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Essa já não é bem uma história de fantasia

Ponto de vista Desy

 

 
Atravessamos a entrada da instalação, passando por um longo corredor iluminado por luzes artificiais. Lyam assobiava alegremente, enquanto sorria de ponta a ponta.

Ele estava fazendo uma expressão realmente assustadora.

Havia um clima denso pairando no ar. Estavam com medo, todos eles, sabiam que vão presenciar algo extraordinário. Algo que vai mudar o mundo.

Eu estou ciente que nos últimos meses ele vem trabalhando no projeto de uma nova arma. Não conheço os detalhes, talvez ninguém saiba além dele.Me pergunto o que ele criou dessa vez? pensei enquanto seguíamos em frente.Armas de fogo? Um mecha com reator termonuclear? Uma nave espacial como motores movido a matéria negra?

No fim não consegui chegar a uma conclusão.

Eu viajei por diversos mundos. Mundos como o de Aayós, um mundo de magia e deuses. Mundos tecnologicamente avançados, com naves espaciais explorando o espaço e extraindo recursos naturais e minerais de planetas. Mundos, aonde seres de pura magia vivem tranquilamente. É mundos governados por terríveis monstros, mutantes, e criaturas que não podem ser classificadas.

Nessas viagens pelos mundos, conheci diversas pessoas. O benevolente deus rei Freyr. O frio, calculista e vingativo, deus cego. Poderosos demônios ancestrais. Senhores da morte como eu, devoradores de vidas, crias do caos, e as mais diversas divindades……

Eu e meus irmãos conhecemos melhor do que ninguém sobre as leis que regem o universo. Graças ao meu pai, podemos vagar livremente com segurança nas dimensões regidas por ele. Entretanto existe muitos mistérios no universo.

Muitas coisas que fogem do entendimento comum e que quebram as leis universais.

Lyam é um desses fenômenos que fogem do entendimento comum e vive quebrando as leis que regem os mundos. Ele é uma irregularidade especial.

Uma irregularidade que acabei me apaixonando.

A cinco anos venho o observando e até hoje não sei definir o que é ele, ou a origem da irregularidade que o faz especial. Além dos dois fragmentos da chave virkelighet fundidos em sua alma, existe uma outra irregularidade dentro dele, algo que meus olhos não podem analisar.

Talvez meu pai saiba o que é, pensei. Desconfiava que meu pai já vem o observando a muito tempo, muito antes de eu o encontrar, mas por quê ele apareceu somente naquele momento?

Sempre tive essa dúvida em minha cabeça. Conhecia bem meu pai, e suas ações não faziam sentindo para mim. Não conseguia compreender o motivo dele ter levado Sofie e Mia, nem aqueles dois Solis estranhos.

Tenho a impressão que acabei no meio de algum jogo, um jogo entre forças sobrenaturais poderosas. Se for verdade, meu pai é um dos jogadores, mas contra quem ele está jogando? E qual é o papel de Lyam nesse jogo?

“Você está bem, Desy?” perguntou Lyam. Fazia uma careta preocupada, me fitando com seus belos olhos azuis cristalinos.

“Estou bem, apenas me senti um pouco tonta” respondi rapidamente. Chegamos até o final do corredor, que leva até uma grande porta de aço. Protegida por um Solis do tamanho de uma bola de basquete que flutua de frente a porta. Era a primeira vez que via outro Solis além do Hipérion.“O que é aquilo?”

“Um Solis de defesa” respondeu casualmente, como se tivesse explicado tudo.

Aos meus olhos parecia uma espécie de androide com inteligência artificial. Na realidade, era mais do que aparentava. Hipérion e um bom exemplo, no começo pensei que fosse apenas um androide com uma interface inteligente e simulador de emoções. Eu estava enganada, os Solis, eram seres cibernéticos complexos, e talvez com almas. Não consigo compreender a tecnologia por trás deles, e nem como Lyam os criou.

Por mais que ele explique não é possível replicar facilmente a tecnologia usada nos Solis.

Lyam materializou uma insígnia e mostrou para o Solis de defesa, que escaneou-a.

[Identidade confirmada. Entrada liberada. Bem vindo, criador!] (Solis de defesa)

“Obrigado pelo trabalho duro, SD-006, continue vigiando a porta. Lembre-se: não permita a entrada de ninguém sem a insígnia de identificação.”

[Pode deixar comigo, criador! Qualquer um que tentar invadir essa sala vai ser desintegrado por mim!] (SD-006)

Não entendo o motivo dele criar Solis tão falantes. Talvez ele não tenha controle sobre a personalidade dos Solis. Se for o caso, me faz acreditar que ele está dando almas de forma inconsciente para esses seres cibernéticos.

Mas como?

Eu sou uma senhora da morte, entendo da manipulação de almas e da morte da vida. Quando um ser vivo morre, sua alma, deixa o corpo e passa por um processo até reencarnar novamente em um novo corpo.

Essa é uma lei inviolável do universo.

Por esse motivo, não importa o quanto seja avançado a tecnologia, é impossível criar um ser cibernético com alma. Existem interfaces de inteligência muito realistas que simulam características de uma alma, mas no fim é apenas um programa.

Mas os Solis, pelo menos Hipérion, era diferente. Eu posso sentir uma alma nele, uma bem poderosa.

E como se ele fosse uma pseudo-divindade.

Não entendo como Lyam, faz o que faz, nem como ele consegue violar todas leis do universo e nem perceber a gravidade do que faz.

“Preparem-se” falou ele imperiosamente. Havia uma sugestão de malicia em seu sorriso.

O clima ficou denso.

As portas se abriram, revelando um vasto espaço com diversos artefatos tecnológicos.

Logo vimos a arma suprema.

Todos nobres engoliram em seco, suavizando o aperto em suas gargantas.

Lambi meus lábios secos e apertei fortemente o braço de Lyam.

“Papai!” vários gritos infantis ecoaram pela sala.

Não sabia como reagir. Não sabia se ria ou chorava. O que Lyam chamava de arma suprema, era quatro crianças, aparentemente entre os dez e doze anos. Usavam o que parecia ser um bios trajes vermelhos.

“Lyam, essas crianças são a arma suprema?” perguntei.

“Você está meio certa” respondeu evasivamente.

“O que elas são? Homúnculos?”

Lyam bufou.

“Tenho cara de usar um método tão medíocre?” falou com arrogância.

Odiava esse lado dele, porém também tinha seu charme.

“Então o que….”

Antes que pudesse terminar de falar. Sentir uma força invisível me puxando e arremessando para o ar. Houve um zumbido forte na minha cabeça, como se algo estivesse tentando entrar na minha cabeça. Levantei minhas defesas mentais, mas meu atacante passava por minhas defesas como se não fosse nada.

Quando minha última defesa ia ser violada, meu atacante recuou e saiu da minha cabeça. Abri os olhos, minha cabeça doía, percebi que estava flutuando no meio do ar, abaixo do meu atacante, uma garotinha, de cabelos escuros como as penas de um corvo, olhos azuis límpidos, pele cor de bronze.

Aparentava ter doze anos, parecia ser a mais velha entre os quatro.

“Não toque o papai tão casualmente!” gritou ela, batendo os pezinhos no piso. Fazia uma careta zangada para mim.

“Calma! Calma! Coloque-a no chão, Juno” Lyam pediu num tom afável.

A criança, chamada Juno, cruzou o braço, virou o rosto e continuou batendo os pezinhos no piso.

“Ah, que criança mais mimada eu tenho aqui!” falou Lyam com uma risada, afagando a cabeça dela.”Vamos, Juno, coloque-a no chão, prometo que te compensar com deliciosos doces!”

“Doces?!” gritou com olhos brilhantes.”Tudo bem, é uma promessa!”

Juno me deu um último olhar zangado, e me colocou no chão.

“Me desculpe” falou Lyam, enquanto me ajudava a se levantar.”Esqueci do temperamento forte de Juno.”

Eu estava confusa.

Inicialmente pensei que Juno havia utilizado alguma habilidade mágica que simula a telecinesia. Porém não havia nenhum traço de energia mágica no ar e nem senti a manifestação do fenômeno mágico na estrutura da realidade.

“Lyam….Essa garotinha, Juno, o quê ela é?”

Eu era uma senhora do submundo, apesar de estar nessa forma humana, seria impossível para uma garotinha conseguir com seus poderes mágicos ou não mágicos, passar por minhas defesas mágicas e mentais tão facilmente.

“Percepção extra-sensorial” falou com um sorriso orgulhoso.”Em termos leigo, Juno, é uma Esper com habilidade de telecinesia. Uma Esper criada artificialmente a partir do sangue do meu avatar humano. Ela não pode ter um nascido naturalmente como as outras crianças, mas ele é uma parte minha, minha filha.”

Além da magia, existe outros fenômenos sobrenaturais que podem alterar a estrutura da realidade. Em certos mundos, nascem seres com uma ondas mentais tão fortes, talvez por causa de alguma mutação genética, podem influenciar na estrutura da realidade.

Portadores de poderes psíquicos são uma irregularidade muito rara no universo.

(Magusgod: Alguns já sabem o que é um Esper, mas apenas para reforça vou deixar a definição aqui: Esper é um indivíduo capaz de realizar telepatia e outras habilidades paranormais. O termo foi aplicado por Alfred Bester em seu conto em 1950 “Oddy and Id”, e é derivado da abreviação de ESP de Extrasensory Perception, perceção extra-sensorial.)

“Os outros três também?” perguntou a princesa Susana com certo espanto na voz.

“Não, apenas Juno, os outros três eu usei genes de humanos diferentes.”

“Então essas crianças, são humana com poderes psíquicos?” perguntei, ele meneou com a cabeça. Então percebi algo fundamental.”Se são crianças humanas, você deve ter usado um material genético de alguma mulher. A pergunta e de quem?”

Lyam começou a suar frio. Observei atentamente as feições de Juno, seus grandes olhos azuis cristalinos e o formado do rosto, havia puxado Lyam. Já seus nariz pequeno e levemente arrebitado, sobrancelhas finas arqueadas……Cabelos escuros lustrosos…….Essas feições….

“Lyam……Você……Você…” não conseguia controlar minhas emoções. Eu não percebia nada, apenas um misto de emoções e lágrimas que fluíam sem parar pelo meu rosto.

“Uma vez, quando falamos sobre ter filhos, você disse como era uma senhora do submundo não pode gerar filhos” Lyam falou num tom baixo, me olhando nos olhos.”Sinto muito, Desy por fazer isso sem sua permissão. Queria fazer uma surpresa para você, espero que perdoe meu egoísmo.”

Entre meus irmãos, eu sou a única que nasceu humana, apesar de ser filha de um poderoso casal de demônios. Com vários anos de estudo, e minha alta aptidão com as trevas, utilizei uma magia antiga proibida, sacrificando o privilégio de um corpo vivo, me tornei uma espécie variante rara de morto-vivo superior e com o tempo ascendi para uma senhora dos mortos.

Em todos aspectos eu posso parecer uma humana, mas, há muito tempo eu perdi a capacidade de gerar vida.

Estava ciente que nunca teria um filho, esse era o preço a se pagar pelo poder.

Em uma noite, meses atrás, havia falado tudo sobre mim para Lyam. Pensei que teria nojo de mim. Que perderia seu amor por não poder ter um filho. Felizmente, Lyam não se importava, e me incentivou, dizendo que para tudo na vida havia um jeito.

E, milagrosamente ele havia encontrado um jeito.

“Venha, aqui Juno” chamou ele.”Quero te apresentar uma pessoa importante. Ela se chama Desy, sua mãe.”

“Ela é a mamãe?” perguntou com seus grandes olhos azuis arregalados. Se escondeu atrás de Lyam, ficou me observando com cautela.

“Não seja tímida, vamos, vá conhecê-la” Lyam incentivou.

“Juno….” chamei emocionada, sem parar de chorar.

Um sonho havia sido realizado.

Eu tenho uma filha.

************

Ponto de vista Lyam

 

Soltei um longo suspiro aliviado.

“Então, esse criança, e sua filha com Desy?” perguntou Susana. Sua voz era amarga. Observava Desy agachada, conversando com Juno.

Eu não tenho ideia do que estava passando na cabeça de Susana. Mas pude sentir um pouco de inveja em seu olhar.

“Desy, não pode ter filhos devido a certos traços raciais de sua espécie. Por mais que ela falasse que não se importava com o fato de não poder ter filhos. Eu sabia que no fundo ela desejava ter um como toda mulher. Então, eu, um super gênio inigualável, através da magia e tecnologia avançada, usando meus genes e o dela, criei Juno, uma humana evoluída com capacidade extra-sensoriais.”

“Evoluída?”

“Sim, sua densidade muscular e óssea são acima de um ser humano comum. Sua mente e capaz de armazenar milhões de tetrabytes de conhecimento, sem o uso de qualquer habilidade mágica ela é capaz de dividir sua mente em dois. Tornando seu reflexo, raciocínio, e poder psíquico muito maior do que um ser humano normal!”

Susana parecia um pouco perdida. Não a culpava. Era muita informação para uma pessoa que vive em um mundo reinado pela magia. Não havia como nenhum deles, mesmo Desy, pode compreender o quão única e poderosa é Juno.

Além do motivo de ter criado Juno para dar um filho a Desy, eu criei os outros três como um teste para verificar se era viável o aumento da população de Alba por meios não naturais. Foi um sucesso, o método era viável e poderia criar um exército de humanos geneticamente modificados com capacidades extra-sensoriais.

Mas por hora criei apenas os quatro. Não havia uma necessidade urgente de um exército Esper no momento.

Acalmei minhas emoções. Incentivei os nobres falarem com as outras crianças, fiquei junto com a princesa Susana. Observando a aproximação desajeita de Desy com Juno, e os nobres fazendo caretas assustadas com a demonstração de seus poderes únicos.

“Essas crianças são as armas supremas que você havia mencionado?” perguntou a princesa Susana.

“São parte da equação” respondi evasivamente. Apontei meu dedo para uma colossal porta de aço no fim da sala.”Dentro daquele local, está a verdadeira arma suprema.”

Minutos mais tarde puxei as crianças, fizemos um círculo, como se fosse um treinador de futebol, falei:

“Meus filhotes, chegaram o grande momento, lembram-se da apresentação que treinamos?” perguntei para os quatro. Todos assentiram.”Juno, como a irmã mais velha, você se apresenta primeiro.”

“Sim, papai!” gritou animadamente.

Juno correu, parou poucos metros a frente de Desy, princesa Susana, Ania e os outros nobre. Com as mãos em sua pequena cintura, começou a rir com um Mufufufufu que eu ensinei.

“Ouçam e tremam ao ouvir meu nome, mortais!” gritou ela, levitando no ar, olhando acima de todos com arrogância. Pesados artefatos tecnológico começaram a levitar, e girar, fazendo um vórtice de metal.“Eu sou Juno, 【Mente de Deus】!”

Essa é minha garota, pensei orgulhoso enquanto aplaudia sua performance. Trabalhei duro, ensinando-a a forma mais arrogante e ameaçadora possível de se apresentar.

Depois de Juno, um garotinho de cabelos branco e olhos dourados se apresentou.

“Vocês são indignos de ouvir minha apresentação” bufou com arrogância.”Mas ouçam, e comemorem com alegria! Eu sou Júpiter, 【Mão direita de Deus】!”

No ar foi possível sentir um cheiro de ozônio.

De acordo com o combinando. Juno lançou barras de metal contra Júpiter, que gerou com seus poderes psíquicos um campo eletromagnético ao seu redor, protegendo-o contra as barras de metal. Continuando o show, Juno lançou uma grossa chapa de meta.

Em resposta, Júpiter disparou um raio elétrico, destruindo a chapa de metal.

“Eu sou Pandora, 【Mão esquerda de Deus】!”

Juno lançou várias barras de metal contra Pandora. Júpiter manipulou as partículas das barras de metal, dando mais potência ao ataque.

Pandora, gerou um campo de gravidade com seus poderes psíquicos, abrindo um micro-buraco negro, produzindo um poderoso vento de sucção, defendendo-se do ataque combinado de Juno e Júpiter.

Essas crianças fizeram do jeito que eu ensinei, pensei, limpando uma lágrima de orgulho.

Então por algum motivo desconhecido. A apresentação se tornou uma batalha de verdade, e os três estavam atacando um ao outro no mesmo tempo, destruindo a sala.

“Seus idiotas, por que estão lutando de verdade?” gritei.

“E-eeeeu sou Héstia, 【Coração de Deus】!”

Héstia pulou no meio da briga, com seus poderes anulou todos poderes psíquicos da sala. Essa era sua capacidade Esper, anulação de fenômenos psíquicos e mágicos.

Entre os quatro, ela é a única capaz de tirar as capacidade psíquicas e mágicas de seu oponente.

Os quatros representava a mente, mão direita, mão esquerda e coração de Deus. Eram título ganhos pelo sistema, apesar de eu não saber o significado por trás desses títulos do sistema.

“Bom, já que a apresentação foi feita” falei alto, despertando alguns nobres que desmaiaram.”Vamos conhecer a arma suprema!”

Com ambos braços sendo puxados pelas crianças, guiamos o grupo para o local aonde está guardado a arma suprema.

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