Nota: A primeira parte tem conteúdos escritos que podem ser considerados pesados – não para mim. Para aqueles de estômago fraco se desejar pulem para a segunda parte.

Ah, esqueci de falar! Feliz natal kukuku!

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A dança sangrenta (3 Parte)

 

Ponto de vista caçador de magos

 

1 Parte

 

Eu odeio magos,feiticeiros e qualquer coisa que seja mágico.

Antes de ser um caçador de magos eu era um aldeão, um simples garoto que trabalhava em uma plantação. Eu sonhava em ser um cavaleiro protegendo a paz e fazendo a justiça contra os vilões.

Eu brandia uma vareta de madeira como se fosse uma espada e na minha imaginação eu era um bravo cavaleiro, defendendo os fracos e oprimidos.

A realidade?

Para aqueles de corações moles peço que esqueçam de mim. Digo isso, pois minha história não é nada feliz.

Eu me chamo Emond eu era um simples homem que não sabe suas próprias origens. Sobrenome? Não tenho, isso é um privilégio que apenas nobres possuem.

Desde que me entendo por gente eu trabalhava naquela mina de prata escurecido. Trabalhando nos túneis, escavando, retirando o metal raro. Até meus vinte anos eu nunca vi a luz do sol para mim e outros demais que nasceu naquele mina o sol não passava de um mito, um delírio, devaneio dos mais velhos.

Quando se foi criado em uma mina sem nunca ter visto o sol ou ter uma educação. Passa se acreditar que o mundo era daquele jeito e era meu destino trabalhar até o fim de minha vida, retirando aquela prata escurecida.

Me pergunto quantas vezes eu fiquei doente, tossindo, cuspindo sangue enquanto eu trabalhava naquelas minas? Quantas vezes eu quis morrer e a vida não deixava? Quantas vezes eu olhei para o alto e me perguntei o que havia algo além daquelas rochas e prata escurecido?

O mundo era frio, escuro e não havia nada para mim.

Um dia tudo mudou, quando uma nova leva de escravos chegou as minas. Entre os escravos estava uma garota, magrinha e de olhos assustados. Em apenas um olhar eu soube que ela não sobreviveria muito tempo, não naquele lugar. Os trabalhos eram pesados demais para quem não era acostumado.

Meu grupo ficou responsável por ensinar alguns escravos, entre eles a garota magricela. A principio não me importei, assistia a garota atrapalhada trabalhar dias após dias e muitas vezes ficava sem comer por não atingir a cota desejável. Um dia eu vi um grupo de escravos a pegar e arrastar para os tuneis escuros, onde pude escutar seus gritos e choro, pedindo por ajuda.

Mas não houve nenhuma ajuda e depois eu a vi voltar com a cara inchada e seus trapos rasgados, suas pernas encharcadas de sangue. Ela me lançou um olhar sem vida e ao ver aquela garota magricela em tal estado mudou algo em mim.

Eu podia ajudar mas eu não fiz nada além de apenas ouvir seu gritos pedindo por ajuda.

Serei eu tão culpado quando aos que a violaram por não ajudar aquela garota? Foi a pergunta que surgiu em minha mente.

Dias depois aconteceu a mesma coisa e todas vezes ela lutava, gritava e pedia por ajuda. Enquanto eu ouvia seus gritos ecoarem pelos corredores e quando eu a via em um estado deplorável sentia um aperto em meu coração.

Naquele dia eu cheguei a uma conclusão: eu era culpado por não ajudar a garota.

Depois da diversão do grupo eu peguei a garota com olhos sem vida e eu disse:

“Eu vou ajudar a escapar do seu sofrimento.”

Com aquelas poucas palavras os olhos cor de mel sem vida voltaram a brilhar e meu coração se tornou aliviado. Seu corpo estava cheio de hematomas e sua mente tão ferida que eu mal podia ver a extensão dos danos. Eu a escondi em um dos túneis e tratei de seu corpo machucado. Pouco a pouco ela voltou-se a si e me encarava com aqueles belos olhos de mel. Seu olhar parecia perguntar o que eu queria fazer com ela, eu apenas e disse: “Está tudo bem” e dividia meu alimento com ela e a mantive longe daqueles que queriam fazer mal ao seu corpo.

Ela passou a falar mais e me contou sobre a superfície e o sol brilhante qual eu nunca vi em minha vida. Contou sobre sua família que trabalhava em um campo de cultivo e os festivais da aldeia. Tudo era novo para mim e eu a escutava sorrindo ao ouvir aquele conto mágico.

Foram bons momentos.

O grupo logo descobriu que eu estava a escondendo e eu levei uma surra, mas eu não disse nada e no fim desistiram. Mas eu não poderia os perdoar, não por me ferir, mas pelos todos abusos que cometeram naquele garota inocente. Meu físico não era muito forte quanto comparado aos escravos que abusaram da garota. Então um por um eu os segui e na primeira oportunidade, acertei uma pedrada em suas nucas os deixando inconsciente e eu os arrastei para onde a garota estava.

Dei a pedra nas mão dela e eu falei:

“Não posso curar as feridas do seu coração, mas eu ofereço a vida daqueles que fizeram mal á você. Use sua mãos frágeis para se vingar!” Eu oferecia a pedra para a garota que soluçava, chorando, provavelmente se lembrando do pesadelo que escapou a pouco tempo. Eu a encorajei dizendo: “Seja forte!”

E a pequena mão segurando a pedra desceu sob o rosto do homem, batendo, batendo, batendo. Ela o golpou várias vezes até seu rosto ficar desconfigurado, até ele começar pedir por piedade e ela não parou, continuou até esmagar seu crânio, espalhando seus miolos pelo chão do túnel.

Ela se ergueu forte e continuamos com sua vingança até todos estarem mortos. Pouco a pouco ela mostrou-se ser bastante inteligente e planejou nossa fuga. Muitos escravos se reuniu a nossa volta e anos depois causamos uma revolta e fugimos da mina. Não foi fácil e muitos morreram, os poucos que escaparam foram caçados pelos supervisores.

Graças a sua mente brilhante conseguimos escapar e nos tornamos uma gangue. Para sobreviver assaltamos os viajantes na estrada. Continuamos até nossa gangue se tornar bem conhecida pelos arredores. Não ficamos muito tempo no mesmo lugar. Para mim tudo era novo, a luz do dia, as cores vibrantes as grandes cidades. Ela me ensinava sobre o mundo e eu a ensinava a ser forte.

Uma troca justa e em seus olhos cor de mel eu encontrei um significado para a vida. Eu tinha um único desejo: fazer ela feliz.

Começamos a compartilhar a mesma tenda, o mesmo cobertor e nossos corpos se uniam em um só. Lembro como se fosse ontem aqueles doces momentos, cada curva de sua pele e as palavras que sussurrava em meus ouvidos.

Disse que seu corpo era sujo, impuro, mas mesmo assim me amava. Não rejeitei seus sentimentos por mim e eu contei aqueles sentimentos estranhos em meu coração. Ela me disse que era amor, que eu amava ela e chorou com um belo sorriso no rosto.

Os dias passaram e os meses também, nosso grupo cresceu e se tornou uma companhia. Somos parecidos com os corvos, disse era para mim. Nossos sentimentos são como uma tempestade furiosa, ela falou, a partir de hoje somos a companhia dos corvos da tempestade!

Depois nos tornamos a maior companhia mercenária da região. Ficamos conhecidos por nosso trabalho eficaz e não demorou muito para lutamos em nossa primeira guerra. Ela cavalgava, elegante em seu corcel negro, cabelo esvoaçante e brandia sua espada com ferocidade.

Ela se tornou minha deusa da guerra a mesma mulher que dormia comigo todas noites.

Ganhamos muito dinheiro servindo o império da luz. Tudo estava a nosso favor até enfrentamos o reino de Mageia – reino dos magos.

Em uma campanha contra o reino de Mageia enfrentamos magos. Não um deles, mas centenas. Nosso número era superior aos deles e a legião da luz estava confiante em derrotar os exércitos de Mageia.

O resultado?

Uma carnificina.

Os magos eram poucos, mas sua magia poderosa. Me lembro de ver as bolas de fogos cruzando o céu como estrelas cadentes vermelhas. Caindo sob a legião da luz, reduzindo a fabulosa legião em pó e o campo de batalha se tornou um mar de fogo infernal. Em um dos ataques, ela, minha luz foi banhada pelo fogo, gritando por ajuda enquanto eu impotente, assisti seu fim doloroso. Assisti a armadura se torna ferro líquido e seus soluços pedindo por ajuda ecoava pelo campo de batalha.

Em nenhum momento ela deixou de me olhar.

Mais eu não pude a salvar e naquele dia nasceu um grande ódio pela magia.

Magia que tirou de mim a mulher mais importante da minha vida.

Naquele dia meu ódio pela magia se igualou ao meu ódio por aquela prata escurecida. Naquele dia eu ganhei a profissão de caçador de magos.

Sem final feliz para mim apenas uma história triste e se tiver alguma felicidade nesse mundo será no dia que eu morrer.

2 Parte

O alvo era rápido e feroz. Para um mago sua esgrima era melhor do que muitos guerreiros. Sua amante em breves minutos descobriu a fraqueza da minha habilidade [Reversão] , habilidade que me permite desviar um ataque de natureza física ou mágica. Se eu pudesse usar essa habilidade sem intervalo de tempo eu seria invencível.

Mas tudo nada vida tem sua fraqueza e eu sabia bem a dele: Arian, senhora dos mantos azuis.

Lyam Marwe era poderoso mesmo sem a magia, isso se tornou claro após vemos sua prática com a poderosa Berserker Llachar. Ele era um grande desafio para a companhia corvo da tempestade. Não havia nenhum modo de o derrotar na magia. Um combate físico era uma de suas fraquezas.

Foram necessários quatro meses de investigação e espionagem para desenvolver uma estrategia eficaz contra aquele mago. Tudo foi como o planejado e agora estava ele diante de mim, lutando furiosamente enquanto frequentemente olhava preocupado para a senhora dos mantos azuis.

Tudo como planejado, tudo está acontecendo com forme aquele guerreiro de elmo em formado de lobo previu. Mesmo com sua ajuda com a arma [Adaga do destino compartilhado] , não era necessário usar seu poder. Sua postura era cheio de aberturas e sua atenção estava focado na mulher.

Um alvo fácil.

Ele golpeou com a grande espada dourada e eu a desviei usando minha habilidade [Reversão] . Ele esperava que isso acontecesse e girou seu quadril desferindo um poderoso golpe de espada que eu interceptei com meu escudo pipa e contra ataquei com uma investida de escudo. A troca de golpes durou menos de um segundo e em uma de suas aberturas eu deslizei através de sua guarda e o golpei com minha espada bastarda [Piar do corvo] , rasgando sua túnica abrindo uma corte sangrento em sua costa.

Seu rosto se contorceu em dor.

Continuamos com a luta e seus movimentos se tornaram mais lentos e mais uma vez deslizei através de sua guarda e desenhei um segundo corte sangrento em sua costa.

Nunca vi um mago resistir ao corte de uma espada feita de prata escurecido. Era obvio a dor que seu corpo estava sofrendo. Um mago comum já teria morrido ou caído devido a dor abrasante que a prata escurecida causa em magos. Mas ele estava em pé, resistindo, protegendo sua mulher.

Por que eu não o matei?

Algo nele me lembrava eu e a garota que mudou minha vida.

Eu estava hesitando?

Ele avançou deixando atrás de si um rastro de sangue. Cada golpe perdeu sua ferocidade. Se arrastava pela estrade de pedra, debilmente, sem mais forças. Sua tentativa de resistir era tola e completamente inútil.

Eu perguntei:

“Porque luta tanto? Porque não se entregar a morte? Não é obvio sua morte e a dela?” Perguntei para o alvo.

“Sim, eu sei que é inútil. Mas se fosse você em meu lugar, desistiria de lutar por alguém que ama? Não e verdade que lutaria até seu fim para proteger sua amada?”Disse o alvo, ofegante e mal segurando suas espadas.

Ele me faz lembrar o meu eu anterior, o meu eu fraco, o meu eu que não pode proteger aquela mulher especial.

Retirei o escudo e mudei a posição de combate segurando a espada bastarda [Piar do corvo] com as duas mãos.

“Se realmente ama essa mulher, então tente a salvar!” Eu gritei aquelas palavras rancorosas e usei a habilidade [Passo do corvo] em breve segundos estava atrás da mulher que ele tanto amava. Minha espada se moveu em uma estocada perfeita em direção de seu coração.

Eu vou ensinar a dor daqueles que perdem seus amores.

Serei a espada que irá destruir seus sonhos!

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