Prisão de Alma

[Como eu não sou nem um pouco fluente em latim, então culpem o google tradutor se alguma palavra em latim não fazer sentindo.]

(…)

John abriu os olhos, identificou no mesmo instante aonde estava. Estava no orfanato, no quarto dos meninos, deitado em sua cama. Olhou para o lado, a antiga cama de Kyle estava vazia. Sentiu um aperto no coração, Kyle podia não estar mais ali, ao lado dele, mas ainda estava com ele. De fato, John sentia a presença de Kyle sob ele. O que não fazia sentido, aliás, nada fazia sentido. Ninguém havia explicado para ele o que estava acontecendo. Tudo o que ele queria era a verdade por trás de tudo aquilo. Mas agora, tudo o que ele queria fazer, era continuar deitado. Segundos depois, John abriu os olhos ao ouvir a Sra. Mercy gritando para todos acordarem. Foi quando percebeu, ficou dormindo por quase 24 horas. Samira o havia salvado do desabamento da antiga fabrica metalúrgica, que ela mesmo causou com aquela… ele não iria dizer a palavra, ele se recusava a acreditar que aquilo fosse real, que existia, mesmo tendo presenciado, ainda era impossível acreditar que magia existia. Tudo o que ele queria agora, depois de lembrar de cada detalhe do que aconteceu, era ter um dia normal. Ter a Sra. Mercy (também conhecida como Sra. Megera) pegando no pé dele, ir para a escola, voltar, fazer seus serviços impostos pela Sra. Megera, quer dizer, Sra. Mercy, e dormir. Talvez amanhã, ele se preocuparia em ter respostas, mas hoje, era isso o que ele iria fazer nesse dia normal.

Depois de se arrumar e arrumar sua cama, ele tomou um café reforçado do jeito que qualquer vovozinha gostaria que seus netos comessem, foram pratos e mais pratos de tudo o que tinha para comer; é claro, Sra. Mercy estava bem longe no momento em que ele comeu como se não comesse por meses.

Depois do café maravilhoso que ele teve, ele pegou sua mochila e foi direto para a escola, as aulas começavam às 7 horas e terminava por volta das 13 horas. Um dos meios de ajuda que o orfanato recebia do governo era que, os órfãos eram mandando para uma escola particular.

  • Olha se não é o John… – disse um jovem, um típico valentão.

John estava pegando os materiais em seu armário, o corredor estava cheio de alunos. Junto com o valentão estavam mais dois jovens, um era acima do peso e assustador, o outro tinha a pele negra e parecia que tinha acabado de sair do reformatório ou um colégio militar. Ninguém usava uniforme escolar, todos iam vestidos conforme sua vontade.

  • Alex, se vai me bater, bate logo… – disse John sem animo algum para a típica vida escolar, o que aconteceu no sábado ainda consumia a sua cabeça.

Alex era o típico valentão que só ia atrás dos fracos, mas tinha um forte senso de preconceito com quem era pobre e órfão, e John era os dois. Por causa de seu temperamento, já havia ido e voltado de vários colégios militares.

  • Você acha que eu sou algum idiota!? – disse Alex com o tom de voz alterado. – Se eu te pegar agora, sou eu que vou estar encrencado…

  • Eu não acho que você é um idiota… – disse John com aqueles olhos de peixe morto. – Eu tenho certeza…

Alex fechou o punho pronto para acertar o rosto de John, mas ao ver um professor entre os alunos andando rumo alguma sala hesitou.

  • Na saída, você esta morto…! – sussurrou Alex no ouvido de John.

John pode sentir ele se corroer de raiva.

  • Ok… – disse John. – Se você me da licença… – disse ele fechando o armário. – Eu tenho aula… – John passou por ele.

John foi para sala e se sentou em uma carteira no fundo próxima a janela, havia uma carteira vazia ao lado. Ele se debruçou na carteira como se fosse dormir.

  • Você ficou sabendo…? – disse uma garota para outra a frente dele. – Parece que encontraram mais uma pessoa morta próxima ao cemitério, do mesmo jeito que pareceu nos noticiários…

  • Que medo… – disse a outra.

  • Isso esta se espalhando pelo mundo todo… – disse a garota. – Deve ser alguma seita mundial de assassinos em série. Estão ate chamando ele de: O Ladrão de Vidas.

  • O Ladrão de Vidas…? – sussurrou John.

Como John não aturava muito noticiários e jornais, ele meio que vivia desinformado. Mas o nome Ladrão de Vidas era familiar, ele desejou na hora que nunca tivesse ouvido falar desse nome, mas já era tarde, ele se lembrou de Samira Gorvendell; a maluca do grito super potente e das macumbas; alguém que fazia um portão de quase uma tonelada (ou mais) flutuar como se fosse papel, só podia ser uma macumbeira. A única coisa boa que ele sentiu naquele dia? O almoço grátis, e que almoço… Por um breve e insano momento, ele quis que aquele dia se repetisse, aí ele se lembrou que repetiu, mas sem o almoço. O domingo foi ainda mais bizarro que o sábado.

  • Bom dia classe… – disse o professor entrando na sala.

Todos os alunos foram para os seus lugares e retribuíram o bom dia. Ele virou sua cabeça para a janela e ficou vendo os alunos no campo de esportes. Era um campo igual aos das olimpíadas, havia alunos jogando futebol, outros correndo na pista de revezamento, havia algumas pessoas na arquibancada.

A sala de aula em que John estava, ficava no segundo andar, entre a sala e o campo, havia algumas árvores e uma cerca.

  • Hoje temos um aluno novo… – disse o professor.

John virou sua cabeça para ver o aluno novo, ele tinha cabelos pretos, olhos castanhos claros. John virou sua cabeça novamente para a janela.

  • Por favor, se apresente para todos… – disse o professor.

  • Me chamo Gabriel Foster… – se apresentou o aluno novo.

  • Agora se sente… – disse o professor.

Havia uns três lugares vazios, Gabriel se sentou na carteira ao lado de John.

  • Oi, eu sou o Gabriel… – era como se ele estivesse contente.

John virou sua cabeça para Gabriel.

  • John… – se apresentou John. – Desculpe, mas não estou a fim de falar…

  • Tudo bem… – disse Gabriel com o ar de contente; o que já estava começando a irritar John.

A aula foi longa, o sinal tocou, John se levantou com a mochila em suas costas e foi para a próxima aula.

  • Qual a sua próxima aula? – perguntou Gabriel para John enquanto saiam da sala de aula.

  • Matemática… – respondeu John.

  • A minha também, eu posso ir com você? – perguntou Gabriel. – Como eu sou novo, não sei onde fica…

  • Tanto faz… – disse John.

Por mais que John tentasse ser amigável, ele não conseguia, não quando teve um final de semana bem traumático. Eles andavam pelo corredor cheio de alunos, Alex se aproximou de John.

  • Te vejo na saída… – disse Alex com um tom ameaçador passando por ele.

John sentiu uma leve pontada em seu coração pela primeira vez.

  • Então, o que vai acontecer na saída? – perguntou Gabriel.

  • Ele vai me bater… – disse John sem mostrar preocupação ou medo.

  • Por quê? – perguntou Gabriel.

  • Um idiota precisa de algum motivo para fazer alguma idiotice? – respondeu John com outra pergunta.

  • Acho que… não…? – disse Gabriel meio confuso.

  • Aí esta a sua resposta… – disse John andando pelo corredor.

  • Mas, você não vai nem revidar…? – perguntou Gabriel o alcançando.

  • Por quê? – perguntou John.

  • Sei lá… talvez pra não apanhar…?

  • Eu sou órfão. Vivo em um orfanato, estou aqui porque o governo ajuda o orfanato. O pai dele é rico e um dos principais contribuintes da escola. Agora, faça as contas… – disse John entrando na sala.

Gabriel ficou meio pensativo, ate parecia que ele estava tentando fazer as contas; o que seria estranho. Ele logo entrou na sala e se sentou na carteira ao lado de John.

Aquela aula também foi longa e entediante como sempre. Tinha ainda mais duas aulas antes do intervalo. Entre as trocas de aula, John em algum instante pegou o papel de horários de Gabriel e viu que eles tinham os mesmos horários, todos os dias.

Já na hora do intervalo, John pegou uma bandeja e entrou na fila e foi servido. Ele se sentou em uma mesa vazia. Era o clichê de sempre, havia a mesa dos populares, das lideres de torcida, dos góticos, drogados, nerds e pra todo e qualquer tipo de aluno. John era o único que se sentava naquela mesa, Gabriel se sentou na mesma mesa minutos depois de John ter se sentado.

  • O que você esta fazendo? – perguntou John.

  • Você é o único que eu conheço… – respondeu Gabriel.

  • Então, por quê você não conhece mais pessoas? – perguntou John tentando se livrar dele.

  • Ao meu ver, nenhum deles poderia se dar bem comigo… – respondeu Gabriel.

John ficou meio pensativo e disse de cara:

  • Acho que você tem razão…

  • O que isso quer dizer…?

  • Nada… – disse John. – Então, de onde você veio?

  • Acredite em mim, mesmo se eu te disser, você nunca ouviu falar, então vai dar na mesma…

Assim que John terminou o almoço, ele foi para a biblioteca, pegou um livro, se sentou, colocou o livro aberto em pé na mesa, apoiou a cabeça na mesa e foi dormir. Gabriel estava indo para a biblioteca quando foi abordado no corredor, as aulas já haviam começado deixando o corredor deserto, livre de qualquer testemunha.

  • Quem é você? – perguntou Alex o jogando contra a parede.

  • Gabriel Foster… e você? – respondeu Gabriel sério.

  • Ele é Alex… – respondeu o gorducho.

  • Eu fiquei sabendo que você é novo na escola e se tornou amiguinho daquele esquisito… Qual o nome dele mesmo? – perguntou Alex aos capangas.

  • Acho que… – disse o gorducho tentando se lembrar. – Como era mesmo? – perguntou ao outro.

  • John, se não me engano… – disse o outro.

  • John Ryder…? – disse Gabriel dando a resposta para eles.

  • É isso…! – disse o gorducho. – John Ryder… que nome esquisito…

  • Vocês não são muitos espertos, não é mesmo? – perguntou Gabriel.

Alex bufou de raiva.

  • Me responda! – disse Alex quase gritando. – Você é ou não amigo daquele órfão esquisito…?

Gabriel, por um instante se demonstrou perigoso ao ouvir Alex falar mal de John.

  • Sim, por quê? – perguntou Gabriel com um olhar penetrante e sem medo para Alex.

  • Se afaste dele se você não quiser morrer…! – disse Alex irritado com Gabriel.

  • Por quê? – perguntou Gabriel sem sentir medo.

A mão de Alex estava no peito de Gabriel o mantendo contra a parede.

  • Porque qualquer um que não seja daquele orfanato, se ousar se juntar com aquela aberração, vai entrar na nossa lista negra… – respondeu Alex. – Eu mando nessa escola e essas são as minhas regras…!

  • Ok… – disse Gabriel com um leve sorriso.

Alex o soltou e começou a se afastar.

  • Mas… – disse Gabriel, os três pararam de andar e se viraram. – Se eu fosse você, tomaria cuidado com a luta de hoje a tarde, pois, como sabe, uma aberração, pode se tornar muito perigosa…

Gabriel se virou e entrou na biblioteca dando as costas para Alex e sua gangue.

Já era o fim da tarde, todos estavam se acumulando na saída da escola esperando para ver John levar uma surra. Depois de passar a tarde toda na biblioteca (dormindo), John se levantou e saiu. Foi ate a escada, enquanto ele descia a escada lentamente, a cada passo que dava, ele sentia uma dor em seu coração, pontadas de ódio pulsavam de seu coração. Ele andou pelo corredor e a dor ia aumentando, não era medo e nem nada que ele já havia sentido; era como se algo quisesse se libertar. John saiu da escola e foi ate Alex, uma roda de alunos se formou entre eles, John se forçou a agir como se estivesse tudo bem com ele. Gabriel se juntou para ver a briga bem na frente.

  • Será que você pode fazer isso logo de uma vez… – disse John sem demonstrar medo, mas sua respiração estava forçada.

  • Vocês ouviram isso!? – disse Alex em voz alta com sarcasmo. – Já que você insiste…

A dor em seu coração aumentou de uma vez, John fechou os olhos lentamente ao ver o punho de Alex indo para o seu rosto. John ouviu algo, uma voz, uma voz que ele nunca havia ouvido, mas era estranhamente familiar; ate parecia aquela intuição o alertando para não ouvir a voz que o pediu lealdade, essa voz era a voz de Kyle e ela disse:

Desculpe, mas eu não posso deixar isso acontecer. Essa pode ser sua luta, mas cansei de ver você se deixar ser humilhado, pisado, se deixar apanhar por todos esses lixos. Já que você não vai se impor, eu vou…

John abriu os olhos, seus olhos não eram mais aqueles lindos olhos azuis esverdeados, como o azul do céu some ao por do sol pra dar entrada ao preto da noite, os olhos azuis esverdeados de John sumiram para dar entrada aos olhos pretos da cor da noite. Levantando seu punho direito, ele parou o punho de Alex. Alex franziu a testa.

  • O-O quê…!? – disse Alex.

  • Desculpe… mas, eu me cansei de você, Alex. – disse John com um tom de voz diferente, uma voz negra, sombria, sem emoção alguma, sua feição não demonstrava emoção alguma, mas ao mesmo tempo calma; era como se nada o abalasse.

Segurando o punho de Alex, John o puxou, sem solta-lo, John foi para trás de Alex saltando e chutando a nuca dele o soltando. Alex caiu de barriga no chão, com dificuldade, ele se levantou.

  • Mais uma coisa… – disse John. – Eu te desafio a me derrotar…

Alex se sentiu humilhado, tomado pelo ódio, ele não pensou duas vezes.

  • Ora seu…! – disse Alex indo pra cima de John pronto para esmurrá-lo.

John segurou o punho de Alex novamente, mas desta vez, ele segurou com a mão esquerda e com a mão direita, John deu um soco na boca do estomago de Alex. Alex caiu no chão se contorcendo de dor, John olhou para Gabriel.

Gabriel franziu a testa ao ver os olhos de John.

  • Quem é você? – perguntou John para Gabriel.

  • Você já sabe…! – disse Gabriel. – Eu sou Gabriel Foster…

John olhou para a sua mão direita, ele colocou o polegar no dedo do meio e estalou.

  • Tempo Infinito. – disse John.

O planeta inteiro parou, as pessoas, os veículos, os animais, tudo havia parado, o tempo parou para todos, somente John e Gabriel se movimentavam. John estendeu o braço direito na direção de Gabriel e abriu a palma da mão.

  • Hei…!? – disse Gabriel se apavorando, seus pés não tocavam o chão, ele estava flutuando.

O corpo de Gabriel flutuou ate John, ficando a uns 30 cm de distância da palma da mão de John.

  • Quem… é… você? – perguntou John.

  • T-Tudo bem…! – disse Gabriel sério. – Me solte que eu te conto…

John recolheu sua mão, Gabriel caiu majestosamente em pé no chão.

  • Eu sou… – respondeu Gabriel respirando fundo. – Samira Gorvendell…

  • Mas é claro… – disse ele indiferente. – Então, por quê você esta me seguindo?

Samira abriu a boca para responder mas foi interrompida por John.

  • Eu mesmo descubro… – disse John.

John olhou dentro da cabeça de Samira, leu todos os pensamentos dela, viu todas as memorias.

  • Terça-feira, amanhã, antes de eu sair para vir pra escola, me busque no orfanato. Acredito que você possa cuidar disso… – disse John olhando em volta, ela afirmou com a cabeça. – Eu preciso que você faça algo pra mim…

  • O quê?

  • Me aprisione…

  • Como? – Samira estava confusa.

  • Sem perguntas, apenas faça isso sempre que meus olhos mudarem de cor, isso deve ser feito em ate três minutos depois que eles mudam de cor se não…

  • Se não o que? – perguntou Samira.

  • Algo ruim acontece… – respondeu John. – Sem mais delongas…

John apontou o dedo indicador para a testa de Samira, uma linha de luz dourada saiu da ponta de seu dedo e atingiu a testa de Samira.

  • Mais uma coisa, eu não irei me lembrar do que aconteceu. Espero que continue assim…

Como se tivesse acabado de acordar de um pesadelo, Samira concordou com a cabeça.

  • Uma coisa, como você consegue usar poderes neste mundo? – ela (na forma de Gabriel) perguntou.

  • Eu sou diferente, pelo menos o meu eu, mas já John… – ele disse. – Ele deve ser capaz de usar alguns traços de seu poder. Você me conheceu como Kyle, mas meu real nome é Kai. Agora faça…!

Samira foi ate ele e tocou em seu braço e disse em latim:

  • Carcer Anima.

 

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