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Conselho de guerra! (3 Parte Final)

 
“Futuro da humanidade?” indagou Duque Riley Grifyon, entrelaçou os dedos e apoiou os cotovelos sobre a mesa.”Não devemos nos concentrar em nosso próprio futuro? Já que não vamos ter um se perdemos a guerra.”

“Não existe “se”, caro Duque. Não vamos perder a guerra” falei com convicção.“A vitória é um fato certo. Alguém duvida de que minhas armas e habilidades não serão efetivas?”

Nenhum nobre contestaria a efetividade das armas. Muito menos de minhas habilidades. Eu era rápido e mortal com a espada e agarro técnicas de espadas poderosas.

“Nós humanos, temos um grande potencial de evolução quando comparado com outras raças” falei, estudei a expressão facial de cada um presente.”Entretanto, também somos a raça mais fraca e a em menor número em Aayós.”

Houve protestos de indignação, iniciando um clamor entre os nobres.

Às vezes penso que seria mais fácil ter enforcado todos e ter todo poder centralizado em mim. Basta uma ordem e o sangue e triplas de todos nobres presentes estaria encharcando o piso do salão nesse momento.

Mas não vou fazer tal barbárie.

Apesar de tudo, são homens de bem que se preocupam com o povo. Acreditam fielmente que é o dever da nobreza proteger a plebe. Além de serem homens de bem, são úteis e eficientes em seus trabalhos – caso contrário seriam enforcados como os outros nobres inúteis.

“Não posso concordar com tal afirmação” empertigou-se a princesa Susana, encarando-me com seus olhos verdes pálidos.“Não somos fracos. Desde tempo imemoriais, quando os deuses andavam sobre o mundo, antes da grande geada que cobriu o mundo por eras. Nós, humanos prevalecemos graças a nossa força e sabedoria!”

Sob a luz do salão, sua pele cor bronze reluzia magicamente e seus olhos verdes pálidos emanavam um poder real. Nesses momentos, quando falava com tal intensidade, parecia uma rainha.

Precisei de alguns instantes para me recompor.

“Pode a força de um humano, competir com a força de um Ogro?” perguntei, encarando-a com a mesma intensidade que me encarava.”Pode nossa sabedoria se igualar a de um ancião élfico? Ou a sua boa audição e visão de águia?”

Não houve resposta. Trincaram seus dentes, suportando um fato inegável. Princesa Susana continuou me encarando sem desviar o olhar.

“Podemos sim, habilidades, técnicas, magia, com esses fatores podemos suprir nossas fraquezas” retrucou veemente.”Volto a repetir: não somos fracos!”

“Enquanto estamos debatendo confortavelmente nesse salão. Algum humano, nessa imensa Aayós, está morrendo” suspirei. Chamei os empregados, servindo vinho para os nobres presentes. Dei um gole, molhando a garganta e voltei a falar:”Vossa Alteza, por favor me responda: do que serviu a magia e habilidades depois da calamidade vermelha? Vou lhe dizer do que serviu: nada.”

Ela mordeu seus lábios. Sabia que eu estava certo, por mais que gostaria de pensar o contrário.

“Não vou negar que graças a magia do sistema de Aayós e os buffs de habilidades ganhamos poder para bater de frente contra outras raças, que em termos raciais e genéticos são naturalmente mais fortes e resistentes.”

Antes da criação dos meus filhos. Pesquisei o genoma dos humanos e outras raças de Aayós. Humanos comuns sem aptidão para magia tem 23 pares de cromossomos. Humanos com aptidão mágica, tem 24 pares de cromossomos. Entretanto esse par extra de cromossomo também poderia dar super força ao invés de aptidão mágica. Demi-humanos, eram humanos do passado que tiveram seus genes manipulados e combinados com os de certos animais.

Inicialmente pensei que fosse pelo fato de acasalamentos entre humanos e raças antigas, dando origem as raças atuais. Mas os sinais de manipulação genética era bem claro nos cromossomos.

Em um passado imemorial, anterior ao dos deuses, teve ter existindo uma civilização tecnologicamente avançada nesse planeta. A questão é quem eram? É o que aconteceu com essa civilização?

Não sei das respostas, mas os labirintos e ruínas mais antigas são anteriores ao reinado de Freyr. Podem ter as respostas para essas questões.

No futuro vou investigar minuciosamente o assunto.

Quando mais penso que conheço esse mundo, mais enganado descubro estar.

Aayós era uma verdadeira caixinha de mistérios.

“Aonde você quer chegar, Duque Lyam?” indagou a princesa.

“Vossa Alteza, estou cansado. Cansado de ver a fraqueza humana. Um clérigo pode tratar uma ferida até uma maldição, mas o mesmo não pode curar uma simples gripe e doenças que matam centenas. Vivemos em um mundo aonde vilas desaparecem do dia para noite e seus moradores devorados como gado. Verdade seja dita meus caros, somos uma espécie em extinção.”

Não estava exagerando. Alba tem uma população aproximadamente de 35.000 mil, 75% são humanos e 25% são de raças variadas. Com esses poucos números – de acordo com meus cálculos – somos o segundo território mais populoso do oeste. Perdendo apenas para o território santo de Elegast com aproximadamente 80.000 mil.

Existe mais cinco grandes territórios controlados pelos autoproclamados reis, cada um com uma população no máximo 17.000 mil – me corrigindo, são quatro grandes territórios, já que eu aniquilei Elvebreed em um acesso de raiva.

Esse era um mundo imenso, com vastas florestas e cavernas e terras ainda inexploradas.

Soltei um longo suspiro.

Me levantei, olhei nos olhos de cada nobre presente.

“Para nossa fraqueza eu digo: basta!” minha voz grave ecoou pelo salão fazendo os nobres envergonhados por sua fraqueza levantarem a cabeça.”Vocês desejam viver suas vidas dependendo da magia, como um aleijado depende de uma muleta?”

“Não!!!” gritaram em resposta, batendo seus punhos contra a mesa de granito.

“Desejam viver o resto de suas vidas temendo ataque de monstros?”

“Não!!!”

“Desejam viver brigando entre si, como cães esfomeados que brigam por um pedaço de carne?”

“Não!!!” suas vozes cheio de força de vontade ecoaram pelo salão.

Do espaço dimensional do meu anel de armazenamento, retirei uma maleta de metal. Coloquei sobre a mesa, abri a maleta, revelando um conjunto de pequenos frascos contento um líquido carmesim e uma pistola de injeção.

“Essa é a cura para fraqueza: Virus-E!” falei num tom cheio de orgulho.”O vírus uma vez injetado no organismo, vai forçar uma auto-evolução, acrescentando um par extra de cromossomos, tornando músculos e ossos mais resistentes, visão e audição superior, auto-regeneração, imunidade a doenças.”

O Vírus-E aumenta suas capacidades físicas e mentais, mas não os tornariam tão fortes quanto aos meus humanos geneticamente criados.

“Lyam, esse vírus tem algum efeito colateral?” perguntou Desy, analisando minuciosamente um dos frascos.

“Apenas uma febre intensa no primeiro dia durante o sono, talvez enjoo na manhã seguinte, mudança na pigmentação da iris. Fora esses sintomas, não existem efeitos colaterais.”

Preparei pistolas de injeções, minhas musas aplicaram as injeções nos nobres humanos presentes. Para demi-humanos como Ivo e Raysa criei outro tipo de vírus, que vão faze-los alcançar o próximo estágio de sua evolução racial.

Me virei para a princesa que tinha uma expressão desconfiada.

“Parece bom demais para ser verdade” resmungou a princesa.

“Veja apenas como uma melhoria” falei num tom calmo. Materializei um frasco com um líquido que reluzia como bronze. Preparei uma injeção e apliquei em seu braço delicado. A princesa me encarou com desconfiança.”O Vírus-E é uma versão fraca do Vírus-S que eu apliquei em você. Seres humanos normais morreriam em um segundo. Mas você não é um ser humano normal, não é? Tem o sangue dos Pendragon, sangue dos deuses antigos, Vírus-S vai te deixar tão forte quando uma semideusa. Nada mais do que adequado para uma princesa.”

Ela arregalou seus olhos verdes pálidos, abriu e fechou a boca sem saber o que dizer. Estava ciente do que eu estava fazendo. Eu estava dando poder pra ela. O poder de uma semideusa.

“Não precisa me agradecer” dei uma piscadela, voltei encarar os nobres presentes.”Em uma semana todos nossos homens receberão uma aplicação do Vírus-E, depois a população civil receberá uma aplicação mais fraca do Vírus-E. Esse é o primeiro passo para uma nova era!”

O salão foi preenchido pelo som ensurdecedor de aplausos.

“O segundo passo será a criação de um novo estado e leis!” gritei com fervor, elevando seus ânimos.

Hipérion apareceu projetando minhas ideias para a criação do novo estado e as leis com novos postos de poder, abolindo os títulos nobres. É a questão mais importante de todas: um objetivo.

“Vivemos como animais: trabalhando e procriando! Precisamos ser mais do que animais! Precisamos trilhar um novo caminho, um objetivo a se conquistar!”

Sorriam de ponta a ponta com a perspectiva de uma nova era.

Eu havia lhes dado três coisas: poder, esperança e um caminho para trilhar.

Fechei os olhos, sorrindo, apreciando o som dos aplausos, escutando o que ninguém poderia ouvir, vendo o que ninguém poderia ver, nem imaginar. Eu estava compondo uma sinfonia, transformando ovelhas perdidas em lobos com presas afiadas.

Eu era um lobo Alfa.

Todo lobo Alfa precisa de uma alcateia.

Eu estava criando minha própria Alcateia.

Título adquirido: 【Lobo Alfa】!

No fim, não foi bem um conselho de guerra.

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