Primeira Missão

Seguindo uma estrada de terra, Emma finalmente chegou à cidadezinha no meio da planície, um único assentamento humano em meio à imensidão verdejante. A coisa que mais se destacava na cidade era a grande torre no centro dela, observando a tudo e a todos como um eterno vigia.

Chegando ao portão principal, viu dois guardas com armaduras brancas armados com lanças, bloqueando a passagem com as armas. Em cima de suas cabeças, localizava-se uma barra verde cheia, pontuando 1200 HP e, um pouco mais acima, estava escrito um nome em inglês: Royal Guard of Varian. Ambos eram Níveis 10, coisa que era muito acima da própria Emma. Mesmo ela não tendo muita noção de jogos de RPG, conseguia entender bem que aqueles personagens se tratavam de NPCs.

Ela se aproximou calmamente, tentando não parecer alguém perigoso. No entanto, assim que chegou muito próximo do portão, os dois guardas apontaram suas lanças para ela, assustando-a.

– Você não tem permissão para passar por aqui! Por favor, retire-se! – Um dos guardas falou.

– Tem alguma forma de eu conseguir permissão para entrar? – Emma perguntou, se acalmando um pouco.

Então, surgiu um ponto de exclamação encima da cabeça do guarda que dialogou com Emma. Junto com esse ponto, uma caixa de mensagem se abriu na frente dela, surpreendendo-a.

===[Dicas]===

Dica 1: Missões!

Quando um ponto de exclamação aparecer acima da cabeça de um NPC, ou de um jogador, isso significa que apareceu uma missão para você fazer!

Para aceitá-la, basta apontar o seu dedo indicador para o sinal, assim você aceitará a missão!

Obrigado e bom jogo!

De: Administrador I.A.

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– Interessante. – Emma murmurou, apontando o dedo para o ponto de exclamação, que desapareceu 3 segundos depois.

– Bom, tem um jeito. Há alguns coelhos selvagens rondando a área, eles estão devorando a plantação inteira! Se você der um jeito neles, deixaremos você passar. – O guarda disse.

Não parecia algo tão difícil de se fazer, até porquê eram coelhos. Que mal eles poderiam fazer para um humano?

Perdida em seus pensamentos, Emma foi jogada ao chão com força, não entendendo o que estava acontecendo até olhar para cima.

– Olhe por onde anda, imunda! – Um homem de armadura dourada, sentando em um cavalo-branco exclamou.

– Olhe por onde anda você! Acha que eu sou invisível?! – Emma gritou furiosa enquanto se levantava do chão

– Você não é invisível, só que é tão miserável que sua existência é algo a ser ignorada! – Ele continuou a zombar de Emma, permanecendo em seu cavalo.

Ele continuou seu caminho para a cidade, e os guardas deixaram-no passar imediatamente, diferente de Emma.

– Ei, por que ele pôde passar e eu não?! – Emma gritou ficando com ainda mais raiva.

– Diferente de você, o Sr.Lionheart não precisa de permissão alguma, já que ele pode entrar e sair de qualquer lugar sem consequências.

Emma olhou com mais atenção para o homem que a havia empurrado e viu que, acima de sua cabeça, sinalizava o nível 35. Entendeu o porquê daquela atitude e, também, sabia que se tratava de um jogador. Não sabia se o sistema do jogo privilegiava aqueles que foram transportados de forma normal para o Re: Birth, mas isso também não importava, ela tinha outras coisas para se preocupar. Logo sentiu sua barriga roncar e sua boca ficando seca. Nunca nem havia pensado que o programa recriava também as sensações mais básicas do ser humano, coisa que a surpreendeu bastante, apenas deixando-a com mais vontade de terminar logo aquela missão.

Ela vagueou um pouco antes de finalmente encontrar a tal plantação, vendo o tamanho do estrago que os coelhos tinham feito. Alguns fazendeiros estavam na horta, recolhendo os destroços dos vegetais que estavam plantados ali. Emma se aproximou deles, que a olharam assim que chegou perto.

– Você é a moça que vai cuidar dos coelhos? – Um homem perguntou, colocando uma folha de alface na cesta que carregava.

– Sim, sou eu. – Emma respondeu com confiança.

O fazendeiro sorriu, apontando o dedo para uma floresta ao longe.

– E lá que eles estão! Todas as noites, eles vem enquanto dormimos e comem nossas plantações! Isso nunca tinha acontecido antes! Se der um jeito neles, prometo que pagaremos bem!

– Falou em pagamento é comigo mesmo! – Emma afirmou, virando-se e indo em direção à floresta.

De repente, uma janela de mensagens se abriu na frente, mas dessa vez Emma não se assustou, já que havia se acostumada com aquilo agora.

===[Atualização de missão]===

Missão: Malditos Dentuços

Objetivo: Mate 10 coelhos na Floresta da Serpente.

Opcional: Venda as peles dos coelhos para conseguir um dinheiro extra.

Recompensas: 100 XP, 20 moedas de cobre.

===[Status da missão]===

Coelhos mortos: 0/10

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Sem mais demora, Emma se dirigiu à floresta, não esperando um grande desafio. Porém, ela se perguntou como ela mataria os coelhos. Já que não tinha armas, teria de fazer com as próprias mãos, o que não parecia muito complicado, já que coelhos são animais frágeis e sem defesas naturais. Normalmente são só criaturas que fogem se virem qualquer coisa maior do que eles.

– Vai ser fácil, não tem como não ser. – Emma disse para si mesma, continuando o seu caminho.

Chegando na floresta, ela calmamente adentrou na mata, sem se preocupar enquanto fazia sua busca pelos coelhos. Ela se agachou para tentar reduzir a sua notoriedade e diminuir o som que seus passos faziam. Andando mais um pouco, achou um coelho, um pouco maior do que o normal, se alimentando de uma planta esquisita de cor vermelha. A barra verde marcando 50 HP pairava sobre o corpo gordo do animal. Aproveitando a distração, Emma foi se aproximando lentamente, tentando não chamar a atenção de sua presa. No entanto, ela pisou em um galho, chamando a atenção do animal, que se virou para ela e a encarou diretamente.

Em vez de fugir, o coelho pulou em cima de Emma, derrubando-a com seu peso acima do comum. Com um rápido movimento, ele mordeu a mão da garota, que soltou um breve gemido de dor antes de pegar o animal pelo pescoço com as duas mãos e prensá-lo no chão. Vendo a chance de revidar, Emma rapidamente usou toda a sua força para quebrar o pescoço do coelho, que parou de lutar instantaneamente. A garota suspirou de alívio, ainda surpresa com o ato inesperadamente agressivo do pequeno animal. Sua barra de vida zerou, e logo o corpo do coelho brilhou e sumiu, deixando no lugar um couro macio e peludo, que ela supôs ser a tal pele que a missão se referia. Pegou o item e o guardou no bolso do casaco.

Olhou para a sua própria barra de vida, que estava faltando 5 de HP, um número mínimo comparado aos seus 195 restantes. No entanto, a vida não estava se enchendo, o que era estranho, já que ela já tinha saído de combate. Foi então que ela ouviu um farfalhar vindo de um arbusto próximo, de onde saíram mais 3 coelhos. Suas posturas indicavam que estavam prestes a atacar. Emma rapidamente pegou uma pedra que estava ao seu lado e se preparou para lutar.

Os animais avançaram, cada um vindo de uma direção diferente. A garota rapidamente desviou dos ataques, mas foi pega de surpresa por um quarto coelho vindo por trás, que pulou em suas costas e tentou arranhá-la, mas o grosso casaco da jovem impediu que suas garras chegassem em sua pele. Emma então pegou o coelho pelas orelhas e o jogou contra o chão, terminando com ele ao esmagar sua cabeça com a pedra, matando-o na hora. Uma dose de adrenalina percorreu pelo seu corpo inteiro, dando à Emma a velocidade certa para desviar de outro ataque vindo dos coelhos e logo em seguida investir contra eles, matando mais um com a pedra em sua mão. Os dois coelhos restantes fizeram algum tipo de barulho que Emma não poderia compreender, chamando os outros coelhos para a área. Agora eram 7 contra um, mas ela não perdia a sua determinação. Ela sorriu, e correu para cima dos coelhos.

Chutou um deles fortemente, jogando-o contra uma árvore e o matando sem ter chances de revidar. Os outros coelhos aproveitaram e pularam todos encima de Emma, arranhando e mordendo a garota ferozmente. Sua barra de vida estava diminuindo gradualmente com cada ataque em sequência. Mas ela não morreria daquele jeito, não de uma forma tão patética quanto aquela. Com uma das mãos, ela arrancou um dos coelhos de seu braço e o bateu contra outros dois, derrubando-os no chão. Com toda a sua força, pisoteou a cabeça dos dois que tinha derrubado, matando-os. Ainda com o coelho em sua mão, usou ele como arma para bater nos outros que ainda estavam grudados nela, matando o animal. Finalmente livre dos dentes e garras, era hora dela finalmente acabar com aquilo.

Arremessou a pedra que carregava em um dos coelhos enquanto corria para cima dos outros, abatendo-o. Pegou os dois que restavam com as próprias mãos e ficou batendo um no outro até que estivessem mortos, depois jogou os corpos no chão.

Ofegante e ferida, ela caiu sentada no chão, tentando recuperar o ritmo de sua respiração. Repentinamente, começou a sentir sua energia se revigorando, e uma aura dourada a cobriu, explodindo em um brilho que não causou dano algum nela, pelo contrário, a curou de seus ferimentos. Ela se levantou e viu suas feridas se cicatrizando, e toda sua barra de vida se preenchendo novamente. E então, outro quadro de mensagens apareceu à sua frente.

===[Aviso]===

Missão concluída

Recompensas: 100 de XP; 20 moedas de cobre ( Pegue as moedas com que lhe deu a missão)

Próxima aba: {>}

===[Aviso]===

Parabéns, você subiu de nível!

Você ganhou: 10 pontos de atributos para gastar.

Prosseguir para a aba de Status do Personagem? {>}

===[Status de Personagem]===

Nome: Emma Adams
Raça: Humana
Classe: Não escolhida

Nível: 2
XP: 25/150
HP: 400/ Regen de HP por sec: 20 de HP por sec {+}
ATK: 15 {+}
SPD: 25 {+}
DEF: 10 {+}
INT: 50 {+}
MG: 0 {+}

Sem pensar muito, Emma investiu 5 pontos em sua força, 3 em sua defesa e 2 em sua velocidade, tentando buscar um equilíbrio entre os seus atributos. Já podia sentir o seu corpo um pouco mais leve e mais forte, mas acima de tudo, estava com fome e com sede. Com sua missão concluída, correu para a casa dos fazendeiros, pegou seu dinheiro e notificou os guardas de seus feitos, finalmente podendo entrar na cidade. Agora, ela estava livre para explorar o novo lugar. Ficou de certa forma ansiosa por conta da curiosidade que tinha, além de querer saber se seus esforços valeram a pena.

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