Kuork

Apenas Tradutores Errantes

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Epílogo

Ponto de vista Desy

 

Era de manhã, ventos gélidos vindo do leste varria as planícies cobertas de relva e agitava meu manto preso por um broche de lobo de prata. Eramos menos de vinte, cavalgamos, vestidos de aço reluzente sob o sol de verão, patrulhando a área ao redor da torre. Metade do céu era azul-claro, a outra metade era enegrecido pelas centenas colunas de fumaça.

“Gigantes?” perguntou um dos meus homens cavalgando ao meu lado.

“Gigantes não queimam aldeias” respondeu outro guerreiro próximo.“Aquelas aldeias queimadas ficam próximos do mar e aquelas outras no sudoeste ficam próximas de rios que deságua no mar. O rio e fundo o suficiente para permitir que os navios dos bárbaros naveguem.”

“Talvez seja algum novo autoproclamado rei tentando fazer algum lucro pilhando as aldeias vizinhas” sugeri.

Cinco anos havia se passado desde a batalha de Lyam, meu amante, com meu pai, um deus cósmico. Desde a destruição do sistema que regia Aayós, o mundo caiu no caos e outrora Midgard havia sido dividido em diversos reinos menores e a cada dia que passava homens com menos de cinquenta guerreiros sob seu comando aparecia se autoproclamando de rei de algum pedaço de terra estéril.

“Aposto uma moeda de prata que são bárbaros, senhora.”

Bárbaros era como é chamado o povo estrangeiro vindo do mar longínquo que vem pilhando e saqueando as aldeias e cidades do sul. Não chegamos os ver, pelo fato de nossa localização ser longe da costa e até o presente momento nenhum navio bárbaro havia subido pelas águas ferozes do rio Skjed.

“Bárbaros são o menor de nossos problemas” disse lhes com rispidez.

No norte os jotuns – gigantes de gelo -, havia abandonado suas terras arruinada, conquistando todo norte da antiga Midgard. A calamidade vermelha – a queda de Lyam e meu pai na terra -, mudou o mundo e o que provavelmente ninguém sabe e o que seus deuses adorados abandonaram esse mundo. Lyam e eu eramos provavelmente os únicos deuses a permanecer em Aayós – é não duvido que Lyam também irá abandonar esse mundo aleijado assim que despertar de seu longo sono. Desde que meu pai destruiu o sistema que regia Aayós acabou aleijando esse mundo, enfraquecendo a magia, tornando-a escassa. Eu evito usar magia, recuperar o poder mágico gasto iria exigir um período longo. Mas, meu maior medo não era o ataque de gigantes ou bárbaros, mas sim a reação de Lyam ao descobrir que meu pai levou Mia e Sofie, além disso levou quase todo seu dinheiro e armas. Quando acordasse odiaria meu pai, e meu receio é que ele me odeie por ser filha dele.

“Vamos retornar!” espoerei meu cavalo, fazendo-o dar meia volta, cavalgando para leste em direção a torre que Lyam repousava.

“Nosso senhor despertará em breve?” assenti com a cabeça.”Com todo respeito, minha senhora. Sugiro que assim que nosso senhor despertar, abandonar essas terras. Aqui estamos vulneráveis a ataques da Horda do leste.”

Todas cidades e aldeias do leste sucumbiram a Horda – assim era chamado o exército de Orc, goblins, ogros e outros monstros humanoides que reinam no leste. Lá os humanos eram escravos e viviam uma vida miserável. Maioria dos meus homens eram sobreviventes das cidades do leste e outro punhado membros da guilda Ragnarok. Conta os sobreviventes que conseguiram escapar do massacre de Elba graças ao sacrifício heroico do mestre da guilda provisório, Sam, e outros membros mais velhos da guilda. Falavam de uma Horda de escurecer vastas terras e secarem rios. Elba caiu e houve um massacre horrível. Nem ouso imaginar como Lyam irá reagir a essa noticia.

“Quando despertar, Lyam, irá decidir nosso destino” respondi e completei:” Provavelmente, vai cavalgar para Elegast.”

Cada rosto se iluminou ao ouvir o nome da cidade sacra, Elegast. Desde a calamidade vermelha, Elegast permaneceu incólume enquanto outras cidade caiam perante o caos que se abateu sobre Aayós. Apesar de muitos sacerdotes e cavaleiros perderem seus poderes com o fim do sistema que regia Aayós, a cidade conseguiu repelir ataques de senhores da guerra – os autoproclamados reis-, e de alguns gigantes que saíam do norte a procura de expandir seus territórios.

Em poucos minutos chegamos ao nosso destino. A torre ficava próximos as terras dominadas pela Horda e por algum milagre nunca tentaram nos atacar e caso tentasse eu poderia desintegrar todos – porém prefiro que esse cenário não aconteça. Várias choupanas feitas de madeira e o teto de palha cercava a torre em que Lyam repousava. Paliçadas foram levantas ao redor das choupanas e um fosso escavado para dificultar qualquer tentativa de ataque. Instiguei meu cavalo avançar pela única entrada da “aldeia torre”, mulheres e crianças corriam pelas ruas lamacentas em direção a torre.

“O que está acontecendo?” perguntei para um guarda que devia estar vigiando a entrada.

Ele arregalou os olhos ao notar quem eu era, fez uma reverência exagerada.

“Minha senhora! Boas noticias!” gritou em júbilo.“Nosso senhor, Lyam, despertou!”

Instiguei meu cavalo a seguir em frente, abrindo espaço pela multidão de pessoas a frente da torre. Eu estava nervosa, fazia quase cinco que ele adormeceu e temia que ficasse décadas daquela forma. Diante da entrada da torre, saltei do cavalo, espirrando lama na multidão. Corri pela escada até o segundo andar, e lá no quarto aonde repousava, estava ele sentado na beira da cama, envolto por um cobertor de pele, sendo servido com uma jarra de água por serviçais. Emocionada, fitei seu rosto anguloso, cabelo loiro, reluzindo como ouro, caído até seu ombros. É os seus olhos eram os azuis mais claros que já tinha visto no mundo.

“Lyam!” sussurrei sem coragem de o chamar.

Mas o sussurro foi o suficiente. Ele virou seu rosto na direção da porta. Mas o que ele viu não era a garotinha que ele montava todas noite. O que ele viu foi uma mulher, alta de ombros estreitos e corpo esguio escondido por uma cota de malha incrustado com lobos de prata e sob a cota, um manto roxo bordado com um lobo branco. Eu não usava elmo, deixando meu cabelo escuro, como as penas de um corvo, solto, chegando até a cintura, aonde um cinturão envolvia minha cintura fina e uma bainha presa guardava uma espada curta. O que via não era mais Desy, a necromancer, mas sim uma senhora da guerra, a protetora da aldeia torre.

Adentrei o quarto, cada passo fazia a madeira rangi, despertando as serviçais, rosto vermelho como tomates, de seus sonhos. Eu as dispensei, nós deixando a sós. Ele desenhou um sorriso leve, mas podia ver a confusão em seus olhos. Retirei o manto pesado, jogando-o no chão de madeira e me sentei ao seu lado. Sua mão pousou sob a minha mão enluvada.

“Lyam” eu disse num tom afável.“Temos muito o que conversar.”

Ele esboçou uma tentativa de sorriso, mas seus olhos era pura tristeza. Parecia suspeitar do que havia acontecido com Mia e Desy, e ver sua tristeza, rasgava meu coração.

“Eu sei” ele apertou minha mão.“Conte-me tudo, Desy, desde o começo.”

É eu contei tudo que ocorreu após ele dormir e cada evento importante que aconteceu durante os dois anos. Ele não chorou. Não me culpou por meu pai ter o roubado e levado tudo que ama. Não se tornou furioso ao saber da queda de Elba é a morte de Sam e outros amigos dele. Escutou tudo sem me interromper com um rosto inexpressivo.

“Porque não grita comigo? Eu sou a filha dele, filha da pessoa que levou tudo que ama! Eu sei que me odeia agora! Então diga algo, Lyam!” gritei, histérica, chorando, mas ele não falou nada.“Por favor….Grite….Me bata…Despeje sua raiva em mim….Faça algo…Diga algo, Lyam!!!”

Ele levantou sua mão, eu me encolhi, esperando que me batesse, mas não me bateu. Sua mão grande afagou meu cabelo, bagunçando-o, seguido por uma gargalhada rouca.

“Desde quando ser tornou uma masoquista, Desy?” perguntou ele, num tom afável. Ele me envolveu num abraço caloroso, pressionando meu corpo trajado de metal contra o seu corpo e assim ficamos por vários minutos até ele quebrar o silêncio.“Seu pai, aquele ladrão desgraçado, não levou tudo que eu amo. Ele me deixou você, Desy.”

Ele me beijou carinhosamente. Havia uma tênue tristeza em seus olhos, mas também havia um novo fervor, um poder que mantinha suas emoções sob controle. Não conseguia compreender aquele brilho em seus olhos e nem conseguir fazer ele falar o que passava em sua cabeça.

“O que vai fazer daqui para frente?” perguntei.

“Está na hora de voltar para casa” respondeu acariciando meu cabelo.“Mas, antes disso preciso resolver alguns assuntos inacabados. É antes disso……Desy……Tire essa roupa, precisamos colocar outras coisas em dia.”

Eu ri.

Mesmo com todo infortúnio. Ele continuava ser o idiota lascivo que amo. Eu tirei minhas roupas e colocamos dois anos em dia.

Meu amante, Lyam, havia voltado com tudo.

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