Espíritos Esperançosos

Diante daquela visão espectral, Âme não sabia como reagir. A energia emanada da estranha porta estava aos poucos esfriando o ambiente, mas a pequena raposa não sabia distinguir se isso era real ou apenas delírios dela mesma. A resposta não seria boa de ambas as formas, de qualquer jeito.

Correr aparentava ser uma ótima opção, mas suas pernas não correspondiam seus pensamentos. Pelo contrário: ela percebeu que estava sendo puxada na direção da porta. Ela tentou parar, forçando as patas dianteiras contra o chão, mas não funcionou. Parecia que toda resistência só a fazia ser sugada com mais força para o portal obscuro, que aparentava estar se abrindo. Enquanto ela era arrastada, a porta se quebrava e retornava ao estado original, transitando os próprios passado e futuro.

Quando estava a ponto de encostar o focinho na porta, a sucção parou, e ela retomou o controle de si. Mas algo estava diferente. A aura sombria da porta se intensificou, deixando o ar mais pesado. E então, influenciada por alguma força desconhecida, a porta foi lentamente sendo empurrada para dentro, revelando aos poucos o seu interior.

Diferente do que Âme imaginava, a porta terminava em algum lugar. Ao contrário do mar infinito que se encontrava do lado de fora, o aposento que a madeira volátil guardava era muito mais do que ela poderia pensar. Ao contemplar aquela visão, seus olhos refletiram a luz fantasmagórica de uma chama azul-clara que brilhava no centro do recinto. Pequenas fagulhas soltavam-se das labaredas ardentes, voando pelo ambiente antes de completarem seu ciclo de vida efêmero.

O fogo queimava abaixo de uma pedra cristalina quebrada, com seus pedaços rotacionando ao redor de um pedaço maior de formato piramidal logo acima do braseiro cerúleo. No total, eram sete fragmentos, todos eles com uma cor distinta, que consistiam em: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta, sendo o estilhaço central de cor azul.

Sem nem mesmo notar, Âme já estava no interior do local, incapaz de desviar o olhar. Ela não entendia o porquê daquela forma, mas ela conseguiu entender bem do que se tratava o misterioso altar.

Eu achei… Eu encontrei o Núcleo!

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Sob o véu do luar, as duas garotas caminhavam um tanto apressadas pelas ruas de Hermes, mesmo que seus colegas bêbados pesassem em seus ombros, elas eram movidas pela força e pela ansiedade de ver a “casa mais bonita de Hermes”, segundo Gileon.

As ruas da cidade, diferente do que Emma pensou, eram menos movimentadas à noite, já que a maioria ou estava em casa ou estava nos bares enchendo a cara, como foi o caso deles. Um cheiro forte subiu, odor este que ela inicialmente imaginou ser do álcool que seus companheiros beberam aos montes, mas uma análise mais aprofundada a levou à origem do fedor. Suas roupas, que desde o início daquele dia sofreram um bocado com todo o caminho percorrido. 

Merda… isso me lembra do meu quarto em Nova York, tomara que Gileon tenha um chuveiro ou algo do tipo na casa.

Enquanto pensava nisso, Athert finalmente acordou, mexendo um pouco a cabeça e chamando a atenção de Emma. Ele piscou algumas vezes, tentando focar a visão.

— Que droga… quanto eu bebi? — ele perguntou, claramente arrependido.

— O bastante para você desmaiar no bar e eu ter que te carregar nesse teu estado deplorável. — Emma respondeu, rindo ao pensar no quão idiota a situação parecia ser para ela.

Athert, ao contrário da garota, se irritou com o comentário, soltando-se do apoio fornecido por ela e a empurrando, cambaleando para trás por alguns segundos antes que caísse sentado no chão. Ele resmungou de dor, pondo a mão no quadril e a outra no chão para tentar se levantar, mas sem sucesso. Quando estava prestes a cair de novo, Emma segurou-o pela mão, tropeçando um pouco até que se acostumou de novo com o peso de Athert. Com um pouco de esforço, a jovem puxou o rapaz para cima novamente e o encarou.

— Não me faça ter que segurar sua mão suja outra vez, idiota. — falou, soltando a mão dele logo em seguida.

— Eu até poderia acabar contigo por isso… mas agora estou debilitado demais pra isso…

— Sério? Então até você ficar sóbrio eu vou te chamar de tudo quer nome.

— Você não ouse…

— Ei, vocês dois!… Será que dá pra parar com essa briga idiota? — Ouviu-se outra voz por trás deles.

Era Gileon, que também tinha acordado e vencido a necessidade de apoio no ombro de Alex, que parecia aliviada por ter se libertado do peso extra. Ele pôs a mão sobre a testa e a desceu até cobrir os olhos com os dedos.

— Cacete… eu tenho que lembrar que fazer essas festas acaba comigo no fim. — falou, esfregando os olhos para tentar ajustar a visão.

— Não só vocês, como também todo o resto do bar. Todo mundo capotou. — Alex disse, rindo ao se lembrar da cena

— Velho, me lembra de não botar os pés em um bar por pelo menos uma semana… — Athert pediu, arrancando um sorriso do homem.

— Pode deixar, eu também tenho que dar uma pausa na bebida.

— É nessas horas que vocês tem que tirar a mão do copo e por na consciência, seus bestas. Quase entraram em coma alcóolico por causa de uma disputa pra quem aguenta beber mais.

— Não diga isso, mocinha. O duelo de doses é algo sagrado!

— Cirrose também pode ser algo sagrado, só que de um jeito mais indireto… — comentou, conseguindo tirar algumas risadas de seus colegas.

— Bem… de qualquer forma, vocês fizeram um ótimo trabalho! Só estamos à algum minutos da minha casa. Vamo nessa, temos que tomar um banho pra tirar a catinga do dia!

 Todos os outros concordaram, seguindo quietos pelo resto do caminho

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Pela segunda vez naquele dia, os jovens ficaram surpresos ao ver uma das muitas construções exóticas que enfeitavam a paisagem urbana da cidade. Como uma pepita de ouro numa pilha de terra, o casarão de Gileon erguia-se imponente como um marco da beleza e engenharia da cidade.

— E então… é bonita, né?

— E pensar que você conseguiria o dinheiro e o pessoal pra construir algo assim… é impressionante. — Emma comentou, alimentando o orgulho do bandido.

— Não é só impressionante, é magnífico! Eu tive que juntar uma quantia absurda pra… — antes que pudesse completar a sua fala, ele se distraiu com o som de uma porta sendo aberta com violência, seguido pelo ruído de passos apressados se aproximando deles. 

Da casa de Gileon, saía um jovem rapaz, que devia ter entre 18 e 20 anos de idade. Ele vestia um terno negro com uma pequena capa na parte traseira, que voava com a agilidade de seus passos. Quando chegou perto o suficiente, se agarrou ao portão e encostou seu rosto nas barras de ferro negro. Seus olhos cerúleos contrastavam com seu cabelo negro volumoso, e, apesar de não mostrar um porte físico muito bom, parecia bem determinado em suas ações.

— Senhor… Gilbert… — dizia com dificuldade, já que sua corrida havia custado bastante de seu fôlego. — Onde você esteve?…

— Ah! Então, Damian… eu  meio que saí sem avisar a você, desculpa por isso. — A Voz do homem era trêmula, indicando uma certa apreensão por parte do jovem.

O rapaz bem vestido rastreou o cheiro de álcool que vinha de Gileon, suspirando e botando a mão no rosto como sinal de desapontamento.

— E encheu a cara de novo… pra variar.

— Você sabe como eu sou… não dá pra evitar.

— Ah… de qualquer forma, você chegou aqui são e salvo… — falou, dirigindo seu olhar para o resto do grupo com certa desconfiança. — com pessoas novas?

— Prazer, nós somos… é, como posso dizer? — Emma tentou passar uma boa impressão, mas algo em sua mente estava fazendo seus pensamentos ficarem confusos.

— Amigos! Somos amigos do Gileon! — Alex completou, ficando ao lado do bandido e colocando o braço por cima do ombro inesperadamente musculoso do ladrão.

— Amigos? Bem… eu acho que tudo bem então. — Sem mais delongas, ele abriu o portão sem pressa, dando espaço para que cada um entrasse com nenhuma dificuldade. — Venham, entrem. Já é bem tarde e… pode parecer meio irônico falar isso, mas estamos em uma cidade lotada de criminosos, então acho que é melhor se apressarem. — concluiu com uma tímida risada.

Acatando ao pedido do rapaz de preto, os quatro prosseguiram seu caminho até o interior da mansão. Do lado de dentro, a casa era ainda mais majestosa, conquistando a admiração de todos os visitantes. Enquanto eles admiravam a arquitetura e a decoração, Damian se pôs de frente para uma escada que levava para o segundo andar da residência. Antes mesmo que ele pudesse explicar, Gileon já subia as escadas despreocupadamente.

— Vocês devem estar cansados, então eu recomendo que usem os banheiros no segundo andar e depois irem para os quartos. Se não for de incômodo, peço que dividam os quartos, já que os outros estão passando por reformas depois de uma das… festanças do Gilbert.

— Aliás, eu esqueci de perguntar… mas o que você é do Gileon? Alguma espécie de empregado? — Emma questionou.

— Sou o ajudante dele. Protejo a casa quando ele está fora e o auxílio em seus afazeres domésticos.

— Basicamente, um empregado. — Athert concluíu, o que fez com que Damian quisesse se explicar melhor, mas ele percebeu que seria inútil e escolheu permanecer calado.

— Eu diria que está mais para um mordomo chique! 

— Você sempre vê as coisas de uma maneira mais colorida, Alex.

Com uma tosse forçada, o empregado retomou a atenção para si, voltando à explicação.

— Enfim, vão logo tomar seus banhos e dormir, estou cheio de coisas para fazer.

— Eu não vou dividir quarto com esse cara aqui nem que eu tenha que dormir no chão. — Emma declarou enquanto apontava para Athert, que não conseguia entender a aversão que a garota sentia por ele.

— Qual foi?!

— Acalmem-se… ele pode dormir no mesmo quarto que eu, não me importo com isso.

— Hehe… — Alex tentou ocultar a risada maliciosa pondo a mão sobre a boca, mas ainda assim deixou escapar o seu sorriso que mostrava claramente o que ela estava imaginando.

— Ah não… não me diz que você pensou nisso… — Athert falou, desejando que tivesse interpretado a garota errado.

Em resposta, ela virou-se para ele e fez um sinal da paz acompanhado de um sorriso maldoso.

— Eu apoio totalmente!

O rosto do sacerdote se torceu numa expressão de repulsa, escolhendo correr para as escadas e subir para o próximo andar sem olhar para trás.

— Volta aqui! A gente ainda nem discutiu sobre qual de vocês dois vai ser o ativo! — Ela gritou, correndo atrás do rapaz.

— CALA A BOCA! — Berrou de longe, dando ainda mais gás para que a ferreira corresse atrás dele.

Naquele clima de estranheza deixado por seus dois companheiros, Emma não sabia o que dizer. Damian a encarava, como se pedisse por respostas para o que havia acontecido, mas ela não se importava. Com passos apressados, ela se dirigiu para a escadaria, por onde subiu sem olhar para trás.

No primeiro piso, o mordomo a seguiu com os olhos até que desaparecesse de sua vista. Ele deu um tímido sorriso e depois voltou a caminhar pelas entranhas do casarão.

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Emma notou que cada passo que dava no corredor gerava um som que percorria por uma boa distância. Ela se perguntou o porquê do homem ter uma casa tão grande sendo que apenas duas pessoas a habitavam, mas desistiu de entender os pensamentos de alguém como Gileon.

Um grande estalo surgiu de seu último passo no piso de madeira antes de interromper bruscamente a sua caminhada ao perceber que, no fim do corredor, algo parecia se esgueirar entre as sombras. Ela não conseguia ver o que era, mas a figura umbral lembrava algo como uma pessoa. Como reflexo, ela pôs a mão no bolso onde guardava a faca, mas apenas tateou o vazio.

Droga… esqueci que a perdi quando fui presa. Malditos soldados

Quando voltou a prestar atenção para frente, foi surpreendida por uma silhueta negra parada a alguns passos dela. Sua reação instantânea foi cambalear para trás, o que quase a fez cair, mas ela conseguiu se manter firme ao estabilizar seus pés. A figura escura não tinha nenhum aspecto que lembrasse alguém que ela conhecia, pois a mesma não possuía rosto ou pele.

Com passos trôpegos, a coisa começou a se aproximar da garota, emitindo um choro espectral e harmônico, como se uma orquestra fantasmagórica fosse cantada por ela. Em resposta, Emma foi recuando à medida que a sombra se aproximava.

Os passos torpes tornaram-se um caminhar lento, depois em um andar apressado, até que por fim ela começou a correr na direção da jovem, que não hesitou e virou-se para o lado oposto para correr também. Contudo, depois de três passos, ela deu de cara com algo. Após recobrar a atenção, viu-se de frente para Gileon, já vestido de pijama para dormir.

— Algum problema? — ele questionou, confuso com o olhar assustado da garota.

Ela virou e apontou para trás de si, vendo em seguida que não havia nada ali além de uma parede que sinalizava o fim do corredor.

O que…

— Eu podia jurar que…

— Ah… tem certeza que não bebeu nada, jovenzinha? — indagou com um tom mais paterno do que ele gostaria de transmitir.

— Claro que não! — respondeu, cruzando os braços enquanto dirigia seu olhar para ele. — Eu só… devia estar imaginando coisas.

— Bem, não importa — disse, bocejando logo em seguida. — O banheiro fica na segunda porta da esquerda, tome um banho para esfriar a cabeça. Você teve um dia cheio hoje.

— Obrigada.

— De nada. — falou, seguindo o caminho para seu quarto.

Com as dicas dadas pelo bandido, Emma conseguiu facilmente encontrar o banheiro, abrindo a porta e entrando assim que chegou. Como era de se esperar, o banheiro também era luxuoso, com seus móveis cheios de adornos e o chão com ladrilhos cintilantes. Até mesmo a banheira era adornada, sendo feita de cerâmica branca com enfeites dourados. 

O dinheiro não era meu, não vou criticar…

Sem mais esperar, ela despiu-se e pôs as roupas em um dos suportes presos à parede. Ao olhar para si mesma num grande espelho que ali havia, viu que a ferida que a Garça lhe causou deixara uma grande cicatriz por onde a lâmina passou. Mesmo que não se importasse muito com sua aparência, a marca a incomodou um pouco, dando-lhe mais motivos para entrar na banheira logo, e assim o fez.

Abriu a torneira de ouro e deitou-se. Até mesmo a dura e fria porcelana era um conforto para permear a dor e o cansaço que sentia por conta da correria daquele dia. Muitas coisas aconteceram, algumas que ficariam gravadas na sua mente até o dia de sua morte. Mesmo que sua estadia em Hermes tivesse acabado de começar, ela sabia que não poderia ficar lá por muito mais tempo. Uma guerra poderia estar acontecendo lá fora sem ela saber, uma guerra que ela se culpava por acontecer. Talvez fora esse sentimento de culpa que a fez se sensibilizar um pouco com a situação de Amber, escolhendo por ajudá-la naquela noite.

A água encheu a banheira e ela impediu que subisse mais ao girar a torneira, fechando-a. O líquido abraçava-a num afago frio, mas confortável. Ela sentiu seus olhos pesarem, mas preferia morrer ao deixar-se dormir nua numa banheira cheia d’água. Ela se sentiu recompensada, como se aqueles três dias que se passaram dentro de Yharag tivessem valido à pena. Mas ela não podia dizer isso com certeza devido à sua situação.

Enquanto perdia-se em seus devaneios sonolentos, uma estranha sensação de que algo estava saindo de seu corpo a atingiu. De repente, Âme saltou de seu peito e caiu do lado de fora da banheira, virando-se para encarar a jovem.

— Sentiu a minha falta? — a raposa perguntou ironicamente

— Eu estava quase dormindo de tédio e cansaço aqui, foi bom você ter aparecido. — respondeu com um leve sorriso no rosto. Com um dos braços, ela se apoiou em um dos lados da banheira para olhar direito para o animal. — E então, o que você quer?

— Depois de muito procurar, eu finalmente encontrei o seu Núcleo! — disse animada e orgulhosa, esperando algum tipo de parabenização pelo feito.

— Você vem falando desse tal “Núcleo” há algum tempo mas nunca explicou o que ele é de fato. Tem como ser mais precisa? — respondeu, contradizendo às expectativas da raposa.

— Núcleo é a representação da alma de uma pessoa, todos tem o seu próprio, o que a difere dos demais. Basicamente, é uma representação “física” do seu espírito. Entretanto, a alma original pode se dividir como um mecanismo de defesa após um trauma para proteger a integridade das memórias da pessoa, o que pode gerar um transtorno de personalidades. Esse é o seu caso.

— O meu?… mas eu nunca mudei, eu sempre fui do jeito que sou agora!

— É o que você sabe. Mas a alma guarda segredos que as vezes nem nós sabemos. Você tem sete personalidades latentes, que estão esperando para tomar o lugar caso algo aconteça à você.

— Tem alguma forma de restaurar a alma original?

— Depende do caso. No seu, como encontramos o núcleo antes de uma fragmentação severa, eu posso unir a alma toda temporariamente ao me juntar à você. Ao fazer isso, nossas almas se fundirão numa só, o que irá liberar os poderes adormecidos que eu posso dar à você aqui dentro. Isso é o que eu chamo de Sincronização Espiritual.

— Poderes? Que tipo de poderes?

— Descobriremos ao fazer isso. Eu não recomendo tentarmos agora, pois seria muito abrupto e a Sincronia exige muito do corpo.

— Se você tá dizendo, quem sou eu pra contrariar…

Após o fim da conversa, um clima desconfortável surgiu entre as duas, pois nenhuma delas sabia como continuar o bate-papo.

— Bem… quando precisar, me chame, eu estarei aqui. — finalizou, saltando novamente para dentro da garota.

Após o sumiço de Âme, Emma se empenhou em terminar logo o banho, então utilizou dos produtos dispostos ao seu lado, como sabonetes e shampoos, para se limpar.

Alguns minutos depois, ela tirou a tampa do ralo da banheira, esvaziando-a. Depois disso, saiu para pegar uma toalha que a esperava em um suporte ao lado do que ela pôs suas vestes sujas. Nela, havia um bilhete.

Cara Senhorita “amiga” do Gilbert (Perdão, ainda não sei seu nome)

Deixei esta toalha aqui por pedido do senhor Gilbert, pois ele imaginou que você seria a última a usar este banheiro. Seu quarto está localizado na terceira porta do lado direito deste mesmo corredor, onde roupas limpas a esperam em sua cama. Como forma de agradecimento por cuidar do Gilbert, deixarei roupas novas para você e seus colegas em seus respectivos quartos quando acordarem.

Atenciosamente, Damian Castello”

Aquele cara até que é gente boa. Pensou, dando um sorriso.

Depois disso, Emma se secou e enrolou-se com a toalha e seguiu seu caminho até a porta indicada, onde entrou e encontrou um quarto com duas camas, sendo que uma já estava ocupada por Alex, que dormia pesadamente. Vestiu o pijama que estava na sua cama e, assim que deitou na confortável cama, sentiu-se no paraíso. Talvez, realmente tudo aquilo tivesse valido a pena. Se ajeitou no móvel e deixou-se ser levada por Morfeu, adormecendo tranquilamente.

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A mulher contemplava o mundo abaixo de seus pés aconchegados numa grossa camada de neve. Uma forte brisa fria erguia seus longos cabelos prateados que brilhavam com a luz do luar. Suas vestes não eram grossas, apesar da temperatura no local. Ela não precisava disso. Seu olhos cor de âmbar fitavam as planícies verdejantes longe daquela cadeia de montanhas nevadas onde ela estava, pensando aonde a garota poderia estar.

Tentando não pensar muito nisso, ela voltou-se para trás, olhando para a grandiosa cidade esculpida na montanha e ponderou sobre o tempo que ela permaneceria de pé antes que os cultistas a conquistassem. Seu coração desejava agir, mas ela mesma se proibia de o fazer. À ela, restava apenas esperar que Emma chegasse até ela. 

Ela não sentia frio, pois o seu coração estava envolto com as chamas do ressentimento, culpa e angústia.

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