A Druida! (2 Parte Final)

 

 

 
O Vilarejo era formado por choupanas feitas de madeira de carvalho. Os telhados tinha a forma triangular cobertos por telhas, com chaminés que expelia fumaça. As casas tinham dois andares, com varandas largas, onde senhoras fofocavam ou comerciavam.

A loja da senhora Elise ficava no centro do Vilarejo, assim como o ferreiro e a única taverna e estalagem do vilarejo. Ao redor do poço central havia também pequenas barracas de aldeões vendendo peles dos mais variados tipos de frutas, plantas e peixes.

Os dois entraram na loja.

―Milaine!

Saudou a senhora de cabelos crisalhos atrás do balcão.

―Elise!―Milaine cumprimentou de volta, caminhando até o balcão.―Conseguiu arranjar aquilo que pedi?

―Claro!―respondeu com um sorriso cordial e virou-se procurando a encomenda nas prateleiras repletos de tecidos e peças de roupas.―….Aqui! Venha jovem e de uma olhada nesse robe feito a partir da pele de Corsican. E muito resistente contra perfurações e tem propriedades resistentes à magia. Ideal para magos iniciantes! Tomei a liberdade de comprar esse cinturão também de couro de Corsican, anexado com vários bolsos para armazenamento de poções e ferramentas de magos.

Arthur caminhou até o balcão e verificou com olhos clínicos o robe de uma tonalidade preto lustroso, com padrões intricados bordado na manga e colarinho do robe. De acordo com o que havia lido de um de seus livros sobre monstros. Corsican é uma espécie rara de corsa gigante mágica que vive em florestas amaldiçoadas. Era um monstro difícil de caçar, devido sua alta velocidade e ser um monstro capaz de conjurar magias da terceira cama para baixo com seus chifres.

Resumindo trajes a partir de um Corsican eram muitos caros.

Com um olhar rápido Arthur notou que os broches do robe e a fivela do cinto era feito a partir do chifre de Corsican.

Ideal para magos inciantes? Pensou Arthur enrolando os lábios em um sorriso irônico. Que piada! No minimo são robes utilizados por lançadores de magia classificado Grande Mago. Não é algo que poder ser adquirido tão facilmente. Quem exatamente é a senhora Elise?

―Não podia esperar menos da maior alfaiate do Vilarejo Boenia!―Milaine louvou a senhora de cabelos crisalho.

Pegou uma bolsa pressa em seu cinturão – e como Arthur presenciou inúmeras vezes – ela colocou a mão dentro afundando até o cotovelo. A cena seria impossível se fosse uma bolsa comum. Contudo aquela era uma bolsa mágica com um grande espaço interior podendo armazenar vários itens. Da sacola mágica retirou um saco cheio de moedas de ouro arcadianas. E jogou sobre a mesa do balcão fazendo o tilintar das moedas ecoar por toda loja.

―trinta e cinco moedas de ouro pelo robe e cinturão―Milaine falou casualmente e retirou da sacola mágica uma pequena rubi fragmentada do tamanho de um punho de um bebê.―E como bônus por seus serviços: um fragmento de gema elemental do fogo.

Elise ignorou a sacola de moedas de ouro. Olhando de forma emocionada para a gema vermelha fragmentada.

―Muito obrigado por seu patrocínio!―curvou-se de forma cerimoniosa.

Pegaram a encomenda e deixaram a loja da senhora Elise, caminhando por entre os aldeões do vilarejo. Arthur não fez perguntas sobre a verdadeira identidade de Elise e nem como sua mãe tinha obtido tanto dinheiro. Muito menos uma gema fragmentada elemental – considerado um tesouro para magos e ferreiros.

Mesmo Arthur perguntando, sabia que ela não responderia. Tudo ao redor de sua mãe era um completo mistério.

Enquanto estava imerso em vários pensamentos. Chegaram até uma aglomeração de camponeses agitados.

―Uauu ela é tão linda!

―Parece uma fada!

―Parece uma fada? ―zombou um dos moradores. ―Ela parece mais a encarnação da Deusa da beleza e do amor, Áine!!!

―Céus ela não cheira a coco de ovelha igual a todas garotas do vilarejo! Seu aroma é de uma rosa!

―O que está acontecendo?―Milaine perguntou curiosa, ouvindo a comoção.―Filho, vá da uma olhada.

Arthur franziu a testa, mas não reclamou. Abriu passagem entre crianças curiosas e velhos com o rosto enrubescidos, até encontrar a fonte da comoção.

Quando Arthur a encontrou, compreendeu porque os moradores estavam tão exaltados.

Uma garota de beleza feérica, vestindo um elegante robe verde esmeralda. Estava parada com um olhar perdido, segurando um cajado com a ponta retorcida, como as raízes de uma árvore, envolvendo uma gema verde. Esculpido ao longo do cajado, era visível runas místicas exalando uma poderosa aura mágica.

O vento soprou forte, bagunçando seu cabelo dourado, que Sob as luzes do sol daquela manhã, reluzia como se fosse ouro líquido.

Seu coração disparou.

O tempo havia parado e o chão sob seus pés desapareceram.

No mundo havia apenas aquela pequena fada.

Atordoado pela beleza da jovem garota, ficou lá, contemplando a pequena beldade, arrumando seu cabelo dourado bagunçado pelo vento, indiferente à todos que a cercavam.

Após recuperar seus sentidos, abriu caminho entre os camponeses, parando diante da jovem de cabelos dourados.

Seus olhos se encontraram.

A pele de Arthur formigou, como se tivesse recebido um choque elétrico. Abriu e fechou a boca tentando encontrar as palavras certas, mas, não conseguia falar uma única palavra.

Para Arthur, a jovem garota parecia um gracioso anjo vindo do paraíso.

De forma inconsciente, acabou dando voz ao seu pensamento:

―Pode ser que seja um anjo enviado pelos deuses?

A jovem garota de cabelos dourado, estufando seu peito aonde era possível ver uma pequena elevação – seus pequenos seios -, falou orgulhosamente:

―Não sou um anjo, garoto. Sou uma simples druida perdida.

―Oh, se perdeu de seus pais?

Ao ouvir a pergunta de Arthur, uma veia surgiu na graciosa testa da jovem garota de cabelos dourados.

―Hum….Garoto, para sua informação não sou uma criança!― falou ela, fazendo beicinho. ―Garoto, você parece uma pessoa inteligente, diferente desses bando de inúteis. Vou lhe dar a honra de ser meu guia no Vilarejo!

Acalmando seu coração, Arthur estudou a jovem de cabelos dourados minuciosamente, percebendo que ela era realmente uma druida. Não era um personagem qualquer, até onde conseguia ver: a energia magica era rica e densa em seu corpo.

Notou também, que a jovem exalava uma aura rosada com o aroma de rosas, uma aura que enlouquecia homens, capturando seus corações.

A aura lembrava vagamente Arthur, a magia da terceira camada da Arte Mágica Transmutação「Charme」. Feitiço que altera aura do usuário, colocando por um breve período de tempo, alvo do sexo oposto do conjurador, em um estado de encanto.

Arthur agora suspeitava que seu estado atual fosse efeito da aura da jovem garota de cabelos dourado. Por segurança circulou sua energia mágica pelos canais de energia para evitar ser cativado pela magia「Charme」.

―Posso saber o nome da distinta dama?― perguntou com cortesia.

―Sou a Grande Druida, Liz-Zahirah Barduck, professora da Academia Mágica de Zaberstab! ― anunciou orgulhosamente para todos ouvirem. ―Sabe a localização da casa da Heroína de Ryfhel?

―Heroína de Ryfhel? ― perguntou Arthur confuso.

―Milaine Magnus, Heroina de Ryfhel!―explicou Liz, revirando os olhos.―Para não saber sobre uma das maiores guerreiras da história de Arcádia, esteve escondendo-se em uma caverna?

Arthur foi surpreendido. Sempre suspeitou que sua mãe era uma grande figura no mundo lá fora, mas não esperava que carrega-se o título de Heroína de Ryfhel.

―Sei, sim ―respondeu após recuperar os sentidos. ―Vou te levar até ela.

―Ótimo!― falou Liz satsisfeita. ―Garoto, qual seu nome?

―Meu nome é Arthur Magnus, filho de Milaine Magnus!

Os olhos de Liz arregalou de surpresa. Estudou Arthur da cabeça aos pés, notando os olhos cinzentos como os de Allan, ex-líder dos Dragões Dançante.

Arthur riu satisfeito com a reação de Liz e guiou ela até sua mãe na borda da multidão.

―Liz, devia ter suspeitado que fosse você a fonte da comoção!―disse Milaine com um largo sorriso. Abraçando Liz com tanta força que Arthur temia que ela quebraria alguns ossos da pequena druida.―Sua tampinha arrogante! Senti saudades!

―Quem você está chamando de tampinha?!― esguichou Liz esforçando-se para se libertar do abraço mortal. ―Me solte, sua brutamonte sem cérebro!!

Apesar das palavras ácidas de Liz podia se ver um tênue sorriso em seus lábios. Nesse clima de reencontro, os três voltaram para casa de Milaine.

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