Batalha na fronteira! (2 Parte)

 

 

Álfar, sobrevoava os dois exército parados nas planícies verdejantes. Montado em seu dorso, tinha uma visão privilegiada do terreno. Bateu suas asas, virando seu corpanzil, descendo em direção as tropas de Alba. Pousou na frente da primeira fileira, meus Argonautas, montados em seus cavalos de guerra, parados como estátuas sombrias com armas em punhos, prontos para matar ao meu comando.

Saltei do dorso de Álfar, flutuando lentamente até o solo, no mesmo instante, todos Argonautas saltaram de seus cavalos e ajoelharam-se sobre um joelho com a cabeça baixa e gritaram em uníssono:

“Comandante Supremo!”

Não era de se estranhar sua devoção um pouco exagerada, já que eu era seu criador.

Num tom imperioso, falei:

“Levantem-se, meus Argonautas!”

É se levantaram ao mesmo tempo, com uma perfeita sincronia, voltando a suas posições originais.

Me virei para Álfar, encarando aquele magnífico dragão de penas brancas reluzentes com suas garras e presas douradas. Fazia tempo demais que eu não o invocava. Havia crescido, tinha trinta metros de altura e com mais de cem metros de comprimento. Ele abaixou sua cabeça em minha direção, acariciei seu focinho e ordenei que ficasse sobrevoando os céus por segurança.

Na fileira de trás, ouvia os berros do imenso Ivo, gritando ordens, arrumando as fileiras dos cavaleiros. Ele trajava placas de armadura completa e levava consigo um grande machado de guerra de duas mãos. Após receber uma dose do vírus, tornou-se um dragonewt, com escamas verdes escuras e um par de asas de dragão em suas costas.

Ao invés de um dragonewt, ele lembrava mais uma gárgula monstruosa.

“Comandante Supremo” saudou a princesa Susana montada em um corcel de guerra branco.”Por um momento cheguei a pensar que deixaria essa inexperiente princesa travar a batalha em seu lugar.”

Encarei os olhos verdes pálidos daquela bela mulher e sua pele cor de bronze que reluzia magicamente sob o sol de verão. Não houve mudanças em sua aparência, mas, sua força era a par com a de um semideus.

Desenhei um meio sorriso e fingindo uma expressão preocupada falei:

“Vossa Alteza, admito que ultimamente ando um pouco abatido, mas não a ponto de ser tomado pela loucura e deixar minhas tropas sob seu comando.”

“Andas tão abatido com a partida de sua amante, que eu estava preocupado com sua saúde. Por quê não retornar para o palácio e deixar o exército sob meu comando?”

Se passou um tempo desde a partida de Desy.

Desya havia feito muito por mim, sacrificado muitas coisas sem eu menos suspeitar, é eu era grato por tudo. Porém não poderia mudar meu jeito de ser e nem abandonar todas mulheres que jurei amar.

Ela me queria só para ela, é eu nunca seria somente dela. Nunca seria um homem de uma mulher só.

É por isso ela havia partido.

Uma pitada de tristeza brilhou em meus olhos.

“É correr o risco que destrua minhas tropas e perca essa guerra ganha?” eu a provoquei afastando meus pensamentos sobre Desy.

Susana contorceu seus lábios num sorriso desagradável.

Essa era nossa saudação amigável de sempre.

Abhi, líder dos caçadores de elite surgiu, cavalgando em minha direção. Seu rosto era escondido pela máscara de lobo branco alfa.

“Parece que o senhor da guerra de Sungard deseja conversar” falou Abhi apontando com o queixo para um pequeno grupo de cavaleiros que se aproximava, carregando o estandarte de Sungard- um sol radiante sobre um campo verde.”O que devemos fazer, comandante supremo?”

“Se tiverem um pingo de inteligência, teve ter percebido que só estão respirando por assim eu desejo” eu disse com paciência, peguei um cavalo de um dos argonautas e falei: “Vamos ver que nosso amigos sungardianos tem á nos dizer.”

Eu, princesa Susana, Abhi e mais dois portas estandartes cavalgamos em direção ao pequeno grupo, ostentando os estandarte real de MIdgard – um dragão dourado sobre um campo azul.

Paramos á dez passos de distância, ficando de frente com cinco sungardianos.

“Duque Lyam?” perguntou um homem de cabeleira negra de rosto largo e olhos escuros. Seu corpo era coberto por uma cota de malha de argolas bem apertadas e um manto preto de pele de javali sobre os ombros.

Estava desarmado.

“Suponho que seja o senhor da guerra de Sungard” respondi de volta surpreendendo-lhe.

“É mais jovem do que eu esperava, duque de Alba” respondeu após recuperar a compostura.

“É o que esperava, Júlio relâmpago santo?” perguntei num tom mal-humorado.”Um velho mago de costas curvadas e pele enrugada, ou de acordo com alguns boatos maldosos um demônio devorador de bebês?”

Não sei o que ele esperava, mas não era um mago com aparência de um jovem de dezesseis anos.

Ele não respondeu. Parecia confuso e olhou para seus companheiros pedindo por conselhos. Á sua direita estava um velho homem vestindo trajes sacerdotais, típicos de um bispo da santa igreja de Freyr.

Na sua esquerda, uma mulher de rosto fino de olhos castanho-claro, lábios pequenos e usava sobre a cabeça um grande chapéu pontudo usado por bruxas. Ela usava uma longa túnica escura de bordados requintados.

Seu pescoço era envolto por correntes com talismã mágicos.

Atrás dos três estava uma pequena mulher, vestindo uma armadura de couro leve com um manto-capuz. É ao seu lado, um velho homem robusto com uma farta barba grisalha, trajando um conjunto completo de armadura.

Esperei falarem algo, mas permaneceram em silêncio me observando como um bando de idiotas.

Estavam esperando que eu falasse algo, e eu falei:

“Como devem estar cientes, os quatros senhores da guerra do oeste e suas tropas foram aniquilados. É saibam que só não tiveram o mesmo destino por você não ser como aqueles bandos de vermes. É seu eu puder não quero derramar sangue desnecessariamente. Então Júlio relâmpago santo, governante de Sungard, dessa do cavalo e ajoelhe-se diante nossa princesa e faça seu juramento de lealdade. Dessa forma você e seus quatro mil homens retornaram sem nenhum arranhão para casa e todos vivemos felizes para sempre.”

Júlio analisou minhas forças atrás de mim, depois encarou a princesa Susana e os homens atrás de mim.

“O que acontece caso eu me recusar?”

Soltei um longo suspiro. Apontei para os Argonautas na primeira fileira, e falei para Júlio:

“Vê aqueles homens? São meus Argonautas, os mais poderosos guerreiros de Alba, cada um deles vale por 100 de seus guerreiros. Eles serão a última coisa que você e seus quatro mil homens vão ver antes de morrer. É depois que terminar com vocês, marcharam para Sungard, e mataram tudo que entrar em seu caminho independente da idade e raça. É caso eu seja piedoso, vou escravizar seus filhos e os filhos deles, até toda sua linhagem desaparecer.”

Eu não mataria crianças e nem mandaria meus Argonautas fazer um papel tão vil. Estava blefando, assustando-o para ser um homem sábio e render-se pacificamente. Preferia ser amado, mas ser amado fazem as pessoas pensarem que você é fraco. Por isso que prefiro ser temido, quando se é temido as pessoas te respeitam.

Júlio aprumou-se em sua sela e falou:

“Meu pai, me ensinou que se render sem antes de lutar e o caminho de um covarde. Talvez nossa derrota seja certa, mas antes levarei o tanto que eu puder de seus homens, duque. Você ganhara, mas será uma vitória qual deixara um gosto amargo na boca.”

“A sua honra, será a ruína de seus quatro mil homens e de suas famílias.”

Quando eu estava preste a me virar e começar um massacre, o bispo ao seu lado se apresentou:

“Eu me chamo Adonias, bispo da santa igreja de Freyr. Se permitir eu tenho uma sugestão para resolvemos a questão sem um massacre desnecessário.”

“Fale, bispo.”

“Cada parte mandará um campeão e lutaram conforme as tradições antigas.Se nosso campeão for derrotado nos renderemos sem qualquer resistência. Se seu campeão for derrotado você vai deixar nosso exército partir em paz e fazer um juramento diante os deuses que deixará Sungard em paz.”

Eles me encaravam cheios de expectativas.

“Tudo bem” concordei e com um sorriso nos lábios acrescentei:”Porém tenho uma condição.”

“Qual?” perguntou o bispo.

“Para as tornar as coisas mais interessantes, ao invés de mandar apenas um campeão, vão ser cinco. Vocês cinco contra eu e meus quatro melhores lutadores, uma batalha de cada vez. Aceita o desafio Júlio relâmpago santo?”

Seus olhos brilharam e respondeu:

“Aceito!”

“Ótimo, daqui a vinte minutos teremos a primeira luta. Escolha bem, espero ver um bom show!” gritei para Júlio e esporei meu cavalo retornando para formação.

Felizmente, havia encontrando um bom sparring para testar minhas forças.

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