Kuork

Apenas Tradutores Errantes

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Antes de mais nada gostaria de agradecer a quem estiver lendo ou for ler e pedir sempre por comentários dizendo o que estão achando da historia. Estou encerrando o primeiro arco agora da Historia e espero que gostem, Boa leitura galera.

Capitulo 17

Desastre?

 

O que deu errado?

Foi a primeira coisa que Xi pensou quando parou para recuperar o fôlego. Que porra tinha dado errado?  Eles tinham seguido Ling por um longo corredor após deixarem a sala onde acordaram pelo que pareceu ser quase uma hora de caminhada.

O corredor pelo qual passavam possuía paredes de metal, lisas e frias ao toque. Luzes de enerjom seguiam pelo teto em linha reta iluminando o caminho até o horizonte com uma fraca luz azul.

A classe A chegou a uma grande sala com quase três vezes o tamanho da que tinham acordado, mas diferente da outra, essa não possuía nem mesas nem armários. Era composta simplesmente por cinco passagens contando com aquela de onde eles tinham vindo. Existia uma passagem a frente e a direita deles e duas a esquerda.

  • Para onde vamos? – Xi se lembrou de ter ouvido alguém perguntar.

Foi mais ou menos nessa hora que Swam percebeu o mapa embutido no teto da sala a mais de dez metros acima deles. As linhas que formavam o mapa eram feitas de enerjom por isso o brilho confundia um pouco a percepção dos jovens.

O grupo passou quase meia hora tentando decifrar o mapa e percebendo o tamanho do local onde estavam. Aquilo que eles viam podia muito bem ser um labirinto pela quantidade de corredores e salas que se estendiam pelo mapa de enerjom. Após analisar tudo com cuidado a bela Ling fez seu plano de ação.

  • Vamos seguir por esse caminho aqui – disse ela apontando para uma das linhas de enerjom – se eu estiver certa. Aquela sala ali é a sala de armas e aquela outra do outro lado é o refeitório.

  • Armas e comida – sussurrou Xi entendendo o raciocínio da Prata.

Foi então que Muh agiu.

  • Acho que devemos nos separar – comentou o Prata – um grupo para pegar as armas e outro para garantir a comida.

  • Não sabemos o que nos espera por esses corredores – rebateu Ling cravando um olhar sério no Prata – não estamos fortes o suficiente para nos separar.

  • Se existe algum perigo de verdade nesses corredores. É mais um motivo para nos separarmos.

  • O que quer dizer?

  • Não é simples, Ling? Se seguirmos em um grupo muito grande vamos chamar atenção de mais para esses perigos.

  • E se estivermos em menor grupo quando algo acontecer? Como iremos nos ajudar?

  • Nos ajudar? porque eu…

Antes que o Prata pudesse dizer o que quer que ele fosse dizer um rangido metálico ecoou pelo ar. Xi e os poucos que portavam armas sacaram suas espadas, ativaram seus BEE, apontaram suas alfings e seguraram suas facas de aço negro com pouca convicção.

  • O que foi isso? – perguntou Feng girando sua alfings tentando mirar na origem do som.

Xi olhou em volta primeiro percebendo que na sala só havia eles, os alunos da classe A. Então ele começou a verificar as passagens. Primeiro olhou cautelosamente pelo caminho pelo qual eles tinham vindo não encontrando nada lá.  O caminho da direita se encontrava igualmente vazio e mal iluminado. As duas passagens da esquerda também não apresentavam nenhum sinal da causa do som, mas quando os olhos do Bronze se focaram na passagem diante dele um calafrio lhe subiu a espinha.

O rangido se repetiu enquanto uma forma indefinida avançava pelo corredor mal iluminado. Xi conseguiu distinguir em meio as sombras uma forma humanoide, mas claramente não humana. O ser média mais de dois metros e possuía o corpo coberto por camadas e mais camadas de uma armadura metálica. Em suas articulações e em seu peito brilhavam fracas luzes azuis assim como onde deveria estar seu rosto que era preenchido por duas linhas brilhantes na vertical.

– Um Golem? – veio um sussurro esganiçado de algum aluno.

Antes que mais algo pudesse ser dito, o ser metálico agiu. Suas luzes se intensificaram enquanto ele se agachava e avançava para o centro da sala diretamente em direção a Ling.

Wei e Feng agiram rapidamente com o Bronze puxando a Prata para trás e a plebeia ativando sua almasha, mas antes que o Golem chegasse ao alcance de qualquer golpe da aluna, uma outra lâmina de almasha impediu sua investida.

Muh, reagindo com incrível velocidade sacou sua espada e ativou o enerjom em sua lâmina que cortou o ar deixando um brilho azul fantasmagórico por onde passava. A almasha avançou pronta para decepar a cabeça do Golem que se aproximava como se nem notasse o jovem que o atacava.

Mas pouco antes do contato, o Golem estapeou a espada. Normalmente se alguém fizesse isso perderia a mão, no mínimo,   se não perdesse junto o braço ou a vida. Mas a almasha foi repelida com um forte clarão de luz conforme o enerjom da lâmina colidia com o enerjom da armadura do humanoide.

Muh recuou dois passos surpreso pela força do golpe e teria morrido para o chute executado pelo Golem se um de seus seguidores equipado com uma BEE não tivesse intervindo.

A perna metálica se moveu como um chicote em direção as costelas do Prata no mesmo estante em que o seguidor de Muh pulou para frente ativando o escudo de enerjom. A energia azul se expandiu a partir do bracelete criando a forma de um prato.

O enerjom da armadura inferior do Golem se chocou contra a do BEE criando uma leve explosão sonora que lançou os dois alunos na parede do outro lado da sala e fez o Golem recuar um passo.

Tudo isso aconteceu numa fração de segundos. Desde a investida do Golem até a defesa desesperada do seguidor de Muh, mas isso não impediu que o resto da classe agisse. Todos eles tinham passado três meses sendo treinados arduamente para lidarem com o imprevisto, sem contar seus anos de vida antes da Academia. Por isso, antes que Muh e seu companheiro tivessem sido derrubados os outros jovens já tinham ativado o enerjom de suas almashas e apontados suas alfings para o humanoide.

O primeiro a disparar foi Feng acertando precisamente o ombro do Golem que cambaleou para trás mais um passo após a colisão com o BEE. Os outros logo dispararam suas alfings também, mas o Golem, após receber o primeiro disparo pareceu despertar para o que havia em volta dele. Com um poderoso salto ele recuou uns bons cinco metro para trás evitando as balas de enerjom concentrado que passaram por onde ele estivera uma fração de segundos antes.

Em seguida tudo se tornou em caos, com um rugido a sala ganhou vida própria conforme finas sessões do teto começavam a descer como paredes de trinta centímetros de grossura, mas para piorar a situação essas paredes que desciam do teto se cruzavam de formas labirínticas de maneira que poderiam deixar alguém preso naquela sala até só o Criador sabe quando.

Em desespero os seguidores de Muh deixaram a formação indo em direção ao Prata e seu outro companheiro. Vendo a ação dos outros três alunos do grupo de Muh o Golem resolveu agir, as alfings ainda estavam recarregando por isso ele avançou sem preocupações em direção aos alunos concentrados no centro da sala. Gritos e movimentos desnecessários se seguiram conforme aqueles com almashas avançavam para interceptar o humanoide e aqueles mal armados recuavam.

Xi e Ryu foram os primeiros a chegar até o golem efetuando golpes largos para tentar manter o ser afastado enquanto as alfings recarregava. Wei chegou logo em seguida rugindo como uma fera e se lançando contra o golem, a lamina de sua almasha refletiu na barreira do peito do humanoide umas duas vezes antes de ser forçada a recuar diante do contra-ataque de uma perna metálica em velocidade sobre-humana.

  • Afaste-se, Wei! – bradou Feng alinhando sua alfings com a de outros dois alunos – Fogo!

A ordem foi executada assim que Wei saiu da linha de tiro e três esferas de luz desfocadas voaram em direção ao golem que tentava esquivar com outro salto. O ser conseguiu evitar um dos disparos, mas duas esferas se chocaram contra seu corpo jogando-o para trás.

  • Xi! Ryu!- se elevou uma voz alarmada.

Xi se virou para ver que os alunos estavam dispersos pela sala, Ling acenava para ele da entrada de uma das passagens da esquerda com um pequeno grupo de alunos ao seu lado. O grupo de Muh tinha sumido no meio do caos, mas o que mais chamou a atenção do Bronze foi que os primos Q’wem assim como Tou e um dos companheiros de Feng chamado Zico se encontravam na entrada da passagem a direita.

Ele estava prestes a dizer aos primos para correr para a passagem da esquerda onde Ling estava quando algo se chocou contra suas costas lhe lançando no chão e expulsando todo o ar de seus pulmões. Xi tentou se virar só para ver um Ryu de olhos arregalados sobre seu corpo.

  • Mas que…

Antes que pudesse terminar a sentença o jovem Bronze viu o golem de pé na entrada da passagem da frente, seu braço erguido apontado para onde ele estava, mas no lugar de sua mão esquerda se encontrava o cano de uma arma de enerjom que já estava sendo recolhida para dentro do braço dando lugar para a mão metálica de novo enquanto o inverso acontecia em seu braço esquerdo.

  • Filho de uma cadela – xingou Xi se erguendo – corra, Ryu!

O plebeu não precisou ouvir uma segunda vez e já estava correndo ao lado de Xi para a rota de fuga mais próxima, ou seja, a passagem da direita onde estavam os primos Q’wem.

Depois daquilo foi uma fuga pela sobrevivência. Xi correu pelos corredores com Ryu, os primos, Tou e Zico sem saber o que tinha se sucedido com Ling, Feng ou qualquer outro aluno que tinha ficado para trás. A única coisa que sabiam era que Muh e seu pessoal tinha escapado logo no inicio do caos e que o golem ainda estava por ai, em algum lugar pelos corredores ou talvez preso na sala quando os muros pararam de descer do teto.

  • Alguém pode me explicar o que aconteceu? – perguntou Swam curvado sobre o próprio corpo tentando recuperar o fôlego – por todos os Predadores, o que foi que aconteceu naquela sala?

  • A p**ra de um golem aconteceu – respondeu Ryu olhando por sobre o ombro pelo caminho pelo qual tinham vindo – porque tem um aqui? E mais importante, porque nos atacou?

  • Acho que esta bem claro por que ele esta aqui – respondeu Xi já um pouco mais calmo – ele faz parte do teste assim como tudo que vamos enfrentar por aqui, mas agora ele ficou para trás, assim como nosso companheiros e a maioria de nossas armas.

Suas palavras tiveram o efeito pretendido conforme todos pararam de se lamentar e assimilaram o significado do que ele tinha dito.

  • O que faremos agora? – perguntou Buco – Se encontrarmos outro golem por essas passagens será nosso fim.

  • O que exatamente é um golem?- perguntou Zico se pronunciando pela primeira vez recebendo olhares atônitos de todos os alunos – pera, pera. Eu sei o que são, pelo menos o que os livros nos dizem. Maquinas movidas a enerjom com finalidades de protegerem determinados locais, mas exatamente como ele sabe o que proteger ou o que atacar?

  • Isso é trabalho dos alquimistas – respondeu Tou escorado contra a parede – eles sabem como colocar os comandos nos golens para que obedeçam a seus donos, mas se quer saber como eles fazem isso vai ter que perguntar a um deles quando sairmos daqui.

  • Tou esta certo – Xi tentou se aprumar, já estava bem mais calmo, mas não guardou sua almasha – precisamos nos encontrar com os outros, de alguma maneira. Ideias?

  • Devemos seguir para o refeitório – comentou Swam franzindo a testa – acho que me lembro um pouco do caminho. Se seguirmos por aqui até o final desse corredor e depois pegarmos a esquerda vamos entrar em uma área com pequenas salas e logo depois dela estará o refeitório.

  • Ficaremos bem só com essas armas? – perguntou Ryu.

O plebeu e Xi usavam almashas enquanto os outros quase não tinham com o que se defender armados com uma faca cada. Todos os três estavam descalços e usando as roupas com que acordaram, resumindo, todos estavam muito vulnerareis.

  • Teremos que lidar com o que vier com o que temos – respondeu Xi por fim – quem sabe encontramos algum equipamento nesse corredor cheio de salas que Swam disse que esta em nosso caminho.

  • Rezemos que tenha algo – murmurou Tou se afastando da parede – ou encontraremos nosso fim antes do que imaginávamos.

 

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