Intermissão

Cidade Elegast, Catedral Sede da Santa Igreja Freyr

Ponto de vista Louise

 

Estava sentada em sofá confortável. Na minha frente, tomando chá tranquilamente, estava um homem de meia idade, cabelos grisalhos e olhos azuis escuro, diferentes dos azuis celeste do garoto que eu conheci na batalha contra os Orc.

Os deuses parecem zombar de nossa compreensão. Às vezes me pergunto se os deuses ficam o dia todo sentados em seus tronos sob as nuvens algodão, assistindo nossa luta desesperada pela sobrevivência nesse mundo duro. Me pergunto se às vezes não tão uma ajudinha para estragar seu dia, ou por puro sadismo, fazem um oráculo ter uma profecia que só agora consegui compreender.

Eu sou chamada de Louise, escudo santo, protetora da santa Igreja Freyr. Apesar desse título, eu não gostava dos deuses, muito menos de Freyr. Não gosto de coisas inúteis, e deuses que apenas observam sem fazer nada, para mim são piores do que aqueles deuses malignos que tentam ferrar com o mundo a cada dia.

Se eu fosse uma deusa, primeiro chutaria o traseiro de Odin, me sentaria em seu trono, e colocaria os deuses para trabalhar – ajudando a transformar o mundo em um lugar melhor.

Porém eu sou uma mera transcendental, tenho um longo caminho a percorrer para me tornar uma divindade – o mundo teria que sofrer por mais alguns séculos até eu me tornar uma deusa, caso eu não morrer vítima de algum sacerdote maligno de Surt, um gigante de fogo divino que os deuses borram as causas só de ouvirem seu nome.

Sacerdotes malignos não eram as únicas ameaças, havia aqueles que eu irritei, posso listar cada uma por dias; Jotuns que eu perfurei os dedos dos pés; semideuses que eu rejeitei; feiticeiro furiosos por eu interromper seus planos malignos em busca de poder; uma divindade das terras da neblina, que alega que eu roubei sua beleza – qual por sinal ela nunca teve – e vários outros nobres e reis, quais irritei.

Talvez os deuses não sejam tão inúteis, talvez, e apenas talvez, eles me mantem viva para lutar em seus lugares contra as forças do mal.

Falam que meu coração e gelado como as montanhas congeladas de jotunheim. Por fora sim, mas não por dentro.

Em minha mente, o garoto herói surgiu, meu coração congelado para o amor estava derretendo aos poucos.

Franzi a testa irritada.

“Pela primeira vez em décadas, vejo expressões novas em seu rosto” disse Sumo-sacerdote com a voz rouca.”Algo aconteceu na batalha contra os Orc?”

“Nada, Vossa Santidade” respondi friamente.

“Se nada aconteceu, porque você não larga esse machado?” perguntou, com um certo humor na voz.

Meu olho caiu sob o machado em meu colo, por algum motivo inexplicável, eu sempre estava com ele. E como sempre, eu me lembrava dele, ao olhar para o machado – a cena gloriosa de alguém mais fraco derrotando gloriosamente alguém vários níveis maior.

Corajoso, destemido e apaixonante. Esse era o herói das colinas de Elba.

Era irritante, mas, mesmo eu, sabia o que isso significava.

Os deuses zombavam de mim.

“A profecia foi cumprida, Vossa santidade” disse relutante.

Sumo-sacerdote Elliot arregalou seus olhos azuis escuros, por um segundo pensei que iria derrubar o chá em seu belo manto dourado.

“…Então começou…..” disse ele preocupado.

“Sim, Vossa Santidade” respondi, e falei o trecho da profecia:”Quando seu coração gelado derreter, a lua será devorada Hati, e o sol devorado por Sköll. Jotuns desceram das montanhas geladas de Jotunheim. Das entranhas da terra, os Svartálfar surgiram mais uma vez…..”

Engoli em seco e prossegui com a medonha profecia:

“….Das montanhas de fogo de Muspheilheim, gigante de fogo surgiram, transformando Aayós em cinzas. Seu amor marca o advento da guerra sagrada, quando os deuses desceram do céu, e toda Aayós irá tremera.”

No início não levei a sério, após décadas meu coração não se moveu por nada, por nenhum homem, por nehuma tristeza. Mas depois daquele dia, em que ele derrotou o Rei Orc Berserker por mim, para ter minha graça. Senti meu coração bater, mesmo que fosse um apenas uma batida mais elevada.

Sumo sacerdote tinha uma expressão sombria.

“…Precisamos fazer preparativos…..Se a profecia estiver certa…..Logo a lua será devorada por Hati, depois o sol por Sköll…..São eventos que marcam a vinda dos jotuns, nossa primeira batalha…..”Soltou um longo suspiro, e falou:”Louise, mande uma carta para a santa igreja de Elba convocando esse jovem que deu inicio ao inicio da guerra sagrada.”

O encarei com cautela, mas não pude evitar de fazer uma carranca.

“Não vou o prejudicar” prometeu ele.”Se ele foi capaz de descongelar seu coração, talvez seja capaz de outros milagres….Quero o conhecer, Louise, talvez seja nossa única salvação para as calamidade que viram.”

Assenti relutante.

Me levantei segurando o machado, seu presente de amor para mim.

Havia conhecido vários tipos de romances, mas nenhum deles que inciaria o fim do mundo.

O deuses zombavam de mim, e eu irei chutar seus traseiros – um dia.

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