A Vidente

John abriu os olhos. Desta vez ele estranhou. Não era um teto de telhas vermelhas, era um teto de gesso, ele olhou em volta e viu que estava em um quarto de um hotel de luxo. Levantou-se confuso, sem saber como havia chegado ali, foi ate a varanda, abriu a porta de vidro.

  • Mas como…? – pensou John em voz alta. – Como eu vim parar aqui!? Só pode ser brincadeira…! – ele observava o Cristo Redentor. – Como eu vim parar no… Rio de Janeiro?

  • Vejo que você acordou… – disse uma voz de mulher atrás dele. – Você dormiu por três dias…

John virou-se assustado, era a diretora do orfanato.

  • O que esta acontecendo? – perguntou John. – Como eu vim parar aqui? E o que aconteceu lá no orfanato? – disse ele apontando para a esquerda. – O que foi aquilo…? O que diabos é você? – ele estava prestes a ter um colapso nervoso.

  • Hei… calma… – disse a diretora sentando-se em uma das camas. – Eu vou te explicar… agora, sente-se… – ala apontava para poltrona. – Não precisa ter medo, eu não mordo…

Não morde mas grita pensou John, ele aproximou-se da poltrona desconfiado, retirou sua mochila e a colocou de lado e sentou-se.

  • Bom, vamos ver por onde eu começo… – disse a diretora calmamente.

  • Que tal pelo começo? – disse John frustrado a encarando. – Quem eram aquelas pessoas? E porque estavam atrás de mim?

  • Aquela era Imperatrix – disse a diretora se levantando da cama. John a escutava atentamente, mas preparado para atacar, morder, ou qualquer coisa para se proteger. – O outro era apenas um vampiro…

  • O que?! C-Como assim… vampiro? – disse John assustado e confuso, e sabendo que o que ele mais temia, estava acontecendo: Boa viagem dias normais, seja não-bem vindo dias infernais. – Vampiros não existem! Isso é impossível. E mesmo se existissem, eles não saem só a noite?

  • Primeiro, eles existem. Segundo, é bem possível. E terceiro, estava nublado. – disse a diretora o encarando, ela suspirou fundo. – Não sei ao certo o motivo por eles estarem atrás de você, a explicação que me vem a cabeça é que talvez tenha algo a ver com o que aconteceu 13 anos atrás, o dia em que seus pais foram mortos pelo maior mutante das trevas, O Imperador das Trevas, Lúciferius.

Essa história é bem familiar, pensou John.

  • Como assim…? – perguntou John. – Você deve estar brincando… Já sei, você é daquelas doidas que leu o livro daquele menino bruxo…

  • Gostaria que fosse… – disse a diretora. – Aquilo é ficção, isso é realidade. E além do mais, eu disse mutante e não bruxo, apesar de existir bruxos.

  • Você tem celular? – perguntou John.

  • Não, por quê? – ela perguntou.

  • PORQUE VOCÊ É DOIDA, E LUGAR DE GENTE DOIDA É NO HOSPÍCIO!

  • Eu não sou doida, – disse ela tentando manter a compostura. – E você sabe muito bem disso. Além do mais, você mesmo testemunhou tudo.

  • É nessas horas que a gente prefere ser cego…

  • Posso continuar? – ela perguntou, mas John sabia que aquilo era não era uma pergunta.

Ele assentiu.

  • Claro… – isso foi o que ele disse, mas o que ele queria era: pegar a mochila e pernas pra quem te quer, nunca olhar para trás, e se preciso, correr ate a China.

Ela respirou fundo e continuou.

  • Lúciferius foi um ser que causou enormes destruições, mortes, dor, sofrimento, tudo o que você conseguir imaginar de mau, ele fez. Deixa eu lhe explicar melhor, existem dois mundos, a Terra, é a qual estamos, e uma segunda dimensão, Nirvana. Em Nirvana vive a magia, criaturas que para você é pura mitologia, são reais em Nirvana. Existe três tipos de pessoas em Nirvana, Bruxos, Mutantes e Mutbruxos. Os bruxos são providos de magia, os mutantes são desprovidos de magia, mas em compensação tem poderes especiais, já os mutbruxos são abençoados, eles nascem com o poder da magia e o poder mutante, isso se da ao fato deles terem algum antepassado bruxo e outro mutante. Aqueles que tem sangue mutantes são classificados por suas tribos, por exemplo: Tribo da Água, Tribo do Fogo, Tribo do Som, Tribo da Luz, e assim por diante, existe uma tribo mutante para cada tipo diferente de poder mutante. E mesmo sem ter sangue bruxo, os mutantes são capazes de criar magia graças aos braceletes mágicos, como o meu… – ela mostrou o bracelete em seu pulso.

John estava achando aquilo difícil de acreditar, mas não impossível. Depois de tudo o que aconteceu nos últimos dias, finalmente ele estava recebendo as respostas.

  • Esses braceletes servem para dar controle total sobre os poderes bruxos, eles foram feitos para os bruxos, mas séculos atrás foi descoberto que eles também podem ser usados por mutantes. Eles transformam o poder mutante em magia permitindo o uso de magia por mutantes. Por esse fato, alguns acreditam que os mutantes são superiores a todas as outras raças, o que de fato ao requisito poder, é verdade, e esse era o pensamento de Lúciferius. Ele criou um exercito negro, e tentou controlar Nirvana, e estava conseguindo ate o dia em que por alguma razão, ele foi para a casa de seus pais. Naquele dia ele foi derrotado, mas infelizmente sus pais não sobreviveram, e quanto a você, todos achavam que você teve o mesmo destino de seus pais, esse pensamento permaneceu ate alguns dias atrás, quando recebi uma missão de Celéstia, uma das mais formidáveis mutbruxas de todos os tempos e braço direito de Solphus Assanssur, o maior mago que eu já conheci, minha missão é escolta-lo em segurança para Grayfford que fica em Nirvana…

  • Por quê?

  • Porque você é o ultimo Ryder vivo. Você vem de uma longa linhagem de mutantes sangue puro e de reis. Sua família governa Nirvana desde a formação do reino. Desde o dia em que os seis reinos se uniram contra o reino dos vikings. Seu pai era o próximo da fila para se sentar ao trono, mas infelizmente ele não teve chance de ser coroado. Seu avô teve que continuar no trono, analisando todos a sua volta, julgando aquele que seria o seu sucessor, isso foi ate uma semana atrás, em seu leito de morte, ele se manifestou ao publico, transmitindo para toda a Nirvana, ele iria escolher seu braço direito, o parlamentar, Lively, para lhe suceder, mas na ultima hora, Assanssur lhe informou que seu único neto estava vivo, suas exatas palavras ao povo foram: Caros cidadãos de meu amado reino, como sabem, não me resta muito tempo de vida, assim não me resta escolha a não ser eleger meu sucessor ao trono. Depois de pensar cuidadosamente, uma única opção me pareceu a mais correta, eleger o meu braço direito, Sir Lively, como meu sucessor, foi uma alforria, muitos começaram a aplaudir, outros já não gostaram da decisão do rei, mas o rei não havia terminado ainda, ele continuou: Contudo, isso foi antes de receber uma noticia que mudou todo o meu julgamento, depois de anos pensando que meu legado havia terminado, aquele em que eu confio a minha vida me deu a informação que meu neto, John Walker Drake Ryder, filho de meu filho, Michael Drake Ryder, aquele que todos achavam ter morrido junto com meu filho e sua mulher, esta vivo. E como a lei é bem clara, enquanto houver um descendente de sangue digno do trono, os Ryders governaram Nirvana. Não sei se Sir Lively seria capaz de tentar algo contra a sua vida, mas o Império das Trevas definitivamente o quer morto…

John estava sem palavras, ele simplesmente se recusou a acreditar naquilo, ele ficou encarando, esperando ela dizer que aquilo não passava de uma brincadeira. Mas ela não estava rindo, ele não queria, mas perguntou.

  • Por quê esse tal… Império das Trevas me quer morto?

  • Por vingança. Você sobreviveu ao ataque, e o mestre deles morreu. Apesar de eu achar que Amatsuel, o atual Imperador das Trevas, queira é te agradecer. Afinal, ele sempre quis o poder, nunca quis ser servo, e com a morte de Lúciferius, ele conseguiu. Eu sei que é muito para digerir, mas você consegue. Vamos passar mais esta noite aqui, pela manhã, nós partimos para Nirvana…

Ela se levantou e saiu do quarto.

  • Isso não esta acontecendo…! Tá bom que eu vou pra algum lugar com uma doida… – disse John agarrando sua mochila e correndo para a porta.

Ele abriu a porta cuidadosamente, observou se não tinha ninguém no vasto corredor do hotel de luxo.

  • Deserto… Eu não sou príncipe coisa nenhuma…

Cuidadosamente, ele correu ate o elevador. Ao sair do hotel, John sentiu a brisa que emanava do mar, a sensação de liberdade pela primeira vez fez seus olhos lacrimejarem. Ele andou pelo calçadão ao lado da praia aproveitando a vista, um momento único em sua vida, algo lindo, algo que ele nunca tivera chance de vivenciar, mas tudo que é bom dura pouco.

Se John prestasse mais atenção a sua volta, talvez isso acontecesse menos, esbarrões parece ser algo vivo que persegue ele. Mas desta vez não era ele que estava caindo de costas no chão, era a mulher de pele negra, cabelo volumoso, cheia de joias, uma cigana. John chegou a se desequilibrar quase indo ao chão, mas se recompôs, e ao ver a mulher indo ao chão, ele não pensou duas vezes, lançou a mão, pegou na mão dela antes de atingir o chão, ela estava a salvo. Mas algo estava errado, ao ser tocada por John, seus olhos se esbranquiçaram e uma visão passou diante de seus olhos.

Um homem de costas usando um capuz. O rosto do homem com uma máscara francesa de ópera. Diante do homem, em um altar, um cálice de ouro bordado em prata e pedras de diamantes escarlate, o cálice era três vezes maior que um cálice normal para beber. Dentro do cálice um liquido vermelho, borbulhante. John diante do misterioso homem. Tudo escureceu, da escuridão surgiu um rosto desfocado, impossível de reconhecer. Seus olhos estavam em trevas, seu rosto coberto por veias negras que pareciam movimentar-se, seu corpo vestido em um manto negro feito das próprias trevas. O desconhecido era a encarnação do mau em pessoa.

A mulher voltou a si, John a ajudou a se recompor. Porém, John também sentiu algo ao toca-la. Ao simples toque, John se viu em êxtase, um formigamento eletrizante em seu corpo; por cada vaso sanguíneo, veias, tudo. Uma sensação de força, liberdade e… poder. Mas isso não durou mais do que um segundo, seus olhos, nesse meio tempo, mudaram de um glorioso azul para um majestoso dourado, mas apenas por um segundo, e logo ele se sentiu normal novamente. A mesma sensação que ele sentiu ao esbarrar em Samira.

  • Desculpe…! – pediu John se sentido mal pela mulher.

A mulher estava assustada, com medo do que viu, ela olhou para John e disse:

  • Cuidado. Que o bem esteja com você, pois você vai precisar. O mau esta atrás de você, uma vez que ele consiga todos os ingredientes, a Necroheart se ativara trazendo aquele que uma vez foi o causador de seu sofrimento de volta a vida e consigo ele trará as trevas e mergulhara os Dois Mundos em plena escuridão. Você deve chegar ao seu destino a salvo. Coragem e determinação será preciso. Você não pode fugir do seu destino…

  • O quê? – perguntou John.

A mulher não disse mais nada, ela se afastou de John apavorada.

  • Espere…! – tentou John, mas era impossível, ela já havia se misturado nas pessoas e sumido de vista. – O que ela quis dizer com isso…? Não posso fugir do meu destino…? Será que isso tem alguma coisa a ver com o que aquela doida da diretora disse? É muita loucura pra eu aguentar sozinho…

John estava parado no meio da calçada sentindo-se um completo estranho.

  • Mas o que eu estou fazendo? Por quê estou reclamando por algo que eu sempre desejei? Um meio de sair desta vida infeliz. Eu não tenho nada a perder mesmo… exceto a minha vida.

 

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