Kuork

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Poseidon

Havia um navio enorme, maior que os outros, o mesmo navio era o qual John iria embarcar, um navio de cruzeiro luxuoso, Poseidon.

A diretora logo se juntou a John na fila, que agora só restavam seis pessoas na sua frente. Na frente da garota ruiva havia outra garota, uma garota linda de cabelos loiros, olhos verdes com pigmentos escarlates, que uma vez ou outra interrompia a leitura da ruiva, pela afinidade, as duas pareciam ser amigas.

Isolado em uma das ilha do céu, Lastiel estava imóvel, com os olhos fechados, ele estava em um estado de meditação. Uma leve nuvem de areia flutuava ao seu redor, um campo de força quase invisível feito de areia o protegia. Uma árvore atrás dele secou, em seguida caiu ao chão ao se transformar em areia, Lastiel estava agindo, estava transformando toda a ilha em areia.

John havia acabado de embarcar, a diretora o acompanhou ate sua cabine e o deixou sozinho. A cabine era conjunta, uma bi cama presa na parede, uma janela que se estendia da parede da cama ate a outra parede na qual havia um banco almofadado de couro vermelho-vinho, a mesma cor dos cobertores e travesseiros. Do chão ate a altura da janela, a parede era um vermelho-marrom, da janela pra cima era um branco azulado, o chão era envernizado, apesar de ser uma cabine, era aconchegante para ate seis pessoas se moverem livremente de um lado para outro. John jogou a mochila na cama de cima e se sentou no banco, pegou seu medalhão e o abriu.

  • No que vocês me meteram…? – perguntou John olhando o retrato de sua família. – Bem… não há nada o que fazer agora, o que foi feito, foi… Mas sério, bruxos? Mutantes? Uma garota bizarra de nove anos? Um Vampiro? Um Psicopata? Se eu conseguir chegar vivo nessa tal de Grayfford, vai ser um milagre.

John fechou o medalhão e o guardou na mochila. Ele se levantou e saiu da cabine e foi ate o convés, a claridade do dia já estava no fim, o céu já estava sendo tomado pela noite. Ele se apoiou e ficou vendo o navio se afastar do porto aos poucos, varias pessoas davam tchau, outros assobiavam, crianças eram colocadas nos ombros dos mais velhos para os ver partindo, John estava bem confuso, não fazia ideia do por que das despedidas que ele só viu em filmes.

John avistou longe, um menino correndo, se esgueirando pela multidão, e pela primeira vez ele gostou de não ser aquele que se atrasou. O navio já estava longe do porto, e ao que parece ele não iria parar, já era tarde para o menino de olhos castanhos azulados e cabelo loiro arrepiado (mas sem o gel), ele havia perdido o navio. John o ficou observando, o menino não iria desistir ao que parece, ele continuava a correr, por alguma razão, John começou a torcer silenciosamente pelo jovem que aparentava ter a sua idade. O jovem finalmente chegou ate o local de embarcação, sem parar de correr, ele lançou seus braços como se estivesse jogando água e pulou o mais alto que pode, a água foi esguichada de baixo do porto ate o mais perto do navio e se congelou, formando um arco de gelo, ele caiu sobre o arco e continuou a correr.

Os olhos de John se encheram de entusiasmo, aquilo era incrível, alguém que podia controlar a água. John se afastou ao ver o jovem pular do arco para dentro do navio.

  • Uau… – disse John.

O menino olhou para John e sorriu envergonhado e disse:

  • Isso? Não foi nada…

  • Tá brincando…!? – disse John. – Isso foi demais…

  • Huh… você é estranho…

  • É… já me disseram coisas piores… – disse John sorrindo sem se importar.

  • Prazer, Justin Andrew…

  • John Ryder…

  • John Ryder…? – repetiu Justin.

  • Eu sei, meu nome é bem esquisito…

  • Isso também, mas… esse não é o nome da família real? – perguntou Justin.

  • Acho que sim, não sei… me disseram que eu sou o príncipe…

  • Sério…!? – perguntou Justin, John concordou com a cabeça. – Demais…!

Eles andaram para dentro de navio conversando, quando John percebeu, eles já estavam sentados um de frente para o outro na cabine, John no banco e Justin na cama, ambos contando sobre suas vidas.

  • Então quer dizer que… – disse Justin com um tom meio irônico. – No clímax de toda a ação você simplesmente… desmaiou?

John havia acabado de contar sobre o incidente no orfanato, onde Imperatrix o atacou e ele perdeu a consciência.

  • Bom… você falando desse jeito, fica meio que… ridículo…

  • Pois é… – concordou Justin. – É mesmo, saiu uma matéria deste tipo ontem dizendo que Imperatrix foi vista no mundo humano, acho que eu ainda tenho o jornal deste dia… – disse Justin fuçando em sua mochila. – Achei, aqui esta o Diário Místico…

Justin entregou o jornal a John que o leu:

A princesa das trevas, Imperatrix, foi vista causando alvoroço no mundo humano.

Testemunhas afirmam ter visto a pequena e imortal mutbruxa, antiga braço direito do Imperador das Trevas, andando pelas ruas no mundo humano. Especula-se que o atual Imperador das Trevas, Amatsuel, esteja planejando uma invasão ao mundo humano e criar uma força temível com o proposito de tomar o controle de Nirvana e assim iniciar o seu governo por meio do medo e violência. Muitos afirmam que Imperatrix é um dos juízes da morte, pra quem não esta familiarizado com o termo, juízes da morte são seres, tanto mutantes como mutbruxos, com um poder superior a muitos, eles receberam os poderes do próprio Lúciferius, o antigo Imperador das Trevas. Especula-se que ao todo, eles sejam em sete juízes da morte, apesar de ninguém saber as identidades deles, muitos afirmam que a princesa das trevas é uma deles. De uma fonte anônima, descobrimos que a prodígio do som, antiga espectro das trevas, Samira Gorvendell, que agora leal a um dos Sete Sábios, mais conhecidos como os Sete Magos, Assanssur, estava diretamente envolvida na confusão. O Magistério não se manifestou, assim como o Parlamento, nem Assanssur, nem mesmo a própria Srta. Gorvendell…

  • Samira…? – disse John.

  • Ouvi dizer de meu pai que durante a batalha final contra Lúciferius, ela lutou bravamente contra o Império das Trevas… – disse Justin.

  • Mas é claro…

  • O que?

  • A diretora é a Samira…

  • Como assim…? – Justin estava meio confuso.

Justin é um jovem bem descontraído, tem mais um estilo surfista, talvez pelo fato de ser um mutbruxo da Tribo da Água, um mutante da água, mas não se deixe enganar pela sua personalidade e nem pelo fato dele ser loiro, Justin Andrew tem um destino de suma importância no destino de John, esse destino que se formou pela amizade que esses dois criaram, uma amizade pura e verdadeira, que dificilmente será destruída. Justin é capaz de criar e controlar a água em seus três estados, o que é muito raro, normalmente, um mutante da água só é capaz de controlar um dos estados físicos da água, mas isso ainda não o qualifica como um prodígio. Em Nirvana, os mutantes chamados de Prodígios, são seres que nascem com um poder maior que os de sua própria espécie, ultrapassam os limites impostos pela natureza.

  • Deixa eu contar o resto da história que você vai entender… – disse John.

John terminou de contar a história. Justin engoliu seco ao ouvir tudo, quer dizer, quase tudo. John deixou de lado a parte da voz suspeita que pede lealdade a ele.

  • Lastiel…? – perguntou meio paralisado.

  • Sim… – respondeu John.

  • Esse cara é perigoso… – disse Justin.

  • E eu não sei…? – disse John. – O cara é um psicopata, e ao que parece, é irmão de Samira. Acho que ela não vai me contar essa parte da história.

  • Cara, e eu que pensei que tinha problemas… – disse Justin. – Mas eu entendi o que você quis dizer a respeito da Samira. Primeiro você esbarra com ela na rua, depois ela o salva usado seu poder do som. Quando Imperatrix surge, a diretora do seu orfanato tem os mesmos poderes de Samira e te salva, no hotel você ouve a respeito de pedras da lua e metamorfose, as pedras da lua te permite que você se transforme em quem quiser. Com toda certeza, a diretora é a Samira…

Um barulho tirou a concentração dos dois, uma barulho que veio da barriga de John e em seguida da barriga de Justin.

  • Acho que podemos deixar essa conversa para depois…? – sugeriu Justin.

  • De acordo…

Os dois se levantaram rapidamente e correram para o salão de jantar, estava cheio de pessoas, apesar de estar cheio, sempre tinha uma mesa livre para quem acabasse de entrar no salão, era como se fosse:

  • Mágica… – disse John.

Os dois se sentaram em uma mesa ao lado de uma fonte de água enorme que ficava no centro do salão. Uma banda tocava o que parecia ser rock. John viu uma garota ruiva sentada em uma mesa sozinha lendo alguns livros, só podia ser a mesma garota da fila, a olhando ler os livros o fez perceber como ela era bonita, segundos depois a garota loira se juntou a ela toda feliz.

  • O que o senhores desejam? – perguntou uma garçonete.

  • Traga uma sopa de lentilhas com musgo do pântano Bélico Arsmin e orelha de búfalo. – disse uma mulher sentando-se. – Para beber, um suco de laranja com beterraba e mel. Pra mim traga somente um café.

A mulher era loira, com um cabelo curto ate o ombro e arrepiado nas pontas, seus olhos eram castanhos claros. John a reconheceu na hora, apesar do cabelo estar mais curto.

  • Samira…!? – disse John.

  • Culpada… – disse Samira se sentando. – Vejo que já fez um amigo…

  • Sim… – disse John meio desconfiado.

  • A mesma coisa pra mim… – disse Justin para a garçonete.

John ao se lembrar do que Samira havia pedido pra ele comer, uma enorme vontade de se levantar e correr para o banheiro o atingiu, aquela era a comida mais nojenta que ele já tinha ouvido falar. A garçonete anotou o pedido em um bloco de papel, destacou a folha e no mesmo tempo a folha pegou fogo e sumiu, a garçonete os deixou e foi atender outra mesa.

John não se surpreendeu depois de ver várias pessoas no navio fazerem coisas estranhas, como voar pelo navio, outras fazer suas mãos pegarem fogo e ate mesmo movimentando-se rapidamente. Ser perseguido por um psicopata capaz de controlar a areia, uma velha no corpo de garota, depois de tudo o que ele testemunhou nos últimos dias, um simples bloco de papel pegar fogo e suas cinzas em pleno ar desaparecer instantaneamente não o surpreendia.

  • Justin Andrew… – se apresentou Justin.

  • Samira Gorvendell, prazer… – disse Samira com um sorriso. – Espere um pouco… Andrew? Justin Andrew!? Filho de Morrison Frank Andrew, o dono das Indústrias High Tech International, uma das principais fabricantes dos Air-Skate?

  • Culpado… – respondeu Justin.

  • Como vocês…? – perguntou Samira.

  • Ele se atrasou… – respondeu John. – Mas então, diretora…?

  • Você descobriu… – disse Samira com um sorriso.

  • Sim…

  • Você vai ter que me desculpar John, mas não posso responder mais nada, infelizmente recebi ordens de que você ainda não esta preparado para saber de tudo…

  • Como assim…? – perguntou John frustrado.

  • A verdade é mais obscura do que aparenta, para ter conhecimento dela, você deve ter uma mente forte, capaz de te deixar lucido depois de saber tudo, o que não é o caso no momento…

  • Isso é bem frustrante… – disse John.

  • Não desanima, uma hora ou outra, você vai ter que saber de tudo, não há escapatória…

  • Justin tem razão… – disse Samira. – No momento em que essa hora chegar, você estará apito para lutar e se defender…

  • Tanto faz… – disse John revoltado. – No momento só quero saber de agradar a minha barriga, mesmo que seja essa coisa que você pediu pra mim…

  • Não. Não… nunca julgue um livro pela capa… – disse Samira.

  • Ela tem razão… – disse Justin. – Você tem que experimentar, é muito bom…

  • Mas então, pra onde você esta indo, Justin? – perguntou Samira.

  • Fiz 14 anos… – respondeu Justin.

  • Entendi, Kit Exu Magus, certo? – disse Samira.

  • Exato…

  • O que é isso? – perguntou John.

  • O essencial para quem quer se tornar um feiticeiro. A sabedoria, a força e o espirito. O livro, o bracelete e o animal. O livro representa a sabedoria, o bracelete a força e o animal o espirito. O livro contem os feitiços que você aprende durante a sua vida, o bracelete lhe permite conjurar esses feitiços e o animal é aquele que sempre vai estar com você, sua alma gêmea. – respondeu Samira. – Aos 14 anos, é permitido aos jovens a possuir o primeiro passo para a magia, o Kit Exu Magus.

  • Mas por quê o animal? – perguntou John.

  • Não é qualquer animal, é um animal-celeste. Nascidos dos ovos astrais, gerados pela Fênix Sagrada, Merphys, no monte Límpio. Os ovos astrais são dados juntos com o bracelete e o livro, a pessoa cuida do ovo e quando ele nasce; pode ser qualquer animal, os dois criam uma ligação eterna de amor e compreensão. O animal que se prende a sua alma, se torna a sua segunda fonte de poder. Eles vivem dentro de você e só sai quando você os ordena, existe raras exceções, onde alguém com uma forte energia espiritual consegue mantê-los fora do corpo por tempo ilimitado…

  • Como assim?

  • Um animal-celeste se alimenta de sua energia espiritual. Quando eles saem de seu corpo para lutarem ou pra fornecer poder extra, você se cansa mais rápido por ter que liberar energia para fora de seu corpo, isso é desgastante, ter que manter a forma deles no mundo. Mas existem aqueles com um poder enorme, capazes de mantê-los para sempre, alguns por um pouco mais de tempo… – disse Samira.

  • Quando você fala de energia espiritual…? – disse John.

  • É o que todos tem, ate mesmo os humanos. Quando você faz exercícios, chega uma hora em que você não aguenta mais e tem que parar para recuperar a energia, essa é a energia espiritual… – respondeu Samira.

  • Entendi, quando você invoca o seu animal-celeste, você esta teoricamente fazendo exercícios e chega uma hora em que você precisa parar pra descansar, você esta forçando seu corpo ao limite. Mas existem aqueles que tem um limite maior e outros que já nem tem limites, podem andar lado a lado com seu parceiro, certo?

  • Basicamente, sim… – disse Samira.

  • O seu, qual é? Posso ver? – perguntou John.

  • Eu também quero ver… – disse Justin.

  • Tudo bem… – disse Samira. – Mira!

Uma energia estranha esbranquiçada se formou acima do ombro direito de Samira e tomou forma, um pássaro surgiu em cima de eu ombro.

  • Um pássaro… – disse Justin.

  • Que pássaro é? – perguntou John.

  • A Mira é um corvo branco… – respondeu Samira.

Mira era um corvo branco com os olhos iguais ao de Samira, castanhos claros.

  • Demais… – disse os dois juntos.

  • Ela possui o mesmo poder meu, é capaz de controlar o som…

  • E quanto a quem é um bruxo sangue puro? – perguntou John.

  • Magia, os animais deles podem fazer magia… – respondeu Justin.

  • Só uma pergunta. – perguntou John. – O que eu sou?

 

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