Kuork

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A Guilda!(3 Parte Final)

Ponto de vista Mia

 

Eu e Lyam seguimos em direção da associação do comércio.

Caminhava, agarrada em seu braço frio, meus olhos contemplavam em segredo seu rosto perfeito; a curva suave de seu lábio, a linha reta do nariz, grandes olhos azuis celeste, os cabelos escuros, igual a obsidianas.

Seu olhar às vezes era suave e sonhador o que sempre me fazia com que me sentisse como uma donzela boba. Às vezes era frio e impiedoso o que fazia os pelo da minha causa se arrepiar toda.

Quando estava ao lado dele, usava toda minha força de vontade, para manter o meu eu apaixonada, trancada dentro do meu coração podre. Era uma adulta, uma aventureira veterana, é acima de tudo eu não era alguém digna a ser amada.

Era o que eu sempre tentava fazer, sempre deu certo, mas agora era impossível. Eu estava completamente perdida e imersa naquele novo sentimento, no amor que eu tanto reprimo.

De repente me lembrei da cena em que Lyam saiu do labirinto. Da reação de quando me viu, os olhos azuis celestes, brilhantes contendo um sentimento tão profundo que por um momento me fez perder o fio do pensamento, e tudo que reprimia em meu coração transbordou em lágrimas de alegria.

Meus sentimentos por ele são profundos e complexos. Temia o amar demais. Não sabia quem era, ou o que deixou para trás. Tudo era novo para ele, tudo sonhador e brilhante, tão brilhante, que às vezes eu o invejava.

Meus olhos são podres, cansados de ver tanta porcaria. Eu odiava Aayós.

Mas isso era antes de o conhecer, antes de adquirir um novo brilho sob o mundo. Sua paixão pelo mundo era deveras contagiante, a ponto de fazer meus olhos podres ganhar um pouco de brilho.

Lyam talvez nem imagine, mas, eu odeio o mundo que ele ama. Odeio homens, pois conheço a verdadeira natureza nojenta deles. Sofri demais na mão de outras pessoas, escrava, tendo meu corpo e alma sujo, contaminados, marcados por uma escuridão infindável.
Na noite anterior ele me desejava, e eu o desejava ter dentro de mim. Eu o amo, por o amar tanto não permitiria ser contaminado por mim, por meu corpo sujo. Sob seus olhos posso parecer a mulher mais forte, a mais santa, a mais bela. Já eu me sentia horrível, feia, suja, por dentro.

Algumas histórias nem sempre são belas ou sonhadoras. Minha história era uma delas, uma história que não merece ser contada, uma história que roubaria o brilho dos olhos de quem escutasse, tornando o coração cheio de ódio pelo mundo.

Me pergunto com que olhos ele me veria, se soubesse sobre meu passado?

Provavelmente sentiria nojo de mim, repulsa, ou me aceitaria – um delírio de minha mente.

O sol cintilante, tornava as ruas de pedras quentes, queimando os pés de mendigos e escravos no trabalho. As ruas largas se tornavam cada vez mais estreitas e difíceis de passar devido ao grande número de pessoas e barracas cheias de produtos, especiarias, frutas e armas. Vendedores berravam, anunciando seus produtos competindo com outra barracas próximas. Lyam olhava cada produto, não eram olhos curiosos – que eu conheço tão bem -, eram olhos analíticos, afiados, jugando cada peça.

Sua atenção sempre era roubado por alguma coisa nova. Ele olhava para tudo e para todos, menos para mim.

Pegamos uma rua diferente, se afastando daquela multidão adentrando becos escuros, quais poucas pessoas ousaria passar. Seu olhar era atento, experiente, um novo lado dele, qual eu não conhecia.

Ele havia mudado, estava mais maduro, mais esperto e atento as coisas ao seu redor. Para mim foi um mês de separação, para ele quase dois anos na barreira temporal. Sua determinação era algo que poucas pessoas tinham. Eu passei 24 dias dentro da barreira temporal, e foi o suficiente para quase me enlouquecer, e as crianças também.

Talvez sua mudança seja devido a passar tanto tempo na barreira temporal.

Prédios altos nos cercavam, bloqueando a passagem do sol, tornando a passagem sombria. No fim da passagem havia uma larga avenida, que da acesso próximo a Casa dos Leilões, e associação do comércio.

De repente ele parou seus movimentos. Verificou os arredores, procurando por algo. Instintivamente fiquei em guarda, mas, ele me abraçou de súbito, me jogando contra a parede.

Seus belos olhos azuis se encontraram com os meus olhos. Seus suaves lábios desenharam um sorriso ridiculamente encantador.

“Me desculpe, Mia!” disse ele, sorrindo.

“Pelo que?” perguntei confusa.

Ele aproximou seu rosto lentamente, eu fiquei imóvel, hipnotizada por seus olhos azuis e o aroma de inverno – que agora ele exalava.

“Por isso.”

Seus lábios encostaram nos meus, lábios gelados, porém agradáveis. Lutei contra o súbito beijo, seus lábios não recuaram, e suas mãos em minha cintura eram firmes. Sua língua invadiu minha boca, procurando por minha língua. Tentei resistir, mas minha sua língua era como um doce mel, e a minha uma abelha a sua procura. Nossas línguas provaram uma da outra, se enrendando apaixonadamente.

Não queria o contaminar com minha podridão, mas, era difícil resistir. Sua mãos firmes subiam lentamente, em direção aos meus seios, quando sua mão atingiu seu objetivo, meu corpo tremeu, e com cada aperto suave, o calor dentro de mim aumentava.

Eu estava sucumbindo aos meus desejos, aos desejos intenso dele, mas logo imagens do passado, de quando eu era escrava, cruzou minha mente. Senti ânsia, meu corpo tremeu, mas não era de prazer.

Usei toda minha força para o afastar. Corri em direção ao canto do beco onde se encontrava o lixo, vomitei, meu corpo tremia, suor frio corria por meu rosto, junto com as lágrimas.

“….Mia….” ele me chamou, hesitante.

“Lyam, por favor fique longe!” eu disse em meio aos soluços.

Ele ficou parado, atordoado por minhas súbitas palavras. Ele não me escutou, se aproximou, e me abraçou pelas costas.

“Eu sinto muito” disse ele aflito.

“N-não é sua culpa” forcei um sorriso.”Apenas não estava me sentido bem, naquele momento. Não se preocupe comigo.”

Ele não disse nada. Ficou lá em silêncio, me abraçando, enquanto meu corpo gradualmente parava de tremer. As lágrimas foram as mais difíceis de silenciar, junto com os soluços. Pensei que havia superado, deixado tudo para trás, mas quando ele acariciou meu corpo daquela forma, coisas desagradáveis veio em mente, memórias que quis enterrar e esquecê-las.

Lyam não me perguntou nada. Se manteve ao meu lado. Me abraçando firmemente, como se dissesse “Eu estou aqui”, me protegendo e apoiando.

Me sentia grata do fundo do meu coração.

Lyam era a única coisa nesse mundo que tanto odeio que da luz aos meus olhos.

…………….

O edifício da associação do comércio era um local bem movimentado; comerciantes barrigudos, velhos astutos de olhar atento, jovens ambiciosos. Quase todos eram prósperos, bem vestidos, já outros não pareciam ter a mesma felicidade. Riqueza e pobreza, tudo em um lugar só.

Lyam trocou breves palavras com um funcionário, e seguimos por um corredor com várias portas – dentro delas consultores e corretores, negociando, assinando documentos de compras e empréstimos. Chegamos ao fim do corredor, subimos mais dois lances de escadas até chegar a um novo corredor com vários escritórios.

Lyam parou diante uma porta com uma placa com um nome bem escrito: Franklin Cásper.

Lyam bateu educadamente na porta.

“Pode entrar”disse a voz jovial.

Entramos no escritório. Era uma pequena sala, piso de madeira lustroso, estantes repletos de livros, vasos de plantas enfeitavam o local. Franklin era um jovem bem vestido, alto, elegante, de aparência limpa. Franzia o cenho, sentado, diante a escrivaninha olhando para um rolo de pergaminho como se fosse um animal perigoso.

Em poucos instantes, alterou sua expressão, nos olhou e cumprimentou:

“Eu me chamo Franklin Cásper, posso saber o nome dos caro visitantes?” perguntou com decoro.

“Me chamo Lyam Marwe, e essa é minha companheira Mia” respondeu ele de forma cortes.

Eu sabia ler e escrever, e fazer contas básicas. Sabia mais do que muitos aventureiros. Mas cortesia era algo estranho para mim, mas estranho era ver Lyam responder e proceder com tamanho decoro.

Os olhos de Franklin se iluminou por alguns instantes, talvez ao seus olhos Lyam pudesse ser filho de algum nobre, uma bolsa cheia e gorda de moedas de ouro.

“Sente-se por favor, gostariam de chá?” perguntou educadamente.

“Se não for um incômodo, sim.”

Franklin saiu do escritório, em poucos minutos retornou com uma bandeja de prata com um conjunto elegante de xícaras de chá. Serviu xícaras com líquido vermelho escuro de aroma forte.

“Chá preto!” disse Lyam com certa surpresa.

Franklin sentou-se, bebericou o chá, Lyam o seguiu, primeiro apreciando o aroma, seguido por um pequeno gole.

A expressão extasiada de Lyam, provocou uma leve risada de Franklin.

“Sr. Lyam, sua expressão ao provar chá de Musta e o de um homem que esteve em um deserto sem água por dias” Franklin soltou uma risada leve, continuou bebericando o chá de Musta, após breves segundos, perguntou:”Em que posso o ajudar?”

Lyam bebericou o chá de Musta sem presa de responder.

“Desejo que me ajude a adquirir uma mansão, ou edifício grande espaçoso para ser a sede de uma Guilda” disse ele, e completou:”De preferência a localização tem que ser próxima ao centro de Elba.”

Franklin cruzou os dedos, parecia estar calculando algo, respondeu:

“As propriedades e casas no centro de Elba são as mais caras devido a sua boa localização. De acordo com a arquitetura, se o mestre construtor e famoso, tamanho do edifício……Cálculo que o edifício vai estar em média, entre 1 milhão a dois milhões de ouro de Aáyos.”

Não pude evitar de ficar pasma, meu corpo se tornou rígido, ouvindo o valor absurdo de um edifício no centro de Elba. Mesmo com todo dinheiro arrecadado em um mês, 450 moedas de ouro e o dinheiro do leilão da pena de Álfar, Lyam não teria dinheiro suficiente para comprar o edifício.

“Não há problemas”respondeu calmamente, sem o menor sinal de abalo na voz.”Desde que cumpra minhas condições não me importo com o preço. Então, desejo ver as propriedades em questão.”

“L-Lyam e muito dinheiro….”

Lyam me interrompeu:

“Dinheiro não é problema, Mia, para você, as crianças e nossa futura Guilda, somente o melhor é aceitável” disse com um sorriso suave.

Meu coração acelerou naquele momento. Suas palavras sempre mexem comigo, não me importava se fosse uma simples casa, ou um quarto como o da pousada cama quebrada. Só por estar próxima, ao seu lado, seria mais do que o suficiente.

O jovem Franklin se levantou animado. Saímos de seu escritório junto com ele, caminhamos pelas ruas próximas conhecendo mansões a venda. Horas mais tarde Lyam escolheu uma mansão próxima a Casa de Leilões em frente a uma magnífica fonte entalhados com animais elegantes.

“Essa mansão era antigamente uma pousada de luxo” explicou Franklin, passando pelo saguão da mansão.

O piso era de mármore, as janelas era feita de mosaicos coloridos. No canto havia um grande balcão de carvalho escuro entalhado com desenhos elegantes. No fim do saguão havia uma elegante escada, tapete vermelho, levando ao segundo andar. Em um corredor do primeiro andar levava a uma sala de banho – uma grande área circular com piscinas, enfeitadas com magníficos pilares de cristal esverdeado segurando o teto abobadado ilustrado por ricas ilustrações artísticas.

Subimos o segundo andar passamos por vários quartos, até chegar á um grande escritório dominado por uma pela tapeçaria requintada de cores vibrantes. Atrás da escrivaninha há uma grande janela dando acesso a uma varando e uma imponente visão dos edifícios e mansões ao redor.

No escritório havia uma escada que leva para um segundo nível do escritório repleto de prateleiras vazias e pequenas mesas.

“Há dois andares com aproximadamente 100 quartos, toda mansão e mobiliada e o valor está incluso no valor total da mansão de 2.250.000 de ouro de Aayós. O que achou Sr. Lyam?”

“Vou comprar a mansão!” ele sorriu, claramente satisfeito.

“Vamos retornar a associação do comércio e acertar o pagamento e assinar documentos de posse da mansão.”

Retornamos ao escritório de Franklin, Lyam assinou vários pergaminhos mágicos – usado na compra e venda de propriedade pela associação do comércio. Após assinar vários documentos, materializou sacolas e mais sacolas cheios de ouro, ocupando quase todo escritório.

Lyam entregou um pedaço de papel com diversos nomes de produtos e a quantidade desejada.

“…Toda essa quantidade de produtos….” disse pasmo.

“Consegue reunir todos produtos da lista em menos de um mês?” Lyam perguntou em um tom calmo.

“Consigo” respondeu rapidamente, após recuperar a compostura.”Vou realizar os preparativos para a compra de todos produtos da lista. Em outro dia vamos discutir a cerca do valor.”

“Tudo bem” respondeu ao se levantar guardando a escritura da mansão e as chaves.”A partir de hoje espero poder contar com seus serviços, Sr. Franklin Cásper!”

Franklin assentiu.

Saímos do escritório em direção a associação dos aventureiros.

 

……………

 

Na associação dos aventureiros.

Apresentei Lyam a duas equipes que concordaram em aderir na criação da Guilda – enquanto Lyam estava dentro do labirinto, conversei com várias equipes, entre elas encontrei as melhores.

Primeiro apresentei a equipe classificado rank C; StoneStick – seis anões robusto de longas barbas e aparência similar. Estavam equipados com armadura pesada de ferro, segurando machado e martelos anões. Seu líder se chama Olaf – eu o diferenciava dos outros anões pelo javali dourado pintado em seu elmo.

Apresentei a segunda equipe classificado rank C; WildCat – quatro aventureiros bestiais da tribo Catsman. Usavam equipamentos leves, seus corpos pequenos e finos são rápidos e mortais com adagas e espadas finas. Sua líder se chama Hasina, seu belo laranja e olhos felinos eram belos – para uma gata.

Lyam conversou com as duas equipes, falando sobre seus planos para Guilda. Sua eloquência e raciocínio rápido e humor juvenil, conquistou as duas equipes. Era inacreditável a facilidade que ele conquistava as pessoas ao seu redor. Quando relembro o momento em que eu o conheci, pensei em o vender como escravo, para levantar algumas moedas em nossos fundos. Depois de uma breve conversa havia me encantado por ele, por seus olhos brilhantes. Sofie, apesar de rabugenta havia sido encantada também.

Seu charme era arrebatador.

“O simbolo da Guilda tem que ser um Javali segurando uma maçã com a boca!” grunhiu Olaf batendo sua manopla de ferro contra a mesa.

“Não” discordou Hasina, com um guincho.”O simbolo da Guilda tem que ser um gato com um peixe na boca!”

“Mestre da Guilda!” gritou os dois ao mesmo tempo.

“Calma, calma, calma” tentou apaziguar os dois líderes.”Suas sugestões são péssimas, estamos falando do simbolo sagrado da nossa Guilda! Tem que ser um símbolo com mais impacto!”

Lyam era sincero demais com suas palavras.

“Um lobo branco coroado sob um campo vermelho” sugeri.

Lyam coçou o queixo pensativo, olhou para os dois líderes.

“Um porco coroado seria bom……Mas um lobo coroado sob um campo vermelho parece muito melhor!” Olaf concordou relutante.

“O Sr. Anão tem razão, apesar que um gato coroado seria bom……Mas gostei do lobo coroado!” concordou Hasina.

Lyam se virou para mim, perguntou:

“Precisamos de um nome para Guilda……Não pode ser humilde……Ah, estou sem ideias! Vamos nomear por hora de GrayLords!”

Concordamos e falamos com a Senhorita Kari. Ela preparou toda documentação da criação da Guilda. Lyam foi registrado como Mestre da Guilda, e após todos documentos assinados e pago a taxa de 10 moedas de ouro, foi oficializado a criação da Guilda GrayLords!

“Vamos comemorar, com muitos barris de cerveja!” berrou o anão Olaf.

“Sim!” gritamos em resposta.

Comemoramos a criação da Guilda GrayLords – senhores cinzentos

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