Ímpeto da Tempestade

Assim que Emma, em sua transformação selvagem, partiu para cima da mulher mascarada, ela tentou golpeá-la com um soco que emanava raios. Em resposta, a mulher trajada de serpente tentou segurar o golpe com a mão. O Impacto que o golpe de Emma causou foi tão forte que o chão embaixo da mascarada se rachou um pouco, surpreendendo a mesma. Não rápida o bastante para reagir novamente, a garota utilizou sua outra mão livre para executar um golpe rápido, acertando o rosto da mulher, que por sorte estava de máscara, amenizando a força do golpe. 

Com a força do ataque, a mulher foi empurrada para trás. Poucos segundos depois, sua máscara caiu no chão, rachada e quebrada. Do seu rosto, pingava sangue. Ela ergueu sua cabeça, revelando sua face. Não mais tendo um véu para esconder seu rosto, que agora tinha uma linha vermelha traçando um caminho da sua testa até o queixo, Wena olhou para Emma. Seus olhos vermelhos de serpente fitaram a jovem com fúria. Além dos olhos de cobra, partes do seu rosto estavam cobertas por escamas esverdeadas.

– Você…  Você estragou tudo! Eu vou te fazer pagar por tudo o que você fez para esse mundo! Seu caixão será esta cidade imunda! – Ela gritou, liberando uma nuvem de gás venenoso enquanto avançava para cima de Emma, que também investiu contra ela.

O encontro das duas fez uma pequena onda de choque, que se resumiu à apenas uma leve brisa de ar, mas já era impressionante ver um confronto daquele nível.

Enquanto as duas se enfrentavam, o exército unido dos Wyvern e Scorpion estavam passando por maus bocados, já que, com o gás emitido por Wena, eles haviam entrado em algum tipo de modo de fúria incontrolável, que nem mesmo eles, que estavam em maior número, conseguiam lidar com.

A mana de Elron já estava acabada há tempos, e Adrielyel não estava conseguindo mais ter a mesma precisão de antes, por conta da fadiga de batalha. Eles estavam sendo pouco a pouco eliminados, um jeito terrível para morrer.

Foi então que, aproveitando do caos gerado, Athert começou a murmurar o feitiço de luz, usando do som emitido pela batalha para ocultar sua voz. Os guardas perceberam a movimentação de sua boca quando era tarde demais.

– Luz Purificadora! – Ele gritou, fazendo com que sua cruz emitisse um poderoso feixe de luz, cegando os guardas que o seguravam.

Quando sentiu a pressão em seus braços sumir, pegou uma das lanças dos guardas e rompeu pela batalha. Logo que saíram de sua cegueira temporária, os guardas começaram a correr atrás do rapaz, que corria com todas as forças que lhe restavam. Ele checou sua barra de mana, que pontuava o exato necessário para o feitiço que ele tinha adquirido recentemente após concluir a missão do Forte Lacot. Ele arrancou a cruz de seu pescoço e a amarrou na ponta da lança, preparando para arremessá-la.

– Oh, deuses da vida, imbuem esta lança com vosso poder milagroso e fortaleça os fracos! Espírito da Vanguarda! – Ele recitou, atirando a lança, que voou pelo campo de batalha com um intenso brilho azul. Athert sorriu, antes de ser jogado no chão pelos guardas, que o seguraram mais uma vez.

No momento em que a arma penetrou o solo do lado dos Wyverns e Scorpions,os bandidos da frente de batalha sentiram sua força aumentar e suas energias se revigorando. Elron olhou para sua barra de mana, vendo que ela estava carregada pela metade.

– Agora é hora de fazer churrasco de bandido! – Ele exclamou, usando sua mana para incendiar sua lança. – Deuses das chamas! Mergulhem esta lança com vossas chamas infernais e faça com que suas almas virem cinzas! Labareda Voraz! – Gritou, Jogando-se no meio dos inimigos, girando como um disco incandescente enquanto rasgava a carne dos inimigos.

Todos os outros bandidos que foram revigorados avançaram, inspirados pela coragem do elfo, atacando com tudo o que tinham. 

Naquele mesmo instante, Athert iria ser morto pelos guardas, que erguiam punhais sobre suas costas, no entanto, eles foram acertados por duas flechas na cabeça, matando-os na hora. Athert tossiu, sentindo o ar entrar em seus pulmões novamente após ter suas costas prensadas contra o chão frio de pedra. Olhou por cima dos ombros, vendo Adrielyel, que sorria pra ele, mas logo voltou seu olhar para os Vipers. O demônio dirigiu sua visão para Emma e Wena, que lutavam ferozmente.

Enquanto Wena dava ataques mais pensados e ordenados, Emma simplesmente tentava golpeá-la com tudo o que tinha, desferindo ataques rápidos e vagos. A fúria estava estampada na cara das duas, mas mais intensamente em Emma, que estava descontrolada. Entretanto, apesar do grande poder que Emma possuía naquela forma, ela estava se desgastando rapidamente, já que seus atributos de Hp, ataque, defesa e velocidade foram aumentados, mas sua energia física não. Enquanto Wena preservava sua energia, a garota gastava a dela inconscientemente, ficando cada vez mais devagar.

E então, chegou o momento que a mulher serpente tanto esperava: Emma ficou cansada demais para efetuar movimentos rápidos. Ela usou de um ataque falho de Emma para atacar, socando-a enquanto seus punhais de mão perfuravam a jovem, injetando veneno nela. Emma recuou, sentindo seu interior contrair violentamente, caindo de joelhos no chão. Sua visão começou a ficar turva e confusa. De seu nariz, sangue pingava periodicamente, caindo aos poucos no chão. Wena se aproximou, pegando a jovem pelo pescoço.

– Isso acaba aqui! – Ela gritou, indo degolar Emma, mas, antes que pudesse, foi distraída por uma flecha atirada contra ela, mas ela desviou no último segundo, recuando ainda com Emma em suas mãos.

– Cobra, largue a garota! – Gyleon disse, retirando sua espada do último Viper enlouquecido, que agora estava morto.

Por conta do buff que Athert deu para eles, o exército de bandidos conseguiu vencer os inimigos. A praça da cidade, agora era um mar de sangue e corpos.

– É sério que vocês não conseguem entender o quanto essa mulher é perigosa pra esse mundo?! Ela trouxe o caos e a destruição! Se ela não estivesse aqui, a morte de centenas poderia ter sido evitada! – Wena disse, tentando levar eles na conversa.

– Sabe o que acontece, moça? É que… bem, nós somos bandidos, não nos importamos com nada do que ela pode ter feito. – Elron disse, apontando sua lança para Wena. – Então é melhor ir largando a idiota aí, antes que eu mate você!

Os ladrões o acompanharam, ficando em posição de combate.

Wena sabia que não iria conseguir derrotar todos eles, então deveria utilizar sua última carta na manga. Ela não queria ter que utilizar aquilo, já que era algo precioso e que não poderia ser usado até que fosse reativado, e demoraria muito. Porém, era aquilo ou ser linchada por um monte de bandidos.

Tomada a sua decisão, ela retirou um cubo azul de suas vestes e rapidamente o jogou no chão. De repente, os corpos de Emma e Wena foram transformados em códigos e sugados para dentro do cubo, antes que os aliados de Emma pudessem fazer qualquer coisa.

*

Emma abriu seus olhos, confusa e com medo, ela se viu em um lugar completamente diferente de Nova York, o último lugar em que ela lembrava de estar consciente. Era um grande lago, com uma ilhota no meio, que estava conectada às bordas do lago por pontes. Sobre o lago, inúmeras flores de lótus espalhadas, boiando suavemente pela superfície do lago. De súbito, a raposa de antes apareceu, caminhando ao lado de Emma, que estava sentada na grama da borda.

– Então mesmo com eu te dando meu poder, você não conseguiu vencer ela? – A raposa questionou, direcionando seu olhar para Emma.

– Eu não sei… eu apaguei do nada, e agora eu tô aqui. – Emma disse, tentando se explicar.

O Animal suspirou, direcionando seu olhar para a ilhota no meio da água.

– Bom, não é como se não pudéssemos reverter essa situação. – Disse, fisgando a atenção de Emma, que também olhou para o pequeno pedaço de terra em meio à água. 

Lá, Wena estava sentada na ilha, cercada pela cobra que antes havia caçado Emma pela cidade. Seus olhos estavam sérios, olhando para Emma com ódio e fúria. Ela se levantou, estendendo seu braço, fazendo com que a cobra se transformasse em uma espada. Emma foi levantada pela força da Raposa, assustando a garota um pouco.

– Estenda seu braço. – A Raposa ordenou.

– Como é que é?

– Só faça o que eu mandei.

Sem muitas escolhas, Emma ergueu o braço, e, do nada, a Raposa brilhou intensamente, um feixe de luz que se moveu até a mão de Emma, onde havia se transformado em uma katana branca.

Sem muitas escolhas, Emma ergueu o braço, e, do nada, a Raposa brilhou intensamente, um feixe de luz que se moveu até a mão de Emma, onde havia se transformado em uma katana branca

– Agora eu deixo com você, não irei mais interferir. – Emma ouviu em sua cabeça, como se estivesse vindo diretamente de lá.

Entendendo o que tinha que fazer, Emma subiu na ponte junto com Wena, que andava calmamente. As duas pararam um pouco longe uma da outra, trocando olhares.

– Por que você me persegue? Não vê que eu só estou tentando sair desse lugar maldito? Vocês me querem fora daqui, então por que não me deixam sair? – A garota questionou, apontando sua espada para a mulher.

– Emma Adams, você causou problemas tanto aqui quanto no mundo real. Achávamos que você poderia ser facilmente eliminada em Nova York, mas então você chegou, vindo pra este mundo como se fosse totalmente normal. Isso nunca teria acontecido se você não tivesse resolvido brincar de Hacker e espalhar sobre o Re:Birth para todo o mundo. – Wena explicou, falando de um jeito mais sério.

– Eu não tenho culpa se vocês criam algo revolucionário e não compartilham com as pessoas. Pensem em quem está errado primeiro!

– Isso não importa agora. – Falou, brandindo sua espada. – Você vai morrer, de qualquer jeito. – Concluiu, avançando numa velocidade que surpreendeu Emma, que levantou sua espada na hora e conseguiu defender o golpe devastador desferido por Wena. A garota sentiu o vento atrás dela se dirigir ainda mais para trás. Era como se o poder do golpe tivesse sido tamanho que ele havia cortado o ar atrás de Emma.

Ela segurava a espada de Wena com dificuldade, empurrando com todas as suas forças a espada da mulher, que pressionava cada vez mais.

– Como você ficou tão forte assim do nada?! – Emma gritou, aos poucos perdendo na luta de forças.

Wena nada respondeu, apenas empurrou ainda mais forte. Pensando nisso, Emma rapidamente recuou, fazendo com que a espada de Wena colidisse contra a ponte, abrindo um buraco na madeira, por onde ambas atravessaram. Por sorte, o lago não era muito fundo e Emma podia ficar de pé. Aproveitando do momento, ela desferiu um golpe contra a mulher serpente, que recuou rapidamente, mas não antes sem ter sido ferida pela sua oponente. Ela passou a mão em sua bochecha, de onde escorria sangue. Deixando de lado a seriedade, Wena ficou furiosa e investiu em Emma, que conseguiu segurar mais uma vez o golpe poderoso da mulher. Na hora do impacto, ela podia jurar que sentiu a espada vibrar e a água se mover ao redor das duas.

Compreendia que não poderia ficar naquele impasse, se não uma hora ela seria derrotada. Então, mais uma vez recuou, mas foi acompanhada por Wena, que desferiu um golpe na vertical, fazendo um corte no ombro de Emma. Logo em seguida, deu vários golpes em sequência, alguns que Emma não pôde defender, o que ocasionou diversos cortes pelo seu corpo.

– Emma! Este é outro mundo, um lugar separado do Re:Birth! Por isso ela é mais forte, mas não consegue limitar esse poder só a ela! Deixe seu corpo mais leve, respire fundo e vá! – A Raposa gritou dentro da mente da garota.

– Pra quem disse que não ia se meter tu tá falando bem alto hein?!

– Só cala a boca e faz o que eu mandei! Ou nós duas vamos ser mortas aqui!

Ela fez como ordenado, soltando o corpo e respirando fundo, concentrando-se em seu objetivo. Logo, sentiu seu corpo ficar mais ágil e forte, avançando contra Wena, que dessa vez ficou surpreendida com a súbita força ganha por Emma.

– C-Como?! Isso é impossível! – Wena gritou, espantada com a força que Emma agora possuía.

– Você não é a única que pode se aplicar às regras aqui!

E assim, o impasse foi desfeito, com Emma aproveitando da surpresa de Wena para desferir uma sequência devastadora de golpes, cortando Wena em várias partes do corpo, não podendo reagir. Cada golpe que Emma executava as águas do lago tremiam, mostrando o quão forte ela estava. Depois de muitos golpes, Emma conseguiu jogar a espada da mulher para o alto, chutando-a logo em seguida, fazendo-a colidir contra uma parede de rocha.

Ela colocou sua espada para trás, preparando-se para o ataque final.

– Isso é por tudo o que você me fez passar. Isso é pela minha vida que se foi. Isso, é por tudo o que eu sofri até chegar aqui. Isso, é por todas as pessoas que vocês aprisionaram nessa merda de mundo! – Ela começou a correr na direção de Wena, que estava desesperada. Ela pulou, preparando um corte na vertical. – Code… Breaker!!!!! – Gritou, desferindo o golpe, que atravessou Wena de cima a baixo.

Em questão de instantes, tanto Wena quanto a parede de pedra atrás dela foram cortadas ao meio. Ela finalmente estava morta. Emma havia vencido.

Caiu sentada na água, ofegante e respirando com dificuldade. De repente, a espada voltou à ser a Raposa, que olhou diretamente nos olhos de Emma.

– Parabéns, você conseguiu derrotar essa maluca sádica. – A Raposa disse, suspirando de alívio. 

– Por que quando eu observo o seu jeito de falar eu consigo me ver perfeitamente em você, nesse corpo de raposa?

A Raposa virou a cabeça, como se estivesse confusa.

– Eu? Parecida com você? Corta essa. – Disse, enrolando a cauda ao redor do corpo. – Bem, de qualquer jeito, depois disso eu provavelmente irei desaparecer por um bom tempo, então espero que você tome cuidado.

– Ei, espera aí! Tem muita coisa que eu quero perguntar pra você!

– Você irá descobrir a respostas para todas as suas perguntas durante a sua jornada. Agora, volte. – Ela concluiu, tocando na cabeça de Emma com a pata, fazendo a garota perder a consciência novamente.

*

Acordou mais uma vez, só que dessa vez no mundo real. Ela estava cercada por vários bandidos, mas os mais próximos eram Athert, Elron, Adrielyel e Gyleon. Todos gritaram e comemoraram quando viram ela abrir os olhos.

– Ae caralho! – Elron gritou, jogando seu punho ao céu.

– Finalmente você acordou! – Adrielyel disse, ajoelhando-se e ficando perto de Emma.

– Puta merda, quando é que eu vou me livrar de você, hein? – Athert disse, ironicamente, ajudando a garota a se levantar.

– Cala a boca, idiota. Sem mim você não sobrevive por dois dias!

– Ah, essa eu quero ver!

– Jovens, silêncio! Tenho um anuncio a fazer! – Gyleon gritou, parando as comemorações. – É o seguinte… Como ganhamos agora… Acho que devíamos… Encher a cara caralho! Bora pro bar, eu pago pra todo mundo!

Nesse momento, todos os bandidos urraram de felicidade, incluindo Elron e Adrielyel. Emma e Athert se entreolharam, a garota fazendo cara de coitada e Athert já recebendo o recado.

– Tá bom… pode beber!

– Aí sim! – Emma encostou no ombro de Gyleon, apoiando-se nele. – Bora pra segunda rodada de Poker da bebedeira?

– Bora!

E assim, todos eles curtiram o resto do dia, bebendo no bar da região Wyvern, que agora deveria dividir o bairro Viper com os Scorpions.

Enquanto isso, em algum lugar longe dali.

A forma negra descansava sobre o trono de ferro negro, observando um painel com atenção. Ele deslizava os dedos freneticamente, como se estivesse em busca de algo. Tudo estava um completo silêncio, até que uma pessoa surgiu das sombras. Uma mulher, de vestido branco, utilizando uma máscara que estava escondida pela escuridão.

– Senhor B.W – Uma voz feminina disse, ajoelhando-se perante a pessoa.

– Diga, rápido, estou trabalhando. – Uma voz indistinguível ecoou pelo salão.

– A Green Snake… Ela morreu. Foi destruída em um Cubo de Simulação.

No mesmo instante, o ser no trono ergueu o rosto, mostrando sua máscara negra, mas ainda irreconhecível. Bateu em um dos braços do trono, furioso.

– Merda! Então quer dizer que a White Fox conseguiu derrotar ela… – Ele não terminou, começando a contemplar o nada.

– Senhor?

– Chame a P.S e o S.T, eles devem dar conta do recado. Acabem com aquela invasora o quanto antes!

– Sim senhor! – O informante disse, sumindo novamente nas trevas.

A forma obscura se ajeitou no trono, sorrindo por trás da máscara.

– Você vai morrer, Emma Adams, apenas espere por isso.

Comentários