Loki

 

A tempestade se acalmava-se com os passar dos dias. Continuamos a viagem pela estrada lamacenta, em direção ao rio Skjet. No horizonte distante era possível ver as nuvens negras, escurecendo o mundo, enquanto, nos éramos banhados pelas luz do sol; revelando as destruição causada pela tempestade.

Quase perdi o fôlego, era tudo muito belo, a destruição causada pela tempestade. Quando eu mais conhecia Aayós, mas eu me apaixonava por ela. Mesmo em sua fúria, havia graça e uma beleza exótica.

Após três dias a cavalo chegamos até uma pequena vila nas margens do rio Skejed. As casas eram simples, feitas de barro e pedra. Havia algumas casas destruídas pela tempestade.

“Esses aldeões parecem estarem famintos” disse Mia, ao ver adultos e crianças, magras.

“Quem é o ancião da aldeia?” eu gritei, minha voz era profunda e cheio de autoridade.

Mulheres e crianças correram assustadas para dentro de suas casas. Homens fortes, corpos robustos, marcados com cicatrizes, saíram segurando machadinhas e lanças improvisadas.

“Quem é você?” gritou um dos homens.

“E-eu sou….” hesitei por um momento.

Se fosse antes me apresentaria como Apollo ou BlackWolve, mas agora eu era diferente – precisava de um novo codinome. Eu não era mais como o sol resplandecente, era mais como um inverno rigoroso, vingativo, caótico, obscuro. Não era mais digno do nome Apollo, precisava de um novo codinome. Algo que represente a bondade e maldade.

Não se passou meio segundo, mas havia revisado toda mitologia mentalmente, havia um nome de um deus que combinava comigo.

“Me chamo Loki, um aventureiro classificado rank B” me apresentei.”Posso saber o que está acontecendo na vila?”

(Magusgod: Loki na mitologia nórdica é um deus complexo, nem do bem e nem do mal. Além de ser o deus do fogo e da magia, e muitas outras coisas. Acredito que para esse mundo, Loki e o codinome mais adequado para Lyam.)

“Não e da sua conta!” gritou um dos homens.”Saia da nossa aldeia!”

Desmontei o corcel.

“Você está certo em algo: não é da minha conta. Mas, não vou ignorar mulheres e crianças famintas. Não vou sair dessa aldeia até me dizer o que está acontecendo.”

“Se não vai sair, eu vou te retirar a força!” grunhiu o homem.”Não me culpar por ser rude.”

O homem de corpo robusto que parecia ser o líder dos homens, caminhou a frente, balançou sua machadinha, descrevendo arcos verticais e horizontais. Um homem normal sentiria pressão pelo poder de cada balanço da machadinha, mas para mim era como ver alguém com um graveto, evitei todos ataques com movimentos rápidos.

Ele não era capaz de arrancar um fio do meu cabelo sequer.

Após dez minutos ele estava ofegante. Suor escorria por sua testa. Me encarava com certa descrença. No mesmo instante outros homens da aldeia me cercaram apontando suas armas.

“O que está acontecendo aqui!” rugiu uma voz idosa.

“Ancião!!” vários homens gritaram ao mesmo tempo, abrindo passagem para um senhor idoso, sem um olho, apesar de sua aparência frágil, me passava a mesma sensação de poder do Grã-mestre Zacky.

“Honrado aventureiro, posso saber o motivo de sua vinda a nossa aldeia?” perguntou o ancião.

Expliquei o motivo da minha parada e minha preocupação das pessoas famintas.

Não era algo que eu poderia ignorar.

“Semanas atrás, um grupo de soldados da cidade Gruson levou toda nossa comida dizendo que era tributo aos impostos, dias depois cobraram novamente impostos, não tínhamos nada para dar, tentaram levar as mulheres como escravas para pagar os altos impostos, mas não permitimos e lutamos contra eles, expulsando sua forças, mas temo que logo voltaram com mais soldados. Peço que vão embora antes da chegada do soldados para não sofrerem nosso destino.”

Franzi a testa.

“Me parece que o Rei Rhuan Terceiro é um péssimo governador, permitir que lordes de seu reino oprimir pequenas aldeias!” eu disse.

Sofie riu.

“Rei Rhuan Terceiro pouco se importa com seu povo, e acredite em mim, seria pior se não fosse a presença da santa igreja de Freyr. Ele é um tirano impiedoso, porém não ousa passar dos limites, pois sabe que a santa igreja de Freyr não permitiria.”

Sofie explicou que Rei Rhuan Terceiro governa o Reino Midgard, qual estámos vivendo – que sinceramente eu não sabia. Além do Reino Midgard há mais oito Reinos em Aayós; Niflheim, reino da nevoa; Svartalfheim, mundo subterrâneo lar dos elfos negros; Nidavellir, reino das rochas, lar dos anões; Alfheim, reino dos Álfars, altos elfos da luz; Jotunheim, reino das montanhas congeladas, lar dos gigantes de gelos, os jotuns; Musphelhein, reino das montanhas de fogos, lar dos gigante de fogo; Vanaheim, lar dos semideuses; e acima de todos, Asgard, lar dos deuses.

Os deuses eram reais e muitas vezes podiam ser vistos, cruzando os céus, ou descendo na terra, dormindo com as mulheres mortais – eu sinceramente duvidei das palavas de Sofie, mas diferente do meu mundo anterior, os deuses eram reais, poderosos e tinham o costume de ferrar com a vida de algumas pessoas.

“Ancião, não posso partir” eu disse a ele.”Vou ficar, e ajudar na defesa da aldeia.”

O ancião suspirou profundamente.

“Se é o que deseja, não vou recusar sua ajuda.”

Assenti satisfeito. Ao mesmo tempo materializei vários pães, queijo, vinho e carnes de vários tipos de monstros.

“Por favor, aceite, e prepare uma boa refeição a todos.”

A boca dos aldeões salivaram, em pouco minutos, mulheres recolheram a comida. Com a carne fizeram um delicioso ensopado de carne, alimentando as crianças e os adultos famintos.

Encostado na parede de uma das casas, observei as garotas ajudando na distribuição do ensopado aos aldeões. Mia parecia muito satisfeita ao ajudar as crianças. Desy era indiferente. Sofie resmungava, mas era possível ver um leve sorriso em seus lábios.

“Não temos como retribuir sua generosidade” disse o ancião se aproximando.

“Eles não podem retribuir, mas você sim” eu disse a ele.”Não sei quem você é ou quem você foi, mas não há a menor possibilidade de ser um simples ancião de uma pequena aldeia. Posso ver a força de cada um deles, menos a sua, acredito que você deve ser estar acima do nível 80.”

Ele semicerrou os olhos, mas não respondeu nada.

“Pela falta de resposta acredito que minha conjectura esteja correta. Se eu estiver correto sua barra de MP deve ser a metade da minha, ou talvez maior, qualquer um dos dois é ótimo.”

Fiquei em silêncio calculando as possibilidades.

“Aonde você quer chegar?” enfim ele perguntou.

“Em troca em ajudar com aldeia, preciso que me ajude a recuperar algo importante para mim” respondi.

Ele balançou a cabeça e respondeu:

“Não posso lutar. Eu fui amaldiçoado por um poderoso Sacerdote das trevas. Apesar de eu ter poder eu não posso usá-lo em uma luta, caso contrário eu mesmo esmagaria os soldados de Gruson!” disse ele com uma voz feroz.

Ele era um leão enjaulado.

“Não é necessário que lute, apenas que me empreste seu poder mágico. Sobre sua Curse eu posso retirá-la se for abaixo de uma magia Curse Lv.9!”

“É impossível!” disse ele com certo espanto.”Mesmo um alto sacerdote da igreja santa de Freyr não conseguiu retirar uma magia Curse Lv.8!”

“Não com Magia Santa, mas existe outros tipo de magia” respondi.”Então, o que vai ser, sim ou não?”

O ancião ficou em silêncio, franzindo a testa, com um grunhido concordou.

……………

Era noite a luz da lua cheia iluminava a aldeia e dando um brilho mágico ao rio Skejed. Sofie, Mia, Desy e o ancião me seguia até um lugar afastado da aldeia. Se tudo der certo em meu plano, eu poderia recuperar um item importante para mim.

Desde que recuperei parte da minha memória. Lembrei do meu dom espiritual e a dimensão de armazenamento criado por esse poder. Tentei acessa-lo várias vezes mas meu poder espiritual era insuficiente para se quer retirar uma única moeda de ouro de Argus.

Manipular meu dom espiritual nesse mundo era extremamente difícil, quanto comparado ao meu mundo anterior. Provavelmente esse mundo seja fraco em energia espiritual, e rica na energia mágica, o que explica os diversos monstros, dragões e deuses.

Pelos meus cálculos eu vou poder acessar completamente a dimensão de armazenamento quando eu voltar a ser um semideus. Porém não desejo esperar por tanto tempo. Vou tentar retirar pelo menos um item da dimensão de armazenamento com ajuda dos quatro.

“Aqui deve ser o suficiente” eu disse.

Desembainhei Solitária, alimentando-a com meu poder mágico sua lâmina foi coberta por chamas brancas. Desenhei no solo rochoso um grande círculo mágico com quatro círculos menores dispostos em norte, sul, leste e oeste. As chamas brancas mudaram para um puro roxo ao alimentar com meu poder espiritual, entalhei diversas runas espirituais dentro do círculo, criando uma matriz espiritual improvisada.

Suor percorria toda minha testa após usar aquela pequena quantidade de poder espiritual.

Ao revelar minhas asas azuis cristalinas, as chamas branca da coroa iluminava os arredores. Banhado pela luz da lua cheia senti minhas forças aumentarem, graças ao minha Habilidade Passiva Fases da Lua Lv.5 que aumenta minhas estatísticas de acordo com as fases da lua.

Com a lua cheia todas minhas estatísticas havia subido 20%!

“Cada um se ajoelhe em um dos círculos e junte suas mãos como se fossem rezar. Fechem os olhos e pense em mim, canalizando seu poder mágico em minha direção.”

Fizeram como eu havia falado. Com minha visão Soberana Lv.5 posso ver a energia mágica saindo de seus corpos, como um pequeno rio de energia azulada, seguindo em minha direção.

Aceitei o poder mágico, no mesmo instante ativei a matriz espiritual de 「Conversão Espiritual」, convertendo minha barra de MP em poder espiritual.

Todo meu poder mágico se tornou espiritual.

Ergui a mão pensei no item que eu desejava. Gradualmente a forma tridimensional fantasmagórica do item se tornou visível.

“Ahhhhhhhh!!!!” eu gritei forçando todo meu poder espiritual a trazer de volta o item que eu desejava.

Sangue começou a sair por meus olhos e nariz pelo enorme esforço mental e espiritual. Sentia que minha mente fosse explodir a qualquer momento, Mia, Sofie, Desy e até mesmo o Ancião tinha rostos pálidos pelo grande poder mágico que estava sendo sugado por mim.

“Não vamos aguentar por muito tempo!” gritou Sofie, pálida, com a testa preenchida com gotas suor.

“Só mais um pouco, estou quase conseguindo…Cof! Cof! Cof!…” cuspi um bocado de sangue pela boca. Todo meu corpo se tornou trêmulo, fraco, e minha visão se tornou dobrada.

“Eu não posso mais continuar……”

Quando eu ia desistir a forma do item se tornou clara e o poder espiritual sugado cessou. Meus olhos se arregalaram de alegria ao ver a forma clara e requintada do martelo de cristal entalhado com várias runas poderosas.

Sua aura arrogante era imensurável.

Eu havia conseguido retirar o martelo de Aurorus da dimensão de armazenamento!!!

  • Martelo Sagrado de Aurorus – Categoria: Forja. Nível: Sagrado. Bônus: nunca quebrar/ Aumenta 20% MP/ Aumenta 30% Estatística Espirito/ Aumenta 40% do poder dos itens fabricados/ 80% de chances na criação de um item nível Sagrado uma vez por dia / Aprimorar Armamento. Especial: Ao tocar o martelo você adquiri duas classes: Ferreiro Sagrado e Arquiteto Espiritual.

 

Sofie havia falado que havia apenas seis níveis de itens: pobre, comum, raro, lendário, épico e fantasma.

Graças a mim, agora havia sete níveis de itens.

“….Essa aura arrogante….Pode ser um item nível deus?” perguntou o ancião boquiaberto.

Balancei a cabeça.

“Não, é um item nível sagrado” esclareci, e perguntei:”Existe um nível deus?”

“Sim, há no total dez níveis de itens e não seis como muitos estudiosos acreditam” explicou ele.

Sofie, Mia e Desy estavam espantadas pelas palavras do ancião.

O ancião voltou a falar.

“Após o sexto nível fantasma, existe mais quatro níveis; Demoníaco; Sagrado; Espiritual; e o mais poderoso, nível Deus!” ancião sentou-se no chão, com a respiração ofegante.”Se esse martelo é uma arma nível sagrado, então deve rivalizar com uma arma nível Sagrado da santa igreja de Freyr, Lança de Reginleif!”

(Magusgod: Para curiosidade Reginleif, na mitologia nórdica e uma das valquírias de Odin, que serve capturando as almas de guerreiros para seus exércitos em Valhala.)

Me lembrei de Louise e a lança poderosa que ela brandia na batalha contra os Orc. Na época eu era fraco demais, mas podia sentir uma pitada de aura arrogante vindo da lança.

“Compreendo, amanhã quando eu recuperar parte de minhas forças, vou retirar a sua Curse” eu prometi.

Ele assentiu levemente.

Emanei o pouco de poder mágico e espiritual em direção do Martelo Sagrado de Aurorus, ganhando mais duas classes. Pensei que seria impossível adquirir outra classe sem ter atingido o level 60, apenas posso conjecturar, mas acredito que a relíquia mágica, pedra do julgamento, tenha uma restrição, permitindo adquirir uma classe apenas a cada vinte níveis.

Com a classe Ferreiro Sagrado adquiri a habilidade ativa Arte da Criação Lv.10 e aumento na estatística de Resistência, Força e Vitalidade.

Com a classe Arquiteto espiritual adquiri o Talento Inato Mundo Ideal, que permite a construção de espaços dimensionais. Visão Soberano se tornou Visão Soberano Espiritual. Adquiri a estatística Espirito, que representa o tamanho do meu poder espiritual, e adquiri a habilidade ativa Criação de Matriz Lv.10.

Minha visão sob o mundo havia mudado, não enxergava somente o que estava diante de mim, podia ver até centenas de quilômetros adiante, através de qualquer obstáculo, era assustador o poder do talento inato Visão Soberano Espiritual!

“Agora que eu tenho de volta o poder de forjar armas, vou forjar uma arma, terminar o que deixei incompleto!” eu disse entusiasmado.

Retornamos para a vila.

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