A Serpente e a Raposa

De um lado, um exército juntando as duas facções que se aliaram para enfrentar um inimigo em comum. Do outro, um bando de bandidos fortemente armados, preparados para uma guerra civil, avançando loucamente, com desejo por sangue. Os dois lados se chocaram na mesma hora em que Emma proferiu seu grito de guerra, causando uma batalha de níveis acima do que ela já havia testemunhado.

Armas se chocando, membros sendo decepados, gritos de desespero e fúria, sangue jorrando. Um cenário diferente de tudo o que Emma viveu até aquele momento. No entanto, ela não se abalou. Tinha um objetivo em mente, e não pararia até cumprir-lo. Ainda na frente da batalha, ela encontrava inimigos até 5 níveis mais alto do que ela, mas ela não parava nem por um segundo sequer. Usando sua agilidade muito superior à dos outros, ela desviou e fatiou muitos inimigos, mas não conseguindo minimizar muito as forças dos Vipers. Ela tentava adentrar naquela multidão, mas eram tantas pessoas que ela tinha certeza de que, se ousasse penetrar nas forças do inimigo, seria instantaneamente morta. Enquanto desviava dos golpes, tentando encontrar uma forma de salvar Athert, ela sentiu um calor súbito, acompanhado por um ataque flamejante vindo da sua direita. Era Elron, que havia investido com sua lança incandescente nos inimigos, empalando pelo menos 2 pessoas com sua arma. Logo em seguida, o fogo na ponta da arma se apagou, deixando-o um pouco mais exposto à ataques.

– Tem alguma ideia do que podemos fazer?! – O Elfo questionou, defendendo o golpe de um Viper e o empurrando para trás.

– Tem como lançar algum feitiço pra dispersar essa multidão?! – A garota perguntou, desviando de mais um golpe, dando espaço para que um aliado golpeasse o inimigo que tentou a atacar.

– Gastei toda minha mana pra incendiar a lança, agora acabou tudo!

Aos poucos, o exército dos Vipers parecia estar diminuindo, fazendo com que eles se aproximassem do líder e da misteriosa mulher de máscara, que estavam parados mais afastados da frente de batalha, juntamente com Athert, que estava sendo segurado por 2 bandidos.

Já ficando impaciente com tudo aquilo, Emma decidiu usar a sua arma para abrir caminho entre os homens que ainda insistiam em lutar. Ela jogou a adaga o mais longe que pôde, estalando os dedos logo em seguida. Conseguiu derrubar muitos ladrões, e aproveitando da situação, correu para dentro das forças inimigas, surpreendendo à todos, tanto inimigos quanto aliados. Ela correu ainda mais, estalando os dedos freneticamente para que, assim que tivesse a arma em suas mãos, já pudesse arremessá-la e explodi-la novamente. Entretanto, começou a sentir a ponta dos dedos doerem, e, olhando de relance, viu que elas já estavam feridas e sangrando, como se o impacto e a força dos raios fosse redirecionada toda para seus dedos. Assim, teve de ficar totalmente dependente de sua agilidade e força para passar entre os inimigos.

Depois de muita corrida e vários corpos deixados no caminho, ela finalmente chegou perto o bastante para pular no monumento e sair em disparada atrás de Athert, mas foi parado pelo chefe dos Vipers, que tentou atacá-la com um golpe de espada. Ela, em reação, puxou a sua adaga, defendendo o golpe, que tinha muita força envolvida, já que o inimigo à sua frente era nível 15, mais que o dobro de níveis da garota. Ela se sentiu pressionada, tanto que suas pernas tremeram enquanto tentava segurar o homem, que a empurrava com força.

– O que foi mocinha, algum problema?! – Ele falou rindo alto e com superioridade.

Por sorte, os outros bandidos não atacavam, já que poderiam enfraquecer a formação que eles estavam, prejudicando à todos ali. Emma cansou de disputar no empurrão, tentado recuar, mas o líder dos bandidos conseguiu desferir um golpe na horizontal, fazendo um corte não muito profundo na barriga de Emma graças à roupa dela, que se não estivesse ali ela poderia ter tido sua barriga aberta na hora. Com aquele ferimento, ela sabia que não poderia alongar aquela batalha, então deveria decidir tudo em um único golpe. Ela se preparou, e então correu diretamente pra cima do bandido que, vendo a defesa da garota aberta, preparou um ataque poderoso, que possivelmente a mataria. No entanto, quando fez isso, acabou abrindo a própria defesa. No instante em que ele tentou acertá-la, ela abaixou e deu uma rasteira, passando por baixo do homem. Quando chegou atrás dele, ele tentou reagir, virando-se, mas recebeu uma facada na barriga, que a princípio não retirou muito de seu HP. Porém, Emma se afastou, estalando os dedos, que trouxeram um raio que explodiu a parte superior do homem, restando apenas suas pernas.

A garota ergueu-se, determinada à acabar com tudo ali. A mulher mascarada olhou para ela, ficando na frente de Athert. Em seguida, abriu seus braços.

– É como dizem, não se pode deixar o trabalho pra idiotas! – Ela exclamou.

De repente, um gás roxo começou a sair de suas vestes, assustando Emma,  que recuou. O gás se espalhou tanto que a mulher desapareceu dentro da fumaça, enquanto ele escapava para o exército de Vipers, alucinando-os. Depois de inalarem o gás, os ladrões inimigos ficaram ainda mais furiosos, atacando os aliados de Emma ferozmente, como se não temessem a morte. Eles eram feridos, e tinham até membros decepados, mas continuavam a lutar. 

Emma tentava ver alguma coisa vinda da fumaça, mas nada saía de lá, muitos menos havia movimentação. Até que, então um intenso brilho roxo surgiu entre a fumaça, um brilho que era familiar para Emma. Logo, seu corpo não podia mais se movimentar, mesmo com ela dando tudo de si para se retirar dali. Athert reagiu, tentando se soltar do forte agarro dos guardas para ajudar a garota, que não mais se movia.

A mulher saiu da fumaça, diferente do que ela era antes. Suas mãos agora estavam cobertas por escamas verdes, que se estiam até seus antebraços, agora expostos. Na parte superior das mãos, duas lâminas em cada uma delas, pingando veneno sem parar. De alguma forma que Emma desconhecia, a mulher à sua frente tinha adquirido características de uma serpente, e agora parecia muitas vezes mais fortes do que aparentava anteriormente. 

Ela acariciou o rosto de Emma, passando sua mão escamosa pela bochecha da menina, que tentava se livrar do encanto do olho de Rasimul.

– Aquele seu amigo carregava umas coisas bem interessantes com ele. Pelo menos agora elas provaram sua utilidade. – Ela falou, com uma voz ainda mais distorcida que antes.

– Que merda é você? – Emma perguntou, com muita raiva.

– Eu? Sou apenas uma serpente. – Respondeu, aproximando seu rosto do de Emma. – E você, “Raposa”, mexeu com a cobra errada! – Concluiu, assoprando o mesmo gás de antes no nariz de Emma, que não conseguiu evitar de respirar o veneno, apagando instantaneamente.

Emma acordou em um lugar completamente diferente de onde ela estava antes de desmaiar, mas era um local que ela conhecia muito bem. Era seu prédio, em Nova  York, mas não do jeito que ela se lembrava. A cidade, antes movimentada até demais, estava vazia, deserta, tendo como único som o uivar de um vento gelado que percorria as ruas mortas. De repente, Emma começou à ouvir um barulho estranho, como se fosse o rastejar de algo. E então, de uma das curvas da rua, uma gigantesca serpente verde, que olhou para Emma com curiosidade, mas logo depois começou à persegui-la. A garota correu o mais rápido que pôde, se enfiando em vários corredores para despistar a fera, mas sempre acabava sendo alcançada por ela, tendo que usar sua memória para utilizar dos caminhos certos e escapar dela.

Entretanto, Emma acabou chegando em um beco sem saída, onde foi cercada pela cobra, que abriu a boca e avançou contra a garota. Ela pensou que fosse o fim fechando os olhos com medo, mas não havia sentido nenhuma dor. Ela abriu os olhos, e viu uma grande raposa branca, segurando a cobra sem nem mesmo tocar nela. Soltando um pulso de força, a cobra foi jogada para longe, atravessando muitos prédios que estavam ali. Nesse momento, a raposa se virou, encarando Emma diretamente.

 Nesse momento, a raposa se virou, encarando Emma diretamente

– Emma Adams, é um prazer te conhecer. No entanto, é uma pena que seja nestas condições. – Ela disse, ouvindo a cobra sibilar de longe. A voz da raposa era reconfortante, como se Emma estivesse sendo acalmada por sua mãe.

– Quem é você? O que está acontecendo? – Emma questionou, ainda amedrontada e tremendo muito.

– Quem eu sou não importa agora, você irá descobrir mais tarde. O que realmente importa, é que você tem o mesmo poder de se transformar, igual aquela mulher que te envenenou.

– Como assim me transformar?! Eu nunca nem senti esse poder!

A cobra soltou um sibilo ainda mais alto, sinalizando sua aproximação.

– Não temos mais tempo. Ouça-me, irei dar-lhe uma fração de meu poder, uma vez que você não tem nível nem força o bastante para aguentar todo o potencial. Você irá perder o controle de suas ações, mas ganhará uma tremenda força. Você entendeu?

A garota apenas concordou, balançando a cabeça. E então, a raposa se desfez em fumaça, entrando no peito de Emma, que novamente perdeu a consciência.

Do lado de fora dos confins da mente de Emma, a mulher estava pronta para golpear Emma com tudo, direcionando sua mão para utilizar sua lâmina. No entanto, Emma levantou a mão no mesmo instante. A lâmina atravessou a mão da garota, mas ela parecia não ligar. Sua cabeça, antes baixa, agora se levantava, expressando um olhar de fúria. Um de seus olhos havia se tornado laranja, ficando idêntica aos olhos bicolores da raposa em sua mente. Uma forte descarga elétrica foi transmitida do braço de Emma para a mão da mulher serpente, que se afastou por conta da eletricidade.

– Não! Isso… Isso não é possível! Como você pode se transformar?! Impossível! – Ela gritou, partindo mais uma vez pra cima de Emma, mas foi jogada pra longe devido à uma explosão de eletricidade, ocasionada por uma sequência de raios caindo sobre Emma.

 Quando a fumaça baixou, todos viram o que Emma havia se tornado. Metade de seu cabelo havia se tornado branco, e uma orelha canina saía de sua cabeça. Suas unhas, em ambas as mãos, haviam se tornado garras que faziam correntes elétricas entre si. E, como se já não bastasse a estranha transformação, uma cauda branca de raposa estava presa à suas costas.

Numa mistura de rugido bestial um com grito de fúria de uma garota, Emma gritou ferozmente, como se tivesse perdido toda sua humanidade e se tornado realmente em um animal selvagem. Ela olhou para a mulher transformada em serpente e partiu pra cima dela numa velocidade sobre-humana, deixando para trás um rastro de eletricidade.

A verdadeira batalha pela Cidade dos Ladrões começa agora!


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