02 – Sozinho no mundo

– Cael… Cael acorde, chegamos. – Uma bela mulher acordar seu filho.

– H-Ham… bom dia mãe. – O jovem se senta ainda bocejando.

– Chegamos a cidade Earth-fire. – A mãe puxa um pano na carroça e deixa o sol entrar, o brilho bate no rosto do jovem, mas logo ele se adapta. Olhando ao redor havia outras inúmeras carruagens, todas indo em direção a uma cidade na frente.

Um jovem conde havia virado dono deste território e da cidade a frente, abrindo caminho para os comerciantes, seus pais acabaram sendo atraídos também.

Cael olhava para a cidade com brilho nós olhos, eles eram do interior, então está era a primeira vez que ele viu uma cidade.

– Poderemos viver tranquilos aqui mãe? – Perguntou o menino.

– Sim meu filho. – A mãe era gentil e bondosa, apesar dos perigos deste mundo, ela não tinha coragem nem de matar uma mosca, uma verdadeira pacifista.

– Você promete? – Suplicava o menino.
– Sim, viveremos tranquilos, sua mãe nunca quebra um promessa.

Quando eles chegaram mais próximos da cidade, sons estranhos começaram a soar, eram como gritos e choros.
– Mãe… o que está acontecendo? – Perguntou Cael assustado.

–Irei falar com seu pai, fique ai. – Sua mãe foi para parte da frente da carruagem, após alguns segundos a carruagem parou, os gritos ao redor aumentaram, Cael obedecia sua mãe e permanecia quieto, após mais um tempo ele sentiu um cheiro.

Esse cheiro lhe lembrava tristeza, raiva e solidão, era muito estranho, ele nunca sentiu isso antes, um cheiro que trazia sentimentos.

Ele não aguentou mais e decidiu olhar do lado de fora, ao colocar a cabeça para fora ele viu um ser muito estranho.

Tinha partes de dezenas de animais, com um tamanho gigantesco, ele pegava as pessoas esmagavam com apenas um toque, após isso ele simplesmente devorava seu corpo e ficava maior.

– Cael volte para dentro! – Ele viu seu pai tentando desamarrar os cavalos gritando em sua direção, mas a visão daquele monstro assustador ficou na sua mente.

Cael então foi puxado para dentro, sua mãe que o havia puxado

– Mãe o que está acontecendo?! – Cael chorava.

– Não é nada, apenas se agarre em mim e feche os olhos. – Cael obedeceu sua mãe, ele fechou os olhos e sentiu sua mãe o carregar correndo.

Os gritos ao redor se tornavam cada vez mais aterrorizantes.

– Os cavaleiros estão vindo! – Alguém gritou, nesse momento Cael abriu os olhos, na direção da cidade vários homens armados vinham correndo, olhando para atrás dos ombros da sua mãe ele podia ver seu pai, logo atrás do seu pai estavam os monstros.

– Querida proteja o Cael, eu te amo! – Essas foram as últimas palavras do meu pai quando a fera o agarrou com sua estranha cauda de cobra e esmagou seu corpo.

– Papai! Mamãe o papai. – Cael chorava em desespero. – Mamãe!

Sua mãe tinha lágrimas nos olhos enquanto corria desesperada, a cavalaria estava logo na frente, a mãe de Cael lhe colocou no chão.

– Corra filho! – Sua mãe gritou.

– Mamãe, por favor não me abandone! – Cael não queria correr, ele não queria deixar sua mãe.

– Eu prometi que iriamos viver tranquilos, sua mãe nunca quebra uma promessa, agora corra! – Cael escutou sua mãe e correu, ele acreditava que ela estava logo atrás dele.

Após correr bastante Cael passou pela Cavalaria, olhando para trás ele viu uma incrível luta, os cavaleiros usavam ataques brilhantes, magias, invocavam seres estranhos alguns tinham uma força sobre-humana outros usavam técnicas surreais.

Após vários minutos de luta o monstro foi derrotado, os cavaleiros retornaram a cidade com os feridos do seu grupo, logo soldados vieram para limpar a entrada da cidade. Cael então se viu sozinho.

– Mamãe, Mãe! – Cael passou o resto do tempo vasculhando os arredores em busca de sua mãe, até que ele finalmente achou, apenas uma cabeça decepada no chão.

Ele caiu de joelhos, não havia mais lagrimas para derramar, ele estava em negação.

– Mãe! Você prometeu, você nunca quebra uma promessa, isso é tudo um sonho? Sim estou tendo um pesadelo, nós vamos viver felizes nesta cidade, seremos ricos comerciantes… Mãe!
Cael passou a noite do lado de fora gritando por sua mãe até a exaustão, de dia um soldado pegou o garoto desmaiado e o levou para cidade.

– Quem é esse? – Perguntou um dos guardas no portão.

– Eu encontrei ele desmaiado, estava perto de onde a Quimera atacou. – Disse o soldado.

– Apenas o jogue em alguma favela, porque você o trouxe? – O guarda não estava interessado nisso, monstros atacavam todos os dias, era normal aparecerem órfãos.

– Eu o achei interessante

– Interessante, porque?

– Ele estava de frente a cabeça de uma mulher morta.

– E o que tem isso?

– Quando tentei tocar a cabeça da mulher mesmo desmaiado ele me causou medo.

– Medo? António você é um homem louco, ainda bem que irá se tornar um soldado de outro nobre, não sei lidar com você

–Eu tenho muita confiança nos meus instintos, eles sempre me ajudam.

– Claro, Claro apenas se livre do garoto.

Após a conversa o soldado deixou Cael em um beco nas favelas e voltou a sua ronda, do lado de fora das muralhas ele continuou seu passeio noturno, ao voltar ao local onde estava o cabeça da mulher o homem não viu nada fora do normal.

A cabeça dela ainda estava ali, ao toca-la ele sentiu aquele medo instintivo outra vez, ele pegou um pano e carregou a cabeça até uma área isolado, ele então enterrou e fez uma oração ao deus da luz.

Após fazer isso o medo no seu corpo foi embora, orações ao deus da luz retirava maldições, Antônio era muito sensível a magia, aquele garoto havia colocado uma maldição em seu corpo, mas ao enterrar a mulher adequadamente a maldição foi quebrada, não pelo deus da luz, mas sim por um contra feitiço feito pelo próprio garoto.

– Eu realmente estava certo, tinha alguma coisa com aquele garoto. – Antônio fez isso pois achava que todos mereciam um enterro digno, mas ele acabou se livrando de um problema. – Ainda bem que irei me tornar um soldado do marquês.

Antônio respirou fundo e retornou a cidade.

Nesse dia Cael perdeu tudo o que tinha, ele estava sozinho.

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