Kuork

Apenas Tradutores Errantes

iLivro

A decisão de Desy!

 

 

Era noite. Estava sentado no sofá, enrolado em um grosso cobertor de pele, poucos metros da lareira do meu quarto. Do lado de fora caía uma nevasca, tornando aquela noite mais fria do que o normal. Sentada ao meu lado, vestida de forma provocante, estava Desy bebericando uma xícara de chá.

Desde o fim do conselho ela não abriu a boca para dar um piu se quer. Seu rosto era inexpressivo, seu olhar distante. Ela estava pensando em algo, talvez em me matar, ou me torturar e depois me matar.

Sendo sincero, estava com medo de perguntar. Ao seu redor tinha um clima estranho, um pouco melancólico. Na verdade não era a primeira vez que a vejo nesse estado. Sempre ficava desse jeito após uma briga – muitas vezes por eu ter supostamente olhado para alguma mulher com desejo. Digo supostamente, por que muitas vezes era paranoia dela, outras vezes ela tinha razão.

Às vezes ficávamos dias sem se falar, mas, dessa vez era diferente. Eu podia sentir que isso não terminaria com uma simples briga. Desy era uma【Senhora do Submundo Suprema】, com uma simples palavra era podia me matar mil vezes. Não acreditava que ela chegaria a me matar, mas sempre existe uma pequena possibilidade de eu acabar sendo decapitado. É era essa pequena possibilidade que estava me fazendo suar frio. Minha mão tremia. Só não sabia se era por causa do frio, ou por causa do meu nervosismo.

“Eu não vou te matar” disse ela quebrando o silêncio.”Se é isso que está te preocupando.”

Eu estava tão nervoso que mal tinha tocado na xícara de chá. Era vergonhoso, mas soltei um suspiro aliviado.

Eu enfrentaria dragões e deuses com um sorriso no rosto e rindo do perigo.

Porém Desy, quando estava nervosa, me fazia sentir um garotinho medroso.

“Desy, por acaso você é uma telepata?” brinquei, tentando esconder o nervosismo em minha voz.

“Achou mesmo que eu o mataria?” indagou, virando seu rosto em minha direção. Agora me encarava com seus olhos violetas.”Apesar que eu seriamente pensei em fazer isso por um segundo. Porém, saiba que existem coisas piores do que a morte, Lyam. Eu poderia te transformar em um servo morto-vivo pútrido, ou jogar sua alma no plano infernal de Sheol. É saiba que eu me senti muito tentada. Não somente em uma ocasião, mais em várias, já que aquele que amo não tem o menor autocontrole da cabeça de baixo.”

Desy colocou a xícara sobre a pequena mesa diante o sofá. Ficou lá, parada, contemplando as chamas bruxuleantes da lareira.

Agora seu rosto inexpressivo formava uma expressão dolorosa.

“Você nunca falou, uma vez se quer aquelas palavras, Lyam” acusou ela com uma expressão de partir o coração.

“Que palavras?”

“Você nem está ciente não é?” perguntou com olhos marejados.”Lyam, o que você diz para uma mulher que gosta?”

“Ah!” exclamei surpreso, percebendo aonde ela queria chegar. Verdade seja dita eu não me lembrava se alguma vez eu cheguei a dizer essas palavras.”Me desculpe por ser tão insensível, mas você sabe que eu te amo!”

Desy encarou-me em silêncio, com um brilho estranho em seus olhos violetas.

“Sim, eu sei que me ama” falou com um sorriso auto-depreciativo.”Assim, como você ama, Mia, Sofie, Ania, sem contar as servas quais se deitou cujos os nomes me fogem da memória. Não estou certa, Lyam? Não precisa responder. Nem fazer essa cara de desculpas. A culpa é toda minha por ser, como você disse uma vez: possessiva.”

“Eu te amo, Desy. É isso são meus verdadeiros sentimentos…”

“Claro que me ama, por quê não?” disse ironicamente.“Sou bem conveniente não é Lyam? Ter como amante uma senhora do submundo, que pode f**er a qualquer hora que desejar sem o menor compromisso!”

“Desy….”

“Não diga nada!” rosnou ela interrompendo-me.”Sabe, Lyam, na verdade eu venho observando-o desde que você nasceu em Argus. Nos encontramos pela primeira vez em Ddrisfa, eu era a recepcionista que lhe vendeu o Terceiro Salmo, um dos meus maiores tesouros, apenas para te proteger. Sabe aquela vez que você lutou contra os golem mímicos de Aurorus e quase morreu? Na verdade era pra você ter morrido, mas usei minha magia para te trazer de volta. Por favor, não se surpreenda só com isso, existe mais coisas a relatar. Quando você morreu e entrou em contado com os fragmentos da luz e do fogo, é imprudentemente absorveu dois corações de um filho das estrelas, era para seu espírito ter sido despedaçado se eu não tivesse sacrificado metade das minhas asas para fortalecer sua alma.”

Não sabia o que falar. Estava surpreso. Desy era um stalker dimensional, que vem me seguindo e protegendo desde que eu era um bebê.

“Saiba que Fenrir não era o único deus que desejava sua cabeça, havia muitos outros, quais consegui repelir com meu poder” falou com o rosto cheio de lágrimas.“Eu o segui até Aayós, continuei te protegendo, até finalmente compreender que eu estava apaixonada por você. Não desejava está apaixonar por você. Sabia como você era, que nunca amaria somente uma pessoa. Mesmo assim, lá fui eu fazer papel de uma humana, me envolver com você, me perder nesse doce amor.”

“Desy…Eu sinto….”

“Não ouse falar mas nenhuma palavra” sibilou furiosamente, levantando-se do sofá. Seus olhos violetas queimavam em fúria.”Quer saber de uma coisa, Lyam? Eu estou cansada. Cansada de tudo isso, desse sentimento amargo em meu coração. Preciso de um tempo para esfriar a cabeça e colocar meus sentimentos em ordem. Caso contrário poderei acabar fazendo algo no futuro que vou me arrepender.”

Abri a boca, pensei em algumas palavras para dizer, mas seu olhar furioso me fez fechar a boca. Sabia que qualquer palavra errada e ela acabaria comigo.

“Vou pegar o que é meu de volta” disse ela, um pouco mais calma, fez um gesto com a mão e o terceiro salmo apareceu em sua mão.”Alguma reclamação? Não? Ótimo, por que se abrisse essa maldita boca, seu canalha, eu arrancaria sua língua!”

Em sua mão direita apareceu uma lança de ossos, coberto por uma névoa escura. Seu corpo agora era envolvido por uma espécie de armadura óssea espectral, em suas costas havia seis asas, três de anjo caído e outras três de ossos cobertos por chamas negras espectrais.

O ar curvou-se atrás dela, o som de crepitar de energia se tornou intenso, formando um portal oval escuro.

Me encarou uma última vez com seus belos violetas, esperando que eu falasse algo, que prometesse nunca mais me envolver com outras mulheres. Eu sabia que era isso que desejava. É eu poderia prometer, mas, seria uma mentira, uma promessa que jamais cumpriria.

Ela fechou os olhos, virou-se para o portal, pude ver as lágrimas escorrendo por seu rosto.

“Desy” chamei, com a voz embargada de emoção.”Por favor, fique.”

“Ficar não vai fazer bem para nenhum de nós dois” sua voz estava cheia de dor.”Preciso de um tempo, Lyam, até lá cuide de Juno.”

Senti um aperto no coração. Por algum motivo tinha a sensação de que nunca voltaria a vê-la se eu não a parasse. Tentei falar algo, mas as palavras estavam presas na garganta. Me levantei, corri até ela, tropeçando nos móveis, estendi minhas mãos quase alcançando-a.

“Adeus, Lyam” disse ao passar pelo portal, desaparecendo.

Fiquei, lá parado, com as mãos estendidas para o nada.

Senti algo molhado escorrer por minha face, chegando até minha boca. Era salgada. Amarga. Eram minhas lágrimas.

Então cai de joelhos, olhando para onde Desy estava a poucos instantes, acreditando que voltaria a qualquer momento.

Fiquei a noite toda esperando ela voltar, mas não retornou. Nem no dia seguinte, ou nos que seguiram-se depois.

Desy saiu da minha vida.


Magusgod: com esse capítulo, nos despedimos de Desy por um tempo e marca o fim da primeira parte do terceiro arco. Todos esses capítulos foram uma introdução ao novo mundo caótico de Aayós e a preparação das força de Lyam. No próximo capítulo será uma intermissão, e depois começara a segunda parte do terceiro arco iniciando uma série de histórias – que pode ou não surpreender o leitor -, preparem seus corações.

Comentarios em HDUM arco 3: Capítulo 18.5

Categorias