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A Guerra no Fronte Leste! (1 Parte)

 

 

 

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Era Santa ano 567, Mês 2 (Verão), Dia 27. Localização: Reino Argus, Fronte Leste, QG (Temporário) da Divisão da Cavalaria Mecanizada.

Ponto de vista Roc

 

 

 

No fronte leste, poucas milhas distante das trincheiras escavadas na terra – aonde o exército de Argus trava uma amarga batalha com a horda do império demoníaco -, havia uma grande tenda servindo como QG temporário da Divisão da Cavalaria Mecanizada.

Dentro da tenda, eu e os capitães do 4º, 6º, 7º, 8º, 9º, 10º Esquadrão estavam ao redor de uma mesa retangular. Sobre a mesa havia documentos e listas de recursos bélicos da divisão.

Na ponta da mesa estava o Comandante da Divisão da Cavalaria Mecanizada, Niel. Ele vestia um elegante casaco vermelho adornado de medalhas sob um uniforme da tonalidade mais profunda de preto. Na altura do peito de seu uniforme havia três broche de diamante esculpidos na forma de estrela, deixando claro seu status de Comandante.

Assim como todos presentes, ele é um dos quinze alunos que foram treinados pelo ex-instrutor Lyam. De todos nós ele é o que mais demonstrou talento para pilotar os cavaleiros mecanizados, e também o mais apto para liderança.

Niel com as mãos apoiadas sobre a mesa franzia as sobrancelhas enquanto ouvia o relatório de danos. Seus Solis prateado flutuava silenciosamente sob seu ombro.

Ao lado direito do comandante estava um oficial superior da Divisão da Engenharia – responsável pela construção e destruição de obstáculos, fortificações e vias de comunicação e na criação e pesquisa de novas tecnologia da guerra, e também no reparo e manutenção dos cavaleiros mecanizados.

A maioria de seus membros eram alquimistas e magos dedicados a pesquisas da tecnologia atual.

Sem eles quem iria reparar nossos cavaleiros mecanizados? Quem criaria as armas e uniformes de combate da Divisão da Infantaria Pesada? Quem construiria as vias de comunicação usados pela Divisão de Inteligência?

Sem dúvidas nenhuma era uma Divisão vital para Ordem dos Argonautas.

Ao lado esquerdo do comandante estava um oficial superior da Divisão de Apoio Logístico – responsável pelo fornecimento de alimentação, vestuário, transporte de tropas e abastecimento, e também pela administração financeira da Ordem.

Era comum ouvir dizer que a Divisão de Apoio Logístico eram as pernas da Ordem dos Argonautas – sem eles não conseguiremos mover um passo se quer.

A Divisão da Cavalaria Mecanizada, Infantaria Pesada, Divisão de Magos Aéreos e a Divisão Especial são a mão direita que empunha a espada e a mão esquerda que empunha o escudo da Ordem, prontos para defender Argus e ao mesmo tempo atacar nossos inimigos.

A Divisão de Inteligência era a cabeça que planejava os próximos passos e na recolha de informações táticas.

A Divisão de Engenharia era o coração, mantendo o corpo da Ordem funcionando.

A Divisão de Apoio Logístico eram nossas pernas.

(Magusgod: No prólogo do arco 4 o Capitão Roc menciona que a Ordem é dividida em quatro divisões, mas agora como podem ver, vou mudar para sete divisões.)

Cada Divisão executava um papel diferente, necessário para o funcionamento de uma grande máquina conhecida como Ordem dos Argonautas.

―Comandante, metade dos cavaleiros mecanizados de meu esquadrão necessita de reparos urgentes― relatou Rensa, Capitã do 7º esquadrão. ―Aqueles malditos ciclopes gigantes de armadura são duros na queda.

Cada capitão liderava um esquadrão de 5 à 10 Cavaleiros Mecanizados. Pilotando as versões mais recente dos cavaleiros mecanizado tipo Prometheu. Cada um desses gigantes de metal faz uma enorme diferença no campo de batalha.

Diferente do passado quando o instrutor criou os primeiros cavaleiros mecanizados tipo Prometheu, cujos reatores mágicos dependiam de ser abastecidos pela energia mágica do próprio piloto, funcionando no máximo por duas horas. Agora, com as atualizações recentes nos reatores mágicos, era possível pilotar até por oito horas seguidas.

Em contra-partida, com o maior tempo de ação, os pilotos recebem um estresse mental maior.

Todos capitães carregavam uma expressão cansada e tensa por lutarem por dias contra as hordas demoníacas.

Todos presentes já estavam em seu limite mental e físico.

Então a falta de um único cavaleiro mecanizado iria colocar um grande estresse sobre os demais esquadrões.

Eu já havia enfrentado esses ciclopes bastardos. Sua força física era tirânica e um golpe pesado de suas clavas de ferro causava danos para estrutura interna dos cavaleiros mecanizados.

Em combate singular não seriam um problema derrota-los, mas estamos enfrentando toda uma horda, recebendo ataques de todos lados.

Nessas condições cada ciclope se tornava uma dor de cabeça para lidar.

―Aqueles malditos magos negros do império demoníaco também são problemáticos – comentou Jeff, Capitão do 9º esquadrão. ―Aquelas bolas de fogo esverdeado que eles disparam contra nós é algum tipo de combinação de magia fogo com magia corrosiva, causando estragos na blindagem dos cavaleiros mecanizados.

Esses magos negros do império eram o terror de nossa divisão. Aqueles filhos de uma cadela, eram especialistas em feitiços corrosivos. A blindagem de nossos cavaleiros mecanizados é resistente à ataques físicos e mágicos……Mas, descobrimos com as batalhas recentes, que os feitiços corrosivos deles são muitos eficazes contras a blindagem dos cavaleiros mecanizados.

Eles sempre nos atacam com ataques traiçoeiros e desaparecem como a névoa, utilizando essa tática irritante. Com a blindagem enfraquecida, recebemos mais danos que o normal.

A razão pelo 7º esquadrão receber danos graves era por causa de uma emboscada dos magos negros enfraquecendo a blindagem e os ciclopes utilizando sua força física bruta causando sérios estragos aos cavaleiros mecanizados.

Outros esquadrões havia passado pela mesma situação, mas não com a mesma ferocidade que atacaram o 7º esquadrão.

Além do som do vento agitando a tenda, nada mais poderia ser ouvido.

― A Divisão de Engenharia está em seu limite também ―disse o oficial superior da Divisão de Engenharia quebrando o silêncio. Abaixo de seus olhos havia olheiras profundas, mostrando que esse infeliz não dorme à dias. ―Ainda estamos de mãos cheias reparando vários cavaleiros mecanizados danificados. Sem mencionar que atualmente estamos com falta de materiais e peças necessárias para os reparos.

O oficial superior da Divisão de Apoio Logístico, com uma expressão abatida falou:

―Essa batalha contra a horda do império demoníaco está drenando muitos recursos da Ordem. As fábricas estão operando em seu limite e até a próxima remessa de peças ficarem prontas……Temo que levará até 5 dias para repor todas peças necessárias.

―Você disse 5 dias?! ― esbravejou Eda, Capitã 4º esquadrão. ―Por acaso está querendo nos matar? Ficar apenas um dia significa a diferença entre a vida e a morte para cada esquadrão, e aqueles miseráveis soldados que lutam dia após dia contra aqueles demônios de merda!

Thae, Capitã do 10º esquadrão pousou uma mão nos ombros de sua amiga.

―Tenha calma, Capitã Eda! ― disse ela. ―Eu sei como se sente, mas não é a culpa dele. Não é como se as peças dos cavaleiros mecanizados brotassem em árvores. Para uma única peça da blindagem requer uma equipe de ferreiros, alquimistas e encantadores! Para eles repor a falta de peças em apenas 5 dias já é considerado um verdadeiro milagre!

―Verdade ― eu concordei. ―Nessa longa batalha que se arrasta por dias, todas Divisões estão sobrecarregadas!

O clima na tenda se tornou pesado.

O exército de Argus estava atolado na lama enfrentando a horda de demônios nas trincheiras. Metade do exército já haviam sido eliminado, sem nosso suporte provavelmente já estariam todos mortos.

Comparado com a situação daqueles infelizes, nossa situação era dez vezes melhor. Contudo, se continuarmos lutando dessa maneira teremos um destino igual ao do exército de Argus.

Não havia como pedi por reforços.

Estávamos condenados à morrer lutando naquele lugar.

―Eu acho que vocês estão esquecendo de algo importante ― disse Molly, Capitã do 8º esquadrão. Diferente de todos sua expressão não era tensa e ela estava devorando espeto de carne suculento.

Todos olhares voltaram-se para ela.

―O que estamos esquecendo, Capitã Molly?

―Obviamente é o nosso instrutor! ― respondeu ela, como se fosse a coisa mais obvia do mundo. ―Não importa o que aconteça, ainda somos seus alunos. Ele vai nós proteger!

Por um instante todos congelaram no lugar, com as bocas bem aberta.

Depois do choque inicial, alguns riram, outros sorriam estranhamente, outros choraram.

Todos presentes tinham expressões diferente ao ouvir o nome de nosso ex-instrutor.

Minha reação?

Obviamente eu estava tremendo de medo.

A ideia de morrer em combate soava mais agradável do que receber ajuda de nosso ex-instrutor – por que todos presente sabiam que se sobrevivemos, o que viria depois seria pior do que o próprio inferno.

As palavras da Capitã Molly era toda motivação que precisamos.

Todos presentes gritaram em uníssono:

―Lutaremos até a morte! Pelo povo! Pelo Reino!

Pedir ajuda para Lyam?

Quem em sã consciência pediria ajuda ao diabo?

Em nossos olhos surgiu um brilho de loucura.

―Oi instrutor Lyam! Sou eu, Molly! ―disse a Capitã Molly contactando nosso ex-instrutor através de uma transmissão via Solis.

Havíamos tomado uma decisão……Mas Molly nos traiu!

O Solis da Capitã Molly projetou uma imagem holográfica de um homem vestindo um luxuoso manto vermelho bordado com fios de ouro. Não era possível ver seu rosto por estar sendo encoberto pelo capuz, mas pelo sorriso sarcástico em seus lábios não havia dúvida que fosse nosso ex-instrutor.

Na imagem holográfica ele exalava um ar sombrio e uma pressão que pressionava nossas cabeças para baixo.

Por instinto todos nos ajoelhamos diante dele, ao invés de fazer a saudação militar.

[Quando se referir a mim, chamem-me de Lord Sith Apollo, jovens aprendizes!] (Apollo)

(Magusgod: para quem não pegou a referencia. Lord Sith é um título usado pelos vilões que usam a força sombria no filme Star Wars.)

Todos responderam em uníssono:

―Sim, senhor!

[….Brincadeira, não quero ser acusado de plágio. Por hora apenas me chamem de Lord Supremo, Apollo!] (Apollo)

―Sim, Lorde Supremo!

Não podíamos ver seu rosto, mas sabíamos que seus olhos estavam analisando cada um de nós.

[Eu devo confessar que estou surpreso por aguentarem por tando tempo contra as hordas do império demoníaco. Todos vocês tem meu louvor, e como aquele que os treinou duramente, me sinto orgulhoso. Orgulhoso como o de um pai que vê seus filhos crescendo!] (Apollo)

Normalmente, nessa altura da conversa ele estaria nos insultando nos chamando de inúteis. Mas para surpresa de todos, ele só estava nos elogiando dizendo “vocês fizeram um trabalho”.

Para todos presentes, aquela situação era muito bizarra.

Eu temia que fosse algum tipo de truque diabólico de nosso ex-instrudor.

Capitã Molly narrou toda nossa situação sem esconder nada, fazendo todos suspirarem pesadamente.

[….Entendo a situação geral, meus jovens aprendizes. Não suportaria ver meus aprendizes que treinei com tanto amor e dedicação morrer dessa forma. Vou mandar uma equipe para ajudar no reparo dos cavaleiros mecanizados….Melhor, vou mandar novos modelos e meus filhos e minhas Musas para ajuda-los. Amanhã sigam até as coordenadas que vou transmitir após encerrar essa chamada.]

―Muito obrigado! Muito obrigado!

Após mais algumas palavras e encerrou a chamada, mandando em seguida as coordenadas e horário previsto de chegada.

Mesmo após nosso ex-instrutor ter encerrado a chamada, todos continuaram ajoelhado no chão. Não por respeito, mas por que todos tinham perdido as forças nas pernas e eram incapazes de se levantar novamente.

―Quando assinamos aquele documento antes de entrar na classe Olimpo, sem saber nós estávamos vendendo nossas almas para o demônio ― eu resmunguei após um longo suspiro.

Para essas palavras todos concordaram.

―Pelo menos o salário é bom! ― disse a Capitã Molly despreocupadamente.

Ela estava além da salvação.

Todos suspiraram melancolicamente.

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