A Guilda!(1 Parte)

 

Ao redor da fogueira, todos conversavam despreocupadamente, devorando seus espetos de carne. Após me limpar, cortar meu cabelo e vestir uma roupa descente, me juntei a comemoração. Fazia 720 dias que eu não via aqueles rostos, meu coração estava quente por poder voltar a vê-los.

Mia estava sentada ao meu lado, falando sobre tudo que aconteceu durante o mês. Praticamente passaram o mês caçando e treinando as crianças, e vendendo materiais de monstros. Graças a algumas missões realizadas, GrayWolves era uma equipe classificação B. Depois verifiquei meu cartão de identificação da associação mágica, notei que o cartão adquiriu uma cor prata.

“Revezamos nosso dia-a-dia, entre caçar na floresta, completando missões e entrando no labirinto, nos fortalecendo. Eu, Sofie e Sam, nivelamos acima do nível 20, adquirimos nossa segunda classe. As crianças estão indo bem, se tornando mais fortes. Reunimos em um mês um fundo de 450 moedas de ouro!”

Mia estava animada, balançando sua cauda prata. Não pude deixar de sorrir, me divertindo com cada expressão que ela fazia, contando o dia-a-dia dos dias que eu perdi.

Uma parte minha gritava para tampar a boca dela e arrastar para tenda mais próxima, e tirar o atraso. Era o que planejei fazer, mas, ao ver seu rosto sorridente e alegre por me ver. Como eu poderia me comportar de forma tão canalha?

Estava feliz por a ver alegre. Não havia necessidade de apressar as coisas.

“Lyam, você está um pouco mais alto” disse Mia, comparando nossas alturas.

Nesses dois anos eu cresci um pouco, meu corpo se tornou mais forte e robusto.

“Sim, foram dois anos que se passaram dentro do labirinto” eu disse com um sorriso.

Mia desenhou um sorriso triste, mordendo seus lábios inferiores.

“…Dois anos….Deve ter sido solitário….” seu rosto era sombrio.

“Foi solitário” concordei.”Passar todos aqueles dias sem poder ver seu rosto, dormindo no piso frio do labirinto. Sentindo a falta do calor de seu abraço. Sim, Mia, foram dias solitários. Porém, foi minha escolha, precisava me tornar forte, para poder te proteger e essas crianças. Eu retornei vitorioso, Mia, não por ser forte. Mas, sim por ter vocês em meu coração, me dando forças, me incentivando a seguir em frente quando eu desejava desistir.”

Suas orelhas abaixaram, seu rosto se tornou avermelhado. Estava envergonhada, enquanto as crianças assobiavam animadamente.

“E assustadora sua capacidade de dizer palavras vergonhosas, tão facilmente” resmungou ela, sentando-se mais próxima de mim.

Meu braço livre envolveu sua cintura, puxando para perto de mim. Ela ofereceu uma leve resistência, mas logo me deixou puxar para perto. Ela deitou sua cabeça sob meu ombro, sua cauda balançava de forma animada.

“Eu apenas não consigo esconder meus sentimentos sinceros” disse com um sorriso.

Eu estava enojado comigo mesmo. Todas palavras simplesmente saíram da minha boca. No fim não importava eu ter recuperado minhas memórias, eu jamais voltaria a ser quem eu era.

Posso ouvir claramente as batidas frenéticas do coração dela. Sua temperatura era alta, sua respiração entrecortada. Meus olhos podem ver o fluxo de poder no corpo dela, o sangue fluindo por suas veias.

O olhar afiado de uma lutadora, gradualmente deu lugar a um olhar suave, amoroso, encantadoramente doce. Era um olhar que jamais havia visto, uma nova expressão. Meu coração celebrava, enquanto meus olhos registrava seus olhos apaixonados.

Nossos olhos se fixaram um no outro. Seus lábios trêmulos pareciam chamar por mim. Minha mão livre afagou seu rosto. Ela inclinou a cabeça em minha direção, como se estivesse pedindo um beijo, em resposta, abaixei a cabeça, movendo meus lábios em sua direção.

“Lyam….” disse ela docemente.

Uma brisa gelada vinda do leste agitou a fogueira, fazendo as chamas dançarem. As crianças nos olhavam atentamente, umas gritava palavrões, outras gritavam incentivando.

Nossos lábios estavam a poucos centímetros de distância, sua respiração era como um doce viciante, qual embriagava meus sentidos. Eu provaria seus doces lábios, por um momento, só por um momento, tive pena de todos homens que a desejaram e não conseguiram ter seus lábios.

Aonde todos fracassaram, eu triunfei, gloriosamente, como um deus imortal sob a montanha mais alta, vendo todos de baixo. Adorava aquele sentimento de conquista, era tão doce quando o amor de uma mulher.

Nossos lábios se tocaram, a maciez de seus lábios me levaram a loucura. Provei, como se me deliciasse da fruta mais doce do mundo. Doce, forte e apaixonante, essa era minha definição para seu beijo.

Nossos lábios se moviam em sincronia perfeita. Nossas línguas emaranhadas, dançavam com elegância.

Não havia fogueira, nem crianças barulhentas, ou as tendas ao redor. Não havia colinas, nem cidades, reinos, ou mundo. Era só eu e ela, nos beijando com amor e carinho.

Meu primeiro beijo em anos.

Eu havia me tornado um homem de verdade.

Submerso naquele beijo. Eu não havia percebido, mas, meus sentimentos intensos, alegria por beijar uma mulher após tanto tempo. Que de forma inconsciente eu havia invocado um poder adormecido, quase esquecido, mas não só foi isso. Esse poder adormecido mudou, se transformando em algo mais poderoso. Poder que quebra as leis do mundo.

Eu havia adquirido um novo talento inato, e naquele momento, naquele beijo as condições foram cumpridas, ativando meu novo poder.

“O-oque está acontecendo?” gritou Ivo. “Mestre Lyam, está brilhando!”

“Ele está se transformando!” berrou Raysa.

“Uau, que demais!”gritou Ania.

Abri meus olhos, afastando nossos lábios. Minhas mãos exalavam uma tênue luz azulada. De repente meu olfato se tornou aguçado, podia ouvir cada ruído a quilômetros de distância.

Estava confuso, atordoado pelos novos sentidos.

“Lyam, você se transformou em um Lycan!”exclamou Mia.

Eu franzi a testa. Verifiquei minha cabeça e encontre orelhas felpudas, congelei no mesmo instante. Atrás de mim, se tornou visível uma cauda de lobo negro. Balançando de um lado para o outro.

Eu havia me transformando em um Lycan!

Fiquei em silêncio, meditando a causa da transformação. Verifiquei meus status e realmente havia se alterado de Humano para Lycan e as estatísticas de poder foram corrigidas, focando mais em força, vitalidade e agilidade.

Em meus talentos inatos havia surgido um novo.

Eu verifiquei:

 

Talento inato:
Mestre do Beijo

Você se tornou um mestre do beijo. Arte mística, infame, esquecida durante a passagem do tempo. Toda mulher que você beijar, irá desbloquear a raça. O transformando por um dia inteiro na raça da mulher beijada. Essa habilidade pode ser usada uma vez por dia. Para cancelar a transformação beije a mesma mulher.
Raças desbloqueadas: Lycan

Após verificar meu novo talento inato tudo ficou claro. Estava um pouco surpreso, mas não como eu ficaria dias atrás. Eu estava acostumado a coisas absurdas acontecendo comigo.

Mentalmente listei as possíveis garotas que iria beijar, para desbloquear novas raças.

Expliquei para Mia meu novo talento inato. Ela reagiu de uma forma estranha, eu a beijei novamente, retornando a minha raça original.

A beijei mais cinco vezes, não voltei a me transformar.

“Mestre, depois me beije!” gritou Raysa com um sorriso travesso.

“E-eu também, mestre!” disse Ania envergonhada.

“Porque o mestre iria beijar uma gata de rua?” zombou Ivo, ganhando um soco de Raysa.

Eu ignorei seus pedidos. Continuamos ao redor da fogueira, contando histórias, enquanto Mia me abraçava, enterrando seu rosto em meu peito. Devoramos mais alguns espetos de carne. As crianças brigaram, lutaram ao redor da fogueira mostrando suas habilidades aprendidas.

Eram um bando de crianças com energia ilimitada.

“Agora eu eu fui notar, aonde está Sofie, Sam….Há algumas crianças faltando” perguntei para ela.

“Eles estão dentro do labirinto” respondeu Mia em meus braços.”Uma vez por semana, metade de nosso grupo fica um dia inteiro treinando no labirinto. Na semana passada era a vez do meu grupo, passamos um dia inteiro dentro do labirinto, o que se tornou 24 dias dentro da barreira temporal.”

“Não precisam trabalhar tão duro” eu disse afagando a cabeça dela.

Mia balançou a cabeça e falou com um olhar firme:

“Precisamos nos tornar fortes, para não ser um fardo para você, Lyam”

“Nunca serão um peso para mim” eu disse com um sorriso.

Nos beijamos novamente.

“Está tarde vamos nos retirar para tenda” eu sugeri.

“Verdade….Crianças, hora de dormir!” gritou Mia.”Todo mundo para suas tendas, Ivo, hoje você pega o primeiro turno.”

As crianças obedeceram as ordens dela. Eu e Mia nos recolhemos em uma grande tenda. O chão era coberto por pele de lobo negro, ela preparou lençóis, em instante nos deitamos.

Estava feliz por dormir com ela em meus braços.

…..

…..

….Espera algo está errado.

Espera, porque eu estou feliz por apenas ter ela em meus braços? Pode ser que a DDPJ e mais poderosa do que eu originalmente pensava?

Sem presa, tudo com o seu tempo, pensei mentalmente, abraçando-a, mas minha mão se moveu sozinha, acariciando os seios volumosos dela.

“…Lyam…..”disse ela surpresa.”V-vamos dormir, ok?”

Eu concordei, voltamos a dormir, mas, minha mão voltou a se mover sozinha, acariciando a nádega dela.

“..Lyam….” disse ela com um olhar mais duro.”Não me toque em nenhum lugar estranho, ok?”

Eu concordei, voltamos a dormir. Minha mão voltou a se mover sozinha novamente, dessa vez se moveu até o meio das pernas dela. No mesmo instante ela se moveu rapidamente. Retirando uma faca sabe-se lá de onde, apontando para minha garganta, seu joelho pressionado contra meu estômago.

“Lyam, eu gosto de você, mas ainda é muito cedo para nos relacionamos nesse nível” disse Mia com um olhar afiado.”Eu, espero, sinceramente, que não tende mais nenhuma gracinha, porque da próxima vez eu não vou hesitar em cortar sua garganta. Estamos entendidos?”

Engoli minha saliva, sentindo a lâmina fria em meu pescoço.

“Sim…” concordei.

Ela sorriu para mim, me beijou docemente, voltamos a dormir abraçados.

Aayós era um mundo difícil de várias maneiras.


Acordei com o rosto enterrado, confortavelmente, nos seios da Mia. Havia uma segunda garota me abraçando, para minha surpresa, era Sofie, toda suja de barro e sangue de monstros.

Era estava fedendo.

Eu a chutaria para fora, se não fosse por sua aparência tranquila ao dormir. Me levantei com cuidado para não despertar as garotas. Estiquei as pernas e após uma serie de alongamentos sai da tenda. No mesmo instante, senti um delicioso aroma de ensopado de carne.

“Bom dia, Ania!” cumprimentei Ania.”O que está preparando?”

“B-bom dia, mestre Lyam!”cumprimentou ela de volta.”E apenas um ensopado de carne de lobo negro e alguns vegetais e especiarias compradas na cidade.”

Ania era uma garota da raça Rabbitman. Em nosso grupo ela é a que tem o maior level na habilidade Culinária Lv.4. Toda comida preparada por ela se torna delicioso. Fora o ótimo sabor, Ania tem um talento inato chamado Chefe de cozinha mágica, que acrescenta Buffs poderosos na comida. Por exemplo, após comer o ensopado de carne de lobo, por um certo período de tempo, nossa resistência e força aumenta em 5%. Dependendo da raridade e qualidade dos ingredientes, os Buff são maiores.

Ela movia com a colher de madeira, o ensopado no caldeirão mágico, enquanto acrescentava especiarias. Provou o caldo do ensopado, assentiu satisfeita para si mesma.

“Mestre, por favor prove!”

Provei o caldo do ensopada. Ricos sabores inundaram meu paladar. As especiarias acrescentadas por Ania transformaram um simples ensopado, em um ensopado divino, preparado por um grande mestre.

“Está ótimo, Ania!” exclamei, acariciando sua cabeça.

Caminhei entre as tendas. Conversando com Ivo – um jovem garoto da tribo Lizardman – descobri que o grupo de Sofie e Sam retornaram antes do amanhecer. Sem nada para fazer, ensinei Ivo alguns truques com o machado de duas mãos – sua arma favorita. Graças a meu talento inato Professor Gênio ele aprendeu os truques e aumentou seu level na perícia de machado de duas mãos.

Ensinei mais algumas crianças até o meio-dia, quando o sol cintilava imponente no céu azul sem nuvens. Aos poucos, atraídos pelo cheiro do delicioso ensopado, as crianças do grupo que estavam lutando no labirinto saíram de suas tendas.

Seus olhos eram duros e afiados, a experiência nos labirinto muda qualquer pessoa, ainda mais uma criança. Muitos deles sofreram nas mãos dos comerciantes de escravos, lutavam no labirinto para se tornarem fortes, e nunca mais ficarem a merce de outra pessoa.

Me cumprimentaram energeticamente.

Eu havia me tornado pai de vinte crianças.

Meu coração egoísta sangrava. Eu havia me tornado uma boa pessoa, e isso me irritava. Porém, era gratificante está ajudando aquelas crianças. Sei que são sentimentos contraditórios.

Eu estava confuso apesar de tudo. Lembrava de minhas origens, do meu eu egoísta, prepotente, orgulhoso, que só me importava comigo mesmo e aqueles que eu amo. Não acredito que eu estava errado em só se importar comigo mesmo e com aqueles que amo. Porém, sem memórias, eu estava a merce da bondade de outros. A bondade de Mia, mexeu profundamente com meu coração e mente.

Não estava errado minha forma de pensar como Apollo, mas, ao mesmo tempo não era certo.

Talvez eu nunca volte a pensar da mesma maneira de antigamente. Porém não significa que eu serei um Seiji Tanaka da vida.

De alguma forma eu havia me tornado alguém melhor.

“Hump! Vejo que cresceu um pouco garoto!” resmungou Sofie em seu modo tsundere.

“Vejo que se tornou mais forte, Sofie” sorri amigavelmente.

“Não é obvio?” Sofie empinou o nariz.”Saiba, garoto, que eu atingi o Lv.25! Tenho uma segunda classe rara…”

Sofie começou a falar arrogantemente sem parar. Eu a ignorei, verificando as outras crianças. Todos estavam bem e fortes, não pude evitar de sentir meu coração aliviado.

“Ei, não me ignore quando eu estiver falando com você!” Sofie apontou seu cajado para mim. No mesmo instante várias crianças entraram na frente apontando suas espadas e arcos e flechas.

“Abaixe o cajado, ou se não vamos acabar com sua raça, anã!” disse Abhi, um dos garoto humano. Ele exalava uma pitada de vontade de matar, apontando seu arco e flecha para Sofie.

“Q-quem você está chamando de anã, seu pirralho!” berrou Sofie.

“Abaixe esse cajado ou eu não serei gentil com você, Sofie” disse uma garota esbelta, cabelos negros e olhar taciturno. Ela se chamava Desy, uma humana que herdou a classe e alguns poderes de seu pai, um necromancer.

Ela vinha de um lugar chamado de terras das neblinas, também chamado de Niflheim.

Após recuperar parte de minha memória, questionei o porque de vários lugares, deuses e raças de Aayós terem o nomes iguais da mitologia nórdica. Pensei na possibilidade das lendas e mitos do meu mundo originas se passearem nesse mundo. Então isso significa que no passado a terra e Aayós eram ligados?

Se eu for seguir a mesma linha de raciocínio para outras mitologias, significa que a terra esteve ligada a outros mundos?

Balancei a cabeça, afastando pensamentos inúteis.

“S-seus traidores!” rugiu Sofie.

“Calma, Abhi, Desy” afaguei suas cabeças, acalmando seus ânimos.”Sabem que ela não me machucaria, mesmo se tentasse.”

Eles sorriram de volta, segurando uma risada.

“S-seu garotinho…Ahhh!” Sofie avançou com seu cajado.

Abhi disparou uma flecha, acertando a terra aos pés da Sofie, parando seus movimentos. No mesmo instante Desy fez gestos arcanos, convocando um soldado esqueleto segurando um escudo de madeira e uma espada enferrujada. Suas orbitas vazias cintilava uma luz vermelha.

Assustador, eu não me dou bem com filmes de zumbi!

“「Banir Mortos-Vivos」!”

Cajado de Sofie exalou brancura, ela bateu contra o chão criando um pulso de luz branca, que ao atingir o soldado esqueleto, foi desintegrado. Magias de necromancer eram fracas contra Magias Santas e Feéricas.

“S-seus pirralhos traidores vou te ensinar uma lição!” berrou Sofie.

“Sofie, já chega!” gritou Mia, puxando uma de suas orelhas pontudas.”Eu já falei para não os intimidar!”

“Vira-lata, solte minha orelha!”disse ela com o rosto vermelho.”Eles que estavam, me intimidando, pergunte ao Lyam!”

Eu me virei e puxei Abhi e Desy comigo, para provarmos o delicioso ensopado de carne.

Deixamos Sofie para trás. Enquanto provava o ensopado de carne era possível ouvir seus gritos estridentes.

Era bom estar de volta a essa barulheira

Durante o almoço de meio dia, discutimos os próximos passos para formar uma guilda. Deixei Sam e Sofie com as crianças, enquanto eu e Mia nos dirigimos a cidade. Precisava adquirir minha terceira classe e comprar um edifício em Elba, para se tornar a sede da nossa Guilda.

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