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Intermissão 2

 

 

Era Santa ano 567, Mês 2 (Verão), Dia 30. Localização: Império Demoníaco, Palácio da Condenação, Salão do Trono.

 

 

 

O salão do trono era vasto e sombrio, mal iluminado por tochas nas grossas colunas esculpidas com rostos demoníacas. Suas paredes de blocos de obsidiana era enfeitado por estandartes do Império Demoníaco. Entre cada coluna havia uma criatura gigante, com aproximadamente dez metros de altura, vestindo um conjunto completo de armadura pesada. Seus rostos eram feios e cheio de brutalidade, com um único e grande olho vermelho e boca cheia de dentes amarelos pontiagudos.

Esses gigantes de pele cinza eram uma raça de monstro conhecido como Ciclopes.

Eles eram a guarda de elite do Palácio da Condenação.

Entre esses gigantes monstruosos, escondidos nas sombras das colunas, havia seres das mais diversas raças, usando mantos negros enfeitados com os mais diversos itens mágicos. Seus rostos eram escondidos por uma máscara de ferro com um único cifre.

Na mão direita seguravam cajados retorcidos das mais variadas formas, emanando uma aura mágica poderosa.

Eles eram o magos negros da guarda real do Palácio da Condenação.

Além deles havia inúmeros soldados extremamente leais ao imperador, protegendo o lugar.

Sob esse forte esquema de segurança, sentado em um imponente trono que parecia ter sido esculpido a partir de um diamante gigante, estava o décimo quinto Imperador, Angor Dunkerlrot Lucinael.
Ajoelhado diante uma escadaria que levava ao trono, havia um mensageiro das linhas de frente. Sob a atmosfera opressora que aquele monarca exalava, o mensageiro relatou com a voz trêmula a situação atual da guerra contra o Reino Argus.

―Relatando a Vossa Majestade: nossas forças conquistou o leste sem muita resistência! Contudo, o exército inimigo contra atacou e são mais forte do que acreditávamos. Sob seus incessantes bombardeios mágicos e ataques sorrateiros, estamos sofrendo muitas baixas

O Imperador olhou friamente para o mensageiro e com uma voz cheia de autoridade, perguntou:

―O número das forças inimigas?

―….50.000, Vossa Majestade!

O Imperador bateu com força o braço do trono e gritou furiosamente:

―Nossas forças são compostas por 300.000 mil soldados, 3 leviatãs modificados e uma pequena frota de cem navios mágicos de guerra! Você está me dizendo que essa poderosa força de invasão está tendo dificuldade em lidar com 50.000 mil soldados de Argus?!

O mensageiro foi golpeado por uma pressão sufocante que fez suas costas suar frio. Ele conhecia bem os rumores do temperamento explosivo do imperador e temia que morreria ali mesmo.

Quando pensou que era seu fim, uma voz clara e suave como uma agradável brisa de primavera soou ao lado do imperador.

―Tenha calma, pai real! ― disse a voz feminina num tom lirico, exalando uma suave fragrância encantando todos presentes e acalmando seus corações. ―Ele é apenas um mensageiro que está cumprindo com seu dever. Tenha piedade dele, pai real.

Ao lado do trono, estava uma belíssima jovem de pele morena, corpo esbelto e delicado como uma taça de cristal. Vestia um elegante vestido lilás de saia longa cheia de babados. Seu cabelo loiro cinzento, era longo e volumoso com as pontas repicadas, estendendo até sua cintura, emoldurando seu rosto triangular e orelhas longa e pontudas igual ao de um elfo.

Seu olho esquerdo era escondido pela franja e seu olho direito era carmesim com a pupila dividida verticalmente.

De suas costas, estendia-se quatro deslumbrantes asas angelicais de penas negras.

Essa jovem de beleza etérea era filha do Imperador, Segunda Princesa Imperial, Hela Dunkerlrot Lucinael.

Ao ouvir a doce voz de sua mais querida filha, seu coração tornou-se tranquilo e sereno. Levantou a mão em um aceno régio para que o humilde mensageiro continuasse com o relatório.

O mensageiro engoliu sua saliva para aliviar o aperto em sua garganta, continuou com o relatório. O conteúdo do relatório se tornou mais técnico e logo o imperado compreendeu por que seu exército de 300.000 mil homens não conseguia avançar no território inimigo.

Apesar do exército inimigo ter poucos homens, seus equipamentos mágicos eram muito superiores ao de seu exército. O Império era rico, mas não podia armar todos com equipamentos mágicos. E o principal fator que estava ajudando Argus na guerra eram seus vários cavaleiros blindados com um poder aterrorizante de combate.

(Magusgod: Vou mudar novamente o termo Mobile Armor para Cavaleiros Blindados. Acredito que essa palavra fique bem melhor.)

Ele havia adquirido alguns cavaleiros blindados, mas nada comparado com o reino que criou esses gigantes de metal.

―…Até o presente momento nossas baixas somam em torno de 80.00 mil soldados……

Ao ouvir os números de baixa seu rosto se tornou sombrio e seu temperamento estava preste a explodir.

―….A Rainha de Argus fez um movimento?

O mensageiro tremeu e falou:

―…Não, Vossa Majestade. De acordo com as informações de nossos espiões, ela continua na capital real sem qualquer sinal que irá intervir na guerra…

O imperador se ergueu emitindo uma aura negra opressora que mergulhou todo salão do trono na mais profunda escuridão.

Seu olhos brilhavam com uma intensa vontade de matar.

―Aquela maldita rainha dragão não fez um único movimento e perdemos 80.000 mil soldados para um bando de humanos?! Vocês querem jogar a reputação milenar do Império demoníaco na lama?!

A segunda princesa imperial suspirou e balançou a cabeça após ouvir o relato do mensageiro.

Eu havia alertado a esse pai tolo que não era sensato acelerar o plano de invasão de Argus, pensou a segunda princesa amargamente.Nosso exército é superior em números, mas são mal equipados. Desorganizados e sem nenhuma disciplina. Temo que vamos ter que pagar um preço amargo demais pela vitória.

O Reino Argus era um pequeno território entre três grandes Impérios. Além de sua rainha, não representavam um perigo. Assim foi por quatrocentos anos, até dezessete anos atrás, quando começou a se tornar uma grande potência militar e econômica.

A cada ano que passava aquele pequeno reino mudava o mundo com as invenções deixadas por seu santo mago. Diferente dos outros império que apenas assistiam aquele pequeno reino crescer, temendo que um dia Argus tornasse uma ameaça para o império demoníaco, o Imperador espalhou seus espiões pelo reino e planejou por dez anos uma invasão para destruir Argus.

Nesse tempo o Imperador testou as forças de Argus com escaramuças na fronteira, usando a desculpa que o Rei Demônio Ancestral era uma divindade para seu povo.

Oficialmente o plano foi criado pelo Imperador, mas na verdade grande parte do plano foi criado pela segunda princesa.

Não havia uma pessoa em todo império que superasse sua mente perspicaz.

Astride havia sido contra acelerar o plano de invasão, até saber a real força do Reino. A rainha de Argus ainda não havia feito nenhum movimento, e seus exércitos já sofreram graves baixas. Se a guerra continuar nesse ritmo, ela temia que nem 10% do exército retornaria vivo. O que significaria perder metade do poder do Império Demoníaco, deixando-os vulnerável para um ataque do Império da Santa Luz.

Quanto mais ela pensava, mais sombrio parecia o futuro do Império Demoníaco.

Vários minutos depois ela conseguiu acalmar seu pai e continuaram ouvindo o relatório do mensageiro.

―O General das forças de invasão, Marchosias, prometeu pela honra de seu clã que irá derrota-los em até uma semana.

―Quantos mais dias vão ser necessários para ele derrotar a outra metade do exército de Argus? Quantas baixas sofreremos? Quantos recursos serão gastos? ― questionou a segundo princesa imperial com uma expressão triste. Ela virou-se para o imperador e com um olhar cheio de seriedade falou: ―Pai real, não é sábio arrastar essa guerra por muito tempo. Precisamos dar um golpe duro e rápido em Argus enquanto ainda é tempo, caso contrários é possível que perdemos metade de nosso exército nessa campanha de invasão!

O imperador com uma expressão abatida encostou-se no encosto do trono, relaxando suas seis asas angelicais negras. A coroa feito de aço demoníaco, ornamentado com as mais variosas gemas do império, parecia de repente pesar uma tonelada.

Após dispensar o mensageiro, o imperador perguntou:

―O que você sugere, amada filha?

A segunda princesa hesitou por um momento, mas reuniu coragem e falou:

―Pai real, devemos utilizar a Relíquia Diabólica Antiga「Purgatório das Mil Chamas da Condenação」!

Ao ouvir esse nome todos tremeram e medo surgiu em seus olhos.

A área central do território do Império Demoníaco era uma terra montanhosa, negra, infértil aonde pouca vegetação cresce. Mas nem sempre foi assim. No passado quando seus ancestrais chegaram a esse mundo, foram fascinados por essas terras férteis aonde tudo que era plantado crescia com vigor.

Travaram uma guerra violenta contra os habitantes originais pela posse dessas terras. Uma guerra que durou séculos e os demônios invasores de outro mundo quase foram exterminados.

Quando seus números foram reduzidos para poucas centenas, ativaram uma relíquia diabólica antiga que contém uma Super Magia dos Deuses Diabos: 「Purgatório das Mil Chamas da Condenação」.

Naquele dia os céus sangraram e as terras que tanto ansiavam foram carbonizado, exterminando toda uma raça.

No fim os demônio obtiveram aquilo que desejavam, mas pagaram um grande preço arruinando aquelas terras férteis. E dessas terras arruinadas nasceu o Império Demoníaco.

Essa história foi passado de geração para geração, como um lembrete do poder terrível que a relíquia diabólica carregava.

―Se usamos essa arma seremos considerados inimigos do mundo.

―Pai real, somos considerados inimigos do mundo apenas por sermos demônios ― retrucou a segunda princesa imperial. ―Use tudo que pode ser usado, destrua tudo aquilo que não se pode conquistar. Esse é o lema da nossa família Lucinael!

Uma sugestão de sorriso surgiu no rosto do imperador. De todos seus filhos, a segunda princesa Hela, era a mais sábia e que lhe mais dava orgulho.

―Vamos aguardar o resultado dessa invasão ― respondeu o imperador após pensar na sugestão de sua amada filha. ― Se sofremos muitas baixas para conquistar Argus, usaremos「Purgatório das Mil Chamas da Condenação」para aniquilar metade do Império da Santa Luz.

A segunda princesa Hela ficou em silêncio, observando o bruxulear das chamas das tochas, como se tentasse prever o futuro.

―É se porventura ocorrer um milagre e Argus derrotar nossa força de invasão? ― perguntou ela, séria. ― O que você irá fazer, pai real?

O Imperador não respondeu de imediato. Realizou todas audiência planejadas para aquele dia. Acompanhado por sua bela filha deixou a sala do trono. O som de seus passos e os de sua filha no piso vermelho do Palácio da Condenação era o único barulho que poderia ser ouvido naquele vasto corredor solitário.

Ao chegar na porta de seu escritório ele respondeu:

―Se Argus milagrosamente derrotar meus 300.000 mil soldados, então será seu último feito no mundo. Por que vou reduzir esse pequeno reino ao pó com as chamas da condenação! Qualquer um que manche a honra milenar do Império pagará um preço amargo!

―Sim, pai real! ― concordou a segunda princesa com um deslumbrante sorriso.

As engrenagem do destino se moviam, selando um terrível destino para Argus.

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