Uma Proposta Ousada

Emma acordou com sua cabeça latejando de dor. Não se lembrava direito do que havia acontecido no dia anterior, tendo suas últimas memórias do momento em que começou a jogar poker com Gyleon. Estava meio tonta, com os pensamentos lentos, não percebendo quando a porta do outro lado do quarto se abriu.

– Parece que acordou, e pelo visto não foi na melhor das condições. – Jyuv disse, entrando no quarto.

– Cala a boca… – Ela disse, sentindo um forte pulso em sua cabeça. – Merda…Tem algum remédio pra dor de cabeça?

O Rapaz jogou uma pílula e a garota a pegou, olhando para o pequeno medicamento com incerteza.

– Tome isso logo, o Chefe Gyleon está te esperando lá fora. – Ele disse, saindo do quarto.

Não pensando muito, engoliu a pílula, fazendo um certo esforço para fazê-la passar por sua garganta. Tocou o seu rosto, percebendo que não estava mais de máscara, o que era um sério problema para ela. Rapidamente abriu seu inventário, colocando sua máscara de volta. Conferiu se seus anéis ainda estavam em seus respectivos dedos, e para sua felicidade eles estavam lá.

– Cacete…se alguém viu meu rosto ou nome além deles, eu to na merda. – Ela murmurou para si mesma, se levantando da cama e saindo do quarto.

Do lado de fora, encontrou um corredor, com 3 portas além da do quarto em que ela estava. Seguiu por ele até uma curva, onde estava iluminado. Chegando lá, encontrou Gyleon, vestindo roupas um pouco diferentes das esperadas por Emma que um bandido vestiria, coisa que ela não percebeu noite passada. Ele estava sentado numa mesa no meio de um tipo de sala de jantar chique, junto com Athert e mais duas pessoas: uma garota loira de olhos verdes com um olhar preocupado, orelhas pontudas, trajando um peitoral e uma calça de couro, com um arco e uma aljava encostados do lado da cadeira. Já do outro lado da mesa, encontrava-se um rapaz, com a mesma cor dos olhos da menina, mas com cabelos negros. Seu olhar era despreocupado, usava uma armadura completa de algum tipo de aço barato e ele segurava uma lança prateada com uma gema vermelha entre o cabo e a ponta. Todos olharam para Emma, que não entendia direito o que estava acontecendo ali.

– Eu posso não ver sua cara, mas aposto que você tá completamente perdida. – Athert disse, debruçando-se sobre a mesa.

– Cala a boca Athert. – Emma respondeu, cortando qualquer possível resposta do garoto imediatamente.

Ela olhou para o seu redor, tudo parecia quieto demais e muito arrumado para uma cidade de foras da lei, como ela imaginou.

– É bem diferente do que pensei que fosse uma casa de bandido. – Ela afirmou.

– Ah, por favor, podemos ser bandidos, mas os mais ricos ainda tem casas mais decentes, como essa. – Gyleon explicou.

Percebendo que estava perdida em seus devaneios, Emma voltou a realidade e confrontou Gyleon.

– Gyleon, que merda é essa e quem são essas pessoas? É algum tipo de truque seu?

– Ah, do que está ta falando? – Ele questiono, dando um gole em sua xícara com algum líquido estranho.

– Tô falando do cosplay feminino malfeito do Legolas e o outro idiota sentado ali, e não, eu não tô me referindo ao Athert. – Ela disse.

– Puta merda, lá vai ela de novo… – Athert murmurou, já sabendo o que viria a seguir.

– Do que você me chamou? – O Lanceiro se levantou, indo de encontro à Emma, que ficou encarando-o.

– Não ouviu? Além de idiota é surdo agora? – Ela insistiu em continuar.

– Os dois, parem agora. – Gyleon ordenou, com um tom autoritário em sua voz. – Eu não chamei vocês aqui para que brigassem, então aquieta aí, Elron. – Ele falou, dirigindo o olhar para o rapaz loiro.

Sem dizer nada, ele sentou novamente na cadeira, emburrado e encarando Emma, que o ignorou.

– E então, me explica quem eles são e o que você quer de mim, então ai podemos conversar melhor. – Emma afirmou, sentando-se numa cadeira vazia.

– Muito bem. Esses são Adrielyel e Elron, irmãos elfos fugitivos de Edhelel, Capital do Reino dos Elfos. Eles acompanharam você e seu amigo demônio numa missão.

– Missão? Por que tenho que completar uma missão pra você sendo que eu ganhei de ti naquele jogo de Poker maluco? – Ela argumentou, recuperando algumas de suas memórias da noite anterior perdidas em sua mente.

– Eu disse que te ajudaria de alguma maneira, e pra começar estou te dando uma missão para subir seu nível, olha que coisa boa! – Quando terminou de falar, um ponto de exclamação apareceu acima da cabeça do homem.

Um pouco relutante, mas sabendo que não poderia negar experiência, apontou seu dedo para o símbolo, aceitando a missão.

===[Atualização de Missão]===

Missão: Um Trabalho Furtivo

Objetivo: Pegue informações com Gyleon sob o Forte Lacot;invada;retorne em segurança com os caixotes de suprimentos.

Recompensas: 3000 EXP; 3 Moedas de Ouro; Um Favor de Gyleon.

Nível recomendado: 10

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– Até que a recompensa é boa, mas pra que precisa de suprimentos? Pensei que só se importasse com o dinheiro. – Emma disse, logo após de analisar a missão.

– O dinheiro não paga barrigas vazias. Depois dos Vipers tomarem controle da produção de alimento da cidade, eles começaram a vender por um preço absurdo, não podemos agir assim. – Ele explicou

– Então está me pedindo para dar comida para seus homens para que eles tenham energia para uma luta contra os Vipers? 

– De fato, mas não é só isso. O Forte Lacot é um ponto de checagem de produtos do Império, roubar coisas deles abaixaria a moral de seus homens e reduziria o poder do estado, abrindo possibilidades futuras. Se conseguirmos enfraquecer a distribuição de suprimentos dos soldados, poderemos conseguir expandir ainda mais nossos domínios.

– Eu sei que é muito tentador, mas não acha que ir contra esse tal de “Império” é um ato suicida? É um país inteiro contra uma facção de bandidos, vocês seriam aniquilados na primeira tentativa.

– Bom, depois discutimos nossas estratégias. Agora, a missão. – Ele disse, dando uma pausa. – Enfim, sua missão, como já pôde perceber, é roubar os suprimentos do Forte Lacot e trazê-los para nós. O lugar fica na encosta de uma montanha ao norte daqui, não muito longe, vocês conseguem chegar lá em mais ou menos um dia a pé.

– Espera um pouco aí, você disse que é um lugar controlado pelo Império, teoricamente, não vai estar cheio de soldados armados prontos para matarem qualquer um que tentar invadir? – Athert perguntou, tentando fugir da missão.

– É por isso que vocês vão agir nas sombras. Se forem percebidos, já era, vocês serão mortos na hora. E como a chegada de nossa querida amiga Emma habilitou a morte sem reencarnação, se vocês morrerem aqui, já era, não tem volta. – Gyleon respondeu.

– Não foi isso que eu li! Dizia que a morte do indivíduo foi autorizada na intenção de matar ela, então por que também somos afetados? – Elron questionou, raivoso.

– É uma simples interpretação de texto. “A morte do indivíduo” não se refere especificamente à Emma, mas sim ao indivíduo nosso, entende? Nosso indivíduo vai morrer se perdermos nossas vidas aqui. – O homem mais uma vez respondeu.

– E… como você sabe que isso é verdade? – Adrielyel perguntou, com um pouco de medo. Sua tremedeira era notória.

– Meus homens morreram esses dias tentando defender uma das últimas plantações que não era controlada pelos Vipers, nenhum deles voltou. No início, pensamos que era alguma magia ou até mesmo um hack, mas quando percebemos que isso afetava à todos, era tarde demais para percebemos que nossas vidas estavam em risco mais uma vez.

– Então agora não é um jogo casual… é um jogo de vida ou morte. – Emma disse, lembrando de si mesma quase morrendo no mundo real.

– Exato, e é por isso que vocês não podem vacilar nessa missão. Cuidem um dos outros, ensinem e aprendam com os erros. Agora vão, soldados! – Gyleon disse, colocando a mão no peito.

– Soldados? – Emma questionou.

– Ah, desculpe-me. Eu era capitão no exército antes de morrer, estava acostumado a falar esse tipo de coisa para meus soldados. Era uma época boa, sem essa merda toda de Re:Birth… – Foi breve, mas uma minúscula lágrima desceu do olho de Gyleon, que rapidamente a limpou. – Enfim, vão logo, antes que aquele lugar se encha ainda mais de guardas.

Sem dizer nada, os quatro se levantaram e saíram pela porta da frente. Antes mesmo de darem um passo em direção à saída da cidade, Elron ficou na frente de Emma, tentando ser intimidador.

– Só pra deixar bem claro, eu não gosto nem um pouco de você. E como esse cara também é seu amigo – Ele falou, apontando para Athert. – Eu não gosto dele.

– Pelo menos concordamos em algo. – Emma respondeu, tomando a frente do grupo, ignorando completamente o garoto.

Athert colocou a mão no ombro de Elron e abaixou a cabeça.

– Eu entendo a sua dor, mas ela não é tão ruim quanto parece. – Ele disse rapidamente, antes de voltar com a sua mão para baixo e seguir Emma.

– +5% de aprovação. – Emma falou baixo, como se fosse um sussurro.

– O que? O que foi que disse? – Athert perguntou.

– Nada. – Ela continuou o seu caminho, sem dizer mais nada.

– Ah, fala sério! Você sabe que eu odeio ficar curioso! Emma! Emma me responde porra! – Ele continuou a insistir, mas não foi respondido.

– Acho que devemos segui-los… Vamos, Elron? – Adrielyel disse, quase como uma súplica.

O Irmão apenas ignorou ela, caminhando rapidamente e ignorando seus pedidos para espera-la.

O Irmão apenas ignorou ela, caminhando rapidamente e ignorando seus pedidos para espera-la

Gideon Spencer (Gyleon)
Raça: Humano

Gideon Spencer (Gyleon)Raça: Humano

Adrielyel
Raça: Elfo(a)

—[Off]—: Não achei imagens dela com armadura ou arco, então vai essa mesmo.

---[Off]---: Não achei imagens dela com armadura ou arco, então vai essa mesmo

Elron
Raça: Elfo(a)

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