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O Retorno da Raposa Gananciosa!

>>> I <<<

 

 

No horizonte a silhueta da mulher montada na raposa dourada de seis caudas tornou-se cada vez mais claro. Seu rosto estava escondido por um capuz escuro tornando impossível identificar quem era.

– Não pode ser….Sua voz….Aqueles seios enormes….Essas curvas… – murmurei analisando suas curvas. –São bem familiares….Mas é impossível……Não pode ser aquela pessoa.

Ela saltou da raposa e gritou alguma coisa, transformando a raposa em uma grande espada de duas mãos com dois metros de comprimento. Sua lâmina era vermelha, como se fosse feito e rubi, entalhados com fileiras de runas mágicas.

Quando eu vi o pomo da espada meu coração palpitou. Não havia mais dúvidas, aquele pomo entalhado na forma de uma cabeça de raposa era inconfundível. Era a espada nível sagrado que eu havia criado para minha bela guerreira, Llachar.

Ela habilmente pegou a grande espada com uma única mão e pousou na planície, criando uma pequena cratera. Ela pousou a lâmina sobre seu ombro e caminhou lentamente em minha direção sem dizer uma única palavra.

– Argonautas protejam o Comandante Supremo! – gritou algum dos oficiais. – Formar linha defensiva!

Montado em seus cavalos de guerras negros, cinquenta dos Argonautas cavalgaram em minha direção formando uma linha defensiva, com uma espada na mão e escudo na outra, estavam prontos para lutar. Abhi e Raysa e mais vinte caçadores de elite posicionaram-se em pontos estratégicos, mirando suas Sniper Rifles nos pontos vitais do inimigo desconhecido.

Raed e Ivo ficaram a frente da cavalaria com suas armas em mão.

– Identifique-se! – gritou Ivo segurando seu machado de guerra. Ela continuou avançando sem dizer uma única palavra. Não era possível ver seu rosto, mas de alguma forma eu sabia que ela estava sorrindo. – Eu disse para….

– Você é barulhento demais – disse ela e acelerou seus passos, começando a correr, encurtando a distância entre os dois.

– Abrir fogo! – gritou Ivo.

Bang! Bang! Bang! Bang! Bang! Bang! Bang! Bang!

Vinte e dois caçadores de elite abriram fogo ao mesmo tempo. Uma única bala seria o suficiente para matar instantaneamente um ser humano comum. Ela continuou correndo em nossa direção e casualmente balançou sua enorme espada de duas mãos, criando fortes rajadas de vento e flashes rubros, protegendo-a da saraivada de balas.

– Cessar fogo! – gritei ao voltar aos meus sentidos. Não havia dúvidas, aquela pessoa era minha raposa gananciosa, Llachar. Meus olhos encontraram com os seus, não eram mais verdes claros, eram dourados como ouro líquido. Ela piscou para mim.

Llachar parou e retirou sua capa pesada e capuz, revelando seu magnífico corpo cheio de curvas de tirar o fôlego. Sobre a cota de malha simples usava uma placa peitoral de couro e no ombro esquerdo uma ombreira de prata. Seus cabelos era como em meus sonhos, vermelhos como as chamas de um vulcão, pendiam longos e trançados até seu quadril envolvido por uma pele de lobo, por entre as peles era visível suas coxas sedutoras de músculos delineados. Calçava botas de cano longo.

O que chamou bastante minha atenção foi seu braço direito. Inicialmente pensei que seu braço direito estava coberto por uma manopla e placas protetoras da armadura Raposa Gananciosa. Mas logo percebi que era um braço metálico, uma prótese bem trabalhada do mesmo tamanho do seu braço esquerdo.

Lhachar fincou sua enorme espada na terra e com passos seguros e fluídos seguiu em frente. Parou vinte passos de distância de Ivo e Raed e com as duas mãos fechadas em um punho, apoiados em seu quadril, ela estufou seu peito orgulhosamente encarando o vasto exército ao seu redor.

– Você – apontou ela para Ivo. – Diante todos presente e de seu mestre, eu, Lhachar, a Raposa Gananciosa, o desafio para uma troca de ponteiros.

Ivo semicerrou os olhos. Não parecia nenhum pouco feliz com o desafio. Ele olhou para mim e eu assenti positivamente com a cabeça.

Llachar provavelmente estava planejando mostrar sua força para mim.

– Eu aceito, mulher.

Ivo andou até Lhachar com passos largos e poderosos, até começar a correr e saltar para cima dela, com os punhos fechados, desferindo um poderoso soco. Lhachar permaneceu parada vendo a enorme montanha de aço desferindo um soco que poderia facilmente pulverizar rochas.

Ela estendeu o braço esquerdo, sua mão formou uma palma para interceptar o soco.

Mentalmente eu já podia ver seu braço sendo quebrado pelo soco de Ivo.

BAAAMMMMM!

Um estrondo poderoso ecoou pela planície, criando uma onda de choque violenta, levantando poeira. Ninguém falou nada, observando as sombras dos dois guerreiros parado na poeira. Alguns guerreiros engoliram em seco, suavizando o aperto na garganta. Provavelmente estavam imaginando que assim que a poeira baixar veriam uma bela mulher no chão com o braço quebrado.

– Impossível…… – disse alguém assim que a poeira abaixou, revelando Lhachar bloqueando completamente o soco de Ivo com apenas a palma de sua mão. – Bloquear um soco com tamanha força tirânica somente com a palma!

– Era é humana?

Vendo seu soco bloqueado tão facilmente, seu rosto revelava um forte sentimento de descrença. As mãos de Lhachar fecharam, apertando o imenso punho de Ivo. Ele tentou se libertar, mas a mão dela não deixou e aumentou gradualmente a força do aperto.

– Para um dragonewt seu soco é fraco – disse ela esboçando um sorriso provocador. – Deixa eu te mostrar o que é um soco de verdade.

Sua mão direita, fechou-se em um punho, como um raio, desferiu um soco em seu abdômen, levantando-o alguns metros no ar. Ele arquejou de dor e caiu inconsciente no chão. A placa de armadura da região abdominal estava destruída revelando a marca roxa do soco dela nos músculos poderosos de seu abdômen.

Eu estava boquiaberto. Um único soco havia levado Ivo a beijar o chão. O quão forte ela se tornou nesses anos?

– Alguém mais? – perguntou ela.

Ninguém respondeu seu chamado de desafio. Não ousariam após ver o que aconteceu com Ivo ao receber um de seus socos.

– Eu, Mia, te desafio, Lhachar! – disse ela saindo das fileiras de soldados.

– Muito bem! – disse Lhachar animadamente. – Me mostre tudo que tem!

Mia correu como o vento em direção de Lhachar, suas mãos desnudas formavam garras, desferindo vários golpes simultâneos. Cada golpe de garra era acompanhado por uma poderosa pressão que criava ventos ferozes.

– Nada mal, cadela! – Lhachar que estava parada como uma rocha, explodiu como um vulcão em erupção, com um movimento tão rápido, desferiu um soco com o braço metálico, criando uma tempestade de socos.

POW! POW! POW! POW! POW! POW!

A troca de golpes foi violenta, como uma tempestade, é durou apenas dois batimentos cardíacos. No fim da troca de golpes, as duas estavam paradas uma na frente da outra, com os punhos conectados. Lhachar girou seu corpo, desferindo um poderoso pontapé. Mia, interceptou com outro pontapé, seguindo por outro chute alto rápido como um relâmpago.

Os olhos dourados de Lhachar brilharam com intensidade, moveu a cabeça para o lado esquivando-se do chute alto. Sua mão esquerda como um borrão fantasmagórico pegou as pernas bem torneadas de Mia e com um puxão violento, arremessou-a contra a terra fazendo-a cuspir um bocado de sangue.

O que diabos aconteceu com ela? Lhachar está assustadoramente mais poderosa do que eu me lembrava. Mia também, aquela tempestade de golpes ela não era capaz de fazer antes.

Soltei um longo suspiro e caminhei em frente, a cavalaria abriu passagem, fazendo uma reverencia respeitosa. Parei diante Lhachar que sorria presunçosamente. Ela era alguns centímetros mais alta do que eu. Analisei os traços firmes de seu rosto e ao mesmo tempo cheio de graciosidade.

Lhachar não havia envelhecido em nada e estava ridiculamente mais bela do que em meus sonhos. Não falamos nada, ficamos lá parados olhando um para o outro com tamanha intensidade que poderia incendiar o mundo.

– Alguma tenda disponível? – perguntou ela com um sorriso provocador. Balancei a cabeça em negativa. – Que pena, por quê temos muito o que…Conversar.

Droga, pensei.Se houvesse uma tenda nos estaríamos fazendo amor selvagem nesse mesmo instante.

Essendi a mão tocando seu braço metálico, sentido através do meus dedos aspereza do metal e tentando analisar que tipo de liga metálica e encantos havia sido usados.

– O que aconteceu com seu braço, Lhachar? – perguntei num sussurro baixo, preocupado com ela.

–Muitas coisas aconteceram, Lyam – disse ela vagamente. Sua mão agarrou os cabelos da minha nuca e lentamente aproximou seus lábios carnudos. – Em outro momento eu vou te contar tudo. Por hora apenas quero aproveitar esse momento.

Ela me beijou, com força e com uma ferocidade que fez minha mente torna-se branca e eu esquecer de tudo ao meu redor. Chupei sua língua e mordi seus lábios, sem pensar muito, acariciei suas duas nádegas escondida pela pele de lobo que envolvia sua cintura. Puxei para mais perto de mim e estávamos tão envolvidos no beijo que caímos no chão e rolamos, nos agarrando, e parei em cima dela, com meus joelhos pressionando sua parte íntima.

Nossos lábios se separaram formando um fio de prata.

– Senti muita falta disso – disse ela ofegante, suas mãos trabalhavam para desfivelar o cinto da minha calça.

– Eu também – respondi mordendo seu pescoço. Minha mão trabalhava no meio de suas pernas provocando alguns gemidos abafados.

Ahem!

Alguém tossiu atrás de nós tentando chamar nossa atenção, depois senti uma forte pancada na cabeça, me fazendo ver estrelas. Me virei para ver Sofie pronta para me acertar outra vez com seu cajado.

– Seu pervertido! – disse ela com uma expressão carrancuda. – Olhe em volta, dois exércitos estão assistindo sua pegação sem vergonha!

Lhachar gargalhou e falou:

– Não me importo. Que vejam como se fornica de verdade! – encarou Sofie e perguntou com malicia: – Quer se juntar a nossa diversão?

As longas orelhas élficas de Sofie ficaram vermelha como se tivessem pegando fogo e por algum motivo me golpeou com seu cajado enquanto me chamava de pervertido.

Após esse reencontro emocionante, as tropas fizeram preparativos e iniciamos marcha de retorno para Alba.

 

 

>>> II <<<

 

 

– Então essa raposa dourada de seis caudas e na verdade a armadura raposa gananciosa e a espada sagrada juntos? – perguntei a Lhachar, enquanto acariciava os pelos sedosos do longo pescoço da raposa dourada.

Eu estava sentado em seu dorso, cavalgando entre a coluna da cavalaria pesada. Lhachar estava sentada atrás de mim, envolvendo seus braços em minha cintura e descansando sua cabeça em meu ombro, impregnando seu meu nariz com seu agradável aroma.

– Sim – disse ela preguiçosamente. – Lembra-se de quando estávamos enfrentando as forças do duque Barion e eu reclamei que a armadura estava aquecendo demais durante as lutas? – assenti positivamente. – Não muito tempo depois que você foi jogado em outro mundo, a armadura e a espada se fundiram e tornou-se essa raposa sabichona. Eu a chamo de Shia.

(Magusgod: Refrescando a memoria dos leitores, o que Lhachar acabou de mencionar, acontece no capítulo 38 do primeiro arco, após Lyam resgatar a meia-elfa Engelil diretora da academia mágica de Argus.)

Quando forjei a armadura e a espada, mentalmente eu pensava numa raposa parecida com Shia. Não estou muito certo, mas se for o que estou pensado, outras armas e armaduras que eu criei imaginando certos animais podem acabar também auto-evoluindo.

– Shia ein… – eu disse acariciando seu pescoço, ela virou sua cabeça triangular em minha direção e soltou pequenas labaredas de fogo por sua narinas. Parecia estar satisfeita e animada. – Uma boa garota!

Por Shia ser muito maior do que um cavalo de guerra, nos destacamos facilmente na formação.

O sol estava se pondo no horizonte, tornando-se uma bola de fogo vermelha, tingindo o céu de um tom alaranjado. Em breve anoiteceria e os batedores Orc seguiam em frente procurando por um local para as tropas levantarem acampamento.

Ficamos em silêncio olhando a coluna mais a frente seguindo pela estrada, serpenteando pelas colinas, fazendo parecer que as tropas eram uma cobra de metal. Atrás de nós estava a princesa Susana, ou melhor rainha Susana com Mia e Sofie que conversavam com Ivo, Abhi, Raysa e Anna.

De vez enquanto elas me lançavam olhares ásperos.

Estava feliz com retorno delas e de Lhachar. Nesses seis anos, sem dúvidas nenhuma esse era o dia mais feliz de todos. No entanto eu estava preocupado, temia o motivo de Lhachar estar aqui, queria perguntar sobre Arian e meu filho, mas eu estava com medo de perguntar.

– Arian e seus filhos estão bem – disse Lhachar como se tivesse lendo meus pensamentos e com um sorrio maroto falou: – Arian teve gêmeos, um menino e uma garota, saudáveis e um tanto energéticos. A garotinha, Arian nomeou de Lhyana, por ser parecido com você. O garoto também é sua cara, mas, todo seu jeito é como de Arian, por esse motivo ela deu o nome dele de Arius.

Senti meu coração aliviado. Meus olhos se tornou úmido, sabendo que meu amor, Arian estava bem e para minha surpresa ela teve gêmeos.

– Bom, como eu disse Arian está bem e vai se casar em breve – disse ela casualmente. – Muito tempo se passou e grande parte acredita que você realmente morreu, criamos até uma grande estátua em seu túmulo em homenagem ao herói que derrotou o rei demônio salvando Reino de Argus. Claro, nem todos acreditam que você morreu, alguns acredita que você sobreviveu de alguma forma e possivelmente tinha virado dono de um bordel e estava vivendo sua vida tranquilamente.

Congelei no lugar. Não queria acreditar que minha bela e formosa Arian, casaria com outro homem. Era demais para meu coração.

Vendo minha expressão sombria Lhachar gargalhou e falou rapidamente:

– Estou brincando. Não leve tudo a sério, tirando a parte que acreditamos que você sobreviveu e virou dono de bordel.

Soltei um suspiro aliviado.

– Para sua informação, Anna também estava grávida – continuou ela, me surpreendendo. Eu e Anna fizemos amor apenas algumas vezes depois de minha nomeação como duque de Nótus. – Eu também estava grávida, nossos filhos nasceram praticamente no mesmo dia. Minha teoria é que naquela noite, quando nos duas fizemos amor com você…

– São meninos ou garotas? – perguntei, interrompendo-a. Não queria lembrar das coisas eróticas que fiz a inocente Anna passar comigo e Lhachar.

– São meninos! – exclamou ela com um sorriso orgulhoso. – O filho de Anna se chama Ílios. O meu se chama Adriel, nome de um guerreiro famoso das eras antigas.

Batedores Orc retornaram e relataram sobre um amplo lugar próximo do grande rio Myrunanon que cruza todo oeste e deságua no mar ocidental. Quando chegamos no local já havia escurecido. A praia ficava poucas milhas de distância de lá.

A lua rachada se erguia no céu sem estrelas.

Levantamos acampamento do outro lado da margem do rio, ascendemos fogueiras, serviçais e escudeiros preparavam a comida e serviam seus senhores. Todos estavam com os ânimos elevados, bebendo bastante hidromel e assando cordeiros comprados de pastores que moravam na região.

Era uma noite de comemoração.

 

 

>>> III <<<

 

 

 

Estávamos sentados ao redor de uma grande fogueira, aonde um pobre cordeiro estava sendo assado e temperado pela cozinheira, Ania, que além de cozinhar muito bem, aquecia minha cama muito bem também – vendo seu rosto sincero de boa garota poucos suspeitariam que fosse uma das minhas coelhinhas assassinas.

Mia estava sentada ao meu lado, agarrada em meu braço esquerdo. Sofie estava sentada em meu colo, bebericando como um passarinho, sua caneca de hidromel. É a minha direita, Lhachar e Shia estavam bebendo um barril inteiro de hidromel.

– O que aconteceu com seu braço? – perguntou a rainha Susana levemente corada. Estava sentada sobre uma requintada tapeçaria e almofadas. Serviçais enchiam seu copo vazio com mais hidromel.

Lhachar cortou um grande naco do queijo que estava sendo servido, depois de comer, falou:

– Eu perdi meu braço em uma luta contra um Basilisco antigo das profundezas da cidade perdida de Boreas – deu um grande gole do barril de hidromel e limpou a boca com as costa da mão. – O filho de uma mãe era muito forte e grande, lutei com ele por um dia inteiro e em seu último suspiro, quando eu estava com a guarda baixa, abocanhou meu braço. Pelos menos teve uma boa refeição antes de se encontrar com seus deuses.

Ela gargalhou, estava bastante animada, não parecia se importar nenhum pouco com a perda do braço direito.

– Esse braço metálico foi construído por Laffast – continuou ela. – Ele usou os planos usados nos braços dos mecha, para fazer uma versão menor que fosse compatível com um ser humano.

Vice-diretor da associação mágica Laffast Durian, um grande amigo e um bom homem. Graças a sua ajuda, foi possível criar os mechas em poucos anos. Sem sua ajuda, temo que levaria uma década para tornar possível a construção de todos mechas usados por meus alunos.

Ivo surgiu todo molhado segurando uma rede cheia de caranguejo vivos. Eu havia pedido para procurar caranguejos no fundo do rio, mas, espero que ele não tenha voado até a costa ocidental a procura de caranguejo por causa do meu pedido egoísta.

Ania soltou um suspiro deprimido e materializou um grande caldeirão e começou a ferver a água.

– Ivo, você fez um bom trabalho! – eu disse a ele.

Enquanto a água fervia, o cordeiro estava pronto. Ania junto com outras serviçais ajudou a servir o cordeiro assado. Ivo e Lhachar devorava o cordeiro com grandes mordidas e bebiam como poços sem fundos. No meio da cacofonia de sons, podia-se ouvir vários Orc cantando – para mim soava como um coro de porcos grunhindo.

Sofie havia adormecido após ingerir um pouco de hidromel. Mia pegou Sofie a deitando do lado e sentou-se em meu colo, com seus braços envolvidos em meu pescoço, trocamos alguns beijos apaixonados.

– Ele era tão sem vergonha assim? – ouvi a rainha Susana pergunta a Lhachar. – Digo, em seu mundo de origem?

– Lyam sempre foi libertino – respondeu ela, roendo o osso. – Mas era um libertino comportado. Ele não ousaria fazer o que está fazendo com essa cadela, com Arian ao seu lado.

– Quem está chamando de cadela? – rosnou Mia.

– Imagino como ela vai reagir ao saber de todas essas amantes – continuou ela, ignorando Mia. Seus olhos fixaram diretamente nos meus enquanto lambia seus dedos. Não sei se estava fazendo de proposito, ou era o efeito do hidromel, mas ela estava me deixando excitado. – Temo, meu garanhão, que vamos ter que construir um túmulo de verdade para ti.

Ignorei as palavras de Lhacar, sabia que ela estava brincando. Apesar de um pouco ciumenta, Arian era uma mulher compreensiva e vai entender a situação.

Bom, eu tenho que ser otimista.

– Nossos caranguejos ficaram prontos! – exclamei numa tentativa de mudar o rumo da conversa. Ania trouxe uma bandeja cheia de caranguejos e sentou-se ao nosso lado, servindo-se de um pedaço de cordeiro. Passamos a destroçar com os dentes as carapaças e sugar a deliciosa carne branca do caranguejo. – Ivo você capturou esses caranguejos do mar? – perguntei ao sentir o gosto da água salgada do mar arder na boca.

Ele meneou positivamente com a cabeça, enquanto destroçava um caranguejo inteiro com seus dentes adagas.

– Não havia caranguejos nos rio, senhor – disse ele para mim, sugando a carne branca com sua enorme língua bifurcada.

Pensei em falar que ele não precisava ter voado até o mar para capturar caranguejos, mas fiquei quieto e aceitei com gratidão sua lealdade.

– Então você é a rainha do ocidente – disse Lhachar e perguntou: – Já se deitou com Lyam?

– Eu sou uma rainha – disse ela.

– É dai? – falou entre os ombros. – Ele já tentou se deitar com nossa rainha, é ela era uma Lord Dragon.

– Pelo visto ele tenta dormir com tudo que respira – disse a rainha Susana com olhos duros.

Ania e Mia me olhavam da mesma forma.

Lhachar ria prazerosamente, divertindo-se com a situação atual. Shia, a raposa, estava deitada de costa com as patas esticadas, parecendo que havia morrido. Mas estava bem viva e com a metade de um caranguejo na boca.

As comemorações continuaram até a madrugada, quando os cavaleiros e soldados recolhiam-se para suas tendas com a barrica estufada e tropeçando. Nos retiramos também, por segurança, eu, a rainha e as garotas dormiam na mesma tenda.

Uma bem grande que poderia comportar meia duzia de pessoas.

– As coisas vão ficar interessantes – disse Lhachar com um sorriso maroto, vendo cada garota deitando-se em um canto diferente da tenda.

É foi como ela havia dito. As coisas ficaram interessantes, mas não da maneira que ela esperava. Quando eu estava fazendo amor com Ania e Lhachar, ouvi barulho de movimentação seguidos de berros.

Havia o cheiro de fumaça no ar. É não era das fogueiras, disso eu tinha certeza.

– Estamos sendo atacados! – eu disse as duas e soltei Lhachar. Elas se vestiram rapidamente. – Ania vá acordar as outras garotas!

Naquela noite me vesti como um guerreiro. Por cima de uma túnica coloquei uma cota de malha de mithril e um tabardo vermelho bordado com o brasão de Alba. Uma capa branca pendia nas ombreiras de mithril no formado da cabeça de um lobo raivoso. Mãos enluvada por manoplas e botas de mithril. Presos nas correias do cinturão estava as duas bainhas das espadas nível Deus, Solitária e Sanguinário.

– Um equipamento de primeira – disse Lhachar com um olhar ganancioso. – Como compensação por todos esses anos de abandono, quero um novo equipamento de primeira. De preferência um normal que não vai se transformar em outra coisa no futuro.

– Você é minha mulher, Lhachar – eu disse esboçando um sorriso. – Vou lhe dar tudo que desejar, até todos tesouros do mundo se for preciso.

Ela esboçou um belo sorriso.

Logo Ania voltou com as outras garotas.

Quanto saímos da tenda descobrir o que estava nos atacando.

– Esse traidor desgraçado! – gritei furioso.

Eu havia sido traído.

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