04 – Jovem encrenqueiro

– Peguem ele! – um grupo de guardas perseguia um jovem. O jovem era ágil, ele pulava de beco em beco, escalava as casas de madeira e pulava os barracos da favela facilmente.

Ele tinha cabelos castanhos, um rosto comum, seus olhos combinavam com os cabelos, ele era um pouco magro demais para alguém da sua idade.

– Onde ele esta! – Os guardas acabaram perdendo o jovem de vista em um beco sem saida.

O jovem estava sentado em um telhado tranquilamente comendo algumas uvas, ele comeu uma azeda e fez uma expressão ruim, ele então se levantou e cuspiu o caroço em um guarda.

– lá está ele! – um dos guardas gritou.
– Capitão, nós conhecemos a anos, por favor, você sabe que é por uma boa causa. – Gritou o jovem com um sorriso no rosto.

– Cael seu maldito, quando você era criança eu entendia, mas você já passou da idade! – Gritou o capitão
O jovem encrenqueiro era Cael.

– Capitão eu ainda sou uma criança, além disso tenho outras bocas para alimentar, com licença! – Cael voltou a correr por cima das casas e logo sumiu da vista dos guardas.

O capitão da guarda suspirou, ele sentia um pouco de simpatia por Cael, ele era um oficial de baixa patente quando conheceu o jovem, o jovem o assustou no início, mas logo o capitão começou a gostar dele.

Ele cuidava de outras crianças órfãos na cidade, o problema era sua arrogância e senso de humor no mínimo desrespeitoso.

“Cael… preciso falar com ele” Pensou o capitão, logo os problemas de Cael iriam aumentar.

Cael estava se movendo por cima das casas, após anos roubando e fugindo ele ganhou as habilidades [Furtividade leve] [Movimento acrobático] [Roubar] eram todas habilidades de grau baixo, mas após tanto usar já estavam com grande proveniência.

Após alguns minutos correndo ele chegou a uma casa abandonada em cima de um morro.

– Cael voltou.

– O irmão Cael retornou!

– Chamem a irmã Laura!

Cael abriu a porta da casa, assim que entrou foi atacado por um bando de crianças.

– Seja bem-vindo! – Gritaram as crianças que pularam em cima dele.
– Obrigado, trouxe o almoço.

As crianças ficaram ainda mais felizes e correram com os ingredientes na mão,  após ficar conhecer os outros órfãos Cael passou a cuidar deles, ele vivia roubando, quando era mais novo ele acabou preso muitas vezes.

Ele já era conhecido como um ladrão por todos, apenas o capitão da guarda sabia sobre suas motivações no mínimo nobres.

– Cael venha comer. – Uma voz gentil e feminina chamou por Cael.

Ele se levantou e foi para cozinha, lá estava ela, cabelos loiros, lindos olhos azuis, um belo rosto inocente parecendo um anjo.

– Laura preparou o que? – Perguntou Cael.

Essa jovem era Laura, após alguns anos ela se desabrochou e se tornou uma linda flor, ela se tornaria ainda mais bela no futuro se continuasse dessa maneira.

– Ensopado com legumes. – Ela se virou com uma grande panela. – Crianças se sentem.

As crianças se sentaram em grande mesa, todos comeram com sorrisos felizes no rosto, após terminaram uma das crianças tentou pegar mais.

– Crianças por favor, temos que deixar um pouco para o Henrique.– Disse laura.

– Onde está Henrique? – Perguntou Cael.

– Acho que ele saiu com os amigos de novo.

– Eu já disse para ele, seus “amigos” são influências ruins.

– Cael tenha um pouco de compreensão, ele passou por coisas ruins.

– E nós não! – Cael acabou se exaltando um pouco – Desculpa por isso.

– Crianças vão brincar. – Laura mandou as crianças sairem.

As crianças saíram da sala rapidamente.

– Eu peço desculpas, mas você passa muito a mão na cabeça dele.
– Cael, ele é meu único parente vivo, além de que você também não é a melhor influência.

– Melhor influência? Eu faço isso por vocês.

– Sim, eu entendo e agradeço, graças a você podemos viver bem, mas também me preocupo, você não é mais criança, caso seja preso de novo irá para as masmorras.

– Laura, você sabe que eu gosto de você… eu faço tudo isso por você e pelas crianças. – Cael disse sinceramente.

– Você sabe que desejo me tornar um freira, não posso me casar, além de que, qual futuro poderemos ter?

Após a conversa Laura retirou os pratos e saiu da sala, Cael estava cabisbaixo, enquanto ele pensava alguém bateu na porta, ele se levantou e foi atender.

“Será que Henrique retornou?” Pensou Cael.

Ao abrir a porta Cael se surpreendeu, era o capitão da guarda, Cael estava preparado para fugir, mas lembrou das crianças e ficou em transe.

– Não se preocupe, quero conversar com você, posso entrar?

– Ham… claro capitão.

Cael estava muito nervoso, o capitão dos guardas estava sentado na sua frente, o capitão lutou muito pelo seu cargo, seu poder era sobre humano, mas pensando nisso Cael percebeu, se o capitão realmente quisesse poderia ter pego Cael facilmente, ele já até sabia onde Cael vivia.

– Não precisa ficar nervoso, eu vim lhe oferecer uma oportunidade – Disse o capitão percebendo o nervosismo no jovem – Quantos anos você tem?

– Irei fazer 15 esse ano – No reino de Florence e na maioria dos outros reinos de humanos, a maioridade comum era com 15 anos. – Mas porquê? E qual é a oportunidade?

– Vamos com calma… Um dos guardas acabou falecendo protegendo um nobre, graças a isso abriram vagas mais cedo, eu posso coloca-lo na guarda sem passar por um registro, assim ninguém vai saber dos seus crimes.

– Você está me oferecendo um emprego?

– Eu estou lhe oferecendo redenção, mas não posso fazer o mesmo por Henrique, ele não rouba alimentos e itens de necessidade como você, seus crimes estão ficando cada vez piores, você tem que dar um jeito nele, vários nobres desejam sua cabeça, entregue-o a nós até amanhã de noite.

Cael estava pensando, isso era uma oportunidade de ouro, ele poderia consertar sua vida, cuidar das crianças, com tempo até convencer Laura a ficar com ele, mas isso faria com que ele precisa-se trair Henrique.

– Irei pensar nisso capitão, obrigado.
– Pense com carinho.

O capitão se levantou e saiu andando, ele realmente acreditava que Cael poderia ir longe, ele via o talento no jovem, uma cidade pequena como essa no fim da fronteira não poderia segura-lo.

Cael pensou nisso durante o resto do dia, mas ainda não conseguia trair Henrique, a noite o jovem retornou, Henrique nunca foi com a cara de Cael, mesmo sendo Cael a trazer o sustendo para casa, mas nesse dia ele ágil de maneira estranha.

– Cael estou feliz em vê-lo – Assim que chegou em casa ele o abraçou, Henrique tinha vários hematomas pelo corpo.

– O que houve desta vez? – Disse Cael seriamente, enquanto olhava para os machucados dele.

– Você precisa me ajudar, ou irei morrer!

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