Uma manopla?

Ao acordar Kanri vê Ariel na varanda da casa, totalmente vestido e parecendo estar esperando por alguém.

No final das contas ele é a pessoa que estava mais ansiosa?

“Então já se arrumou garoto? ”

Ao perceber que seu mestre já tinha percebido algo, Ariel timidamente tenta disfarçar. “Ah…eu acabei de me arrumar senhor Kanri.”

“Sim, compreendo, ambos estamos prontos, não vejo motivos para adiarmos nossa partida então? ”

“Sim senhor Kanri! ” E a excitação no rosto de Ariel é reconfortante para seu mestre, eles moravam juntos há cerca de seis meses, e todo esse tempo foi dedicado ao treinamento de Kanri que por sinal era extremamente exaustivo. Mas conseguir tirar um sorriso do garoto depois desse tempo o surpreendeu.

E assim os dois sem mais delongas partiram para Kotai.

Depois de alguns minutos andando, no meio da estrada que levava ao vilarejo, algo intrigou Ariel, nesse mesmo lugar que os dois tinham vindo antes à seis meses atrás, antes sem nenhum movimento agora estava cheio de carroças e pessoas transportando coisas.

“Mestre o que essas pessoas estão fazendo aqui? ”

“Essas pessoas são comerciantes garoto, quando eu disse que Kotai era pouco conhecida eu não expliquei corretamente, esse lugar é visitado principalmente por pessoas do comercio, e é pouco conhecido por gente que não é desse ramo, nessa época do ano muitos deles se concentram aqui para realizarem grandes vendas, leilões entre outras coisas.”

“Por esse motivo escolhi hoje para comprar sua arma, veja bem, não vou comprar nada muito sofisticado com medo de que prejudique seu treinamento, mas a variedade de tipos de armas vai ser grande, dando assim varias escolhas para você.”

Como o senhor Kanri sabe de tanta coisa? Deve ser porque ele viveu muito tempo…

Os dois andaram sem conversar até a entrada da cidade. Após andaram alguns metros, varias carruagens, carroças, cavalos e outras montarias podiam ser vistas na cidade.

O ancião foi em direção à uma loja que tinha certa atmosfera sofisticada e disse a Ariel: “Como suas vestimentas estão gastas, vou comprar roupas novas.”

Dessa vez ele pretendia comprar roupas melhores ao garoto, talvez como um mimo.

Em frente a uma linda moça de longos cabelos negros, em seus vinte e poucos anos o mestre disse agarrando a um robe cinza: “Com licença senhorita, quanto seria esta peça? ”

Prestando muita atenção ao perfil de seu cliente ela respondeu gentilmente: “Esse robe custa 25 pratas caro senhor.”

No mesmo momento sem mudar sua expressão ao ouvir o preço da roupa, Kanri tirou 25 moedas de prata de seu bolso e as colocou em cima da mesa.

“Acho que devo me retirar agora, até nossa próxima compra.” Falou Kanri em um tom amigável ao pegar o robe e virar para Ariel.

Ao perceber que o homem que comprou seu produto mais fino sem pestanejar acompanhava um jovem lindo como um príncipe, ela pensou em algumas coisas.

Ele deve ser o filho de alguma família nobre sem duvida.

O sistema monetário é estabelecido da seguinte forma:

1 moeda de ouro= 100 moedas de prata= 10000 moedas de bronze. Porém existe uma moeda usada em trocas comerciais relativamente maiores, essa moeda se chama Kin, ela equivale a 10 moedas de ouro. Um ouro apenas já é uma quantia bem alta, então é fácil perceber o valor absurdo de um Kin.

Ao saírem da loja, Ariel questionou seu mestre: “Por que compramos essa roupa esquisita em vez da roupa que compramos antes? ”

“Ariel você é digno de uma roupa de melhor qualidade, esse tecido é mais confortável para seu corpo.”

“Mas eu prefiro minha roupa antiga! ” Sem perceber ele levantou um pouco sua voz.

Com a face de alguém que já esperava essa reação ele replicou: “Não seja uma criança mal educada, eu não te ensinei a ser assim.”

“Desculpa mestre.”

“Desculpas aceitas, você não tinha me deixado terminar de falar, Eu vou recortar esse robe e deixar de maneira parecida com sua roupa antiga, mas como eu precisava de um tecido de alta qualidade eu tive de comprar na única forma que achasse.”

“Vamos a nosso destino principal, a loja de armas.” Vendo que Kanri não estava bravo com ele Ariel respondeu: “Sim senhor.”

Depois de andarem por cinco minutos na cidade eles encontraram uma loja com aparência bem antiga feita de tijolos, na frente do balcão ou homem careca de meia idade resmungava com outro homem.

“O preço único é 2 pratas, não me interessa se você pode pagar ou não! ” Disse ele enquanto tirava um machado das mãos do homem. “Razeldor você é realmente mão de vaca! Hmph! ”

“Haha como vai Kanri? Quem é o pirralho do seu lado? ”

“Você continua como sempre não é Razeldor? Esse garoto é meu mais novo e único discípulo, ele se chama Ariel.”

“Prazer senhor Razeldor, meu nome é Ariel e vivo aqui há pouco tempo.”

“Você com um discípulo? Isso é novidade até pra mim, e também até ensinou o fedelho a ser educado, que seja isso é coisa sua, então a que devo sua presença no meu humilde estabelecimento? ” Nesse curto e bem humorado diálogo Ariel viu seu mestre que pouco sorri dando gargalhadas, o fazendo pensar qual a relação entre os dois.

“Pegue leve com ele, vim aqui para conseguir uma arma para ele, chegaram bastante tipos diferentes nessa época? ”

“Você deu sorte, o ultimo carregamento trouxe vários tipos de armas diretos da capital, você quer coisa de primeira ou itens básicos? ”

“Vou optar pela segunda opção.” Em seguida Razeldor disse enquanto sinalizava para o seguirem para dentro da loja: “Também tenho varias coisas dessa qualidade.”

“Sei que é pedir de mais, Razeldor poderia mostrar e explicar a meu discípulo as armas que tem? ”

“Claro, sem problemas, venha cá garoto, está vendo isso aqui? Tem o gume no lado convexo, é uma cimitarra, já essa aqui é uma rapineira, ideal para golpes de perfuração.” Depois disso Razeldor mostrou inúmeras armas para Ariel, armas como martelos de guerra até armas de longo alcance como bestas e arcos, mas se sentiu um tanto frustrado pois nenhuma delas encantou o garoto.

Perto do fim da pequena exposição de armas, um tanto escondida em um baú, Ariel viu uma espécie de luva feita com couro e algum metal barato, por algum motivo aquilo deixou o garoto fascinado.

Sem perder tempo ele disse apontando para ela: “Senhor o que é aquela coisa ali? ”

“Deixe-me ver.” Depois de tira-la do baú ele respondeu: “Isso é uma manopla, você gostou dela certo? Certamente eu não esperaria isso, não quero dizer que é uma arma ruim, apenas que ela era usada a anos atrás, atualmente não vejo ninguém que usa uma dessas.”

Pelo menos ele gostou de algo…Foi o que o homem pensou.

Kanri a alguns metros dali pensava diferente. “Acho que não é estranho eu não me surpreender com ele, acho que já estou acostumado.”

“Quanto ela custa Razeldor? ”

“Pra você faço pela metade do preço, 40 cobres.” Novamente, agindo como se dinheiro não fosse um problema, Kanri rapidamente tirou uma moeda de prata colocando-a no balcão e disse: “O resto é proveniente das informações sobre armas que deu a ele, obrigado.”

Antes de mestre e pupilo saírem da loja, o homem careca acenou e disse: “Voltem sempre.”

“Pronto para voltar Ariel? ”

Com a cara de uma criança que acabou de ganhar um presente, ele concordou balançando felizmente sua cabeça.

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