Floresta Adentro

Depois de muito descansarem, Emma e Athert ficaram dentro da Floresta da serpente, e decidiram permanecer lá até que se sentissem seguros para sair novamente. Logo depois que adquiriu a arma divina, a Abatedora Relâmpago, Emma sentia-se muito mais forte do que antes, como se seu corpo tivesse recebido um aumento súbito de força. Já que estava um tanto incomodada com tal fato, ela resolveu checar seu Status, para ter certeza que não havia nada de anormal. Deslizou o dedo pelo ar e a aba de Status se abriu, surpreendendo-a na mesma hora.

===[Status de Personagem]===

Nome: Emma Adams
Raça: Humana
Classe: Assassina

Nível: 5
EXP: 150/1000

HP:1150/Regen de HP por sec: 50 de HP por sec
ATK: 185
SPD: 330
DEF: 175
INT: 200
MG: 150
CAC: 5%
DAC: 5%

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– Que merda é essa?! – Emma exclamou, assustando-se com o próprio status

– O que foi agora? – Athert perguntou, um pouco sonolento.

– Athert, vem ver meus Status! – Emma continuou a falar alto, ficando feliz

– Vamos ver o que é……Puta merda! – Ele disse quando viu os incríveis números presentes na tela à sua frente.

– Como foi que eu consegui esses atributos do nada?! – Ela questionou, dirigindo a pergunta para Athert.

– Eu chuto que foi esse item divino que você ganhou, não tem outra explicação pra você ter ganhando todos esses pontos do nada. – Athert disse, não tendo certeza se estava certo.

Querendo descobrir logo o motivo daquilo, Emma rapidamente prosseguiu para a Aba de Inventário. E lá estava o item, no espaço de armas. Tocando no icone da adaga, uma nova aba se abriu, mostrando os status da arma.

===[Status de Arma]===

Nome: Abatedora Relâmpago
Raridade: Divina
Tipo: Adaga

História: [Toque para prosseguir {>}]

Status (Base): + 150 pontos de atributo em todos os atributos, exceto a velocidade, que é +300

Habilidade> Purificação Relâmpago: Reze para os espíritos do trovão e estale os dedos, para que uma descarga elétrica ainda maior reduza seus inimigos à cinzas!

Requerimentos para libertar potencial completo: 150 pontos em velocidade; Nível 15.
Potencial completo: +500 pontos em velocidade; + 2 Habilidades

Círculo Elétrico: Todos os inimigos em 50 metros ao redor, terá seus movimentos diminuídos em 50%, velocidade de ataque em 30%, dano amplificado em 10%[Custo: 40% da sua energia física}

Assassinato Relâmpago: Um ataque surpresa mais poderoso que um Relâmpago, causará 1.000% de dano, mágico e físico. 1% de causar crítico(aumentará o dano em 10.000%), 0,001% de chance de morte instantânea.[Custo: 80% da sua energia física]

{Lembrete: Se você gastar 100% da sua energia física e continuar usando, você corre o risco de desmaiar, ou causar danos ainda piores ao seu corpo}

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– Ok, isso é muito forte. – Athert disse.

– Concordo, mas eu ainda não estou no nível 15 para poder usar o poder total dessa coisa. – Emma afirmou, ficando um pouco desanimada.

– Não fica triste, logo logo cegaremos ao nível 15, e você vai ser um monstro quando poder usar essa arma totalmente. – O Demônio argumentou.

– Como? Não podemos ir nas cidades para fazer missões porquê estão nos caçando, e com o tempo matar esses monstros não vai dar a EXP que precisamos.

– Eu sei de alguns jeitos bem interessantes de se conseguir EXP, mas acho que não vai ser tão fácil assim.

– E que tipo de opções nós temos? – Emma perguntou, curiosa.

– Bem, temos duas opções: ou entramos em torneios ilegais, onde não importa se você está sendo caçado ou não, você poder participar. Ou matamos alguns monstros raros.

– E se fizermos os dois? – Emma ofereceu, dando um leve sorriso.

– Você não pode estar falando sério né? Eu recomendaria tentarmos um torneio, mas fazer os dois é loucura!

– Se é loucura por que você ofereceu em primeiro lugar?

– Porque eu tinha certeza de que você concordaria em irmos pro torneio! Pelo menos lá há algum balanceamento nos níveis, mas monstros raaros quase nunca são encontrados, e quando são, nunca termina em coisa boa.

– Quanto mais perigoso, maiores são as recompensas, certo? – A garota disse, com um sorriso sádico no rosto.

– Você por acaso pegou os gostos da Wena? Está com a mesma expressão que ela quando tentou te matar naquela cruz. – Athert perguntou, ficando um pouco assustado.

– Relaxa, pode-se dizer que eu sempre fui assim. Não sou sádica, só almejo pelos maiores alvos. Quanto maior o perigo e o risco, maiores são a diversão e as recompensas! – Ela disse, se levantando. – E então, tem algum animal desses por perto?

– Estamos na área de um para falar a verdade. A Floresta da Serpente é o lar da Rasimul, a Rainha Peçonhenta.

– Rainha Peçonhenta? Que título mais sem graça… – Emma disse, um pouco desapontada.

– Pode até achar isso, mas a força dela não é. Mesmo ela sendo nível baixo, pelo o que ouvi dizer, ela é praticamente invisível na floresta. E aqueles que já a acharam, ou estão mortos, ou nunca mais entraram nessa floresta. E mesmo os que poderiam facilmente mata-la, não fazem por que não querem arriscar serem envenenados. – Ele explicou.

– E o que ela tem de tão perigoso?

– O próprio nome já diz. O veneno dela não se limita à suas presas: o ar em volta dela e qualquer outra coisa que as nuvens de veneno que ela expele podem tocar se tornam venenosas. Árvores, plantas, pedras, animais, flores, frutos e muito mais. Ou seja, é praticamente impossível resistir ao veneno, já que ele está em tudo.

– Então é basicamente uma protetora da floresta? Apenas quer ficar na sua área sem ser incomodada…que covarde!

– Bom, a não ser que você queira ser envenenada até a morte, recomendo seriamente para não irmos atrás dela.

Emma ergueu seu braço para o céu e estalou os dedos, fazendo um raio cair em sua mão. Logo, a sua arma divina estava sob sua posse.

– Vamos atrás da Rasimul! – Emma exclamou.

– Por que eu tinha a impressão de que você iria simplesmente ignorar o meu conselho? – Athert disse, colocando sua mão sobre sua face.

– Ah, qual foi? Vai me dizer que não está ansioso para matar um animal desses!

– É…claro que estou.

Alguns longos minutos depois, os dois já estavam numa parte profunda da floresta. As grandes árvores cobriam o céu, fazendo um telhado verdejante que impedia quase toda a luz do sol de chegar ao solo. Enquanto Emma estava adorando a natureza do local, Athert não gostava nada da ideia de permanecer ali, estando em estado de alerta a todo momento.

– Você não consegue sentir nenhuma preocupação andando por esse lugar, Emma? – Athert perguntou.

– É claro que não! Nosso inimigo é apenas uma cobrinha, nada demais. Meu item divino vai faze-la em pedacinhos!

– Olha, eu sei que você tem essa arma que te deixa mais poderosa e tal, mas não acha que caçar um animal alguns níveis na sua frente e que expele veneno é algo muito perigoso para se fazer?

– É claro que tenho noção disso, idiota. Não sou uma pessoa qualquer. Se eu consegui expor um projeto ultra secreto do governo, é claro que vou ter ideia do perigo que estou correndo. Mas relaxa, eu vou matar essa serpente.

– Esse seu excesso de confiança que me preocupa. Me pergunto o que seria de você sem mim.

– Eu seria uma pessoa comum e perfeitamente bem.

– Morta numa cruz?

– Bom, que você me salvou naquele momento eu não posso negar, mas eu tenho certeza que eu iria conseguir fazer alguma coisa.

– Ia, claro que ia… – Athert falou, distanciando sua visão.

– Não se esconda na sua ironia, fala na minha cara o que você pensa. – Ela confrontou o rapaz.

– E pra que? Não vou ganhar nada falando o que penso. – O Garoto disse, não tirando o olhar de algum lugar ao longe dali.

– E por que não ganharia? Eu estou aqui, posso te ouvir. Apesar de eu não ter ouvidos para ouvir você falando merda, você ainda pode falar. Dependendo da sua resposta eu vou te dar um soco e tal, mas tudo depende do seu bom senso. – Emma explicou.

– Ah, é mesmo? Que interessante hein. É sério, eu não sei como eu ainda te aguento.

– Se não me aguenta por que não vai embora?

– Eu tenho para onde ir? Eu sou só um demônio sacerdote sem rumo na vida que tem o nome caçado por roubar comida. Você é a única pessoa que pode me entender, então não tem motivos para eu ir embora. Mesmo você só falando merda e dando ideias que provavelmente nos levaram à nossa morte, é a única “vida” que eu tenho, então não vou deixar você tão fácil assim. – Athert falou, dirigindo seu olhar para Emma, dando um sorriso.

No mesmo instante da ação do rapaz, Emma ficou vermelha, virando o rosto para esconder o sorriso que havia se formado em seu rosto. A verdade era que ela estava feliz. Nunca havia tido um único amigo em toda a sua vida, então interagir com alguém, mesmo naquela situação em que ela preferia se isolar completamente de tudo e todos, era algo que a deixava alegre.

– Você é mesmo um idiota. – Emma disse, com a mão tapando a boca. 

– E você é tão fácil de ler quanto um livro. Não preciso nem olhar pra sua cara para dizer que está envergonhada. – O demônio respondeu, soltando uma leve risada.

– Não tô coisa nenhuma! – Ela retrucou, se virando para encarar Athert.

No entanto, o garoto não estava mais lá. De um segundo para o outro, ele simplesmente tinha desaparecido.

– Athert? Athert! Onde você tá? Não brinca comigo caralho! Se você estiver pregando uma peça em mim eu juro que eu vou enfiar a minha adaga você sabe aonde! – Ela gritou, mas não obteve resposta.

Não demorou muito tempo para ela perceber que ela não sabia o caminho de volta. Estava perdida no meio de um imenso verde do qual ela não poderia escapar. Sua mente estava bagunçada e seus pensamentos turvos, tanto que ela podia jurar ver coisas que seriam impossíveis de estar alí. Cada canto parecia cada vez mais familiar, e ela não sabia por onde ir. Enquanto rodava pelos mesmos caminhos, observou um brilho roxo estranho entre os arbustos, que sugou a atenção dela instantaneamente.

Foi então que ela sentiu seu corpo ficar duro, e logo ela paralisou exatamente onde estava, não conseguindo mover um músculo. Dos arbustos, uma enorme massa azul saiu, com duas esferas roxas tão brilhantes que hipnotizavam a garota. Logo, a criatura mostrou seu corpo por completo, revelando uma grande serpente azulada com os olhos roxos vibrantes que bagunçavam a mente de Emma.

– Humana, por que entrou em minhas terras? – A Serpente perguntou.

– Agora você fala? Pensei que animais não pudessem falar.. – Emma perguntou, tentando desesperadamente se mover.

– E não podem. Tudo o que você está ouvindo é apenas uma ilusão criada pelo meu veneno alucinógeno. – O animal explicou.

– Cadê o Athert?

– Athert? Não sei, não vi nenhum humano além de você.

Emma suspirou de alívio ao saber que Athert estava vivo. Mas ainda não podia se mover.

– E agora? Vai fazer o que? Me matar?

– É incrível como você não parece temer a morte. É corajosa, porém muito negligente consigo mesma. Seu orgulho lhe cega, faz você perder pessoas que poderiam ser úteis para você.

– Ah, que legal, uma cobra me dando sermão. Tu parece o idiota do Athert. Cala a boca e me come de uma vez, se é isso que pretende. Eu já não tô conseguindo me mover mesmo.

– Como desejar. – A cobra disse, abrindo sua enorme boca, pronta para abocanhar a garota.

No instantes em que as presas do animal iriam perfurar a pele de Emma. Um barulho surgiu entre os arbustos.

– Luz Purificadora! – Athert disse, saindo da folhagem e mirando sua cruz no rosto da serpente, que foi cegada instantaneamente com a luz emitida pela habilidade do sacerdote.

No mesmo instante, Emma pôde se movimentar novamente, caindo no chão e sendo ajudada por Athert a levantar.

– Nos 45 do segundo tempo, cara! – Emma gritou.

– Pelo menos eu cheguei! Agora vamos acabar com isso! – Ele retrucou, com um olhar determinado estampado em sua face. – O segredo é cegar esse bicho, deixa comigo! – Ele falou, ofuscando a visão do animal com seu brilho.

Sem hesitar, Emma foi para cima da cobra numa velocidade anormal, dilacerando a pele da serpente, que gritou de dor. Dos rasgos em sua pele, uma nuvem de veneno se dispersou no ar, atingindo diretamente a garota, afetando-a rapidamente. Aproveitando a situação, Rasimul jogou Emma contra uma árvore com sua calda, atordoando-a.

– Ah mas nem fodendo! – Athert disse, apontando sua cruz para a garota. – Ó grandes divindades, minha humilde alma suplica a vocês para darem poder para meu aliado! Restauração Espiritual!!

E então, toda a dor e os efeitos do veneno se dissiparam magicamente, reerguendo Emma, que agora estava ainda mais furiosa.

– Hora de finalizar você, cobrinha venenosa! – Quando disse isso, os olhos de Emma tornaram-se ainda mais azuis, e sua mão faiscava de energia elétrica. Ela partiu para cima do seu inimigo com tudo, desferindo 4 golpes em sequência, fatiando a serpente ainda viva.

Com toda a sua força, ela enfincou sua adaga no olho do animal e logo depois recuou.

– Ó, espíritos do trovão, me deem força para purificar o mal que assola esta terra! Purificação Relâmpago!

O céu acima deles escureceu por um instante, e de lá saiu um poderoso raio, que caiu diretamente no corpo de Rasimul, explodindo a cabeça da gigantesca serpente, matando-a na hora. Alguns segundos depois, o corpo dela se desintegrou e deixou uma placa com escamas azuis, uma joia roxa e um dente. Uma aba de avisos surgiu na frente dos dois, surpreendendo-os um pouco.

===[Aviso]===

Parabéns, você(s), eliminou(aram) Rasimul, A Rainha Peçonhenta!

Recompensas: 2500 de EXP; Escamas de Rasimul; Ametista das Ilusões; Dente da Rainha Venenosa.

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– Puta merda a gente conseguiu! – Athert gritou, pulando de alegria.

– É claro que a gente conseguiu, a gente é foda porra! – Emma exclamou.

– Mas é sério, foi mais fácil do que imaginei!

– Foi mesmo! Mas, mudando de assunto, onde é que você foi quando sumiu do nada? – A garota indagou, curiosa.

– Ah, é que eu tropecei numa pedra e caí nos arbustos. Aí quando me levantei você já estava sendo atacada pela cobra.

Emma ficou o encarando por um tempo, mas logo depois começou a rir.

– Além de idiota é desastrado! Tinha que ser você! – Ela falou, rindo alto.

Athert apenas sorriu enquanto assistia a garota rir descontroladamente. Percebendo o que estava fazendo, a jovem parou instantaneamente, voltando à sua seriedade.

– Se você falar qualquer coisa sobre o que acabou de ver, você morre, entendeu? – Emma questionou.

– É claro que sim, senhora risadinha! – O rapaz disse para provoca-la.

E antes que pudesse perceber, recebeu um soco em seu rosto, fazendo-o cair no chão.

– Cala a boca, seu merda!

Quando a “comemoração” dos dois acabou, Athert pegou os itens e guardou em seu inventário, para que os dois pudessem seguir seu caminho para fora da floresta. Ambos estavam mais determinados do que nunca à subir de nível, e fariam de tudo para conseguir.

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