3 – Fome e solidão

Cael dormiu no beco frio, ao acordar se viu sozinho, ele correu pela cidade até encontrar uma saída, ele queria sair da cidade e ir atrás da sua mãe. Chegando no portão ele correu para o lado de fora, mas um guarda o chutou para dentro.

– Suma daqui moleque, você quer morrer?! – Gritou o guarda.

Cael não desistia, ele continuava tentando sair da cidade, toda vez que ele corria o guarda o chutava para dentro, logo outros guardas apareceram e começaram a rir, o guarda que chutava Cael para dentro já estava ficando cansado.

Cael já estava com vários ferimentos, o guarda não queria matar um garoto louco.

– Pare com isso moleque! – Gritou o guarda.

– Me deixe sair! Eu quero ver minha mãe! – Cael estava enlouquecido.

– Deixe-o sair, logo ele vai voltar com o rabo entre as pernas. – Um oficial disse de cima dos muros.

– Ok, já que você quer morrer, vá!
O guarda abriu caminho, Cael saiu correndo tropeçando nas coisas, após correr muito e estar exausto, ele encontrou o lugar onde deveria estar sua mãe, mas lá não havia nada. Ele percorreu a área inteira ao redor dos muros, mas não encontrou nada.

Após várias horas Cael sentiu algo, ele retornou ao seu ímpeto de correr, no inicio de uma floresta, não era uma simples floresta, era a floresta das bestas, uma selva que dividia o continente ao meio, ele andou um pouco pelo lado de fora da floresta.
Até que encontrou uma pequena cruz de madeira no chão, ele se ajoelhou no chão, algumas lágrimas caíram no solo, Cael estava em aceitação, ele sabia por algum motivo que este era o túmulo de sua mãe.

Seu pai havia sido devorado diante de seus olhos, sua mãe desmembrada, ele então deu conta que estava sozinho, olhando para aquela terrível floresta na sua frente, que escondia os maiores perigos ele temeu, olhando para a cidade em suas costas ele fez a escolha de voltar.

– Adeus mãe. – Cael se despediu de sua mãe, antes de sair ele viu duas joias, uma azul e outra vermelha, uma em cada lado do túmulo, ao tocar as joias ele sentiu um calor, era um calor gostoso, como um abraço, pela beleza delas e esse estranho calor ele decidiu Mantê-las.

Logo ele retornou cabisbaixo para a cidade.

– Eu falei garoto, você voltou um rabo entre as pernas.

O oficial gritou de cima dos muros, Cael estava de cabeça baixa, ele lançou apenas um olhar de ódio para o oficial, nesse momento o oficial sentiu um medo profundo.

Cael então andou sem rumo pela cidade, a fome já o assolava, após passar dois dias sem comer nada uma mensagem tocou.

[Habilidade: Resistência a fome adquirida]

Cael viu a mensagem e a ignorou, era apenas o “sistema”. O sistema era algo comum entre as pessoas, ele é criado pela própria existência, seu papel era auxiliar e mostrar os avanços nos seres vivos, ao completar uma tarefa complicada o sistema recebia energia, que era então trocado por qualquer coisa existente, isso se chamava conquista ou missão.

Após completar algo que lhe desse renome, o usuário ganha um título, após completar ações repetidamente ou por meios especiais completando conquistas, missões ou ganhando titulo o usuário recebia habilidades.
Havia outras funções no sistema, mas essas eram as principais, nesse mundo os seres podiam ficar mais forte por meio de treinamento físico ou mental, mas a maneira mais eficaz era matando outros seres, parte da energia desses seres se dissipava e retornava ao sistema, a outra parte entra nos corpos das pessoas se tornando o que chamam de “nivel” essa energia também poderia se tornar outras coisas, mas ganhar níveis era a principal função.

Cael continuou caminhando com fome, ele se sentou em uma rua principal, as pessoas passavam para cá e para lá, ele já não aguentava mais, um vendedor passou vendendo uma espécie de carne no palito.

Sentido o cheiro da carne Cael não aguentou mais, ele se aproximou do vendedor e silenciosamente puxou suas vestes.

– Você po… – Antes que Cael pudesse pedir algo, o homem já o havia chutado para longe.

– Suma daqui seu mendigo ! Vá pedir esmola para outro. – Antes de ir embora o homem ainda cuspiu no rosto do Cael caído no chão.

Cael ficou deitado de forma fetal, ele já havia apanhado muito, sua fome era enorme, ele estava no fim da sua energias, sua mente só via tristeza e raiva, ele não sabia o que fazer.
As pessoas passavam ao redor do garoto moribundo caído no chão e apenas o ignoravam, se continuasse assim Cael apenas iria morrer de fome, ele não aceitava isso.

Usando suas ultimas forças ele pegou um bocado de areia no chão e foi em direção ao vendedor.

– Você de novo, quer receber outra… Aiiii meus olhos! – Antes que o vendedor pudesse terminar de falar Cael arremessou a areia e terra nos olhos dele, ele rapidamente pegou três palitos de Carne e correu.
O vendedor o perseguiu, mas logo desistiu, se ele continuasse a perseguição poderia acabar perdendo tudo

Cael continuou correndo até achar um beco nas favelas, ele devorou a carne de um palito rapidamente, mas ainda tinha fome, quando ele estava para comer o segundo, ele escutou um som, olhando para trás ele viu uma menina e um menino, pelas suas roupas rasgadas, eles estavam na mesma situação que Cael, eram órfãos ou foram  simplesmente abandonados nas ruas.

Os dois encaravam a carne na mão de Cael sem tirar os olhos.

– É meu! – Cael gritou com raiva. Os dois se assustaram e correram, Cael então olhou para a carne, ele se lembrou da sua mãe e o seu sentimento de solidão, Cael se levantou e correu atrás dos dois.

Logo ele encontrou as duas crianças sentadas em outro beco, ao ve-lo as crianças tentaram fugir.

– Esperem! Eu divido com vocês. – Após ouvir isso as crianças, pararam de correr, mas ainda estavam desconfiadas.

– Você está falando serio? – Perguntou a menina.

– Sim! – Respondeu Cael.
Os dois se aproximaram devagar, Cael estendeu a mão dando os palitos, a menina pegou os dois e deu um passo para trás ainda assustada, ela deu o outro para o garoto, ela tentou comer com cautela, mas assim que colocou a carne na boca ela devorou tudo.

– Viram, está tudo bem. – Falou Cael.

– Obrigada, meu nome é Laura, esse é o Henrique. – A jovem se apresentou, o garoto não falava nada, ele apenas comia, ele olhou para Cael com um pouco de desgosto.

– Meu nome Cael. – Assim que a menina sorriu, Cael sentiu seu coração acelerar, ele tinha acabado de passar por um desastre, sem receber nenhum tipo de simpatia seus sentimentos estavam em conflitos, então naquele mínimo sentimento sua mente se confundiu, transformou o que era apenas gentileza em uma paixão infantil.

Alguns anos depois…

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