  2. 2
    Liz a Druida
  3. 3
    Batalha nas cordilheiras (1 parte)
  4. 4
    Batalha nas cordilheiras! (2 Parte Final)
  5. 5
    Técnica de Qi? Lilith? Azura? (1 Parte)
  6. 6
                                  Técnica de Qi? Lilith? Azura? (2 Parte Final)
  7. 7
    AUMDA: Aviso sobre lançamento
  8. 8
    AUMDA: Capítulo 7
  9. 9
                            Crise dos elfos negro (Parte 2)
  10. 10
                                          Crise dos elfos negro (Parte 3 final)
  11. 11
                                            Ascensão (Parte 1)
  12. 12
                                        Ascensão (2 Parte final)
  13. 13
    Viajando para as terras desoladas do norte!
  14. 14
    Antes da batalha!
  15. 15
    Batalha de um demon lord e um rei bruxo! (1 Parte)
  16. 16
    Batalha de um demon lord e um rei bruxo! (2 Parte final)
  17. 17
    Segredo dos elfos negro e planos para o futuro!
  18. 18
    Intermissão
  19. 19
    Três anos depois (1 parte)
  20. 20
    Três anos depois (2 parte final)
  21. 21
    A procura pelos anões!
  22. 22
    Sobre AUMDA e HDUM
  23. 23
    Um monstro chamado Milaine!
  24. 24
    A jovem rainha! (1 Parte)
  25. 25
    A jovem rainha! (Parte 2)
  26. 26
    A jovem rainha! (3 Parte final)
  27. 27
    Reencontro impossível! (1 Parte)
  28. 28
    Reencontro Impossível!(2 Parte Final)
  29. 29
    A caminho de Ryfhel! (1 Parte)
  30. 30
    A caminho de Ryfhel! (2 Parte Final)
  31. 31
    Ryfhel, a mais gloriosa cidade de Arcádia!
  32. 32
    Jantar com a família real! (1 Parte)
  33. 33
    Jantar com a família real!(2 Parte Final)
  34. 34
    Antes do torneio
  35. 35
    Vencedor!
  36. 36
    Intermissão
  37. 37
    Tempo de guerra!(1 Parte)
  38. 38
    Tempo de guerra! (2 Parte)
  39. 39
    Tempo de guerra!(3 Parte final)
  40. 40
    Bloodbath! (1 Parte)
  41. 41
    Aviso importante HDUM
  42. 42
    Bloodbath! (1 Parte)
  43. 43
    Bloodbath! (2 Parte Final)
  44. 44
    Nascimento de um rei demônio!
  45. 45
    Epílogo
  46. 46
    Aviso sobre AUMDA!
  47. 46
    Prólogo
  48. 47
    Nova Vida!
  49. 48
    Arquimago da Névoa Congelante!
  50. 49
    Ars Goetia!
  51. 50
    Aprendendo a lançar feitiços!
  52. 51
    Intermissão
  53. 52
    A Druida! (1 Parte)
  54. 53
    A Druida! (2 Parte Final)
  55. 54
    Duelo Mágico! (1 Parte)
  56. 55
    Duelo Mágico!(2 Parte)
  57. 56
    Duelo Mágico! (3 Parte Final)
  58. 57
    Intermissão 2
  59. 58
    Batalha nas Cordilheiras! (1 Parte)
  60. 59
    Batalha nas Cordilheiras! (2 Parte)
  61. 60
    Batalha nas Cordilheiras! (3 Parte Final)
  62. 61
    Epílogo
  63. 62
    A Cidade dos Aventureiros, Al-Markhen! (1 Parte)
  64. 63
    Viagem Para a Cidade dos Aventureiros! (2 Parte)
  65. 64
    Viagem Para a Cidade dos Aventureiros! (3 Parte Final)
  66. 65
    Separação!
  67. 66
    Entrando em Al-Markhen e Curando a Jovem Espadachim!
  68. 67
    Guilda dos Aventureiros! (1 Parte)
  69. 68
    Guilda dos Aventureiros! (2 Parte Final)
  70. 69
    Akai Ito, O fio Vermelho do Destino!
  71. 70
    Intermissão