Almas em Conflito

As memórias adormecidas não querem mais descansar. Já permaneceram de olhos fechados por tempos demais. Desejam ver o mundo fora deste oceano de profundo infinito onde ficaram presas. Agora que a porta foi aberta, elas podem voltar, todos os fragmentos de uma parte incompleta esquecida há muito tempo num coração que não possui a mesma vitalidade.

O equilíbrio construído pela frágil mentira está prestes a ruir. E com ele, nós iremos levantar dos escombros da alma despedaçada que não suporta mais o peso que carrega. Essa realidade fugaz enfim encontrará o seu fim, e a verdade poderá ser revelada.Mas ainda precisamos de um gatilho… uma chance para que isso aconteça.

Você vai nos ajudar com isso, não é…

Emma?!

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— Emma! — O chamado de Alex tirou a mercenária de seu transe sonolento, que levantou num salto da cama, ficando sentada na mesma. Ela estava suada e carregava consigo uma expressão sombria, por algum motivo que ela não sabia explicar. A única coisa que ela entendia é que tinha acabado de ser liberta de um pesadelo assombroso e cheio de trevas.

Com um sorriso forçado, ela olhou para Alex e bocejou, tentando parecer a mesma de sempre.

— Como você consegue ter energia até de manhã? Eu mal consigo ter vontade de levantar da cama.

— Eu perguntei a mesma coisa pra ela. — Athert, que estava sentando no pé da cama, olhou para ela por cima do ombro. — Mas você realmente dorme muito.

— Ah… calem a boca! — Ela disse, pegando o travesseiro em que deitara e afundando o rosto na maciez torpe do paraíso dos cordeiros, do qual foi rapidamente banida pelas mãos fortes da ferreira, que puxou-o para baixo pela fronha. Nessa hora, Emma portava uma expressão de raiva um tanto infantil.

— Você não pode dormir de novo, nós temos que conversar com o Gileon sobre a missão que ele nos deu ontem. — Alex afirmou, dando um sorriso caloroso para tentar conquistar o interesse da garota.

— Se fosse algo tão importante ele teria nos falado ontem de noite antes de encher a cara com o Athert naquele bar.

— Você vai falar do bar para sempre, não vai?

— Com certeza.

Antes que qualquer outra palavra pudesse ser dita, a grande porta ornamentada do quarto se abriu, revelando metade do corpo de Damian, que se esgueirou pela estrutura até se apoiar com uma das mãos na maçaneta e a outra na madeira de lei.

— Não quero bancar o chato, mas o Senhor Gilbert está esperando. Se puderem se apressar, eu e ele agradeceríamos. — Saiu do quarto logo depois, batendo a porta atrás dele.

Sabendo que não podia enrolar e que a responsabilidade chamava, Emma suspirou e afastou Alex da cama para que pudesse se levantar de vez.

— Se você puder sair, Athert, eu ficaria agradecida. — Apesar de pedir, sua voz continha um tom autoritário, e a expressão em seu rosto enfatizava ainda mais o que ela queria dizer.

— A-Ah! Claro, o que eu estava pensando? — disse, saindo do quarto apressadamente para esconder as suas bochechas carmesim.

Do lado de fora, ele encontrou Damian encostado em uma parede não muito distante da porta. O mordomo lançou-lhe um olhar rápido e indiferente, logo voltando a sua atenção para o nada. De certa forma, o sacerdote se irritou com a atitude do assistente de Gileon, resolvendo conversar com ele por uma intuição que surgiu naquele instante.

O desertor caminhou até perto do empregado até ficar ao seu lado, encostando-se na parede quase que da mesma forma que ele.

— Você costuma ser assim sempre?

— Assim como?

— Neutro, parece que não quer se apegar à nada.

— Guardar emoções para coisas que não vão ficar comigo é como deixar algum doce fora da geladeira em um dia de sol. Você nutre esperanças de que aquele sabor açucarado vai permanecer, mas o fim é sempre amargo e cheio de angústia.

— Então por que se apega ao Gileon? Você não tem certeza se ele vai estar com você para sempre.

Nesse momento, Damian suspirou, evidenciando sua frustração, mas sua intenção não era deixar o questionamento do rapaz sem uma resposta. Isso não era do seu feitio.

— Sei que o que direi é hipocrisia, mas… — começou, deixando um tímido sorriso se formar na sua face. — Para mim, o Gilbert é aquele tipo de pessoa que você pode depositar a sua fé, mesmo com o histórico de malfeitor que ele tem. Mesmo depois de pagar a dívida que tinha, não consegui deixar esta cidade, esta casa, pois senti que tudo isso fazia parte da minha vida. Isso tudo é uma besteira, não é?

— Eu não acho que seja. — Athert disse, contradizendo as expectativas de Damian, que o olhou com uma expressão surpresa — Eu nunca imaginei que seguiria alguém ou viveria algo tão intenso, mas veja onde estou agora: seguindo duas garotas que conheci ontem, mas que já considero amigas. Alex é meio infantil e besta as vezes, e a Emma parece gostar de tirar sarro de mim, mas no fundo eu sei que são boas pessoas. Ter esperança não te enfraquece. Na verdade, fortalece o coração para os momentos difíceis.

Eles se entreolharam, ambos com sorrisos em seus rostos. O sacerdote estendeu sua mão amigavelmente, e o mordomo apertou-a depois de alguns segundos de hesitação.

Antes que mais palavras pudessem ser trocadas, a porta do quarto das garotas foi empurrada, e de lá saíram Alex e Emma com suas novas vestimentas.

Alex ganhou um conjunto vermelho de armadura leve, mas ela recusou-se a vestir o elmo. Apesar de um tanto simples, a vestimenta era bem ornamentada, com enfeites e detalhes dourados que casavam bem com a cor vermelha da veste e com seu cabelo áureo. Por baixo das placas de metal do torso, encontrava-se uma cota de malha que se estendia da cintura até o começo dos braços e uma parte do pescoço. Sua aparência lembrava Athert de uma certa ordem de cavaleiros imperiais, parecido até demais. Se fosse realmente um item vindo deles, o rapaz não ficaria surpreso em saber que Gileon havia roubado todos aqueles equipamentos.

Já Emma ganhou a atenção do clérigo assim que a viu. Sua paleta de cores usual escureceu a um ponto em que a garota aparentava estar vestindo a própria noite, uma mancha de piche num quadro de arbustos floridos. Desta vez, utilizava um sobretudo tão negro que parecia ser feito por fios imbuídos de escuridão, salvando apenas em alguns pontos onde era acompanhado por adornos florais pálidos que se ramificaram por sua roupa como ervas daninhas cadavéricas num tronco consumido pelas chamas. A roupa também era mais leve e apertada que a anterior, acentuando o formato singelo de seu corpo. Por baixo do manto de sombras, ela vestia uma simples blusa escura e uma longa calça preta com listras cinzas. Para completar o visual obscuro, ela usava um par de luvas da mesma cor que o resto do conjunto, com o símbolo da cidade dos ladrões desenhado na palma das mãos.

Athert também estava vestido com suas roupas novas, pois as colocou antes das outras em seu quarto. O manto sacerdotal do Império fora substituído por um casaco fino e aberto na frente, com sua extensão indo até pouco acima dos calcanhares do garoto. Sua coloração era voltada para o marrom, mas era claro como bege, sendo acompanhado apenas por listras pretas onde o pano encontrava os pulsos . Junto a isso, veio também um cachecol que estava ao redor de seu pescoço como uma serpente macia de tecido vermelho. Por baixo do casaco, ele utilizava roupas longas e pretas, sem enfeites muito aparentes, mas que marcaram sua presença em alguns pontos específicos.

— O Gileon tá querendo criar uma banda de mal gosto e eu não fiquei sabendo? — O sacerdote questionou, se referindo às roupas que cada um vestia.

— Isso tá mais para aquelas festas fantasia universitária em que sempre vem o Emo, o Louco por RPG e a Metaleira… — Emma acrescentou, balançando a cabeça em reprovação.

— Por que eu tenho a sensação de que eu sou o Emo? — Athert cochichou para si, deixando uma expressão de incômodo se formar em seu rosto.

— Ah, que isso pessoal… Pelo menos estamos estilosos! — Alex arriscou, tentando trazer um ânimo para seu grupo. O que pelas expressões envergonhadas e negativas deles indicava o fracasso completo de seu objetivo.

— De qualquer forma, não vamos nos estressar logo de manhã… minha cabeça ainda tá doendo um pouco de ontem. — Afirmou, já esperando uma das piadas sem graça de Emma.

— É, você tá certo, temos que ir logo falar com o Gileon — Essa fala destruiu as expectativas de Athert, mas de uma forma boa. Ele teve de fingir um espirro para virar o rosto e esconder seu sorriso vitorioso dos outros, murmurando frases orgulhosas enquanto pensava que ninguém o percebia. Para a tristeza do rapaz, sua atuação nas aulas de teatro sempre foram horríveis. A cena era tão patética diante dos olhos de Emma que ela simplesmente decidiu ignorar o que estava acontecendo. — Você pode nos levar até ele, Damian?

— Claro. Na verdade, é por isso que estou aqui — Afirmou, tomando a frente e indo para a saída daquele corredor — Vamos?

As duas garotas acenaram com a cabeça, enquanto Athert foi retirado de sua solitária vitória a puxões por Alex, que venceu com facilidade a resistência inicial dele. Com o tempo, ele parou de reclamar daquilo e voltou ao seu estado natural.

Enquanto andavam pelo luxuoso caminho até as escadarias, Emma não podia deixar de se incomodar com o sonho que teve. A sombra no corredor e o pesadelo não podiam ser paralelos, tinha que ter algo alí, uma peça faltando no quebra-cabeça mental que ela aos poucos montava.

Liberte-nos… Deixe-nos sair…, sussurravam as vozes dentro de sua cabeça.

Cacete… isso tem que ter alguma coisa a ver com a Âme, não tem como isso ter vindo do nada. Pensou, em meio à melodia de súplicas espectrais.

— Sabe… isso tudo é muito estranho. — Athert lançou, tirando Emma de seus devaneios.

— O que quer dizer?

— O Gileon nos dando essas coisas, vocês sabem… ele não é o melhor exemplo quando estamos falando de caridade.

— Essas coisas devem ter um sentido por trás, muito provavelmente com a missão que ele disse que nos daria. — Emma sugeriu, tendo sua teoria bem recebida pelos outros dois.

— O Senhor Gilbert tem esse hábito — Damian acrescentou, chamando a atenção deles. — Se ele está dando tudo isso à vocês, é porque o que farão não vai ser tão fácil quanto imaginam. O problema é que ele sempre explica isso depois de endividar as pessoas… — falou, dando uma risada suave.

— Parece o meu tio. — Alex falou sem pensar muito. Os três ao seu lado olharam para ela com expressões de estranheza, o que a fez sentir-se obrigada a explicar. — N-Nós da família Magni não somos só fortes! Também somos ótimos pensadores! Ao menos… era o que a mamãe dizia! — emendou, acreditando que tinha feito a coisa certa.

Alex, se sua vida dependesse de leitura de faces, você já estaria morta. Athert pensou, deixando um tímido surgir em sua face.

— É… com certeza são, Alex. — Emma afirmou, enchendo os olhos da garota de brilho e fazendo-a sorrir junto a eles. Apesar de suas faces terem indicado um grande desinteresse na fala da garota, a mercenária não podia fazer algo assim com sua amiga.

Depois disso, eles não demoraram muito para descer as escadas e seguirem o mordomo pelo resto do caminho. Eles viraram-se à esquerda uma última vez para encontrar uma grande cozinha iluminada pelos raios de sol que entravam pelas janelas quadriculadas. Diferente das cores do resto da caza, a cor que marcava mais presença naquele cômodo era o branco.

Numa mesa de vido ao centro, Gileon estava sentado de pernas cruzadas tomando chá. Molhou os lábios com o líquido fumegante uma última vez antes de dirigir sua atenção para os jovens à sua frente.

— Bom dia, meus aventureiros novatos. — falou com um grande sorriso no rosto. Sorriso esse que aparentava estar cheio de segundas i

— Pra nos tratar bem assim, a coisa deve ser séria, não é? — Emma arriscou um palpite, percebendo que acertou em cheio ao ver o sorriso do bandido se alterar para uma expressão de surpresa brevemente, logo em seguida voltando ao sorriso sagaz.

Ele deu uma breve risada antes de dar outro gole na xícara e voltar à conversa.

— Bingo, mocinha. Imaginei que fingir para pessoas tão espertas quanto vocês seria difícil, mas não pude deixar de tentar uma última vez. Vamos direto ao ponto…

Uma pausa se estendeu ao longo de alguns segundos. Instantes que pareceram horas. Até que Gileon suspirou e decidiu falar.

— A missão… é caçar o ser mais perigoso da Floresta dos Sussurros. — revelou, deixando todos, incluindo Damian, surpresos.

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Depois de passar a noite acordada pensando no que faria para enfrentar a misteriosa criatura que habitava a mata fora dos muros, Esther descansava pesadamente no sofá empoeirado na sala da casa dos Stafford. Dormia com a cabeça encostada em um travesseiro e um cobertor postos ali por Harry enquanto ela sonhava com o seu futuro.

Mesmo que o rapaz tivesse pedido ao seu irmão para não acordar a moça tão cedo, a iminência da hora do almoço atiçou o menino, que foi correndo do seu quarto até a sala, aproveitando que o irmão estava desatento preparando os temperos. Quando o jovem Harry percebeu, já era tarde demais.

Lucas correu entre os móveis até chegar ao lado de Esther, onde ficou pulando e batendo palmas na tentativa de acordá-la.

— Esther! Vamos acordaaaaaar! — repetiu várias vezes até que Harry chegou por trás e pegou pelos braços.

Com sua força, ele girou o corpo do menino para encará-lo de frente. Sabendo que ele estava com problemas, ele lançou um sorriso digno de um encrenqueiro, coisa que Harry sabia que seu irmão era.

— O que eu falei sobre acordar a nossa convidada, seu pilantrinha?

— Poxa, mas já é hora do almoço!

— Ah… você nunca vai mudar mesmo. — suspirou. Voltou seu olhar para sua hóspede, que abria os olhos lentamente. — Bom dia, senhorita. — falou, lançando-lhe um sorriso amigável.

Ela se levantou aos poucos, esfregando o único olho que ainda lhe restava para lhe ajudar a acordar. Ela bocejou preguiçosamente e esboçou um sorriso torpe.

— Bom dia…

— Tá com fome? Não sou o melhor cozinheiro, mas tenho confiança na comida que faço!

— Sim, obrigada — falou, se levantando de uma vez. — Só preciso ir ao banheiro acordar um pouco.

Harry tentou dizer algo, mas não conseguiu formar as palavras, o mesmo que Lucas. Ambos notaram a repentina mudança de expressão da moça, que parecia mais estressada do que o normal.

Chegando ao simples banheiro da casa, Esther se debruçou sobre a pia suja, onde viu-se suando litros e com a mente bagunçada. Uma forte dor de cabeça estava lhe afligindo, dor esta que era fruto das horas trancafiada nos pesadelos auto-impostos por suas outras partes. Ela ergueu a cabeça, arfando e com gotas de suor deslizando por sua testa. No espelho borrado, seu reflexo a encarava com desprezo, mas ela não sabia se aquilo era ou não ela, pois ela sentia o mesmo por si própria.

Por quanto tempo você vai persistir, Esther?

— Pelo tempo que for necessário, demônio…

Teimosa como sempre… mas você deveria aceitar quem você é de verdade. A natureza humana nunca muda, não importa o quanto você tente ser outra pessoa, você nunca irá alcançar esse sonho. A voz sibilou, rastejando pelas costas da Garça.

— É você quem deveria ver que eu vou mudar, sua desgraçada.

Falando mal de si mesma? No fim, você nunca fez algo diferente quando está longe dos outros, não é mesmo?

Esther grunhiu de raiva, deixando aos poucos a fúria ardente subir por suas veias, fogo fluindo por seu sangue.

Auto-depreciação é algo tão lamentável… digno de alguém tão patético quanto você. A força é a sua única forma de diálogo, e você sabe disso…

Naquele instante, a garça não segurou sua cólera explosiva, manifestando-se em chamas que cobriram todo seu braço. Em um único golpe, ela fragmentou o vidro em milhares de pedacinhos, que voaram ao ar junto das fagulhas de suas labaredas indomáveis. Logo em seguida, ela se conteve, percebendo o que havia feito. Sua mão direita sangrava, mas não era com isso que ela se preocupava no momento.

Seu reflexo nos fragmentos que cismaram em permanecer em seu lugar original formava dezenas de rostos de si mesma, todos olhando para ela com um sorriso repleto de malícia.

Eu acertei, não foi? Disse a voz, iludindo a mulher ao fazer com que a boca dos espectros vitrais se movessem.

— Eu vou calar essa sua maldita boca… você vai ver. — prometeu enquanto enfaixava a sua mão ferida com o pouco papel higiênico disponível no suporte ao lado da privada mal-cheirosa.

Assim que terminou a sua bandagem improvisada, ela forçou um sorriso no rosto e secou as lágrimas de dor que se misturavam ao suor salgado de seu rosto. Mesmo diante daquela situação, ela ainda tinha fé, esperanças de que ela venceria a batalha pelo poderio de sua alma.

Alguns instantes depois, ela surgiu do corredor que ligava a cozinha ao resto da casa, sendo recebida por Lucas, que a encarava com um olhar de preocupação de uma certa distância.

— Tá tudo bem, Esther? — ele indagou inocentemente, dando ainda mais vontade e força para manter seu corpo que ameaçava desabar ali mesmo. Com rapidez, ela escondeu a mão sangrenta dentro de suas vestes e se aproximou do menino.

— Sim… eu estou bem. Agora vamos, o seu irmão deve estar nos esperando na mesa.

— Ok! — O garotinho respondeu, não percebendo o estado deplorável de sua amiga.

Por favor, Deus, me dê forças para vencer mais essa provação, assim como foi até agora. Me dê a determinação para continuar e mais razões para não chorar, pois eu não sei por quanto tempo mais eu consigo aguentar esse peso no meu peito.

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— Talvez vocês não tenham percebido, mas a maior parte das coisas aqui em Hermes vem de uma cidade aliada a nós, Luvy. — disse o bandido em meio aos goles do chá. Os produtos não podem vir pelo rio por conta da correnteza forte, e nem pontes podem ser construídas por causa da maldita coisa que habita essa floresta. Todas as tentativas de produzirmos nossas coisas fora da muralha ou tentar estabelecer uma conexão estável com nossos colegas mercantes resultou em falhas catastróficas. Por sorte, ninguém morreu, pois a criatura não parece ter interesse em seres que fogem dela. É por isso que eu quero que vocês matem essa coisa, pra acabar com esse impasse que já dura meses.

— Vocês ao menos tem conhecimento de como essa coisa é?

— Os cidadãos de ambos os lados a apelidaram de Fantasma das Lâminas, por conta do vulto rápido cortando as construções como se fossem nada serem a única coisa que eles conseguem ver da coisa antes que ela desapareça na mata. Ao que sugere, ela também pode soltar veneno alucinógeno pelo ambiente, o que dificulta uma busca por ele

— Então resumindo… é um bicho rápido pra cacete, forte e que ainda tem venenos psicóticos? — Athert questionou, esperando que aquilo tudo fosse mais uma das piadas sem graça do ladrão.

— Pelo que dizem os relatos, é isso aí.

— Jesus… — Alex suspirou, imaginando as coisas terríveis que poderiam acontecer.

— E você espera que a gente mate essa coisa como? Com a mão é que não vai ser, né?

Gileon sorriu de canto, exibindo a sua clássica expressão ardilosa de alguém que tem um plano em mente.

— Relaxem, aventureiros. É óbvio que eu não vou mandar só três jovens atrás de uma coisa como essa. Isso é uma questão maior do que minhas ambições, é algo para todas as cidades da beira do rio, tanto Hermes quanto Luvy. Eu e metade do meu esquadrão vamos com vocês para matar esta coisa.— ele bateu na mesa com determinação, tanto no pensamento quanto no olhar. Damian já havia visto aquele olhar uma vez, o olhar de um homem que não temia o destino. — Está declarada a guerra contra o Fantasma da Sussurros!

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