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Conselho de guerra! (1 Parte)

Ponto de vista Princesa Susana

 

Lady Desy com seus belos olhos violetas, não tirava o olhar sobre seu amante, Duque de Alba – Lyam Marwe Nótus Alba. Seu olhar era intenso, cheio de preocupação, pronta para saltar e o proteger ao menor sinal de perigo. Vestia um elegante traje oriental exótico chamado kimono. Por cima de seu kimono, usava um manto aveludado que caía às suas costas em dobras.

Não havia perigo nenhum. Duvidava que algo poderia acontecer com ele cercado por tantos cavaleiros e vassalos. Estávamos no pátio de palácio, observando o treinamento do “jovem” Duque de Alba enfrentando vários golem de uma única vez.

“Tão jovem e demostra tamanho poder!” exclamou um homem de cabeleira e barba grisalha. Vestia uma túnica metade azul e metade preto bordado com o brasão da casa nobre Grifyon. Se ajeitava em seu manto de pele de urso, enquanto uma das mão arrumava o tapa-olho em seu rosto – havia perdido o olho esquerdo em uma das batalhas contra os senhores da guerra.

Seu nome era Duque Riley Grifyon, ex-governante do ducado Grifyon.

Dois meses atrás, antes do inicio do inverno, duque Riley Grifyon chegou ao ducado de Alba pedindo exílio e proteção do que sobrou de seus homens e povo. Foram bem aceitos e cuidados, sem serem abusados – o que é raro nos tempos de hoje. Perdedores se tornam escravos e aqueles sem poderes e terras são tratados igualmente da mesma forma.

Ducado de Alba era um pedaço do paraíso em meio ao inferno do oeste.

Todos acreditam nisso, foi o que ele fez todos acreditarem. Duque Lyam era um homem cheio de desejos, qual não se importa com mais nada além dele mesmo, não era um homem ruim, mas também não era bom. Às vezes um tirano implacável, outras vezes um governante gentil e benevolente. Às vezes sábio, outras vezes um tolo.

Era um homem de muitas faces, talvez fosse apenas louco.

Não era possível classificá-lo com exatidão.

Eu sou uma Pendragon, a última da linhagem real, o único pedaço de morango que todos desejam sobre o bolo chamado Midgard. A primeira coisa que aprendi quando criança era a desconfiar de todos, depois descobrir a verdadeira intenção das pessoas que me cercam.

Descobri cedo que era muito boa em saber as verdadeiras intenções das pessoas. Ganância, poder, prazer, honra, vaidade, inveja, amor. Nós humanos somos criaturas egoístas, movidos por desejos. É a nossa verdadeira natureza, que muitos tenta esconder sobre um manto de civilidade.

Não somos diferente dos animais e monstros movidos por seus instintos. Se houver uma diferença seria o fato de sermos movidos por nossos desejos – que ao meu ver era basicamente a mesma coisa.

Era fácil ler a motivação de todos presente. Desy era movido pelo amor. Duque Riley Grifyon movido pela esperança de um dia recuperar seu território. Muitos nobre movidos pela promessa de riquezas, outros pelo desejo de sobreviver. Cavaleiros eram movidos por seu senso de dever, outros por pura e simples admiração ao poder do duque Lyam.

Maior parte da população o louvava como um deus em carne é osso, outros como a reencarnação do mal. No meu ponto de vista, Duque Lyam era o dois. Um deus e um demônio, um dragão também e outras raças.

Pelos menos era assim.

Agora era um mortal como nós, não totalmente como nos, era mais forte, rápido e continuava poderoso apesar de tudo. Não foi difícil notar a perda de seus poderes, primeiro apareceu com uma aparência mais jovem, não carregava mais toda aquela aura sufocante ou a maldita arrogância de outrora.

Estava calmo, tranquilo, carregava um semblante sério e cheio de maturidade.

Parecia uma pessoa diferente.

Ninguém estranhava e nem parece lembrar que ele era um dragão. Para todos ele sempre foi daquela forma, um jovem hábil na espada que livrou todos do reinado de terror dos ex-rei de Alba com a ajuda do deus das seis faces – suspeito que Desy conjurou algum tipo de magia de alteração de memória sobre todos cidadão de Alba.

Aqueles mais próximos, quais confiava, foram poupados da alteração de memória.

“Parece que está chegando ao seu limite” murmurou lady Desy, acredito que para si mesmo já que ela não gostava de mim. Nem falava comigo, apenas quando necessário.

Suspeitava que eu fosse uma das amantes do seu amado.

Não podia estar mais enganada.

Duque Lyam me evitava sempre que podia, eu também o evitava. Não sentimos repulsa um pelo outro, ao contrário, era uma atração poderosa que nos fazia perder o raciocínio. Por esse motivo evitamos um ao outro, para não perder o juízo e fazer alguma loucura qual podemos nos arrepender no futuro.

É ultimamente, depois dele voltar a ser humano, atração aumentou ridiculamente.

“Duque Lyam vai ficar bem?” perguntei educadamente.

“Vai, Vossa Alteza” respondeu sem me olhar. Sua voz era apática. Seus olhos brilhavam em preocupação.

Queria acreditar nela, mas era difícil. O braço direito dele sangrava devido a uma lesão causada ao ser atingido por uma lança dos golem. Suor cruzava seu rosto pálido, arfava, a espada vermelha de um metro e vinte de comprimento coberto por chamas parecia que cairia a qualquer momento de sua mão.

Trinta golem de pedra empunhado lanças e escudos avançou contra ele de uma única vez.

Senti um aperto no coração.

“Sanguinário, incinere todos Golem!” gritou, fincando a espada vermelha no chão. Surgiu um imenso círculo mágico carmesim envolvendo todo pátio, liberando línguas de fogo, incinerando todos golem. Retirou a espada do chão, embainhando-a, apesar da expressão de dor caminhou sem vacilar até seus cavaleiros.

Clap! Clap! Clap! Clap!

Nobres, cavaleiros e servos ao redor aplaudiram com fervor após o fim espetacular do treinamento. Em resposta, sorriu e acenou de volta agradecendo. Estava acostumado com o público em seus treinamentos matinais.

Lady Desy caminhou ate ele, eu segui atrás junto com outros nobres.

“Você está bem, Lyam?” perguntou lady Desy.

“Sim, foi apenas um arranhão” respondeu num tom afável. Um sacerdote de túnica branca bordado com o símbolo do deus das seis faces tratava o ferimento. Em um piscar de olhos, seu braço foi curado e seu rosto recuperou sua cor natural.

Cinco mulheres vestidas com trajes de empregadas, de tamanco alto e luvas escuras em formado de garra com máscaras de coelhos, raposas e lobos surgiram do nada. A líder delas, usando uma máscara de coelho demoníaco, fez uma reverência formal e sussurrou algo em seu ouvido.

Ele acenou com a cabeça, da mesma forma que surgiram, desapareceram.

Ninguém conhecia a real identidade delas, apenas sabia que eram as espiãs e assassinas do duque. Lyam as chamava de Musas de Apollo – eu as chamaria de putas do Duque e desconfiava que fazem mais do que proteger suas costas-, sua guarda pessoal secreta, além de ser seus olhos e ouvidos dentro de Alba. Soube que ele tem outros espiões, espalhados pelo território dos senhores da guerra.

Ficou parado sem mover-se ou falar nada. Seus olhos azuis cristalinos nos fitavam com intensidade. Não parecia olhar para ninguém especificamente. Apenas nos olhava como um pastor de ovelhas durante o inverno, que deve escolher quais ovelhas serão abatidas e quais vão sobreviver.

Todos prenderam a respiração.

“Desy, reúna o conselho de guerra. Vou me banhar primeiro, encontro você depois no conselho.”

Virou de costas desaparecendo nos corredores que levam a sala de banho do palácio. A turba dispersou, Desy convocou seus servos iniciando a chamada dos membro do conselho de guerra.

“Parece que algo aconteceu, Vossa alteza” disse o duque Grifyon coçando sua barba grisalha.”Não acredito que seja sobre um ataque em pleno inverno. Nossos inimigos não são tolos suficiente para cometer tal erro.”

“Nosso duque” eu disse num tom composto e educado. Estávamos caminhando pelos corredores do palácio.”Recebeu um relatório de suas espiãs. Não havia urgência em seu rosto. Nem raiva. O que descarta um possível ataque ou traição de algum nobre tolo em busca de riquezas.”

“Não tenho tanta certeza. Seu olhar não me parecia totalmente despreocupado. Talvez tenha um traidor….”

“Acredite em mim, se houvesse um traidor, não teria saído com vida do pátio” eu disse interrompendo-o, entramos no salão principal do palácio. Servos paravam seus trabalhos para nos prestar reverência.”Aquele olhar pode ter diversos significados. Qual significado? Não faço a menor ideia.”

“Verdade” concordou o duque Riley. Subimos a escadaria do salão principal. Encontramos outros oficiais e duques seguindo em direção a sala do conselho.“Só resta seguimos para o conselho e aguardamos o Duque Lyam.”

Minutos depois entramos na sala do conselho – um salão circular de teto abobadado com uma imensa mesa de granito no meio com trinta cadeiras de prata, quais algumas já estavam ocupados. Em cada canto do salão havia um estátua de um cavaleiro empunhando uma lança, preso na haste, o estandarte da casa nobre de Alba.

“Sua guarda de elite está presente” murmurou o Duque Riley com desgosto.

Próximo das estátuas estavam homens altos, usando armaduras negras, capas brancas, com espada com o punho no formado na cabeça de um lobo e um grande escudo redondo ilustrado com um sol cruzado por dois raios. Seus rostos eram escondidos por um elmo negro com placas faciais deixando visível apenas os olhos frios e negros. Solis com vinte centímetros de comprimento flutuavam acima de seus ombros.

Na placa peitoral da armadura era visível o símbolo de um sol cruzado por dois raios.

Duque Lyam o chama de Argonautas. Guerreiros de elite criados para trazer paz e prosperidade no oeste. Eu os chamo de seus cachorros de guerra, criados para trucidar qualquer um ao seu comando.

“Duque, você parece não gostar deles. Fizeram algo que o tenha ofendido?” perguntei ao me sentar nada cadeira de cor dourada entalhado com figuras elegantes – meu trono temporário.

“Não fizeram nada para me ofender” respondeu.”Só não gosto da sensação que me passam, a mesma sensação diabólica daquelas crianças….”

Eu também suspeitava que não fossem humanos. Eles passam a mesma sensação que dos filho de Lyam. Outro fator que me faz pensar dessa maneira, foi seu repentino aparecimento – praticamente do dia para a noite. Haviam aparecido logo após a descoberta de traição do lorde responsável da proteção da fronteira do leste.

“Tenha cuidado com a língua, Duque” censurou um nobre próximo.”Não gostaria de ver seu corpo velho pendurado em uma corda na praça principal.”

Duque Riley meneou com a cabeça, sentou do lado distante da mesa redonda. Fiquei sentada, observando meus “súditos” entrando e ocupando suas cadeiras. Conversavam, trocando gracejos rápidos, falando sobre assuntos de estado.

Eu era sua princesa, a última Pendragon, todos me devem seus juramentos. Mas não estavam lá por mim. Nem por seus juramento a coroa. Não me obedeceriam se eu ordenasse lutar contra os autoproclamados reis do oeste. Estavam lá por ele, Duque Lyam Nótus Alba, pelas riquezas e poder que pode lhes dar.

Estavam lá por seus desejos, e obedeceriam aquele que lhe puder conceder seus desejos.

Eu era a princesa do nada, um trono vazio, um meio para obter a coroa de Midgard.

Lyam, era o rei dos desejos, aquele que todos seguiriam até o inferno. Eu não era exceção. Por segurança, pelo título de rainha, e por outros desejos. Eu o seguirei, mesmo que tenha que vender meu corpo e alma. Por que somente o Duque Lyam pode conceder meus desejos.

É isso me fazia eu sentir um gosto amargo na boca.

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