Confronto épico! (1 parte)

Ponto de vista Mia

 

No céu azul Álfar sobrevoava a pousada labirinto do amor 3. Seu corpo enorme era coberto por um um fulgor branco. Os raios do sol sob seus chifres e garras douradas proporcionava uma imagem divina. Não faz nem um mês quando Álfar, um pequeno dragão Feérico, empoleirava nos ombro de Lyam.

“Vira-lata, quem um dia imaginaria que nós veríamos um dragão Feérico adulto?” perguntou Sofie num tom sonhador. “Os Álfars dizem que as garras e presas de um dragão Feérico adulto e a materialização da energia feérica. Garras que podem rasgar metal magicamente reforçado como se fosse um pedaço de bronze. Na terceira era quando os Svartálfar surgiram, trazendo a escuridão ao mundo. Os dragões Feéricos foram fundamentais na derrota dos Svartálfar, que fugiam de sua luz e de suas garras como se fossem a própria morte!”

Não acredito na existência dos Svartálfar, os elfos escuros. Na floresta cresci ouvindo histórias de terror, sobre o terríveis elfos escuros que quase devoraram o mundo. Meu pai, um grande guerreiro da tribo, me contava sobre os elfos escuros quando eu o desobedecia, saindo dos limite da floresta. Eu era feliz naquela época em que os Svartálfar eram meus demônios assustadores.

Logo depois conheci demônios verdadeiros: humanos.

“É verdade que os Svartálfar quase destruíram o mundo, na terceira era, é só se lembram dessa parte da história. Esqueceram que os Svartálfar buscava vingança e liberdade” falou Desy num tom baixo e monótono.

Não gosto dela, nem de seus olhos violetas. Há algo nela que faz os pelos da minha cauda se arrepiarem. Seu rosto monótono não me engana, nem sua aparente fraqueza ou palavras baixas, submissas.

O que mais me preocupa é que não consigo lembrar dela entre os escravos encontrados na propriedade do comerciante kur.

Era como se ela tivesse aparecido do nada.

Sofie franziu a testa.

“Não há outra parte da história, os Svartálfar surgiram do abismo e atacaram os povos livres da terceira era” falou Sofie num tom confiante e completou: “No solstício de verão, quando ocorre o festival Aterkallande, os anciões élficos de Vidbláin e Gautelfr, se reúne e contam as histórias que todos esqueceram, é nunca contaram nada sobre uma outra parte dos Svartálfar!”

Desy balançou a cabeça lentamente.

“É nunca ouvirá a história verdadeira dos Svartálfar a partir da boca de um Alfár” Desy retrucou, num tom claro e hipnotizante. “No festival Aterkallande os “honrados” Álfar comem cogumelos alucinógeno, e as mulher “honradas”, dormem com vários homens, abrindo as pernas para qualquer um que aparecer. Essa é a verdade que poucos contam sobre o festival Aterkallande e os “honrados” costumes élficos.”

Sofie se tornou vermelha.

Não era a primeira vez que eu houvi essa história. Na minha tribo era bem conhecido os costumes élficos, e o que acontecia no festival Aterkallande – vários Álfar comemorando o solstício de verão e fazendo amor o ato supremo de contemplação da vida e da natureza para os Álfar.

“Os Svartálfar, viveram nas florestas escuras de Nifheim” continuou Desy fitando as cordilheiras pulverizadas.”Segundo os sacerdotes escuros, os Svartálfar são os filhos de Hella, a deusa dos mortos e Skog, deus da natureza. Os Álfar não gostaram da semelhança física entre si, e abominavam seu culto a morte e escuridão. Houve uma guerra no fim da primeira era, os Álfar liderando um vasto exército élfico, massacrou incontáveis Svartálfar e os sobrevivente do massacre fugiram para as entranhas da terra. Essa é a verdade por trás da calamidade que caíu na terceira era.”

Ela falava como se tivesse presenciado o massacre dos Svartálfar e sua vingança na terceira era.

Nunca estive no reino da neblina, Nifheim. De acordo com Olaf – anão ex-líder da equipe StoneStick -, Nifheim é uma terra deprimente, com vastos pântanos, mosquitos do tamanho de lobos e suas melhores cidades cheira a merda e a bebida tinha gosto de urina de troll. É um reino de merda, dissera Olaf uma vez. A comida é péssima, as mulheres fedorentas e frias, e quase morri quatro vezes naqueles malditos pântanos!

Anões eram os mais grosseiros e bebedores de toda Aayós.

Sofie e Desy começaram a discutir sobre diversas lendas. Eu encarava o horizonte, preocupada, temendo que te alguma forma foi gravemente ferido na luta titânica de dias atrás.

Lyam, para alguém podre como eu era o sol reluzente, afastando a escuridão do mundo, colorindo meu mundo cinza. Sem Lyam, Aayós voltaria a ser um mundo que odeio, o mundo triste e sem esperança de outrora.

“Preocupado com nosso garotão?” perguntou Sofie.

Assenti com a cabeça.

Sofie, assim como eu, tinha seus próprios traumas e demônios. Me lembro daquele dia chuvoso, quando a encontrei quase morta, jogada na lama com as costas em carne viva. Seus corpo era uma coleção de hematomas horrendos e seus olhos mortiços. Eu cuidei dela, tratei suas feridas e aos poucos fomos criando um laço de amizade. Sabemos a história uma da outra.

“Não acha que estão sendo injustas com Lyam?” perguntou Desy no fitando com seus olhos violetas.”Ele ama vocês duas, contou a verdade enquanto poderia mentir. Independente de seus traumas do passado, Lyam merece saber suas histórias.”

Eu congelei no lugar.

“Melhor Lyam nunca saber de nosso passado” respondeu Sofie fazendo uma careta.”Naquele dia, na sala de banho, quando ele viu minhas cicatrizes ele quase perdeu o controle. Se um dia ele descobrir sobre o que passamos, temo, que nada poderá conter sua fúria. Então, Desy, pode imaginar o que aconteceria ao mundo?”

“A questão é que Lyam as ama, e vocês paga ele com mentiras” retrucou Desy com uma leve na voz.”São indignas de seu amor!”

“É você é digna?” perguntou Sofie arqueando a sobrancelha.”Você, é apenas uma putinha sem vergonha, abrindo as perna para ele facilmente. Além disso, você esconde coisas dele também, Desy!”

As duas começaram a discutir, xingar uma a outra e quase partiram para os tapas. Desde o momento que Lyam, saiu, ela começou a nos atacar e com seu talento inato, era nos atinge aonde mais dói.

Eu sabia o porquê.

“Você está com ciúmes” eu disse encarando seus olhos violetas.”Você está gostando dele, e o quer somente para si, não estou certa, Desy? Por esse motivo que anda nos atacando, tentando nos tirar do lado dele?”

Ela ficou parada no lugar. Surgiu um brilho em seus olhos violetas. Sofie desenhou um sorriso cruel e começou a provocar ela. Continuamos a discussão até Álfar, pousar ao lado da pousada labirinto do amor 3.

“Altíssimo está vindo!” disse ele sem olhar para nós, num tom arrogante.

Álfar pode falar e sua arrogância havia dobrado. No dia em que ele voltou, tinha deixado claro que estava ali por ordens do “Altíssimo”, para nós proteger. Se ele pudesse, teria nos feito em pedaço e voltado ao lado de seu mestre.

“…Aonde ele está? Não….Pelo javali dourado de Freyr! O que diabos é aquilo?!” Sofie gritou de espanto.

De repente a temperatura havia se tornado insuportável. No céu, surgiu um segundo sol. Para ser mais exata, uma bola de chamas vermelha. Aguçando meus olhos lupinos, vi que não era uma bola de chamas vermelha. Era uma monstruosa criatura com três cabeças de lobo com uma enorme juba de fogo escarlate. No meio da testa, acima dos olhos escuros, se projetava um longo chifre de rubi. Por todo seus pelo havia padrões dourados, cintilando como ouro líquido.

O monstro não tinha asas, mas corria pelo céu como se estivesse na terra.

“Um guardião infernal?” Desy pergunto espantada.

“Guardião infernal?” perguntou Sofie franzindo a testa.

“Nós……” ela clicou a língua como se tivesse cometido algum erro, e voltou a falar: “Li em um livro antigo, que existe nove planos infernais e cada entrada e guardada por uma divindade demoníaca. Nesse livro havia figuras de divindades demoníacas, e uma delas é exatamente igual á esse monstro. Diz o livro que seu poder e equivalente ao de um lorde demônio!”

“…O que uma divindade demoníaca está fazendo em Aayós?” perguntou Sofie.

“Logo saberemos, pois o monstro está vindo em nossa direção!”

Suor escorria por minha testa. Meu coração começou a bater mais rápido e um sentia um nó na minha barriga. De alguma forma eu sabia que era ele, Lyam. Eu estava certa, logo se tornou visível sua figura.

Lyam estava em pé sob a cabeça principal da divindade demoníaca, ao lado do chifre de rubi. Trajava um tabardo branco ornamentado com a figura de dragão dourado que combinava com as manoplas e botas de ouro. A capa de escamas vermelhas era presa com broche de diamante entalhado no formado de uma cabeça de dragão. Em suas costas, havia duas espadas de duas mão.

Seu rosto juvenil se tornou anguloso e seus cabelos negros como a noite se tornou loiro, como os primeiros raios do sol. Seus lábios formava um sorriso orgulhoso e ao mesmo tempo provocador.

Nossos olhos se encontraram. Meu corpo tremeu, todo ar esvaiu e meu rosto queimava. Eu sabia que estava vermelha como uma donzela virgem. Sofie e Desy reagiram da mesma forma, olhos cintilantes, queimando de desejo.

“Pelo javali dourado de Freyr! O que aconteceu com esse garoto?” exclamou Sofie.

“…..Ele realmente é Lyam?” pergunto Desy sem piscar.

A divindade infernal pousou a uma boa distância de nós. O solo abaixo de suas patas, derreteu, transformando em magma. Lyam, saltou de uma altura que mataria um ser humano normal. A terra balançou com seu pouso, criando uma cratera.

Lyam sussurrou algumas palavras e um livro negro surgiu em sua mão, logo, a divindade demoníaca se tornou um fluxo de fogo, retornando para o livro, que desapareceu em seguida.

“Um grimório de invocação?” perguntou Sofie pasma.

“Não, existe grimório de invocação que possa conter uma divindade demoníaca” respondeu Desy, arrumando seu cabelo e ajeitando seu vestido.

Não me importe com minha aparência ou meu cabelo bagunçado, eu corri em sua direção, corri o mais rápido que pude, tropeçando, sorrindo como uma criança. Não conseguia controlar meus sentimentos. Toda minha preocupação se esvaiu dando lugar a soluços de alívio, lágrimas que desciam sem parar.

“Lyam!!!” gritei em meio aos soluços.

Ele caminhou em minha direção, eu saltei, ele me recebeu, me pressionando em um abraço caloroso e cheio de amor. Podia sentir seus músculos poderosos abaixo do tabardo branco e da cota de malha. Seu coração batia tão rápido que parecia que explodiria a qualquer momento. Giramos, em seu rosto havia um sorriso de ponta a ponta.

“Lyam!….Lyam!….Lyam!….Lyam!” gritava, deixando minhas emoções fluir de forma descontrolada.”Estou tão aliviada por ter retornado! Pensei que jamais voltaria te ver após ter se transformado em um deus!”

“Calma, eu estou aqui, Mia” disse ele num tom tranquilizador e ao mesmo tempo emocionado.”Estou feliz por retornar, por estar com você em meu braços. Em vários momentos pensei que morreria e não poderia voltar a te ver e nenhuma das garotas. Nunca abandonaria nenhuma de vocês.”

Em seus braços me sentia segura, protegida e amada. Não havia escuridão ou podridão dentro de mim, havia apenas uma mulher, loucamente apaixonada por ele. Foi necessário muito tempo, mas agora eu finalmente entendo. Eu havia escapado, fugido, daquela pessoa que havia me comprado como uma escrava. Mas, nunca havia me libertado das correntes invisíveis que me prendiam ao passado.

Hoje finalmente, eu havia me libertado, quebrado as correntes do medo. Eu podia amar, podia me entregar de corpo e alma para ele.

“Lyam eu te amo!!!!” eu gritei, rindo alegremente.

“Eu te amo, muito, mais do que possa imaginar” respondeu ele, me abraçando fortemente e me beijando apaixonadamente.

Nunca havia sido tão feliz em toda minha vida. Esse sentimento de êxtase, minha risada de criança inocente, como poderia colocar em palavras a sensação de estar apaixonada?

Naquele momento de pura alegria. Aconteceu um fenômeno inesperado. O dia se tornou noite, como se Sköll tivesse devorado o sol. Na escuridão, a pele de Lyam emana um fulgor dourado, iluminando a área próxima.

Flocos de neve começou a cair do céu e o tempo se tornou gélido.

Lyam olhou para o alto e uma gota de suor cruzou sua testa. Pela primeira vez, desde que o conheci, vi medo em seus olhos azuis. No alto, estava um demônio trajando uma armadura negra emanando um fulgor escuro opressor. Suas doze asas eram negras como uma noite estrelada, em cada pena havia glifos dourados. Seu rosto era branco como mármore polido, orelhas pontudas como as de um elfo e cabelos brancos. Cinco chifres se projetava de sua cabeça formando uma coroa. Seus olhos cinzentos tinha o símbolo de três estrelas formando um triângulo invertido.

Seus sorriso frio era assustador.

“…Quem é….”

Antes que Lyam pudesse perguntar, o demônio desapareceu. Lyam arregalou seus olhos, me empurrou para trás. Com sua força, voei vários metros para trás. De repente, o demônio apareceu acima dele, disparando um soco coberto por chamas de fogo negro. Lyam não teve início de desviar. Foi acertado no rosto, jogando com violência contra o solo, criando uma onda de choque avassaladora, me laçando contra a parede da pousada labirinto. Todo ar esvaio do meu pulmão, arquejei de dor, sentido que todos meus ossos foram quebrados.

Aonde Lyam estava, havia uma cratera e o demônio estava ao lado de seu corpo ensanguentado.

“Sério? Caiu com apenas um soco?” perguntou ele franzindo a testa.

Sofie me arrastou para entrada da pousada labirinto. Lançou um feitiço de cura, anemizando minha dor e concertando meus ossos quebrados. Desy tremia ao ver aquele demônio, como se tivesse vendo a própria morte.

“D-Droga, sabia que é falta de educação atacar sem antes se apresentar?!” resmungou Lyam ao se levantar do chão. Seu corpo tremia sem parar e sangue escorria por todo seu corpo.

“Quando você ver um inseto, você se apresenta?” perguntou o demônio com sorriso sinistro. “Você é uma formiga diante meus olhos, qual posso esmagar a qualquer momento.”

Lyam limpou o sangue de sua boca e falou:

“Quero ver você tentar me esmagar, talvez até consiga, mas antes eu socar esse seu rosto metido a besta!” Lyam gritou assumindo posição de combate.

O demônio se aproximou e suas doze asas desapareceram. Levantou os dois punhos engolfados por chamas negras.

“Venha, formiga, me mostre tudo que tem!” disse o demônio.

Lyam chutou o chão avançando com os punhos coberto com fogo e gelo.

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